Silveira e Barrinha - A Dupla Dos 22 Estados









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Nivaldo Pedro da Silveira é natural de Uberaba-MG, onde nasceu, no dia de 20/05/1934, tendo falecido no dia 02/02/1999. Abílio Barra nasceu em Conquista-MG no dia 28/12/1929 e faleceu em Goiatuba-GO no dia 10/11/1984.

Nivaldo e Abílio trabalhavam no campo e chegaram a cantar juntos em festivais que eram realizados na região onde nasceram. Nivaldo, porém, continuou estudando em Conquista-MG, enquanto que Abílio se mudou para o Estado de Goiás ainda jovem e a dupla acabou não se consolidando nessa época.

Nivaldo chegou inclusive a formar uma dupla com seu primo Claudionor "Nô" Silveira (Professor de Viola no Estado de Minas Gerais) enquanto que Abílio formou dupla com Mininho.

Foi numa viagem de trem para Uberaba-MG, por ocasião de uma festa de fim de ano, vários anos depois, que Abílio reencontrou Nivaldo, que dedilhava uma Viola. Abílio mostrou então ao Nivaldo uma música que ele havia composto durante uma viagem de São Paulo a Goiás.

Os dois começaram a cantar e logo se juntou uma pequena multidão que passou a apreciar o trabalho da nova dupla que nascia naquele momento naquele vagão de trem.

Após um longo tempo e muitos ensaios, Silveira e Barrinha viajaram para o Rio de Janeiro-RJ, onde se encontraram com o diretor da Continental que, por sua vez, aconselhou-os a voltar para São Paulo-SP. A dupla nessa época também cantava nos comícios de um deputado que estava em campanha eleitoral.

Ainda na Capital Paulista, Silveira e Barrinha se encontraram casualmente com um diretor da Continental, num elevador na sede da gravadora. "Achando engraçado" o jeito caipira da dupla, ele pediu para que cantassem ali mesmo, ocasião em que também estava presente a inesquecível cantora Marlene que gostou e aplaudiu a dupla até então desconhecida.

E, finalmente, no mês de Março de 1955, Silveira e Barrinha lançaram seu primeiro disco 78 RPM pela Continental, tendo num lado o rasqueado "Bugra" (Silveira) e, no outro lado, o cururu "Macho Baio Rompedor" (Barrinha).

No ano seguinte, a dupla gravou outro disco 78 RPM com o cururu "De São Paulo Para Goiás" (Barrinha) (a mesma música que Barrinha havia mostrado ao Silveira naquele trem), e o rasqueado "Morena de 18 Anos" (Barrinha).

Silveira e Barrinha também trabalharam na Rádio Nacional de São Paulo-SP no programa de Nhô Zé, que era apresentado pelos compositores Anacleto Rosas Jr. e Arlindo Pinto.

Algum tempo depois a dupla retornou ao Rio de Janeiro-RJ onde passou a fazer sucesso na na Rádio Mayrink Veiga. Foi, nessa época, em 1959, que eles lançaram "Linda Cigana" (Silveira - Dito Monteiro) (a música cujo trecho o Apreciador ouve ao acessar essa página), que foi um dos maiores sucessos da dupla.

Ao final da década de 1950, Silveira e Barrinha fizeram uma longa tourneé, na qual percorreram quase todos os Estados Brasileiros, ocasião na qual passaram a ser conhecidos como a "Dupla Dos 22 Estados".

A dupla Silveira e Barrinha também se notabilizou por ter sido pioneira em declamar pequenos poemas no meio de Canções Sertanejas.

O sucesso da dupla era cada vez maior no início da década de 1960 e, em 1962, eles gravaram "A Embolada do Bi" (Silveira), que homenageou a Seleção Brasileira de Futebol que havia conquistado o Bi-Campeonato na Copa do Mundo que se realizou no Chile, naquele ano.

Como lamentavelmente é comum acontecer às duplas de sucesso, "fofocas" diversas e o diz-que-diz de falsos amigos acabaram por separar a dupla "Silveira e Barrinha", em 1964, após mais de 10 anos de sucesso. Barrinha formou dupla com Silvério, no Estado de Goiás, tendo formado dupla também com Brazãozinho e com Garoa. Silveira, por sua vez, formou a dupla também famosa juntamente com seu irmão Silveirinha (um dos seus 20 irmãos!).

Agenor Pedro da Silveira, o Silveirinha, nasceu em Uberaba-MG em 1929 e faleceu na Capital Paulista em 1993.

Silveira e Silveirinha fizeram sucesso a partir da década de 1960, ocasião na qual eles se apresentaram na Festa da Trindade, no Estado de Goiás, onde cantaram para um público composto por quase 150 mil pessoas. Data dessa época o sucesso de "Berrante da Madalena" (Faísca), belíssima composição que teve bastante repercussão junto ao público.

Silveira e Barrinha, por outro lado, juntaram novamente suas vozes e o relançamento da dupla se deu num circo na cidade de Dracena-SP, atendendo aos apelos de seus fãs.

E Silveira e Barrinha prosseguiram cantando em dupla por mais oito anos, tendo gravado o último LP no ano de 1982, pela gravadora Xororó. Calcula-se que Silveira e Barrinha tenham gravado um total de cerca de 39 discos 78 RPM, 10 LP's, além de sete "compactos". Silveira afirmava que "...Barrinha é companheiro que sempre tive, e ainda tenho, porque a sua voz está nos discos e isto nunca pode ser separado".

Com o falecimento do Barrinha em 10/11/1984, vítima de doença de Chagas, Silveira prosseguiu sua carreira musical novamente em dupla com seu irmão Silveirinha.

Calcula-se que a dupla Silveira e Silveirinha tenha gravado aproximadamente 45 LP's, além de 9 "compactos", ao longo de 30 anos de carreira, intercalados com a volta da dupla com o Barrinha.

Dentre os diversos sucessos de Silveira e Barrinha, merecem destaque "Coração Apaixonado" (Barrinha), "Morena Bonita" (Barrinha), "Mineiro de Uberaba" (Silveira - Sebastião Victor), "Grinalda Branca" (Silveira) e "Linda Cigana" (Silveira - Dito Monteiro) (a música cujo trecho o Apreciador ouve ao acessar essa página). E, dentre as interpretações de maior sucesso de Silveira e Silveirinha, merecem destaque "Berrante de Madalena" (Faísca), "Velho Amor" (Roberto Stanganelli - Hélio Cavenaghi), "Testamento De Um Pobre Velho" (Roberto Stanganelli - Martins Neto), "Rabo de Galo" (Silveira - Silveirinha) e "Berrante Misterioso" (Martins Neto - Silveira).

E, com o falecimento do Silveirinha em 1993, Silveira decidiu seguir mais adiante com a carreira musical e formou uma nova dupla com seu outro irmão, o Nicanor. E, em 1997, foi lançado o CD "Os irmãos Silveira", com destaque para "Esquecer Nunca Mais" (Paraíso) e "Gaivota Mensageira" (Silveira - Joel Garcia).



Obs.: As informações contidas no texto desta página são originárias principalmente do Livro de Rosa Nepomuceno "Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio", do Livro de Ayrton Mugnaini Jr. "Enciclopédia das Músicas Sertanejas", da Revista Viola Caipira e também do site Dicinário Ricardo Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Ver mais detalhes e links na página Para saber mais... onde constam as Referências Bibliográficas sem as quais a elaboração desse site teria sido impossível.




Essa viagem pela Música Caipira Raiz continua: Clique aqui e pegue o trem, que ele agora irá para Delfinópolis-MG e Lençóis Paulista-SP: conheça essa dupla que, apesar de ter durado pouco, faz parte da História da autêntica Música Caipira Raiz, tendo atuado no final de década de 1950 e início da década de 1960 nas Rádios Difusora e Bandeirantes de São Paulo-SP, além de ter realizado centenas de apresentações nas mais diversas cidades do Interior! Conheça um pouquinho de Nízio e Nézio, dupla que ficou conhecida carinhosamente como "Os Tenores Do Sertão"!


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