Compositores e Poetas da Música Caipira Raiz










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Ouvir Música Caipira





Assim como aconteceu comigo há alguns anos atrás, quando comecei a me interessar pela Boa Música, é provável que muita gente não saiba quem foi, por exemplo, Teddy Vieira, Goiá ou Antenógenes Silva, mas, com certeza, quase todos conhecem grandes sucessos como "Menino da Porteira", "Saudade da Minha Terra" ou "Saudade de Matão" que continuam sendo gravados até hoje pelos melhores intérpretes!

Quero, nessa página, homenagear um tipo de personagem de fundamental importância para a nossa Música Caipira Raiz e que no entanto "quase não aparece", ou seja, é mui pouco divulgado.

Quando ouvimos a música nas emissoras de rádio, o locutor, na maioria das vezes, costuma mencionar apenas o nome da mesma e do intérprete (isso quando menciona, pois muitas emissoras apenas tocam a música sem nada dizer sobre a mesma); também na Internet, quando encontramos links musicais, é comum vermos apenas o nome da composição e do intérprete, sem mencionar o nome do(s) compositor(es).

Considero uma injustiça o fato de termos em geral tanta dificuldade em saber o nome de quem compôs o trabalho do qual tanto gostamos e que nem sempre é de autoria do intérprete! Até mesmo as capas dos LP's e CD's costumam omitir a informação e muitas vezes precisamos ler o nome dos autores das músicas no rótulo do LP ou então dentro do encarte do CD, pois nas "contra-capas", muitas vezes consta apenas e tão somente o nome da música!

Temos alguns exemplos clássicos na nossa Boa Música Brasileira que podem causar confusão e fazer até com que não acertemos na hora da compra de um disco, pois não basta saber o nome da música: é preciso também saber o nome do autor da mesma. Temos por exemplo duas belíssimas músicas que foram gravadas por Nélson Gonçalves e também por Roberto Luna, cujo nome é "Castigo": uma delas foi composta por Dolores Duran ("A gente briga / Diz tanta coisa que não quer dizer..." ) e a outra foi composta por Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves ("Eu sabia que você um dia me procuraria em busca de paz...").

E, na Música Caipira Raiz, temos também um exemplo de duas músicas gravadas por Tião Carreiro e Pardinho em dois discos diferentes e que possuem o mesmo nome, porém de diferentes compositores: "Novo Amor" (Jesus Belmiro - Lourival dos Santos) ("Você não é mais meu grande amor / não adianta querer voltar...") e "Novo Amor" (Retrato - Retrois) ("Estes versos tão tristes que eu canto / só você pode compreender...").

Os compositores são de fundamental importância na criação musical, assim como um belo quadro jamais existiria se não tivesse sido pintado. E, no caso de um quadro, é comum até ser chamado não pelo nome da obra, mas pelo nome do pintor ("O milionário adquiriu um Van Gogh naquele leilão por 10 milhões de dólares...").

Para ilustrar a real importância do Compositor, quero contar um "causo" que me foi contado pelo excelente compositor Roberto Stanganelli, o qual também está presente nessa página:

Conta-se que um matuto possuía na gaiola dois belíssimos canários, dos quais um ficava o tempo todo quietinho, sem sair do lugar e sem emitir nenhum som, enquanto que o outro cantava e alegrava o ambiente durante horas a fio!

Até que apareceu um "cumpadre" que queria comprar a ave canora a qualquer preço, mas somente o passarinho que cantava. Ao que o matuto respondeu que só venderia se fossem os dois juntos e com a gaiola! De outra forma, nada feito!!

- Mas, por quê, ocê só vende os dois?!

- É porque aquele que está quietinho alí no seu cantinho é que compõe o que o outro está sempre a cantar... É o Compositor!!



Pensando nessa importância fundamental, foi que resolvi criar essa página dedicada a


COMPOSITORES E POETAS
da Música Caipira Raiz


Lógico que grandes intérpretes também foram e/ou ainda são grandes compositores, como por exemplo João Pacífico, Raul Torres, Serrinha, Tonico e Tinoco, Tião Carreiro, Carreirinho, Teixeirinha, Rolando Boldrin, Pena Branca e Xavantinho, Zé Mulato e Cassiano, Renato Teixeira e Almir Sater, os quais possuem páginas a eles dedicadas nesse site. Cornélio Pires e seu sobrinho Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado também foram grandes composítores que, devido à sua importância histórica fundamental no começo de tudo na Música Caipira, também têm páginas a eles dedicadas.

Alguns deles inclusive não compuseram apenas Repertório Caipira, como é o caso de Antenógenes Silva, Catulo da Paixão Cearense, Zica Bergami e Joubert de Carvalho, que compuseram também Modinhas, Serestas e outros estilos da Boa Música Brasileira, alguns dos quais bem próximos do Erudito. Como exemplo, podemos citar "Maringá" (Joubert de Carvalho) a qual foi composta no piano, embora tenha um "Sabor Bem Caipira" na interpretação de excelentes intérpretes tais como Pena Branca e Tonico e Tinoco.

Clique no nome do compositor desejado e a página rolará automaticamente para a sua respectiva biografia resumida:



Ademar Braga

Ado Benatti

Aleixinho

Anacleto Rosas Jr.

Antenógenes Silva

Arlindo Pinto

Athos Campos

Bariani Ortêncio

Batista dos Santos

Benedito Seviero

Biá

Caetano Erba

Capitão Barduíno

Catulo da Paixão Cearense

Comendador Biguá

Dino Franco

Elpídio dos Santos

Genésio Tocantins

Geraldo Meirelles

Goiá

Inami Custódio Pinto

Índio Vago

Jeca Mineiro

Jesus Belmiro

José Fortuna

Joubert de Carvalho

Juraíldes da Cruz

Laureano

Lourival dos Santos

Luiz de Castro

Marrequinho

Moacyr dos Santos

Muybo César Cury

Nhô Chico

Nhô Pai

Nonô Basílio

Palmeira

Patativa do Assaré

Piraci

Roberto Stanganelli

Sulino

Teddy Vieira

Tião do Carro

Valdemar Reis

Zacarias Mourão

Zé Paioça

Zica Bergami







Ademar Braga:

Nascido em Pindorama-SP no dia 12/05/1939, o Compositor Ademar Braga foi criado nas fazendas de café daquela região situada entre Catanduva-SP e Itajobí-SP, onde ele já compunha desde os 16 anos de idade.

Quando chegava o Domingo, Ademar Braga caminhava até a cidade para mostrar as suas Composições às diversas Duplas Sertanejas que se apresentavam na antiga Rádio Difusora. Nessa ocasião, Ademar conviveu com Violeiros que depois vieram a se tornar famosos, dentre os quais Liu e Léu, Vidoco, Abel, Dema e Primas Miranda, apenas para citar alguns.

Em 1959 Ademar se mudou juntamente com a família para o município de Guarulhos-SP, onde ele passou a trabalhar numa empresa multinacional.

Ademar Braga chegou a gravar algumas obras na ocasião, no entanto, o trabalho e os estudos acabaram por afastá-lo das Composições por vários anos. O Dom de Compor, no entanto, ficou "guardado lá no fundo" para "vir à tona" mais tarde, como vem acontecendo recentemente, através de novas Composições de sua autoria que vêm sendo gravadas por diversos excelentes interpretes do quilate de Tião do Carro e Santarém, Pedro Bento e Zé da Estrada, Ivan Lobo e Vitor César, Rio Pardo e Odilon, Cacique e Pajé, Dario e Delmonte, Pedro Paulo e Tião Lourenço, Valdo Reis e Pratini, Lourenço e Lourival, Dino Franco e Fandangueiro e muitos outros.

E, como Compositor, Ademar Braga vem recebendo significativas premiações em diversos Festivais de Música Sertaneja. Para ele, é também uma honra ter suas letras musicadas por renomados parceiros tais como: Tião do Carro, Paraíso, Pedro Bento, João Miranda e Dino Franco, além da indescritível satisfação de poder dar a sua pequena contribuição a nossa maravilhosa Música Caipira Raiz.

Quero aqui destacar a belíssima Composição intitulada "Primeira Cartilha" (Ademar Braga - Tião do Carro), gravada pela Dupla "Zé Ricardo e Thomazini", que nos faz "voltar à infância", quando, no Primeiro Ano Primário, a gente estudava na Cartilha "Caminho Suave" e as contra-capas dos cadernos traziam impressa a Letra do Hino Nacional Brasileiro (Francisco Manuel da Silva - General Osório Duque Estrada)!! Quem estudou na Cartilha "Caminho Suave" não se esquece jamais da maneira didática como éramos alfabetizados além das figuras com o formato das letras na Cartilha "Caminho Suave", em que o "J" minúsculo era o "cabo da jarra", enquanto que o "E" minúsculo era a tromba do "elefante", o "C" minúsculo era o rabo do "cachorro", o "F" minúsculo era a "faca", o "M" minúsculo estava nas patas do "macaco", o "N" minúsculo era a fumaça do "navio", e por aí vai...

Quero aqui agradecer ao Apreciador e Compositor Pedro Ornellas pela colaboração e pelo link enviado!

De acordo com Pedro Ornellas, "Meu amigo Ademar Braga é, sem dúvida, um dos melhores Compositores da Música Sertaneja. Suas Composições se igualam às dos grandes Poetas Goiá, José Fortuna, Caetano Erba e Tião do Carro. Todos estes já deixaram nosso convívio, e assim, Poetas desse calibre são 'espécie em extinção', infelizmente, pois a Música Sertaneja enveredou pelos rumos da banalidade e pouco se cultiva letras com Conteúdo e Poesia. Ademar é um desses raros sobreviventes!!!"

Pedro Ornellas enviou o link que repete na íntegra o Programa "Música Regional Brasileira" que foi ao ar no dia 30/10/2010, às 05:00 da manhã pela Rádio Cultura-AM - 1200 kHz de São Paulo-SP! Clique aqui e ouça na íntegra esse programa, apresentado por Sérgio Rodrigues: na primeira meia hora, o destaque ao Compositor Ademar Braga; na segunda meia-hora, o destaque a diversas faixas do inesquecível LP e CD "Caipira - Raízes e Frutos", lançado em 1980 pela Gravadora Eldorado; na terceira parte do programa, Renato Teixeira e Sérgio Reis no excelente Programa Viola Minha Viola, apresentado pela "Madrinha" Inezita Barroso, na TV Cultura de São Paulo-SP; e, na última parte desse programa, uma seleção musical indicada pelos ouvintes!


E, segundo Ademar Braga, "Não reconhecer o Autor é o mesmo que negar a nascente do rio"!


Clique aqui e conheça o Site Oficial do Compositor Ademar Braga onde o Apreciador poderá ouvir algumas de suas belíssimas Composições com excelentes intérpretes, além poder entrar em contato com o Compositor.


Algumas composições de Ademar Braga:

  • A Escolha Certa (Ademar Braga - Valdo Reis)
  • Aonde Eu Moro (Ademar Braga - Rio Pardo)
  • A Semente (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • Baú de Saudade (Ademar Braga - Tião do Carro - Toni Gomide)
  • Caboclo Castiço (Ademar Braga - Dino Franco)
  • Caboclo do Mato (Ademar Braga - Paraíso)
  • Casinha Velha (Ademar Braga - Cacique)
  • Cenas de Saudade (Ademar Braga - Lucemir - Lucemar)
  • Cenas do Passado (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • Coração de Gelo (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • Depois A Gente Se Fala (Tião do Carro - Ademar Braga)
  • Espada Azul (Tião do Carro - Ademar Braga)
  • Estradinha de Areião (Ademar Braga - Brazando)
  • Figueira Velha (Ademar Braga - Zelinho - Lucas Lourenço)
  • Folhas de Outono (Ademar Braga - Valdo Reis)
  • Grande Amor de Minha Vida (Ademar Braga - Dino Franco)
  • Harmonia Sertaneja (Ademar Braga - Paraíso)
  • Janela do Tempo (Ademar Braga - Pedro Bento)
  • Menino Santo (Ademar Braga - Pedro Bento)
  • Morena de Araraquara (Ademar Braga - João Miranda)
  • O Bom Pescador (Ademar Braga - Cacique)
  • O Cachorro Manco (Ademar Braga - João Miranda)
  • O Executivo Caipira (Ademar Braga - Paraíso)
  • O Paciente da Janela (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • O Som da Minha Chibata (Ademar Braga - Cacique)
  • Pedaço da Minha Infância (Ademar Braga - Lorito)
  • Porteira da Saudade (Ademar Braga - Paraíso)
  • Porto da Saudade (Ademar Braga - Dino Franco)
  • Presença Divina (Ademar Braga - Paraíso)
  • Preto Velho Sebastião (Ademar Braga - Pedro Bento)
  • Primeira Cartilha (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • Recanto dos Violeiros (Cacique - Ademar Braga)
  • Sonho de Caboclo (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • Velho Querido (Ademar Braga - João Miranda)
  • Viagem Encantada (Ademar Braga - Brazando)



  • Na foto abaixo (na Churrascaria Tião Carreiro, no dia 26/03/2008, por ocasião do lançamento do segundo CD de Poemas de autoria de José Caetano Erba, declamados por Kleber Oliveira), da esquerda prá direita, Pajé, Ramiro Vióla, Marina Franco (Irmã do Compositor Dino Franco - uma das "Irmãs Franco") e o Compositor Ademar Braga; foto de autoria do Radialista José Francisco (que apresenta junto com Maikel Monteiro o Programa Brasil Caboclo nos 630 kHz da Rádio Paraná Educativa (e-Paraná) - AM de Curitiba-PR, no ar todos os Domingos Das 07:00 às 09:00 da manhã).




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Ricardinho, o Compositor Ademar Braga, Laura e o Radialista José Francisco, também na Churrascaria Tião Carreiro em São Paulo-SP, no dia 26/03/2008.




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o Violeiro Júlio Santin, o Compositor Ademar Braga e o Radialista Valdecir Matioli (que apresenta seu programa "Madrugada Especial" simultaneamente na Rádio ABC de Santo André-SP e na Rádio Atlântica de Santos-SP, diariamente das 00:00 às 05:00 da manhã), por ocasião da posse da Diretoria da ASESP - Associação Dos Sertanejos Da Música Raiz Do Estado De São Paulo-SP, no Teatro da UNIP (Campus Anchieta), no dia 21/11/2009:




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, a Dupla "Rio Pardo e Odilon", o Compositor Ademar Braga e o Radialista Valdecir Matioli (que apresenta seu programa "Madrugada Especial" simultaneamente na Rádio ABC de Santo André-SP e na Rádio Atlântica de Santos-SP, diariamente das 00:00 às 05:00 da manhã), também por ocasião da posse da Diretoria da ASESP - Associação Dos Sertanejos Da Música Raiz Do Estado De São Paulo-SP, no Teatro da UNIP (Campus Anchieta), no mesmo dia 21/11/2009:




    Voltei a me encontrar com o Compositor Ademar Braga no dia 18/01/2011 em Belo Horizonte-MG, por ocasião do Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira!


    Na foto abaixo, Ricardinho e Ademar Braga, que foi contemplado com o Prêmio Rozini, na Categoria "Compositor":




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    Ado Benatti:

    Nasceu em Taquaritinga-SP no dia 23/09/1908 e faleceu em Pirapora do Bom Jesus-SP no dia 04/11/1962.

    Iniciou sua carreira artística compondo emboladas e cantando em programas de calouros. Em 1939 atuou na Rádio Educadora Paulista com o Regional de Caxangá, cantando emboladas. Mais tarde seguiu para a Rádio Difusora de São Paulo.

    Deixou de cantar em 1940 e passou a se dedicar mais à composição. Tornou-se popular com o pseudônimo de Zé do Mato e em 1947 teve sua primeira composição gravada: a Moda de Viola “Destino de um Caboclo” (Ado Benatti - Tonico), na interpretação da dupla Tonico e Tinoco na Continental. A partir daí, passou a se dedicar exclusivamente ao gênero Sertanejo, com inúmeras composições gravadas pelos mais renomados intérpretes e duplas caipiras, tais como " Palmeira e Biá", " Serrinha e Caboclinho", "Zé Carreiro e Carreirinho", "Tonico e Tinoco", Inezita Barroso, "Sulino e Marrueiro", Duo Guarujá, "Cascatinha e Inhana" e "Vieira e Vieirinha", entre outros.

    Foi também autor de várias peças caipiras, entre elas, “O Filho do Sapateiro”, “Sindicato dos Malucos”, “Arma Secreta” (em colaboração com Humberto Pelegrini) e “Mão Criminosa” (em colaboração com Tonico e Tinoco). Publicou também diversos livros de poemas e contos populares.

    Algumas composições de Ado Benatti:

  • A Dama de Vermelho (Jeca Mineiro - Ado Benatti)
  • Adeus Querida (Ado Benatti - Arlindo Pinto)
  • A Morte do Dioguinho (Ado Benatti - Anacleto Rosas Jr. - Serrinha)
  • As Duas Cruis De Ferro (Ado Benatti - Limeira)
  • A Vida do Aleijadinho (S. Pauletti - A. Benatti - Carijó)
  • A Volta do Corumba (Ado Benatti - Sulino)
  • Bandeirante Fernão (Ado Benatti - Campos Negreiro)
  • Besta Ruana (Ado Benatti - Tonico)
  • Bom Jesus de Pirapora (Ado Benatti - Serrinha)
  • Burro de Aço (Ado Benatti - Serrinha)
  • Caçador De Esmeraldas (Ado Benatti - Cascatinha - Campos Negreiros)
  • Campeão Piracicabano (Teddy Vieira - Ado Benatti)
  • Chofer da Estrada (Ado Benatti – Luizinho)
  • Cuiabana (Ado Benatti - Tonico)
  • Destino de um Caboclo (Ado Benatti - Tonico)
  • Encontro Divino (Piraci - Ado Benatti)
  • Falso Juramento (Ado Benatti)
  • Filho De Fazendeiro (Brioso - Brinquinho - Ado Benatti)
  • Gaúcho Independente (Ado Benatti - Jeca Mineiro)
  • Idade Da Inocência (Luisinho - Ado Benatti)
  • Madrasta Perversa (Ado Benatti - Américo Campos)
  • Mandamentos do Chofer (Ado Benatti - Sulino)
  • Morena dos Olhos Pretos (Sulino - Ado Benatti)
  • Norte do Paraná (Ado Benatti - Teddy Vieira)
  • O Azar É Festa (Ado Benatti - João Izidoro Pereira "Zé do Rancho")
  • O Fim Do Zé Carreiro (Ado Benatti - Serrinha)
  • O Gosto do Caipira (Luiz Lauro - Ado Benatti)
  • Os Crimes do Dioguinho (Ado Benatti - Anacleto Rosas Júnior - Serrinha)
  • Paixão de Carreiro (Lourival dos Santos - Ado Benatti)
  • Paixão do Divino (Américo de Campos - Ado Benatti)
  • Pé na Tábua (Ado Benatti - Luizinho - Biguá)
  • Potro Selvagem (Brioso - Ado Benatti - Brinquinho)
  • Promessa Do Batistinha (Moacyr dos Santos - Ado Benatti - Marrueiro)
  • Resposta (Roque José de Almeida - Juvená - Ado Benatti)
  • Rita De Cássia (Rodolfo Vila - Ado Benatti)
  • Roceiro Do Brasil (Zé Pagão - Ado Benatti)
  • Rosa De Sangue (Ado Benatti - Luizinho)
  • Sagrado Ofício (Teddy Vieira - Ado Benatti)
  • Santa Cecília (Ado Benatti - Carlos Piazolli)
  • São Cristóvão (Luizinho - Ado Benatti)
  • Sombra de Mulher (Silveira - Ado Benatti)
  • Sucuri (Zé Carreiro - Ado Benatti)
  • Terra De Anchieta (Ado Benatti - Poly)
  • Transporte de Boiada (Ado Benatti - Ruy de Oliveira)
  • Triste Lembrança (Piraci - Ado Benatti)
  • Vida De Barbeiro (Luizinho - Ado Benatti)
  • Violeiro Sem Medo (Ado Benatti - Brinquinho - Lourival dos Santos)



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    Aleixinho:

    José Paulo Bueno nasceu em Piracaia-SP no ano de 1927. Com apenas treze anos de idade já cantava em dupla com seu irmão Alcides, tendo passado por diversas cidades do Interior Paulista, tais como a sua própria Piracaia natal, além de Nazaré Paulista-SP, Joanópolis-SP, Bragança Paulista-SP e Atibaia-SP.

    Na década de 1940, José Paulo fez seu primeiro trabalho no Rádio com o programa "A Voz de Piracaia"; na mesma época, participou também de diversos espetáculos circenses e foi vencedor do Festival de Violeiros de Joanópolis-SP.

    Foi em 1954 que Aleixinho compôs a célebre “Mãe Amorosa” (Tanabi - Aleixinho), homenageando sua própria mãe que ficara em Piracaia-SP, enquanto ele seguia sua carreira artística na Cidade Grande! Gravada pela primeira vez somente em 1966, foi com essa Música que Aleixinho conquistou o reconhecimento dos admiradores da Música Caipira Raiz em todo o Brasil. E essa belíssima composição foi e continua sendo gravada até hoje por artistas do quilate de Abel e Caim, Vadico e Vidoco, Pedro Bento e Zé da Estrada e Sérgio Reis, apenas para citar alguns.

    Ainda na década de 1950, Aleixinho foi contratado pela Rádio Padre Bento em Guarulhos-SP, cidade onde residiu até o fim de seus dias. Em 1955, Aleixinho foi vencedor no Festival de Violeiros da Rádio Clube de Santo André. E, em 1956, foi apresentador de um programa sertanejo na extinta Rádio São Paulo.

    Em 1977 Aleixinho passou a cantar em dupla com seu filho Hélio Bueno. A nova dupla participou do primeiro programa “Canta Viola” na TV Record de São Paulo-SP e, em 1983, Aleixinho e Hélio Bueno se apresentaram pela primeira vez no Viola Minha Viola que vai ao ar pela TV Cultura de São Paulo, apresentado pela "Madrinha" Inezita Barroso. Desde então, foram centenas de shows em cidades do Interior Paulista e também em diversos Estados Brasileiros.

    Aleixinho também teve diversos reconhecimentos na década de 1990. Dentre eles, o Destaque Cultural na Área de Música, na Semana de Educação e Cultura, promovido pela Secretaria de Cultura de Guarulhos-SP, em 1990, ano no qual foi também homenageado pelos seus 50 anos de carreira, pela Super Rádio Tupi, no programa Arte Brasil. Recebeu também o o título de Cidadão Guarulhense, em 1992. E, em 1998, foi homenageado pelo programa "Viola Viva", com o apoio da Secretaria de Cultura de Guarulhos-SP.

    Durante vários anos Aleixinho cantou em dupla com seu filho Hélio Bueno, tocou a Viola Caipira, dançou Catira, declamou Poemas, contou piadas e "causos". E continuava compondo quando vinha inspiração, jamais "forçando" para compor, já que havia momentos menos férteis e outros em que compunha bastante, corforme ele próprio comentava.

    Aleixinho se manteve em constante atividade praticamente até o final de seus dias. Estava prevista a sua participação na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos-SP, no ano de 2007. No entanto, tendo se sentido mal, precisou ser internado no dia 24 de Agosto num hospital de Guarulhos-SP, onde veio a falecer um mês depois, no dia 24/09/2007, vítima de diverticulite.

    Suas Composições Musicais continuam sendo gravadas por excelentes intérpretes tais como Cacique e Pajé, Brazando e Brazandinho, Pininha e Verinha, Tapajós e Tocantins, Joseval e Joseane, Duo Canto da Terra, Rodrigo Mattos, Os Favoritos da Catira e também as Irmãs Galvão, dentre muitos outros.

    O Radialista Zé Leite divulgou bastante o trabalho musical de Aleixinho na época em que apresentava o programa "No Mourão Da Porteira" que ia ao ar pela Rádio Regional de Guarulhos aos Domingos das 11:00 às 13:00. Atualmente o trabalho desse excelente Radialista pode ser ouvido na Rádio Tupi AM de São Paulo-SP - 1150 kHz - emissora que apresenta excelente Programação dedicada à Música Caipira Raiz, tendo também o Radialista e Compositor Toni Gomide na Programação Musical da Emissora.


    Algumas composições de Aleixinho:

  • A Cilada (Aleixinho - Cacique - Pajé)
  • A Força Da Viola (Cacique - Aleixinho)
  • A Indigente (Cacique - Aleixinho)
  • Amigo do Copo (Aleixinho - Cacique - Pajé)
  • Bonito Avião (Aleixinho - Cacique - Antonio L. Duarte)
  • Caipira Feliz (Zé Batuta - Aleixinho)
  • Chá de Canela (Cacique - Aleixinho)
  • Dose De Amor (Aleixinho - Cacique)
  • Força da Viola (Cacique - Aleixinho)
  • Índios Do Brasil (Cacique - Aleixinho)
  • João Corisco (Tião do Carro - Aleixinho)
  • Mãe Amorosa (Tanabi - Aleixinho)
  • Meu Lugar É Na Roça (Aleixinho - Cacique)
  • Não Sei O Que É Que Eu Tenho (Athos Campos - Aleixinho)
  • O Folgazão e o diabo (Aleixinho - Athos Campos)
  • O Velho Jequitibá (Cacique - Aleixinho)
  • Pai Protetor (Jesus do Chapéu - Aleixinho - Rodrigo Mattos)
  • Última Mancada (Aleixinho - Oswanil Vieira Pinto - Cacique)



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    Anacleto Rosas Jr.:

    Anacleto Rosas Jr. nasceu em 18/07/1911 em Mogi das Cruzes-SP e faleceu em 04/02/1978 em Taubaté-SP. Filho de Anacleto Rosas, Espanhol e de dona Maria Bourdon, Italiana. Após morar algum tempo em Poá-SP, seguiu para São Paulo-SP onde, em 1942, conheceu o Capitão Furtado, que se interessou por suas composições e o apresentou a Palmeira e Piraci, que em 1944 gravaram pela Continental sua primeira composição, a toada "Promessa de Caboclo".

    Anacleto foi compositor de Música Caipira sem nunca ter estudado música: compunha com o Violão nas mãos. Suas primeiras composições, feitas por volta de 1930, foram rancheiras, valseados, sambas e tangos.

    Sua obra foi gravada por diversos intérpretes, tais como Tonico e Tinoco e também Luizinho e Limeira.

    Foram seus parceiros de composição, entre outros, Tonico, Serrinha, Ado Benatti e Brioso. Arlindo Pinto, foi seu maior parceiro, com o qual compôs mais de 20 músicas.

    Um de seus maiores sucessos, foi o valseado "Os Três Boiadeiros", um Clássico Caipira que conta a longa viagem dos amigos tocando a boiada e dos percalços sofridos; foi gravada por Pedro Bento e Zé da Estrada e também por Sérgio Reis.

    Outro grande sucesso de Anacleto Rosas Jr. foi "Aparecida do Norte", em parceria com Tonico: a Música foi composta dentro de um ônibus, quando Anacleto voltava da cidade de Aparecida-SP, onde vendia seus discos. Anacleto foi o primeiro compositor a homenagear a cidade e a Santa Padroeira do Brasil, Nossa Senhora de Aparecida.

    Anacleto também teve um programa de rádio que se iniciava com a seguinte frase: "Acoooorda muierada! Vão prepará o leite do marido que ele tem que trabaiá! Bota a garrafa prá fora que o caminhão vai passá!".

    Foi autor de cerca de 430 composições, segundo dados da “Revista Sertaneja” de 1959, e 60 delas foram feitas para a Dupla Tonico e Tinoco.

    Anacleto Rosas Junior também foi integrante da Dupla "Os Dois Turunas", junto com seu sobrinho Luiz Rosas Sobrinho. O tio e o sobrinho, também se apresentavam como sendo o "Trio Turuna" quando eram acompanhados pelo Acordeonista Anaiel Teodoro do Prado. Eis porque em alguns Discos 78 RPM que foram gravados por eles encontra-se impresso num lado "Dois Turunas" e, no outro lado, "Trio Turuna".

    Em 1960, Anacleto foi também diretor artístico do Selo Sabiá da gravadora Copacabana.

    Recebeu o título de “Cidadão Taubateano” em 1977, um ano antes do seu falecimento.

    Algumas composições de Anacleto Rosas Jr.:

  • A Cruz Do Caminho (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
  • A Fronha (Belmonte - Anacleto Rosas Jr.)
  • A Morte do Canoeiro (Anacleto Rosas Jr.)
  • A Mulher do Canoeiro (Elpídio dos Santos - Anacleto Rosas Jr.)
  • Aparecida do Norte (Dia do Sertanejo) (Anacleto Rosas Jr. - Tonico)
  • Baldrana Macia (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
  • Boi De Carro (Anacleto Rosas Jr. - Tinoco)
  • Boi Penacho (Anacleto Rosas Jr.)
  • Brasil (Arlindo Pinto - Anacleto Rosas Jr.)
  • Burro Picaço (Anacleto Rosas Jr. - Geraldo Costa)
  • Caboclo (Capitão Barduíno - Anacleto Rosas Jr.)
  • Cavalo Preto (Anacleto Rosas Jr.)
  • Cortando Estradão (Anacleto Rosas Jr.)
  • Filho de Mato Grosso (Anacleto Rosas Jr.)
  • Flor Cobiçada (Anacleto Rosas Jr. - Sulino)
  • Fogo no Rancho (Anacleto Rosas Jr. - Elpídio dos Santos)
  • Londrina Rainha (Anacleto Rosas Jr.)
  • Luar de Aquidauana (Zacarias Mourão - Anacleto Rosas Jr.)
  • Mil E Quinhentas Cabeças (Anacleto Rosas Jr.)
  • Moda do Pescador (Anacleto Rosas Jr. - Serrinha)
  • Não Sinto Saudade (Anacleto Rosas Jr. - Patativa)
  • Não Sou Gaúcho (Anacleto Rosas Jr. - Torino)
  • Noite De Lua (Zé Cocão - Anacleto Rosas Jr.)
  • Os Três Boiadeiros (Anacleto Rosas Jr.)
  • Peito Magoado (Anacleto Rosas Jr.)
  • Promessa De Caboclo (Anacleto Rosas Jr.)
  • Querência Amada (Anacleto Rosas Jr. - Luizinho)
  • Rancho Vazio (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
  • Recado (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
  • Rei Da Guasca (Anacleto Rosas Jr. - Tonico)
  • Romaria (Anacleto Rosas Jr. - Dois Turunas)
  • Solteiro É Mió (Anacleto Rosas Jr.)
  • Triste Despedida (Tonico - Tinoco - Anacleto Rosas Jr.)
  • Trucada (Anacleto Rosas Jr. - Limeira)
  • Zé Valente (Anacleto Rosas Jr.)



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    Antenógenes Silva:

    Antônio Honório da Silva, ou Antenógenes Silva, Compositor e Acordeonista, conhecido como “O Mago do Acordeon”. Nasceu em Uberaba MG, em 30/10/1906, onde fez os seus primeiros estudos. Aprendeu a tocar Acordeon e também estudou Teoria Musical. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 09/03/2001.

    Em 1929 fez suas primeiras gravações, em solo de Acordeon, na RCA-Victor: o choro “Gostei da tua Caída”, a valsa “Norma”, o maxixe “Saudade de Uberaba” e a valsa “Feliz de Quem Ama” (todas de sua autoria). Autor de sucessos como: “Alegria” (1933), as valsas “Pisando Corações” (com Ernâni Campos, 1936) e “Saudades de Matão” (com Jorge Gallatti e Raul Torres, 1937) (esta conhecidíssima valsa descoberta por Raul Torres na Estação Ferroviária de Bebedouro-SP, e que gerou inúmeras controvérsias com relação à autoria da mesma), “Saudades de Petrópolis” (1942), “Mês de Maria” (1947) e outros mais.

    Manteve também durante vários anos no Rio de Janeiro uma escola de Acordeon para profissionais, que incluía cursos de teoria, solfejo e harmonia.

    Trabalhou no rádio e na TV, onde apresentou o programa “O Rancho Alegre de Paulo Bob”. Em 1957, ganhou o primeiro prêmio num festival na Alemanha tocando Sanfona de Oito Baixos.

    Antenógenes Silva faleceu em 09/03/2001 no Rio de Janeiro, aos 94 anos, vítima de insuficiência renal.

    Algumas composições de Antenógenes Silva:

  • Alegria (Antenógenes Silva)
  • Até O Mar Chorou (Antenógenes Silva)
  • Feliz de quem Ama (Antenógenes Silva)
  • Gostei da tua Caída (Antenógenes Silva)
  • Norma (Antenógenes Silva)
  • Pisando Corações (Antenógenes Silva - Ernani Campos)
  • Saudade de Uberaba (Antenógenes Silva)
  • Saudade Eu Tenho (Antenógenes Silva - De Moraes)
  • Saudades de Matão (Antenógenes Silva – Jorge Galatti – Raul Torres)
  • Saudades de Ouro Preto (adapt.: Antenógenes Silva - Edmundo Lys)
  • Se Amas, és Feliz (Antenógenes Silva - Oswaldo Santiago)
  • Sueli (Antenógenes Silva - Miguel de Lima)



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    Arlindo Pinto:

    Arlindo Pinto dos Santos nasceu em São Paulo-SP no dia 19/09/1906 e faleceu também na Capital Paulista no dia 29/04/1968.

    Tendo trabalhado como gráfico, Arlindo Pinto adquiriu o gosto pela leitura e começou a escrever versos e paródias, os quais apresentava em diversas festas, circos e teatros. Arlindo também interpretou monólogos de sua própria autoria no Teatro de Comédia.

    Em 1928, Arlindo passou a fazer parte da Guarda Civil de São Paulo, tendo permanecido durante 25 anos na Corporação.

    Ao final da década de 1940, Arlindo Pinto já vinha sendo considerado como um dos mais importantes Compositores Sertanejos. Sua primeira composição gravada foi a moda "Desafio Nº 2" (Arlindo Pinto), interpretação que ficou a cargo de Nhá Zefa.

    Arlindo compôs suas Músicas em ritmos diversos, tais como Xote, Arrasta-Pé, Samba, Chorinho, Valsa, Moda De Viola, Foxtrote, Tango, Polca, Guarânia e Rasqueado, entre outros.

    Em 1945, sua composição "Alô Mister Johnny" (Arlindo Pinto - Hélio Sindô) foi gravada pela dupla Brinquinho e Brioso. E em 1947, seu Foxtrote "Vaqueiro de Verdade" (Arlindo Pinto - Anacleto Rosas Jr.) foi gravado por Monte Alegre e, nesse mesmo ano, Tonico e Tinoco gravaram as Modas De Viola "A Cruz Do Caminho" (Arlindo Pinto - Anacleto Rosas Jr.) e "Boiadeiro Entrevado" (Arlindo Pinto - Geraldo Costa). A Dupla Coração do Brasil também gravou em 1949 a Moda De Viola "Rancho Vazio" (Arlindo Pinto - Anacleto Rosas Jr.) e, na mesma época, Sólon Sales gravou "Segue Teu Caminho" (Mário Zan - Arlindo Pinto) composição que foi um dos primeiros grandes sucessos de autoria de Arlindo Pinto.

    Arlindo teve também diversas de suas composições gravadas pela dupla " Palmeira e Luizinho", tais como a Valsa "Marcaremos Casamento" (Arlindo Pinto - Anacleto Rosas Jr.), o Xote "O Estoro da Boiada" (Mário Zan - Arlindo Pinto), a Moda De Viola "Chico Raimundo" (Arlindo Pinto) e o Cururu "Bom Jesus de Pirapora" (Arlindo Pinto - Palmeira).

    Curiosamente, a cantora Inhana gravou em 1949 o baião "O Segredo Está No Molho" (Arlindo Pinto - Palmeira), que foi uma rara interpretação dela sem o seu esposo e parceiro Cascatinha.

    Em 1953, Luizinho e Limeira gravaram o galope "Gaúcho Amigo" (Arlindo Pinto - Luizinho), enquanto que " Palmeira e Biá" gravaram "O Preço do Pecado" (Arlindo Pinto - Palmeira), no mesmo ano.

    E foi no ano seguinte, 1954, que o inesquecível Acordeonista Mário Zan lançou pela gravadora RCA Victor (hoje BMG) o célebre Rasqueado "Chalana" (Mário Zan - Arlindo Pinto), Rasqueado esse que foi sem dúvida o maior sucesso de Arlindo Pinto como compositor, e que também foi gravado (cantado ou na forma instrumental) por inúmeros intérpretes do quilate de Tonico e Tinoco, Trio da Vitória, Irmãs Castro, Irmãs Galvão, Suzamar, Pena Branca e Xavantinho, Sérgio Reis, Almir Sater, Alzira e Tetê Espindola, Inezita Barroso, Roberto Corrêa, Helena Meirelles, Pereira da Viola, Mazinho Quevedo, Nestor da Viola, Enúbio Queiroz, Zé do Rancho, Luís Bourdon e Hélio Rios, apenas para citar alguns!

    Outros dois grandes sucessos de autoria de Arlindo Pinto foram a Valsa "Cantando" (Arlindo Pinto - Mário Zan), gravada em 1957 pelo Duo Irmãs Celeste (que, para nossa felicidade, foi remasterizada no CD "50 Anos de Música Sertaneja" lançado em 1999 BMG) e o rasqueado "Baldrana Macia" (Arlindo Pinto - Anacleto Rosas Jr.), gravada por Luiz Gonzaga no LP "Luiz 'Lua' Gonzaga" em 1961. Esse rasqueado também foi gravado por diversos outros intérpretes, dentre os quais, Sérgio Reis, Brasão e Brasãozinho e " Biá e Dino Franco".

    Arlindo Pinto contou com diversos parceiros na Composição tais como Mário Zan, Tonico, Priminho, Geraldo Costa, Palmeira, Luizinho e Hélio Sindô, apenas para citar alguns. E, seu maior parceiro foi sem dúvida Anacleto Rosas Jr. que dividiu com Arlindo a autoria de mais de 15 belíssimas composições.

    O riquíssimo repertório de Arlindo Pinto foi gravado pelos mais diversos intérpretes da Música Caipira Raiz e também da Fina Flor da MPB. Além dos já citados acima, merecem destaque também " Raul Torres e Florêncio", Trio Orixá, Zé Cupido, Duo Batuíra, Campanha e Cuiabano, Duo Guarujá, Vieira e Vieirinha e muitos outros!

    Ayrton Mugnaini Jr., na página 153 do seu livro "Enciclopédia das Músicas Sertanejas" - Editora Letras & Letras - 2001 - adverte o Apreciador para que não confunda o Compositor Arlindo Pinto dos Santos com o jornalista Arlindo Pinto de Souza (foto à direita), que foi o fundador da revista "Moda e Viola" e também autor de "Minha Viola" (Tonico - Nhô Moraes - Arlindo Pinto de Souza) (gravada pela dupla Tonico e Tinoco).

    É comum, no entanto, encontrarmos em algumas biografias o nome do compositor tendo o sobrenome Dos Santos que é na verdade o sobrenome do mencionado jornalista.

    Clique na foto abaixo e veja o artigo publicado na Revista "Moda e Viola" sobre "Arlindo Pinto de Souza, nosso Diretor Secretário e Arlindo Pinto, o Compositor":



    E, na foto abaixo, da esquerda prá direita, quatro grandes Compositores da Música Caipira Raiz: Anacleto Rosas Jr., Teddy Vieira, Arlindo Pinto e Ado Benatti.



    Algumas composições de Arlindo Pinto:

  • A Cruz Do Caminho (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
  • Adeus Querida (Ado Benatti - Arlindo Pinto)
  • Amor De Caboclo (Anacleto Rosas Júnior - Arlindo Pinto)
  • A Morte do Gavião (Arlindo Pinto)
  • Apenas Uma Cartinha (Geraldo Costa - Arlindo Pinto)
  • Ausência (Arlindo Pinto - Mário Zan)
  • Baldrana macia (Arlindo Pinto - Anacleto Rosas Jr.)
  • Boiadeiro Entrevado (Arlindo Pinto - Geraldo Costa)
  • Brasil (Arlindo Pinto - Anacleto Rosas Jr.)
  • Briga Na Festança (Arlindo Pinto - Zezé Campos)
  • Cantando (Arlindo Pinto - Mário Zan)
  • Cidades de Mato Grosso (Mário Zan - Arlindo Pinto)
  • Cigana (Arlindo Pinto - J. Alves)
  • Chalana (Arlindo Pinto - Mário Zan)
  • Galopando (Arlindo Pinto - Torino - Isaías Vieira)
  • Gaúcho Amigo (Luizinho - Arlindo Pinto)
  • Jerimum (Arlindo Pinto)
  • O Segredo Está No Molho (Arlindo Pinto - Palmeira)
  • Rancho Vazio (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
  • Recado (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto)
  • Remorso (Anacleto Rosas Júnior - Arlindo Pinto)
  • Rio Grande Do Sul (Arlindo Pinto - Luizinho)
  • Segue Teu Caminho (Mário Zan - Arlindo Pinto)
  • Violão Amigo (Arlindo Pinto - Priminho)
  • Quando o Destino (José Alfredo Gimenez - Arlindo Pinto)



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    Athos Campos:

    Athos Campos, assim como Rolando Boldrin, possui também o nome artístico igual ao seu nome completo. Nasceu em 14/07/1923 na cidade de Bebedouro-SP e faleceu no dia 01/11/1992 em Bragança Paulista-SP.

    Compositor, Violeiro, Folclorista e Radialista, em 1939, com apenas 16 anos de idade, em parceria com Serrinha, compôs "Chitãozinho e Xororó", sua primeira música que foi justamente o seu maior sucesso, e que foi regravada várias dezenas de vezes pelos mais renomados intérpretes da Música Caipira Raiz tais como " Tonico e Tinoco", " Serrinha e Caboclinho", " Serrinha e Zé do Rancho" e " Pedro Bento e Zé da Estrada", apenas para citar alguns.

    Essa belíssima composição conta a estória do "inhambuxintã" e do "inhambuxororó" (Crypturellus tataupa e Crypturellus parvirostris, respectivamente, dois pássaros da família dos Inhambus) e ressalta também a beleza e a simplicidade da vida no campo, mesmo vivendo num "ranchinho amarradinho de cipó", sem vizinhos ao redor, ouvindo o canto do galo carijó, além dos pios da coruja, do jaó, do "inhambu-chitã" e do "xororó". Na foto acima e à esquerda, o Inhambuxintã.

    E na foto à direita, o "inhambuxororó", que em outras regiões é também conhecido como "sururina": a mesma "sururina" que à tarde "chora a sua viuvêz" que foi imortalizada no belíssimo poema do "Luar do Sertão" ( Catulo da Paixão Cearense - João Pernambuco). O "Cumpadre" Luiz Viola de Bauru-SP escreveu um excelente Artigo sobre o "inhambuxororó" no Blog O Violeiro, em matéria publicada no dia 10/02/2005, intitulada "Etimologia Enviolada". No entanto, esse excelente Blog que continha informações preciosas sobre a Viola e a Cultura Caipira, não existe mais... Com muita tristeza, eu tenho que noticiar que, no início de 2013 o UOL "fez o favor" de desativar o Blog, e o Site O Violeiro do "Cumpadre" Luiz Viola, diminuindo drasticamente a quantidade de Conteúdo Cultural na Internet... Lamentavelmente só nos resta continuar visitando o Trabalho de Artes Plásticas do "Cumpadre" Luiz Viola, em seu Blog O Desenhista... E a ordem é: conheça-o, antes que mais uma "mente inculta" resolva tirá-lo do ar...

    Athos Campos também foi radialista na Capital Paulista e, durante 17 anos foi produtor do excelente programa Viola Minha Viola na TV Cultura de São Paulo-SP, apresentado por Inezita Barroso.

    Athos Campos passou a residir em Mairiporã-SP no final da década de 1930, tendo inclusive composto o Hino Municipal da respectiva cidade, a qual se orgulha de ter sido a terra querida e amada pelo compositor.

    Além de "Chitãozinho e Xororó" (Serrinha - Athos Campos), Athos Campos também compôs outras belíssimas obras-primas do repertório Caipira Raiz, dentre elas, "Sinhazinha" (Athos Campos - Índio Vago), "Bate na Viola" (Athos Campos), "Samba de Roda (Athos Campos - Geraldo Meireles)" e "Viola Sem Defeito" (Athos Campos), apenas para citar algumas.

    Fazendo imitações de animais, Athos Campos também participou do primeiro LP da dupla Chitãozinho e Xororó ("Os Garotinhos Do Paraná"), quando eles ainda eram adolescentes e não haviam "mudado a voz"; e nesse LP, os meninos também interpretaram sua célebre composição que também deu o nome à nova dupla que surgia! Curiosamente, a preferida de Athos Campos não era famosa toada já mencionada que homenageia os dois passarinhos. A que ele mais gostava era "Sinhazinha" (Athos Campos - Índio Vago).

    Athos Campos foi, sem dúvida, um dos artistas mais importantes do nosso país e sempre defendeu as Raízes Culturais do povo. Através de seus programas de rádio e TV, costumava sempre denunciar o mercantilismo que já começava a deturpar a Música Caipira Raiz.

    Lamentavelmente, Athos Campos veio a falecer no dia 01/11/1992 em Bragança Paulista-SP em precárias condições financeiras, não tendo podido tratar eficientemente de duas pneumonias e de dois derrames de que foi vítima. Seus últimos dias ele passou fazendo diálises no porão da casa de sua filha num abandono total...

    Algumas composições de Athos Campos:

  • A Saudade Continua (Athos Campos - Índio Vago)
  • Bate Na Viola (Athos Campos)
  • Boiada Saudosa (Athos Campos - Serrinha)
  • Chitãozinho e Xororó (Athos Campos - Serrinha)
  • Divertimento de Violeiro (Serrinha - Athos Campos)
  • Não Sei O Que É Que Eu Tenho (Athos Campos - Aleixinho)
  • O Folgazão e o diabo (Aleixinho - Athos Campos)
  • Onde Canta O Chororó (Athos Campos)
  • Samba De Roda (Athos Campos - Geraldo Meireles)
  • Sinhazinha (Athos Campos - Índio Vago)
  • Viola Sem Defeito (Athos Campos)



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    Bariani Ortêncio:

    Nascido em Igarapava-SP, no dia 24/07/1923, Waldomiro Bariani Ortêncio, além de Compositor, é também Escritor, Pesquisador da Cultura Popular e Presidente de Honra da Comissão Goiana de Folclore, além de ser também Membro da Academia Goiana de Letras.

    Alguns biógrafos mencionam como sendo 24/10/1923 a data de nascimento da Bariani Ortêncio, quando na verdade, essa foi a data na qual ele foi registrado.

    Waldomiro, quando criança, trabalhou como Alfaiate. Na década de 1940, ele foi Goleiro do Atlético Clube Goianiense (num tempo em que Jogador de Futebol realmente gostava do "Esporte Bretão", já que não ganhava praticamente nada de salário!). Waldomiro foi também Professor de Matemática, Comerciante, Fazendeiro, Industrial e Minerador, além de ter cursado também o primeiro ano de Odontologia.

    Como Escritor, Bariani Ortêncio publicou diversos livros, dentre os quais "Dicionário do Brasil Central" - Editora Ática - 1983, "O Homem Que Não Teimava" - Editora Saraiva - 2000, "Cartilha do Folclore Brasileiro" - Editora da UCG - Universidade Católica de Goiás - 1997, "O Enigma do Saco Azul" - Editora Atual, "Cozinha Goiana - Estudo e Receituário" - Kelps Editora - 2001 e "Medicina Popular do Centro-Oeste" (1997), além do famosíssimo "Sertão Sem Fim" e "O Que Foi Pelo Sertão" (seu primeiro livro), ambos de edição esgotada.

    Caso deseje, o Apreciador poderá adquirir livros escritos por Bariani Ortêncio na Submarino. Para isso, basta clicar no "banner" abaixo:



    Como Compositor, Waldomiro é autor de Tangos, Guarânias, Congadas e Corridos, entre outros ritmos e teve suas primeiras Composições gravadas a partir de 1957, por diversos intérpretes, dentre os quais "Irmãs Santos", "Duo Paranaense", "Trio da Vitória", "Duo Estrela D'Alva" e Duo Guarujá, dentre outros.

    E, em 1960, por ocasião da inauguração da nova Capital do Brasil (em 21/04/1960), a Orquestra e Coro RGE gravou a Marcha "Brasília Vinte E Um De Abril" (Waldomiro Bariani Ortêncio), no Disco 78 RPM Nº 10.229. E, no Lado B do mesmo disco, a Marcha "Brasília A Capital Da Esperança" (Henrique Simonetti - Capitão Furtado).

    Além de seu excelente trabalho pelo Folclore e pela Boa Música Brasileira, esse "Paulista de Coração Goiano", também é famoso pelo seu "Bazar Paulistinha" (o famoso "Bazar do Waldomiro") em Goiânia-GO, que é inclusive citado em diversos clássicos do repertório Caipira Raiz, como por exemplo "Pagode em Brasília" (Lourival dos Santos - Teddy Vieira), "Visita a Goiás" (Goiá - Sidon Barbosa) e "Saudade de Goiás" (Goiá - Amaraí). A matriz do "Bazar do Waldomiro" fica na Av. Anhanguera Nº 5290 - Setor Central - 74043-010 - Goiânia-GO - F.: (62) 3224-4607, tendo também filiais no Goiania-Shop e no Shopping Flamboyant.


    "...No Estado de Goiás meu Pagode está mandando,
    O Bazar do Waldomiro em Brasília é o soberano,
    No repique da Viola balancei o chão goiano,
    Vou fazer a retirada e despedir dos paulistanos,
    Adeus que eu já vou me embora, que Goiás tá me chamando..."

    "Pagode em Brasília" (Lourival dos Santos - Teddy Vieira)


    "...Quero visitar o Bazar Paulistinha,
    Ver o Waldomiro velho companheiro,
    E convidá-lo para meu parceiro
    Numa pescaria no rio Araguaia,
    Depois pretendo rever as fazendas,
    E, revivendo um tempo saudoso,
    Ouvir o pio do Jaó manhoso
    Nas matas goianas quando o sol desmaia..."

    "Visita a Goiás" (Goiá - Sidon Barbosa)


    "...Goiás é saudade em tudo que falo,
    Às vezes me calo por essa razão,
    Mas o Valdomiro Bariani Ortêncio
    Rompeu o silêncio do meu coração
    Porque em seu livro
    'Sertão Sem Fim'
    Mandou para mim recordação..."

    "Saudade de Goiás" (Goiá - Amaraí)




    Clique aqui e ouça "Treze de Dezembro" (Waldomiro Bariani Ortêncio) interpretada por Adolfinho e Chitãozinho, numa gravação histórica do Disco 78 RPM - 5938 - Lado A - Gravadora Copacabana - Gravado na década de 1950 - do Acervo de José Ramos Tinhorão - num excelente Arquivo Musical pertencente ao IMS - Instituto Moreira Salles, excelente site que se preocupa com a Preservação de Inestimáveis Acervos Brasileiros em termos de Música, Fotografia, Artes Plásticas e Biblioteca, o qual convido o Apreciador a visitar!


    Clique aqui, veja a letra e ouça "Saudade de Goiás" (Goiá - Amaraí) interpretada por Belmonte e Amaraí, num vídeo do Youtube, que faz parte do site Letras de Músicas.


    Tive a felicidade de conhecer pessoalmente o Waldomiro Bariani Ortêncio (com seus 87 anos de idade e irradiando uma simpatia fora do cumum!!!), na viagem que fiz com minha Esposa (a Netinha) a Goiânia-GO entre os dias 13 e 17/09/2010, ocasião na qual também conhecemos a histórica cidade de Goiás-GO, que é a terra-natal da Cora Coralina e também da Ely Camargo.

    Tive a honra de conhecer, também nessa ocasião, a Presidente Fátima Paraguassu e também a Segunda Secretária Izabel Cristina Alves Signoreli, da Comissão Goiana de Folclore).

    Na foto abaixo, Waldomiro Bariani Ortêncio, em sua Biblioteca, em Goiânia-GO, no dia 13/09/2010:




    Na foto abaixo, Waldomiro Bariani Ortêncio e Ricardinho, em Goiânia-GO, no dia 13/09/2010:




    Na foto abaixo, Waldomiro Bariani Ortêncio e seu Gramophone, no seu Acervo, em Goiânia-GO, no dia 13/09/2010:




    Na foto abaixo, Waldomiro Bariani Ortêncio em sua residência em Goiânia-GO, no dia 13/09/2010:




    Na foto abaixo, Ricardinho em frente ao Bazar Paulistinha, no Shopping Flamboyant, em Goiânia-GO, no dia 13/09/2010:




    Na foto abaixo, Ricardinho no Bazar Paulistinha, no Goiania-Shop, em Goiânia-GO, no dia 14/09/2010:




    Na foto abaixo, Ricardinho em frente à matriz do Bazar Paulistinha, na Av. Anhanguera Nº 5290, em Goiânia-GO, no dia 15/09/2010:




    Na foto abaixo, Ricardinho, Waldomiro Bariani Ortêncio e Netinha, em Goiânia-GO, no dia 15/09/2010:




    Na foto abaixo, Waldomiro Bariani Ortêncio, Ricardinho e Fátima Paraguassu (a Presidente da Comissão Goiana de Folclore), em Goiânia-GO, no dia 15/09/2010:




    Na foto abaixo, Izabel Signoreli (Segunda Secretária da Comissão Goiana de Folclore), Waldomiro Bariani Ortêncio, Ricardinho e Fátima Paraguassu (a Presidente da Comissão Goiana de Folclore), em Goiânia-GO, no dia 15/09/2010:




    Na foto abaixo, Waldomiro Bariani Ortêncio, Ricardinho, Fátima Paraguassu (a Presidente da Comissão Goiana de Folclore) e Netinha, em Goiânia-GO, no dia 15/09/2010:




    Clique aqui e conheça o Blog da Comissão Goiana de Folclore, elaborado pela Fátima Paraguassu, que preside essa Instituição da Sociedade Civil, sem fins lucrativos, que tem, como Missão, identificar os vários sotaques da Cultura Popular do Estado de Goiás, promover a incorporação dos saberes, fazeres e falares ao conteúdo das Escolas, para que o Estudante, conheça, aprenda a gostar e crie o sentimento de pertencimento dentro de uma Identidade Coletiva!

    Quero aqui agradecer à Fátima Paraguassu, que fez a "ponte", para que eu e minha Esposa (a Netinha) pudéssemos conhecer pessoalmente essa Grande Enciclopédia de Folclore que é o Waldomiro Bariani Ortêncio!!!

    Muito obrigado, "Cumadre" Fátima!!!


    Algumas composições de Bariani Ortêncio:

  • A Última Serenata (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Acalma Coração (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Agüenta Coração (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Amore Mio (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Aruanã (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Ave-Maria (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Brasília, 21 de Abril (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Café Recalentado (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Cantador (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Como Esquecer Você? (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • De Amor Também Se Morre (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Despedindo de Ti (Waldomiro Bariani Ortêncio - Rezendinho)
  • Destinos Iguais (Waldomiro Bariani Ortêncio - Caetano Somma)
  • Direitos Humanos (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Encantamento (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Entre Copas (Waldomiro Bariani Ortêncio - Zacarias Mourão - João de Deus)
  • Enxugue A Lágrima (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Ergam As Taças (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Espera Acontecer (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Folia de Nossa Senhora da Guia (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Folia de Nossa Senhora do Rosário (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Folia de Reis (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Folia de Santa Luzia (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Folia de São João (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Folia do Divino (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Folia do Divino Pai Eterno (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Galo de Briga (Waldomiro Bariani Ortêncio - Augusto Roselen)
  • Galo Velho (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Garça Branca (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Ladra (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Mágoas Trocadas (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Maria-Maria (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Me Deixa Devagarinho (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Moço De Fora (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Não me Pergunte (Waldomiro Bariani Ortêncio - Nízio)
  • Não Saberei Sofrer (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • No Abandono (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Nome Santo (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Nossa Senhora da Guia (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • O Místico (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • O Que é o Amor (Waldomiro Bariani Ortêncio - Zacarias Mourão)
  • Outono Da Vida (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Pensas Em Mim (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Por Que? (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Qualquer Coisa (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Quinta Comarca (Waldomiro Bariani Ortêncio - Odilon Faria)
  • Relembrando Nelson Gonçalves (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Remédio De Amor (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Santa Isabel (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Senhora da Abadia (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Severino (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Treze de Dezembro (Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • Voltarás (Waldomiro Bariani Ortêncio - Heitor Cardoso)
  • Vou-se Embora (Waldomiro Bariani Ortêncio - Ramiro Hernández)



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    Batista dos Santos:

    José Batista dos Santos é natural de Fartura-SP, onde nasceu, no dia 20/07/1956.

    Quero aqui passar a palavra ao próprio Batista dos Santos para que ele conte ao Apreciador a sua brilhante Trajetória Musical:

    " Meu pai, natural da cidade de Martinho Campos-MG, próximo à Monte Claros-MG, tocava Sanfona de Oito Baixos. O que eu mais admirava nele era a facilidade que tinha para improvisar versos em repentes cantados no estilo de Calango.

    Vez ou outra eu o encontrava cantarolando seus versos ao tamborilar sobre o tampo da mesa com uma caixa de fósforos.

    Desde a idade de seis anos eu já sonhava em cantar, tocar, compor e viver no meio da Arte Musical.

    Durante a juventude eu sentava num banco do jardim e ficava ouvindo as Músicas que tocavam no serviço de radiofusão do coreto da praça. Decorava as letras das Músicas e ficava cantarolando por todo lugar que eu ia.

    Um dia a minha irmã mais velha trouxe da cidade uma revista de letras de Músicas cantadas pela dupla Tonico e Tinoco e me deu de presente.

    Entre as Músicas do pequeno livreto se destacavam 'Pangaré' (Cascatinha - Carreirinho) e 'O Gondoleiro do Amor' (Castro Alves - Salvador Fábregas). Eu passava o dia todo cantando essas duas Canções pelos quatro cantos do terreiro do quintal da pequena propriedade rural onde morávamos.

    Minha mãe, natural da cidade de Itai-SP, observando a minha inclinação, pediu ao meu pai para que comprasse um 'Violãozinho' de presente prá mim lá no 'armazém' da cidade.

    Depois de alguns dias sem resposta eu fui perguntar a ela sobre o 'Violãozinho', mas recebi a noticia de que meu pai não havia aprovado a compra por achar muito caro.

    Aos 11 anos de idade eu fui morar com uma das minhas irmãs na cidade de Piraju-SP no Vale do Paranapanema. Lá, aos 12 anos de idade, comecei a estudar Teoria Musical.

    Quando cheguei na 48ª lição da 'Bona' (Método de Ensino de Teoria Musical) o meu Professor, Maestro Lázaro Coser, entregou-me um Trombone para que eu começasse a praticar alguns exercícios.

    Em pouco tempo de estudo eu ingressei na Banda Musical da Guarda Mirim da cidade de Piraju-SP.

    Além de ter a oportunidade para desenvolver o dom pela Música, recebí naquela instituição a orientação necessária para a minha formação cívica e educacional, base dos valores morais e éticos que estabeleci como diretriz para a minha vida.

    Deixo aqui meus eternos agradecimentos ao Sr. Constantino Leman, Presidente da Instituição, e ao Policial Militar Euclides Fernandes Zampieri, dedicados e inesquecíveis Orientadores Educacionais daquela Coorporação.

    Eu tinha facilidade para aprender as lições das partituras e, de outra parte, tirava sons estilizados do Instrumento, destacando-me entre os demais componentes da Banda.

    Ao sentir a minha empolgação pela Arte Musical certa vez o Maestro me chamou para uma conversa particular e me disse:
    'Batista, você tem todas as características para ser um excelente Músico. Entretanto, no nosso país, Músico não tem nenhum valor profissional. Por isso, não se deixe enganar. Dê prioridade aos seus estudos e ao seu trabalho (Office-Boy do Banespa) para que você tenha um futuro melhor.'

    Deixei a Música para um segundo plano e nunca esqueci daquele conselho.

    Naquela ocasião eu já tinha 16 anos de idade. Passei dias refletindo sobre a situação econômica da minha família. Eu tinha que trabalhar para ajudar na subsistência dos meus pais e irmãos.

    Com muita tristeza cheguei à conclusão de que o experiente Maestro tinha toda razão... Naquele mesmo ano eu voltei para morar na casa dos meus pais, na cidade vizinha de Taquarituba-SP.

    Sem emprego... Sem amigos na cidade... Tendo que mudar de Escola no meio do ano... Entristecido com a mudança radical pela qual estava passando, começei a escrever versos onde constestava a realidade, manifestava saudades e falava das paixoes da juventude...

    Naquela ocasião eu comecei a dedilhar um Violão de propriedade de um dos meus irmãos. Quando eu chegava do Colégio, por volta das 23:00, eu ficava até altas horas da madrugada sentado na cama e dedilhando o Violão, abafando as cordas com a palma da mão, para não acordar os demais...

    No ano de 1977 eu fui embora para São Paulo - Capital, com 21 anos de idade.

    A solidão da Cidade Grande me empurrou ainda mais para a vida contemplativa e, conseqüentemente, brotava muito mais inspirações para escrever...

    Eu tinha uma mala de couro e um Violão que eu carregava por todos os lugares onde eu morei. Naquela mala, além das roupas, eu mantinha um caderno e inúmeros pedaços de papel sobre os quais eu escrevia os meus versos.

    Entre os pedaços de papel havia uma infinidade de guardanapos de balcão de bar nos quais eu registrava as inspirações inesperadas que brotavam durante as rondas boêmias que eu fazia diariamente pela Capital Paulista.

    Em 19 de dezembro de 1977, ingressei, através de Concurso, na PETROBRAS DISTRIBUIDORA S. A, no cargo de Auxiliar de Escritório. Ali eu iniciava o plano do meu primeiro objetivo.

    Depois veio o desejo de cursar uma Faculdade. Iniciei o curso de Administração de Empresas, mas tive dificuldades financeiras para pagar as mensalidades e acabei abandonando o estudo.

    Dois anos depois retornei à Faculdade no curso de Economia. Mas tive que interromper o curso em função de dificuldades financeiras novamente.

    Depois de casado, já com 34 anos, após já ter recebido três promoções na PETROBRAS, iniciei o Curso de Direito, que concluí no ano de 1986.

    Em 1992 eu conclui o curso de Pós-Graduação em Administração de Marketing na PUCCAMP. Pronto. Agora só restava zelar pela Carreira Profissional.

    Aí voltei a escrever numa produção imensurável de Versos e Poesias. Mas não as divulgava para não misturar Arte com as atribuições da minha Vida Profissional.

    Em Outubro de 1999 aposentei-me por tempo de serviço na PETROBRAS.

    No mesmo mês mantive contato com artistas de Campo Grande-MS, para onde eu havia sido transferido pela PETROBRAS no de 1993, e já conseguí gravar três letras inéditas com a Dupla 'Ivo de Souza e Janguinho', os maiores astros da Música Sertaneja Raíz do Centro-Oeste Brasileiro e uma das melhores Duplas, no Estilo, que eu já conheci.

    Aos poucos eu fui me entrosando com o meio artístico e aprendendo técnicas e estilos que muito me ajudaram nas minhas Composições.

    No ano de 2000, inscrevi uma letra intitulada 'O ÚLTIMO TROFÉU', no Festival da 17ª Violeira Rose Abrão de Barretos-SP. A Música foi interpretada pelos meus primeiros parceiros, 'Ivo de Souza e Janguinho', e obtivemos o Primeiro Lugar!

    A partir de então eu passei a ser procurado para fazer letras e ceder Composições para gravações de artistas da Região Centro-Oeste.

    Atualmente já são mais de 175 Discos e DVD's com letras de minha autoria, gravadas por artistas de diversas regiões do pais. De 1999 a 2010, participei, como compositor, de 20 Festivais, dos quais minhas letras venceram 18, sendo que em todos minhas obras estiveram na final.

    Iniciei em 2002, a atividade de Produtor Musical e promovi diversos lançamentos de novos artistas, entre Estilos Sertanejo, Regional, MPB e Pop/Rock.

    No período de Março de 2002 até Maio de 2005, apresentei o programa 'Gente da Nossa Terra', pela Rádio Educação Rural de Campo Grande-MS.

    Apresentei o programa 'Na Boca do Brete' pela TV Regional Educativa do Estado do Mato Grosso do Sul.

    Atualmente, morando na cidade de Itu-SP, estou iniciando um projeto de divulgação de mais de 100 Músicas DEMOS gravadas em 'MP3' para os Grandes Interpretes. São Músicas sertanejas de Raiz, Românticas, Modernas, Bregas, Sambas de Raíz, Evangélicas e MPB.

    Entre Músicas gravadas e DEMOS prontos tenho mais de 500 obras já musicadas e mais de 600 letras inéditas para serem musicadas.

    Escrevo e concorro a prêmios literários através de Contos e Poesias em diversas regiões do país, com inúmeras obras já divulgadas.

    Sou eternamente grato ao Maestro Lázaro Coser. Onde quer que ele esteja, que DEUS lhe dê o Eterno Descanso. Além de ter me orientando para iniciar no mundo da Música, ainda me alertou e influenciou-me de forma inestimável para que eu traçasse objetivos paralelos ao mundo da Arte Mmusical na minha vida pessoal.

    Foi assim que, após 28 anos de espera, aposentei-me e retomei a lida com a Arte Musical em busca da realização dos meus sonhos de menino.

    Cumpre-me esclarecer a você que acabou de ler a minha biografia, que este breve relato tem o objetivo único e exclusivo, de mostrar, principalmente aos jovens, que a gente consegue tudo o que a gente quer. Basta persistir, crer, confiar no seu talento e jamais 'deixar o sonho na gaveta'. Passe o tempo que passar, nunca deixe de caminhar, com Fé, em direção ao seu sonho com a certeza de que um dia você realizará os seus objetivos!

    Que DEUS ilumine sempre os nossos passos!"


    Após diversos contatos por e-mail, vim conhecer pessoalmente o Compositor Batista dos Santos na Cidade de Pardinho-SP, por ocasião do 3º FESMURP (Festival de Música Sertaneja Raíz de Pardinho-SP):

    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o Compositor Valdemar Reis, Ricardinho e o Compositor Batista dos Santos, no dia 10/06/2005, por ocasião do III FESMURP - Festival de Música Sertaneja Raiz - que teve lugar na cidade de Pardinho-SP nos dias 09 a 12/06/2005:



    Na foto abaixo, Batista dos Santos e Ricardinho, em Pardinho-SP, no dia 10/06/2005:



    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o compositor Batista dos Santos, Ramiro Vióla, Ricardinho, Rivaldo Corulli (Produtor do Programa Viola Minha Viola), Pardini, e os compositores Valdemar Reis e Zé Procópio, por ocasião do III FESMURP - Festival de Música Sertaneja Raiz - que teve lugar na cidade de Pardinho-SP nos dias 09 a 12/06/2005:



    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Batista dos Santos, Valdemar Reis, Rivaldo Corulli (na época, Diretor do programa Viola Minha Viola), Zé Procópio (Compositor), José Simião (estudioso da Cultura da região e idealizador do Projeto de Bom Jesus do Ribeirão Grande), Ramiro Vióla, Pardini, Hélio Procópio (irmão do compositor Zé Procópio) e Sérgio Veira (coordenador do festival) no dia 10/06/2005 no palco do III FESMURP:



    Voltei a rever o Batista dos Santos em 2008 na Churrascaria Tião Carreiro-SP, na Paulicéia Desvairada!

    Na foto abaixo (de autoria do Radialista José Francisco de Curitiba-PR), Batista dos Santos e Ricardinho, na Churrascaria Tião Carreiro, em São Paulo-SP, no dia 26/03/2008:




    Encontrei-me novamente com Batista dos Santos no "PO" (Sociedade Amigos do Parque Novo Oratório), em Santo André-SP, por ocasião do lançamento do 6º CD da Dupla Joseval e Josiene, no dia 19/05/2013!!! Na foto abaixo, Ricardinho e Batista dos Santos, nesse mesmo dia no "PO":




    E, para quem reside em Santo André-SP e Região, fica aqui o convite para conhecer Sociedade Amigos do Bairro do Parque Novo Oratório (popularmente conhecida como "PO"), na Rua Jerusalem Nº 100 - esquina com a Rua Araucária, na Cidade de Santo André-SP. No PO, aos Domingos, a partir das 15:00, diversas Duplas Caipiras se apresentam no lugar, proporcionando ao Apreciador uma tarde bastante agradável com bastante Música Raiz de Qualidade! Ricardinho, o criador desse site, foi, gostou e recomenda!!!


    Voltei e me encontrar com Batista dos Santos quando ele foi contemplado, na Categoria "Letrista", com o Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira, promovido pelo IBVC - Instituto Brasileiro da Viola Caipira, no Memorial da América Latina, em São Paulo-SP, no dia 17/06/2013.

    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Batista dos Santos, Ricardinho, Cleber Vianna, João Carvalho e Douglas, no dia no dia da premiação - 17/06/2013 - Cleber e Douglas também foram agraciados nas Categorias "Professor" e "Site" (Blog Cultura Caipira), respectivamente!!!





    Clique aqui e conheça o Site Oficial do Compositor Batista dos Santos, com Biografia, Discografia, Letras de suas Composições, Fotos, Contatos, Premiações e Agenda desse excelente Compositor!

    Clique aqui e ouça "Chapéu de Carandá" (Batista dos Santos), interpretada pela Dupla "Ivo de Sousa e Janguinho", num Arquivo Musical pertencente ao site do Youtube.

    Clique aqui e ouça "O Taquaritubense" (Batista dos Santos), interpretada por Batista dos Santos e João Carvalho (o mesmo que já cantou em Dupla com Ronaldo Viola e João Mulato), num Arquivo Musical pertencente ao site do Youtube.



    Algumas composições de Batista dos Santos:

  • Alvo Do Cupido (J. Carvalho - Batista dos Santos - Giba Goiab.)
  • A Viola e a Cultura (Ramiro Vióla - Batista dos Santos)
  • Berço de Ouro (Batista dos Santos)
  • Cabelos Brancos (Batista dos Santos)
  • Cenário de Tristeza (Batista dos Santos)
  • Chapéu De Carandá (Batista dos Santos)
  • Formação de Caboclo (Batista dos Santos)
  • Inquilino do Mundo (Valdemar Reis - Batista dos Santos)
  • Jardim do Pantanal (Batista dos Santos)
  • Meus Dois Diamantes (Valdemar Reis - Batista dos Santos)
  • Mulher Goiana (Batista dos Santos - Jesus Belmiro)
  • O Canto do Caipira (Batista dos Santos)
  • O Taquaritubense (Batista dos Santos)
  • O Último Troféu (Batista dos Santos)
  • Viola de Mãe Para Filha (Batista dos Santos)
  • Viola Em Silêncio (Batista dos Santos - Ramiro Vióla)



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    Benedito Seviero:

    Benedito Onofre Seviero nasceu no dia 20/10/1931, num subdistrito de Boa Esperança do Sul-SP, hoje denominado Trabiju-SP, emancipado em 1997.

    Residindo ainda na roça, em Boa Esperança do Sul-SP, Benedito já gostava de escrever Poesias, na escola onde estudava.

    Começou a compor aos 18 anos de idade, sendo que ele já tinha interesse em que suas Músicas fossem gravadas, o que era dificílimo na época, por residir na roça.

    Apesar de não tocar nenhum Instrumento Musical, Benedito Seviero é um dos mais prolíferos Compositores Brasileiros, mesmo escrevendo apenas as letras das Músicas.

    Até que o jovem Compositor resolveu se mudar para a Grande São Paulo, para onde trouxe seus pais, em 1956.

    Foi na Paulicéia Desvairada que Benedito Seviero conheceu o Compositor Teddy Vieira, que gostava das letras de suas Composições!

    Sua primeira Composição, datada de 1949, é a Toada "Santa Cruz Da Serra" (Benedito Seviero - Biguá - Teddy Vieira), e foi gravada, pela primeira vez, no Lado A do 78 RPM Nº CB-10.025, da Dupla "Zé Mariano e Tibagi", disco esse lançado pela Columbia em Janeiro de 1954.

    Essa belíssima Composição Musical é uma lembrança das "Santas Missões", festa religiosa realizada no ano de 1949, ocasião na qual havia sido construído o Cruzeiro em Trabijú (que na época ainda era distrito de Boa Esperança do Sul-SP).

    E, no Lado B do mesmo Disco 78 RPM, foi gravado, pela mesma Dupla, o Cururu "Pescadô e Canoêro" (Biguá - Benedito Seviero - Teddy Vieira), também de sua autoria!


    Clique aqui e ouça a Toada "Santa Cruz da Serra" (Benedito Seviero - Biguá - Teddy Vieira) interpretada por Zé Mariano e Tibagi, numa gravação histórica do Disco 78 RPM - 10025 - Lado A - Gravadora Colúmbia - Gravado em Janeiro/1954 - do Acervo de José Ramos Tinhorão - num excelente Arquivo Musical pertencente ao IMS - Instituto Moreira Salles, excelente site que se preocupa com a Preservação de Inestimáveis Acervos Brasileiros em termos de Música, Fotografia, Artes Plásticas e Biblioteca, o qual convido o Apreciador a visitar!


    Clique aqui e ouça o Cururu "Pescadô e Canoêro" (Benedito Seviero - Biguá - Teddy Vieira) interpretado por Zé Mariano e Tibagi, numa gravação histórica do Disco 78 RPM - 10025 - Lado B - Gravadora Colúmbia - Gravado em Janeiro/1954 - do Acervo de José Ramos Tinhorão - num excelente Arquivo Musical pertencente ao IMS - Instituto Moreira Salles, excelente site que se preocupa com a Preservação de Inestimáveis Acervos Brasileiros em termos de Música, Fotografia, Artes Plásticas e Biblioteca, o qual convido o Apreciador a visitar!


    Por outro lado, a primeira Composição de Benedito Seviero a ser gravada em disco foi a Moda Campeira "Peão Vira-Mundo" (Benedito Seviero - Campanha), interpretada pela Dupla Campanha e Cuiabano, e que foi o Lado B do Disco 78 RPM Nº 00-00.250, gravado na Sinter em 1953.

    Também foi destaque, no primeiro Disco da Dupla Zilo e Zalo, a gravação de seu Cateretê "A Volta Do Seresteiro" (Zalo - Benedito Seviero), no Lado B do Disco 78 RPM Nº TA-5.797, gravado pela Todamérica no ano de 1958.

    Benedito Seviero é autor de belíssimas Composições Musicais, em diversos ritmos, dentre os quais predominam Canções Rancheiras, Tangos e Guarânias em seu imenso Repertório.

    São mais de 2.000 Composições e sua Obra Musical foi e continua sendo gravada e regravada por renomadíssimos intérpretes do quilate de Campanha e Cuiabano, Zilo e Zalo, Tião Carreiro e Pardinho, Joao Mulato e Douradinho, Zico e Zeca, Liu e Léu, Belmonte e Amaraí, Caçula e Marinheiro, Canário e Passarinho, Mensageiro e Mexicano, Tibagi e Miltinho, Sulino e Marrueiro, Lourenço e Lourival, Peão Carreiro e Zé Paulo, Valderi e Mizael, Sérgio Reis, Trio Parada Dura, Joaquim e Manuel, "Gino e Geno", "Chitãozinho e Xororó" e "Chico Rey e Paraná", apenas para citar alguns!

    Importante ser lembrado também que um dos maiores sucessos de Benedito Seviero foi "Boate Azul" (Benedito Seviero - Thomaz), cuja composição data de Novembro de 1963, mas que, devido a ditadura que sucedeu o Golpe Militar de 31/03/1964, ela acabou sendo censurada e teve sua comercialização proibida, até ser finalmente liberada a partir de 1980, quando da "Abertura Política" no Governo de João Batista Figueiredo.

    "Boate Azul" (Benedito Seviero - Thomaz) foi gravada por uns 80 Intérpretes em 70 países, incluindo Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Dinamarca! Essa Composição é também o maior sucesso da Dupla Joaquim e Manuel, que ficou conhecida como "A Dupla Da Boate Azul"!

    Numa descontraída entrevista concedida ao Programa "Piracicaba Histórias E Memórias", apresentado pelo Jornalista e Radialista João Umberto Nassif, na Rádio Educadora De Piracicaba-SP (AM - 1060 KhZ), Benedito Seviero comentou sobre essa Composição e outras de temáticas similares: "...Foi na situação dos outros. Eu tinha um amigo que amanhecia bêbado na porta da boate. Ele era apaixonado por uma mulher dessa boate. Ele ficava lá esperando ela sair. Só que ia bebendo, ia bebendo, na hora de sair não agüentava mais, então, na hora de ir embora, ele ficava lá caído na porta da boate...",

    Benedito Seviero também comentou bem humorado que "...Cada composição é um caso que aconteceu com alguém, não comigo..."

    Mas, o Compositor assegura que não há perigo em se fazer amizade com ele: "...Se você tiver um passado limpo, não farei Música sua! Eu faço Música só de quem tem um passado de muitas paixões incontroladas..."

    Clique aqui e leia a íntegra dessa entrevista concedida pelo Compositor Benedito Seviero.

    Quero aqui agradecer também pela valiosíssima colaboração que foi enviada pelo Apreciador José Luiz Possato, pelas informações adicionais sobre Benedito Seviero e seu maravilhoso Repertório Musical! Muito obrigado, "Cumpadre" José Luiz!!!


    Na foto abaixo, datada de 21/06/2009, Benedito Seviero e a Pesquisadora Sandra Cristina Peripato, idealizadora do excelente site Recanto Caipira, que também possui uma Página Dedicada ao Benedito Seviero, site esse que, por sinal, foi uma das raríssimas referências biográficas que encontrei sobre esse excelente Compositor! Parabéns Sandra cristina!!!




    Minha Esposa (Netinha) e eu tivemos a honra de conhecer pessoalmente esse simpático Compositor no dia 28/10/2010, na Editora Fortuna, que é administrada pela Iara Fortuna, filha do inesquecível Compositor José Fortuna.

    Numa agradável conversa, comentamos que a "pergunta difícil de se responder" é "Qual a Dupla que não tem em seu Repertório pelo menos uma Composição de Benedito Seviero?"

    O simpático Benedito Seviero, porém, comentou com muita propriedade que José Fortuna, com certeza, compôs um Repertório bem maior que o dele, mesmo porque o número de Composições gravadas é similar, não esquecendo de levar em conta que José Fortuna viveu apenas 60 anos de idade, enquanto que Benedito Seviero acabava de completar 79 anos, 8 dias antes desse descontraído encontro!

    Nas 4 fotos abaixo, Benedito Seviero, Netinha e Ricardinho, na Editora Fortuna, no dia 28/10/2010:










    Algumas composições de Benedito Seviero:

  • A Mancha Do Pecado (Benedito Seviero - Biguá)
  • A Marca Da Traição (Benedito Seviero - Zalo)
  • A Volta Do Seresteiro (Benedito Seviero - Zalo)
  • Abandono (Benedito Seviero - Paiozinho)
  • Abajur (Benedito Seviero - Sebastião Victor)
  • Abismo Da Dor (Benedito Seviero - Nízio)
  • Abismo Da Vida (Benedito Seviero - Palmito - Jaime Marques)
  • Abismo De Ilusões (Benedito Seviero - Sulino - Marrueiro)
  • Aliança (Benedito Seviero - Pedro Bento)
  • Aliança Abençoada (Benedito Seviero - Zalo)
  • Alma Aventureira (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Alma De Boêmio (Benedito Seviero - Tião Carreiro)
  • Alma Inocente (Benedito Seviero - Zalo)
  • Amarga Confissão (Benedito Seviero - Zalo)
  • Amargura (Benedito Seviero - Miltinho Rodrigues - Zeza Dias)
  • Amor em Segredo (Benedito Seviero - Basílio)
  • Apaixonado (Léo Canhoto - Benedito Seviero)
  • Aproveita Minha Gente (Benedito Seviero - Ronaldo Adriano)
  • Beco Sem Saída (Tomás - Benedito Seviero - Barrerito)
  • Boate Azul (Benedito Seviero - Thomaz)
  • Cachorro Amigo (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Canção Da Madrugada (Benedito Seviero - Sebastião Aurélio)
  • Casinha da Estação (Benedito Seviero - Antônio Ventura Filho)
  • Chora Coração (Benedito Seviero - Ronaldo Adriano)
  • Confissão (Benedito Seviero - Miltinho)
  • Confissão De Boêmio (Benedito Seviero - Sereno)
  • Desengano (Benedito Seviero - Tião Carreiro)
  • Desse Jeito Não Vai Dá (Benedito Seviero - Corumba)
  • Deusa Da Madrugada (Benedito Seviero - Sebastião Victor)
  • Drama Da Vida (Benedito Seviero - Flor da Serra)
  • Duelo de Amor (Goiá - Benedito Seviero)
  • Escuta Minha Canção (Benedito Seviero - José Vito)
  • Espelho Da Vida (Benedito Seviero - Paiozinho)
  • Esperança Perdida (Benedito Seviero - Osvaldo Galhardi)
  • Espuma de Cerveja (Benedito Seviero - Toni Gomide)
  • Eterna Companheira (Benedito Seviero - Zilo)
  • Falsos Carinhos (Benedito Seviero - Pirassununga)
  • Flor Da Boemia (Benedito Seviero - Zalo)
  • Flor Da Lama (Benedito Seviero - Paiozinho)
  • Flor Proibida (Benedito Seviero - Miltinho Rodrigues)
  • Foi Um Sonho (Benedito Seviero - Benedito da Silva)
  • Futebol na Lua (Benedito Seviero - Milano)
  • Homem De Bem (Benedito Seviero - Luiz de Castro - Sulino)
  • Inferno da Vida (Benedito Seviero - Tomaz - Barreirito)
  • Ingratidão (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • João Ninguém (Luís de Castro - Benedito Seviero - Amaraí)
  • Luz Vermelha (Benedito Seviero - Tião Carreiro)
  • Mágoa Cruel (Benedito Seviero - Zé do Carro)
  • Mal Agradecida (Benedito Seviero - João Mulato - Nene Dias)
  • Maldito Dinheiro (Benedito Seviero - Ronaldo Adriano)
  • Mão Amiga (Ronaldo Adriano - Benedito Seviero - Paraíso)
  • Meu Crescimento (Benedito Seviero - Sebastião Aurélio)
  • Meu Regresso (Benedito Seviero - Antonio Mariani)
  • Minha Mágoa, Minha Dor (Benedito Seviero)
  • Mula Granfina (Benedito Seviero - Pirassununga)
  • Mulher Avião (Benedito Seviero - Ronaldo Adriano)
  • Mulher De Ninguém (Benedito Seviero - Paiozinho)
  • Mulher Do Meu Amigo (Benedito Seviero - Sebastião Victor)
  • Mulher Dos Meus Sonhos (Benedito Seviero - Joel da Costa Leite)
  • Mulher Inocente (Benedito Seviero - Zilo)
  • Não Amo Ninguém (Teodoro - Benedito Seviero)
  • Negócio De Sócio (Benedito Seviero - José Felipe)
  • Noite de Angústia (Benedito Seviero - Maravilhoso)
  • No Ponteio Da Viola (Paraíso - Benedito Seviero)
  • O Destino Não Quis O Nosso Matrimônio (Benedito Seviero - Miltinho Rodrigues)
  • O Dinheiro Compra Tudo (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • O Maior Castigo (Zilo - Benedito Seviero)
  • O Mesmo Amigo (Benedito Seviero - Rocha de Menezes)
  • O Mesmo Castigo (Ronaldo Adriano - Benedito Seviero)
  • Órfãos de Pais Vivos (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • O Silêncio Do Seresteiro (Zilo - Benedito Seviero)
  • Palavra De Honra (Benedito Seviero - Ronaldo Adriano - Rosa Quadros)
  • Pescadô e Canoêro (Biguá - Benedito Seviero - Teddy Vieira)
  • Pião Vira-Mundo (Benedito Seviero - Campanha)
  • Pranto Amargo (Benedito Seviero - Miltinho)
  • Preço Da Traição (Benedito Seviero - Zalo)
  • Primeira Ilusão (Benedito Seviero - Vicente de Oliveira)
  • Queixumes De Amor (Benedito Seviero - Zé da Estrada)
  • Querida Minha (Benedito Seviero)
  • Que Seja Feita A Sua Vontade (Benedito Seviero - Ronaldo Adriano)
  • Rainha Da Traição (Benedito Seviero - Sebastião Victor)
  • Rainha Do Meu Coração (Benedito Seviero - Barrinha)
  • Recado Mortal (Benedito Seviero - Goiá)
  • Regresso De Boêmio (Benedito Seviero - Paiozinho)
  • Rei Da Capa (Benedito Seviero - Pirassununga)
  • Remorso (Léo Canhoto - Benedito Seviero)
  • Rescisão De Contrato (Benedito Seviero - Sulino)
  • Santa Cruz da Serra (Benedito Seviero - Biguá - Teddy Vieira)
  • São João Batista (Benedito Seviero - Vieirinha)
  • Sentenciado (Benedito Seviero - Nízio)
  • Serenata Do Adeus (Benedito Seviero - Nascimento Filho)
  • Seresteiro Do Amor (Benedito Seviero - Leôncio - Leonel)
  • Sistema Antigo (Benedito Seviero - Teddy Vieira)
  • Sombra Do Passado (Benedito Seviero - Zilo)
  • Som de Cristal (Benedito Seviero - Thomaz)
  • Sonho De Amor (Benedito Seviero - Teddy Vieira)
  • Taça Da Dor (Benedito Seviero - Nízio)
  • Taça Da Saudade (Benedito Seviero - Miltinho)
  • Taça Vazia (Benedito Seviero - Miltinho)
  • Tango Da Meia-Noite (Benedito Seviero - Zilo)
  • Tango Da Traição (Benedito Seviero - Zalo)
  • Teu Adeus (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Toalha De Mesa (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Trem Das Seis (Luiz de Castro - Benedito Seviero)
  • Triste Caminho (Benedito Seviero - Miltinho)
  • Última Conquista (Benedito Seviero - Dorinho)
  • Última Noite (Benedito Seviero - Zalo)
  • Vá Com Deus (Benedito Seviero - Ronaldo Adriano)
  • Velha Querência (Benedito Seviero - Biguá)
  • Vento Mensageiro (Benedito Seviero - Tomaz)
  • Vestido Branco (Benedito Seviero - Ronaldo Adriano - Mangabinha)
  • Violão Amigo (Benedito Seviero - Zilo)



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    Biá:

    Sebastião Alves da Cunha, o Sabiá e, posteriormente, o Biá, nasceu em Coromandel-MG em 1927 e faleceu em São Paulo-SP no dia 02/09/2006.

    Após algum tempo trabalhando como garimpeiro, Sebastião iniciou a carreira artística em Araguari-MG no ano de 1947, formando o trio "Sabiá-Canarinho-Albertinho", juntamente com seu irmão Elias e o acordeonista paulista Alberto Calçada (Alberto de Souza Calçada nasceu em São Paulo-SP no dia 06/08/1929 e faleceu também na Capital Paulista no dia 29/07/1983 - celebrizou-se por excelentes interpretações de diversas Valsas de Zequinha de Abreu, tais como "Branca", "Aurora", "Tardes em Lindóia", "Último Beijo" e "Rosa Desfolhada").

    Seu irmão Elias mais tarde integrou o "Trio Gaúcho", com o nome artístico Gauchito.

    O Trio "Sabiá-Canarinho-Albertinho" atuou na Rádio Araguari até 1950, ano em que os três músicos seguiram para a Capital Paulista e passaram a se apresentar em diversos programas, tais como "Hora dos Municípios" (de Blota Junior na Rádio Record) e "Arraial da Curva Torta" (do Capitão Furtado na Rádio Difusora). No mesmo ano, Sebastião resolveu encurtar o nome artístico (Sabiá) para Biá.

    O trio porém acabou por se desfazer e Biá formou então uma dupla com o Mariano (Mariano da Silva que já integrou a inesquecível Turma de Cornélio Pires juntamente com seu irmão, o Caçula - Mariano e Caçula também foram respectivamente pai e tio do acordeonista Caçulinha – conhecidíssimo na Rede Globo). "Biá e Mariano" gravaram, na ocasião, "Onde Foi Você" (Bolinha) e "Pelejo Prá Te Deixar" (Biá - Gauchinho), na gravadora Continental (hoje Warner Music).

    A dupla com Mariano foi desfeita e Biá formou então, em 1952, outra dupla, dessa vez com Diogo Mulero, o Palmeira: a famosíssima dupla "Palmeira e Biá", que fez sucesso durante oito anos.

    Palmeira e Biá foram contratados pela Rádio Piratininga para o programa que ia ao ar todas as Terças-Feiras às 21:00. E a dupla era também acompanhada pelo já mencionado Acordeonista Alberto Calçada. No primeiro ano de existência, a dupla chegou a gravar 10 discos 78 RPM, ou seja, quase um por mês!

    Dentre os diversos sucessos da dupla "Palmeira e Biá", merecem destaque "Garimpeiro do Brasil" (Biá), "A Voz Dos Sinos" (J. M. Alves), "Baião Da Serra Grande" (Palmeira - Fred Williams), "O Milagre De Tambaú" (Palmeira - Teddy Vieira), "Couro De Boi" (Palmeira - Teddy Vieira), "Disco Voador" (Palmeira), além do famosíssimo Bolero Sertanejo "Boneca Cobiçada" (Biá - Bolinha), que foi gravado em 1956.

    Inusitado, para a época, incluindo novas temáticas, arranjos e instrumentação, esse Bolero Sertanejo que Biá compôs em parceria com Euclides Pereira Rangel (o Bolinha), permaneceu por mais de 10 semanas nas paradas de sucesso, tendo vendido mais de 500 mil cópias, ocasião na qual Palmeira foi nomeado Diretor Artístico dos discos sertanejos da RCA (hoje BMG).

    Esse bolero tornou-se um clássico não só na Música Sertaneja, mas também na MPB de um modo geral, já que também foi gravado por diversos artistas renomados, do quilate de Carlos Galhardo, além de ter dado origem a um filme homônimo.

    Eis abaixo a letra de "Boneca Cobiçada" (Biá - Bolinha):

    Quando eu te conheci,
    Do amor desiludida
    Fiz tudo e consegui
    Dar vida à tua vida.

    Dois meses de aventura,
    O nosso amor viveu
    Dois meses com ternura,
    Beijei os lábios teus.

    Porém eu já sabia
    Que perto estava o fim
    Pois tu não conseguias
    Viver só pra mim.

    Eu poderei morrer,
    Mas os meus versos, não.
    Minha voz hás de ouvir,
    Ferindo o coração!

    Boneca cobiçada,
    Das noites de sereno
    Teu corpo não tem dono,
    Teus lábios tem veneno...

    Se queres que eu sofra,
    É grande o teu engano
    Pois olha nos meus olhos,
    Vê que não estou chorando!



    Clique aqui e saiba mais um pouco sobre Biá e também sobre o surgimento do Bolero Sertanejo e da Música "Boneca Cobiçada" (Biá - Bolinha), num trecho de um dos primeiros Programas Viola Minha Viola que foi ao ar em Julho de 1980, pela TV Cultura de São Paulo-SP!!! No clipe, a presença de Biá, Moraes Sarmento e Nonô Basílio (foto abaixo, da esquerda prá direita), todos de Saudosa Memória... Arquivo esse postado no site do YouTube.




    E "Boneca Cobiçada" ganhou também em 1957 uma versão satírica gravada pelo famoso humorista Zé Fidélis (Gino Cortopassi, nascido em São Paulo-SP em 23/09/1910 e falecido em 1985 também em São Paulo-SP), intitulada "Boneca Cabeçuda", também em ritmo de Bolero.

    Consta também que Biá chegou a formar com seu conterrâneo a dupla "Biá e Goiá" na década de 1950, na Capital Paulista. Na ocasião, o compositor Goiá, (nascido também em Coromandel-MG) já havia deixado o Trio "Goiá, Goiazinho e Zé Micuim" e também já havia trocado Goiania-GO pela Paulicéia Desvairada.

    E, em 1961, Sebastião passou a cantar em dupla com seu outro irmão, o Sílvio: a dupla "Biá e Biazinho" gravou o LP "Relíquias Sertanejas". No ano seguinte, Biá gravou na Chantecler (hoje Warner Music) um LP no qual fez uma "dupla com ele mesmo": "Um Cantor Em Duas Vozes", tendo usado o nome de Sid Biá.

    Mais tarde, juntamente com Dorinho (o mesmo da famosa dupla com Nenete), Biá formou a dupla "Dorinho e Biá" a qual gravou três LP's, entre 1966 e 1968.

    Biá também atuou na Rádio Nacional de São Paulo-SP, com o conjunto "Biá e Seus Batutas" (formado por Biá, Sirley e Gonzales), ocasião na qual gravou também o LP "Os Grandes Sucessos de Palmeira e Biá", na gravadora Cantagalo, onde Biá trabalhou também como Diretor Artístico. Esse conjunto voltou a se reunir em 1982, a convite do Selo Rodeio da gravadora Warner Music, para a gravação de mais um LP.

    E foi em 1972 que Biá formou com Dino Franco a famosa dupla "Biá e Dino Franco", dupla que gravou diversos LP's destacando-se, dentre outras, músicas como "Cruz do Meu Rosário" (Biá - Sílvio Cunha), "Missão de um Repórter" (Dino Franco - Nhô Cido), "Encontro de Poetas" (João Pacífico), "Travessia do Araguaia" (Dino Franco - Décio dos Santos), "Pedaço de Poema" (Flávio Montes - Milongueiro) e "Que Será De Nós" (Silvio Cunha - Biá)! A dupla durou até o ano de 1979 quando Dino Franco resolveu encerrar a carreira artística, ainda que de forma temporária, já que em 1981, Dino Franco já havia formado a inesquecível Dupla com Mouraí.

    De acordo com Ayrton Mugnaini Jr. na página 56 de seu livro "Enciclopédia das Músicas Sertanejas", "Biá poderia disputar com Raul Torres uma menção no Guinness como o Cantor Sertanejo que cantou em maior número de duplas".

    Biá foi ainda Produtor Sertanejo da Rádio Tupi de São Paulo-SP (a qual fechou suas portas em 1980, juntamente com a inesquecível primeira emissora brasileira de televisão); e, na Rádio Imprensa FM, também de São Paulo-SP, Biá apresentou, de 1984 a 1986, um programa que foi, por sinal, o primeiro programa sertanejo numa emissora FM em todo o Brasil.

    Um acidente doméstico no entanto fez com que Biá interrompesse em definitivo sua carreira artística, no ano de 1987. E diabete crônica transportou Biá para o "Andar de Cima", no dia 02/09/2006, na Capital Paulista.

    Algumas composições de Biá:

  • ABC Do Coração (Palmeira - Biá)
  • A Andorinha (Biá - João Borges)
  • Amigo Heleu (Biá - J. M. Alves)
  • A Volta Da Morena (Palmeira - Biá)
  • Boneca Cobiçada (Biá - Bolinha)
  • Calúnia (Palmeira - Biá)
  • Céu De Goiás (Palmeira - Biá)
  • Coração Sabe O Que Faz (Biá - Bolinha)
  • Cruz Do Meu Rosário (Biá - Sílvio Cunha)
  • Dois Corações (Palmeira - Biá)
  • Flor Do Lodo (Biá - Goiá)
  • Garimpeiro do Brasil (Biá)
  • Pelejo Prá Te Deixar (Biá - Gauchinho)
  • Resposta Do Couro De Boi (Palmeira - Biá)
  • Se Ela Voltasse (Biá - Bolinha)



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    Caetano Erba:

    José Caetano Erba nasceu no dia 11/09/1937 em Pederneiras-SP e faleceu no dia 11/07/2009 em São Paulo-SP.

    Junto com seus pais, trabalhou nas lavouras de café até os 18 anos de idade.

    Desde os 11 anos já escrevia seus primeiros versos, influenciado que foi pela convivência com as freqüentes festas da roça, catiras e bailes de terreiros onde ouvia a música de violeiros, sanfoneiros e cantadores da região e adjacências que por lá se apresentavam. Em 1958, formou-se em Contabilidade e dois anos depois foi trabalhar no extinto “Banco de São Paulo S.A”, ocasião na qual se mudou para a Paulicéia Desvairada, onde ocupou o cargo de bancário até 1976.

    Em São Paulo, conheceu João Salvador Perez, o Tonico, através de Craveiro e Cravinho, que foi, inclusive a dupla que gravou em 1968 a primeira composição de Caetano Erba, "Pai da Aviação".

    Participou também de diversos festivais sertanejos, tendo obtido o segundo lugar nos de Santa Izabel e também no da inauguração do Parque Ecológico, em São Paulo-SP. Tirou o primeiro lugar nos concursos de Garça-SP e Jacareí-SP. Em 1972, recebeu o título de "Cidadão Pederneirense". Participou de diversos programas de rádio na Capital Paulista e também foi jurado em diversos festivais, em cidades como Santo André-SP, Jacareí-SP e Guarulhos-SP.

    Também foi José Caetano Erba que escreveu o prefácio do livro "Da Beira da Tuia ao Teatro Municipal", escrito por Tonico e Tinoco.

    Diversos intérpretes gravaram e continuam gravando suas composições, entre os quais, Craveiro e Cravinho, Tonico e Tinoco, Ramiro Vióla e Pardini, Liu e Léu, Vieira e Vieirinha, Cacique e Pajé, Mococa e Paraíso, Pena Branca e Xavantinho, Tião do Carro e Jackson Antunes”, apenas para citar alguns.

    José Caetano Erba esteve presente no Programa Viola Minha Viola que foi ao ar no dia 28/05/2003 na TV Cultura de São Paulo, apresentado pela Inezita Barroso, programa no qual estiveram presentes, entre outros, interpretando suas composições, Pena Branca com o conjunto "Viola de Nóis" (que na época ainda se chamava "Mano Véio"), "César e Paulinho" e também a dupla “ Tião do Carro e Odilon”. Pena Branca interpretou inclusive a belíssima composição "Procissão de Gado" (Caetano Erba - Xavantinho - Tião do Carro). E, segundo, Inezita, José Caetano Erba é um "Poeta Paulista que as antologias ainda não registram por pura ingratidão"...

    Tive o prazer de conhecer pessoalmente esse grande Compositor e Poeta na Praça Caipira do Vila Country na Paulicéia Desvairada, no dia 04/11/2003, por ocasião do 5º. aniversário do Programa Celia e Celma, que na época ia ao ar pelo Canal Rural.

    José Caetano Erba continuou compondo, com bastante Inspiração, até o final de sua vida; e possui centenas de Poemas até então inéditos. As Músicas "Mala Amarela" (José Caetano Erba - Paraíso), "Saco de Ouro" (Paraíso - Caetano Erba) e "Mãe De Carvão" (Tião do Carro - Caetano Erba), eram, nessa ordem, suas três Composições preferidas, segundo seu próprio depoimento!

    José Caetano Erba passou para o "Oriente Eterno" no dia 11/07/2009, vítima de uma doença degenerativa contra a qual esse Grande Poeta vinha lutando há mais de dois anos...

    De acordo com Ramiro Vióla, "Falar de Caetano Erba é falar da própria essência pura e verdadeira de um Grande Ser Humano que veio a este mundo para ser um Ser Humano como Deus quer que todos os Seres Humanos sejam aqui na Terra... Deus o tenha a Seu lado e que sua Alma descanse em Paz!!! (...) Amigo Caetano, que bom foi ter te conhecido e ter compartilhado com você momentos que jamais esquecerei em minha vida. Seus Versos e sua Poesia com certeza ficarão eternamente em nossos corações. Neste momento me faltam as palavras que, com certeza, você encontraria para descrever em forma de Poesia uma perda de alguém que foi, pelo menos um pouquinho, igual a você. Minha eterna lembrança a você meu Amigo de verdade, José Caetano Erba!!!"

    Seu corpo foi sepultado no Cemitério Parque dos Pinheiros, próximo à Rodovia Fernão Dias.


    Clique aqui e ouça "Capiau" (José Caetano Erba - Tião do Carro) interpretada por Júlio César e Santiago, Dupla Caipira de Itararé-SP, divulgada pela Rádio Educadora FAFIT-FM de Itararé-SP - 88,7 MHz.


    Na foto abaixo, José Caetano Erba e o Radialista José Francisco (Rádio Paraná Educativa (e-Paraná) de Curitiba-PR) em São Paulo-SP, no dia 13/09/2007:




    Na foto abaixo, José Caetano Erba e Ricardinho, em São Paulo-SP, no dia 13/09/2007:




    Clique aqui e ouça "Tributo Ao Caetano Erba" (Batista dos Santos), que é uma belíssima homenagem ao José Caetano Erba, interpretada pelo próprio Compositor Batista dos Santos, que postou esse Link Musical no GoEar!!!




    Algumas composições de Caetano Erba:

  • A Formiguinha (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • A Mudança (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Aquele Homem (José Caetano Erba - Rodrigo Mattos - Garutti)
  • Asilo (José Caetano Erba - Rodrigo Mattos - Cuiabá)
  • A Volta do Filho (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Berço de Espinhos (José Caetano Erba - Tião do Carro)
  • Bolha de Sabão (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Brasil 500 Anos (Cacique - Pajé - Caetano Erba)
  • Cabritinha de Ouro (Caetano Erba - Da Costa - Cacique)
  • Cadeira de Balanço (Caetano Erba - Paraíso)
  • Cama de Areia (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Campo de Batalha (Caetano Erba - Cacique)
  • Capiau (José Caetano Erba - Tião do Carro)
  • Caquinho de Saudade (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Casa de Infância (Caetano Erba - Luciano - Cacique)
  • Cobra Enrolada (Caetano Erba - Cacique)
  • Consulte Sempre Um Caipira (Cacique - Caetano Erba - Da Costa)
  • Cortina Dourada (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Dois Astros (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Dr. Coração (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Dr. da Agricultura (Tonico - Tinoco - José Caetano Erba)
  • Duelo Sem Espada (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Exemplo de Cão (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Fazenda do Braga (Caetano Erba - Cacique - Russo)
  • Francisco de Assis (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Garganta do Mundo (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Graça Divina (José Caetano Erba - Rodrigo Mattos - Barbosa)
  • Guerra De Trinta Segundos (Vicente P. Machado - José Caetano Erba)
  • Hino Sertanejo (Tonico - José Caetano Erba)
  • Joãozinho Da Favela (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Lembrança da Roça (José Caetano Erba - João Pinheiro)
  • Lembrança do Carreiro (José Caetano Erba - Ramiro Vióla)
  • Lembranças do Meu Pai (José Caetano Erba - Mazinho Quevedo)
  • Mãe De Carvão (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Mala Amarela (José Caetano Erba - Paraíso)
  • Mala de Ouro (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Meu Cachorro Fiel (Tonico - Tinoco - Caetano Erba)
  • Meu Pai (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Meu Retrato (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Moça Canavieira (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Natal no Sertão (Tonico - Caetano Erba)
  • Ninho de Andorinha (José Caetano Erba - Tião do Carro)
  • Nóis É Do Mato Mais Nóis Conhece (Cézar - José Caetano Erba)
  • O Cachorro e o Andarilho (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • O Choro da Goteira (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • O Escravo (Caetano Erba - Paraíso)
  • O Homem de Sorte (Caetano Erba - José Luís - Cacique)
  • O Repórter Andarilho (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • O Trouxa e a Fera (José Caetano Erba - Pajé)
  • Patrono do Infinito (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Peões Veteranos (José Caetano Erba - Cacique)
  • Primeiro Brinquedo (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Procissão de Gado (Caetano Erba - Xavantinho - Tião do Carro)
  • Professor Galdino Chagas (José Caetano Erba - Cacique)
  • Puro Caboclo (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Recado de Carreiro (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Roldão Bueno (Cacique - José Caetano Erba - Alexandre)
  • Saco de Ouro (Paraíso - Caetano Erba)
  • Sala dos Milagres (José Caetano Erba - Rodrigo Mattos - Gina)
  • São Paulo Antigo (Cacique - José Caetano Erba)
  • Sebastião Gomes (Cacique - José Caetano Erba - Fernando Gaspar)
  • Sem Terra E Sem Caminho (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Trilhas da Vida (José Caetano Erba - João Pinheiro)
  • 34 Anos (Tonico - Tinoco - José Caetano Erba)
  • 33 Anos (Tonico - José Caetano Erba)
  • Um Peso, Duas Medidas (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Vaca Maiada (José Caetano Erba - Cacique - Nil)
  • Velhos Retratos (José Caetano Erba - Rodrigo Mattos)



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    Capitão Barduíno:

    Pedro Anestori Marigliani, o Capitão Barduíno nasceu em Socorro-SP no dia 13/11/1904 e faleceu em São Paulo-SP no dia 01/08/1967. Filho de italianos, como se pode observar no sobrenome, desde criança sonhava trabalhar em rádio.

    Em 1937, foi levado pelo Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado, à Odeon, onde estreou como compositor, quando “Nhá Zefa e Juca Matias” lançaram sua Moda de Viola “Casá?!... Só Ansim” (Capitão Barduíno - Nhá Zefa (Maria de Léo)).

    Foi em 1939, na Rádio Bandeirantes, de São Paulo-SP, quando foi contratado por Otávio Gabus Mendes, diretor artístico da emissora, que Pedro Anestori Marigliani acabou recebendo o apelido pelo qual ficou conhecido em toda a sua carreira artística.

    Capitão Barduíno também comandou o programa ”Brasil Caboclo” na Rádio Bandeirantes, que era na época o programa de maior audiência no Brasil. A mesma emissora também apresentava o programa “Na Serra da Mantiqueira”, que era comandado pelo Comendador Biguá, outro grande sucesso do Rádio.

    Um fato curioso é que na mesma época, as meninas iniciantes Mary Zuil Galvão (Ourinhos-SP 04/05/1940) e Marilene Galvão (Palmital-SP 27/04/1942), as Irmãs Galvão, desde 1954 se apresentavam nessa emissora (inicialmente no programa “Na Serra da Mantiqueira” e posteriormente no “Brasil Caboclo”) e seus nomes já eram pronunciados com admiração pelos profissionais e ouvintes.

    E, ouvindo o programa “Brasil Caboclo”, comandado pelo Capitão Barduíno, foi que Diogo Mullero, também conhecido como Palmeira, que era na época diretor artístico da RCA, “previu o futuro" da dupla feminina e convidou Mary e Marilene para gravar seu primeiro disco, o que aconteceu no Rio de Janeiro em 1957.

    Capitão Barduíno dedicou-se esporadicamente à composição; merece destaque a belíssima mensagem na letra de “A Enxada e a Caneta” (Capitão Barduíno - Teddy Vieira), lançada por Zico e Zeca na gravadora Columbia, e gravada também por outros renomados intérpretes, tais como Nestor da Viola e também Lourenço e Lourival.

    Como redator e apresentador de programas de rádio, destacou-se também com o programa “A Câmara dos Despeitados”, sátira política que fez também bastante sucesso na época.

    E, em sua homenagem, a SP-08, Estrada que liga os municípios de Bragança Paulista-SP e Socorro-SP, recebeu o nome de Rodovia Capitão Barduíno.

    Ao contrário dos demais compositores e poetas homenageados nessa página, há pouquíssima informação disponível sobre o Capitão Barduíno e seus dados biográficos foram encontrados somente no Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira e na Enciclopédia Musical Brasileira.

    Algumas composições de Capitão Barduíno:

  • Abre a Janela (Capitão Barduíno - Piraci)
  • A Enxada e a Caneta (Capitão Barduíno - Teddy Vieira)
  • A Vingança do Soldado (Capitão Barduíno - Chiquinho)
  • Caboclo (Capitão Barduíno - Anacleto Rosas Jr.)
  • Carmen Miranda (Palmeira - Capitão Barduíno)
  • Casá?!... Só Ansim (Capitão Barduíno - Nhá Zefa)
  • La Gilota (Capitão Barduíno)
  • Marcha do Tubarão (Capitão Barduíno - Hélio Sindo)
  • Moreninha do Pinhal (Capitão Barduíno - Rielinho)
  • Ritinha (Capitão Barduíno - Flauzino - Florêncio)



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    Catulo da Paixão Cearense:

    Catulo da Paixão Cearense (São Luís-MA 08/10/1863 – Rio de Janeiro-RJ 01/05/1946): Nascido na verdade em 1866, como ele mesmo confidenciou. Apesar do nome com que era conhecido, ele era Maranhense e morou no Estado do Ceará dos 10 aos 17 anos de idade.

    Em 1880, seguiu com a família para o Rio de Janeiro. Com Flauta e Violão freqüentava as rodas dos estudantes cariocas, o que não era visto com bom olhos pelo seu pai que era dono de uma loja de ourives e relojoaria.

    Na época, o Violão era desprezado e perseguido, “sinônimo de malandragem” e, na época de Catulo, foi adquirindo prestígio nos “Salões da Elite” (Naturalmente, não podemos nos esquecer também do excelente Dilermando Reis que popularizou o tão célebre Instrumento Musical, que por sinal é o meu instrumento musical preferido).

    Grande parte do trabalho de Catulo da Paixão Cearense foi voltada às Modinhas e Serestas, no entanto, ao citar esse nome é realmente inevitável que nos venham à lembrança os versos de seu famoso “Luar do Sertão” (Catulo da Paixão Cearense – João Pernambuco):


    ”Não há, oh gente, oh não
    Luar como esse do sertão...”



    Quanto à autoria de “Luar do Sertão”, por “falhas na impressão” na edição partitura original, ficou esquecido e negligenciado o co-autor João Pernambuco, que, ao que consta, torna-se cada vez mais evidente que o nome dele não deve ser omitido juntamente com o do Catulo na autoria da célebre composição. No CD “Ribeirão Encheu”, de Pena Branca e Xavantinho, gravado pela Velas, a excelente dupla fez também um belo registro dessa composição e o nome de João Pernambuco aparece como co-autor juntamente com o de Catulo da Paixão Cearense.

    Ao que consta, nenhum intérprete gravou até hoje o belíssimo "Luar do Sertão" na íntegra, já que esse Verdadeiro Poema, segundo informações, possui um total de 12 estrofes mais o refrão. De acordo com o compositor Roberto Stanganelli, o Poema originalmente ocupava todo o conteúdo de um Livro, a exemplo do "Canto Geral" do Poeta Chileno Pablo Neruda.

    Adauto Santos chegou a gravar 7 estrofes da belíssima composição, em seu excelente CD intitulado "Varanda Sertaneja" (gravado pela Movieplay).

    Eis a seguir a letra de "Luar do Sertão" (Catulo da Paixão Cearense - João Pernambuco), com 12 estrofes e o refrão: a letra "menos incompleta" que consegui encontrar até o momento:


    Oh! Que saudades do luar da minha terra
    Lá na serra branquejando folhas secas pelo chão!
    Este luar cá da cidade tão escuro
    Não tem aquela saudade do luar lá do sertão.

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    Se a lua nasce por detrás da verde mata
    Mais parece um sol de prata prateando a solidão.
    E a gente pega na viola que ponteia,
    E a canção é a lua cheia a nos nascer no coracao!

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    Quando vermelha no sertão desponta a lua
    Dentro d'alma onde flutua também rubra nasce a dor!
    E a lua sobe e o sangue muda em claridade
    E a nossa dor muda em saudade branca... assim... da mesma cor.

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    Ai!... Quem me dera que eu morresse lá na serra,
    Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez!
    Ser enterrado numa grota pequenina,
    Onde à tarde, a sururina chora a sua viuvez!

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    Diz uma trova, que o sertão todo conhece,
    Que se, à noite, o céu floresce, nos encanta, e nos seduz,
    É porque rouba dos sertões as flores belas,
    Com que faz essas estrelas lá do seu jardim de luz!!

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    Mas como é lindo ver, depois por entre o mato
    Deslizar calmo, o regato, transparente como um véu,
    No leito azul das suas águas, murmurando,
    Ir por sua vez roubando as estrelas lá do céu!

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    A gente fria desta terra sem poesia
    Não se importa com esta lua nem faz caso do luar!
    Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
    Leva uma hora inteira, vendo a lua a meditar!

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    Coisa mais bela neste mundo nao existe
    Do que ouvir um galo triste no sertão se faz luar.
    Parece até que a alma da lua é que descanta,
    Escondida na garganta desse galo a soluçar!

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    Se Deus me ouvisse com amor e caridade,
    Me faria esta vontade o ideal do coração.
    Era que a morte a descantar me surpreendesse
    E eu morresse numa noite de luar no meu sertão!!

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    E quando a lua surge em noites estreladas,
    Nessas noites enluaradas, em divina aparição,
    Deus faz cantar o coração da Natureza,
    Para ver toda beleza do Luar do Maranhão. (*)

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    Deus lá no céu, ouvindo um dia, essa harmonia,
    A canção do meu sertão, do meu sertão primaveril,
    Disse aos arcanjos que era o Hino da Poesia,
    E também a Ave-Maria da grandeza do Brasil. (**)

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!

    Pois só nas noites do sertão de lua plena,
    Quando a lua é uma açucena, é uma flor primaveril,
    É que o Poeta, descantando a noite inteira,
    Vê, na Lua Brasileira, toda a alma do Brasil. (**)

    Não há, oh gente, oh! não,
    Luar como esse do sertão!




    (*) De acordo com Pinho, editor da excelente Revista Viola Caipira, "Essa estrofe inédita foi escrita especialmente para (...) interpretá-la em São Luís-MA. Era desejo de Catullo que o seu famoso 'Luar do Sertão', quando cantado em sua Terra Natal (...) terminasse sempre, com ela.".

    (**) Também de acordo com Pinho ( Revista Viola Caipira), "...uma dessas estrofes, à escolha do intérprete, deverá encerrar o célebre 'Luar do Sertão', quando cantado em solenidades comemorativas de nossa Pátria."

    Valeu, "Cumpadre" Pinho!! Muito obrigado pela colaboração!!


    A vivência do “Catulo Sertanejo” com as noites de “Luar do Sertão” foi apenas naquele período dos 10 aos 17 anos em que ele viveu no Ceará. Ele era na verdade um “homem de cidade”, no entanto, cantava a natureza, nossa terra e nossa gente. Tinha o mérito de “não conhecer o sertão porém descrevê-lo de modo admirável!".

    Não se pode afirmar, no entanto, que Catulo tenha escrito alguma melodia. Era, sim poeta, e possuía uma singular habilidade de “encaixar versos” em qualquer melodia conhecida. Não tivesse sido a composição dos versos de Catulo, muitas dessas belíssimas músicas instrumentais teriam caído logo no esquecimento, apesar de tão bem compostas e do indiscutível valor que possuem em termos de melodia.

    Catulo morava em uma casa bem simples, de madeira, no bairro carioca Engenho de Dentro (o mesmo bairro onde nasceu e se criou Orlando Silva, o célebre Cantor das Multidões), residência essa à qual deu o nome de “Palácio Choupanal”. E não se acanhava em receber visitas de grandes nomes das Letras, das Artes e da Política. Ao falecer em 01/05/1946, já tinha assistido à inauguração de seu busto e era uma indiscutível Glória Nacional.

    Algumas composições de Catulo da Paixão Cearense:

  • Ai De Mim! (Catulo da Paixão Cearense)
  • Ao Luar (Catulo da Paixão Cearense)
  • Até As Flores Mentem (Catulo da Paixão Cearense - Juventino Rosas)
  • Caboca Bunita (Catulo da Paixão Cearense)
  • Clélia (Catulo da Paixão Cearense - Luiz de Souza)
  • Fechei O Meu Jardim (Catulo da Paixão Cearense)
  • Flor Amorosa (Catulo da Paixão Cearense - Callado)
  • Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense – João Pernambuco)
  • Não Vê-La Mais (Catulo da Paixão Cearense - Viriato Figueira da Silva)
  • O Meu Ideal (Catulo da Paixão Cearense - Irineu de Almeida)
  • Ontem Ao Luar (Catulo da Paixão Cearense - Pedro de Alcântara)
  • O Que Tu És (Catulo da Paixão Cearense - Anacleto de Medeiros)
  • Os Olhos Dela (Catulo da Paixão Cearense - Irineu de Almeida)
  • Palma De Martírio (Catulo da Paixão Cearense - Anacleto de Medeiros)
  • Porque Eu Fui Poeta (Catulo da Paixão Cearense - José "Juca" Kallut)
  • Por um Beijo (Catulo da Paixão Cearense - Anacleto de Medeiros)
  • Quando Ela Passa (Catulo da Paixão Cearense - Mário Álvares)
  • Rasga o Coração (Catulo da Paixão Cearense - Anacleto de Medeiros)
  • Recorda-Te De Mim (Catulo da Paixão Cearense)
  • Sertaneja (Catulo da Paixão Cearense Ernesto Nazareth)
  • Talento e Formosura (Catulo da Paixão Cearense - Edmundo Octavio Ferreira)
  • Templo Ideal (Catulo da Paixão Cearense - Albertino "Carramona" Pimentel)
  • Tu Passaste Por Este Jardim (Catulo da Paixão Cearense - Alfredo Dutra)
  • U Poeta Du Sertão (Catulo da Paixão Cearense)
  • Vai, Meu Amor, Ao Campo Santo (Catulo da Paixão Cearense - Irineu de Almeida)



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    Comendador Biguá:

    O Compositor e Radialista José Ângelo de Campos, também conhecido como Comendador Biguá nasceu em Paraguaçu Paulista-SP no dia 28/09/1924 e faleceu em Tupã-SP no dia 29/07/1974.

    Tendo iniciado sua carreira na Rádio Propaganda de Paraguaçu (PRP), onde atuou como declamador e apresentador de programa sertanejo, Biguá dedicou-se ao rádio durante a vida inteira.

    Mudou-se para a Capital Paulista em 1947 e, dois anos depois, começou a apresentar o programa "Na Serra da Mantiqueira", na Bandeirantes. Esse programa foi criado pelos Irmãos Mota, que o dirigiam até que o Comendador Biguá assumiu a direção do mesmo e transformou-o num líder de audiência. Foi também nesse programa que Biguá contratou a dupla feminina que se iniciava naquela época: as Irmãs Galvão, que haviam encantado o Comendador Biguá. Na foto à esquerda, Biguá e as Irmãs Galvão.

    Além da Bandeirantes, Biguá também trabalhou nas Rádios Tupi e Cultura também de São Paulo-SP.

    Atuação em circo também fez parte da carreira artística de Biguá, que viajou durante cinco anos com o "Circo Oni", da família Stuart.

    Em 1954, Zico e Zeca gravaram a toada "Capelinha de Chico Mineiro" (Comendador Biguá - Teddy Vieira) e, no ano seguinte, gravaram o cateretê "Desprezo" (Comendador Biguá - Priminho). E, ainda no mesmo ano de 1955, sua valsa "Amor Passageiro" (Comendador Biguá - Teddy Vieira) foi gravada pela dupla "Souza e Monteiro". Luizinho e Limeira também gravaram uma das mais famosas Composições do Comendador Biguá que é "Pé Na Tábua" (Ado Benatti - Luizinho - Biguá).

    Algumas composições de Comendador Biguá:

  • Amarga Saudade (Goiá - Comendador Biguá)
  • Amor Passageiro (Comendador Biguá - Teddy Vieira)
  • Capelinha de Chico Mineiro (Comendador Biguá - Teddy Vieira)
  • Criador de Passarinho (Teddy Vieira - Biguá)
  • Desprezo (Comendador Biguá - Priminho)
  • Desventura (Zacarias Mourão - Biguá - Zé do Rancho)
  • Os Degraus da Fama (Lourival dos Santos - Biguá)
  • Pé Na Tábua (Ado Benatti - Luizinho - Biguá)
  • Pescadô e Canoêro (Benedito Seviero - Biguá - Teddy Vieira)
  • Santa Cruz da Serra (Benedito Seviero - Comendador Biguá - Teddy Vieira)
  • Saudades Do Passado (Biguá - Roque José de Almeida)
  • Se Os Animais Falassem (Biguá - Taubaté - Teodomiro)
  • Velha Querência (Comendador Biguá - Benedito Seviero)



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    Dino Franco:

    Oswaldo Franco nasceu em Paranapanena-SP no dia 08/09/1936. Na infância já ouvia no rádio excelentes Duplas Caipiras, tais como Tonico e Tinoco, e "Raul Torres e Florêncio", entre outras. Aos 12 anos trocou o trabalho na enxada pela carreira artística, abandonando em definitivo a lavoura que era seu "ganha-pão" na época.

    Na década de 1950, trocou o Interior Paulista pela Capital e adotou inicialmente o nome artístico de Pirassununga. Atuou com Tibagi (o mesmo que havia acabado de desfazer a dupla com Zé Marciano e que depois havia feito dupla com Miltinho).

    A Dupla "Tibagi e Pirassununga" gravou em 1959 pela Gravadora RGE o Disco 78 RPM N° 10.186, tendo no Lado A o Xote "Peão De Minas" (Anacleto Rosas Júnior - Zé Claudino) e, no Lado B, a Valsa "Falsos Carinhos" (Benedito Seviero - Pirassununga).

    Oswaldo também se apresentava no inesquecível programa "Arraial da Curva Torta" (produzido e apresentado por Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado).

    Em São Paulo, na década de 1960, Oswaldo Franco cantou com diversos parceiros usando também nomes artísticos diversos. Em 1960, por exemplo, adotou o nome artístico de Junqueira quando cantou em dupla com Juquinha. Foram 15 parceiros com os quais Dino Franco cantou em dupla nessa década, dentre os quais Biá, Belmonte e Piratininga.

    A Dupla "Pirassununga e Piratininga" gravou no início da década de 1960 três Discos 78 RPM: pela Gravadora Farroupilha, o Disco N° FR-2.002, tendo no Lado A a Chula intitulada "A Dança Do Chula" (Arlindo Pinto - José Cupido) e, no Lado B, a Moda Campeira "Tafurela" (Mirinho - Ado Benatti); pelo Selo Caboclo, o Disco N° CS-639, tendo no Lado A a Chula "Cuidado Moço" (Arlindo Pinto - Zé Cupido) e, no Lado B, o Tango "Somos De Alguém" (Piratininga - Pirassununga); e pela CBS, o Disco N° 3.355-1, tendo no Lado A a Guarânia "Aventureira" (Pirassununga) e, no Lado B, a conhecidíssima Valsa "Capricho Do Destino" (Piratininga - Pirassununga).

    "Pirassununga e Piratininga" também gravaram um Compacto Duplo raríssimo pela Gravadora OMB-Seresta (Organização Musical Brasileira), tendo, no Lado A, o Cururu "Pescador do Ivaí" (Pirassunga - Adolfinho) e o Xote "Festejos de Trindade" (Pirassunga - Claudino Silveira) e, no Lado B, a Valsa-Canção "Sinfonia Brasileira" (Pirassunga - Zé Maringá) e a Moda de Viola "Bandeirante Fernão" (Carreirinho - João Caboclo).

    O Compositor João Caboclo comenta na Contra-Capa desse Disco que "PIRASSUNUNGA E PIRATININGA apresentam ao Público Apreciador da Música Regional Brasileira através deste Compacto Duplo lançado pela O. M. B., número que foi escrito em homenagem a uma cidade tradicional do ESTADO DE GOIÁS: 'FESTEJOS DE TRINDADE'. Trindade, como todos conhecem, é uma pequena cidade do Centro-Oeste Brasileiro, onde muitas pessoas de diversas regiões do Brasil a visitam para cumprirem suas obrigações religiosas, na ocasião de sua festa, que realiza-se todos os anos em louvor ao 'DIVINO PAI ETERNO'. Gostaria, caro amigo leitor, que a sua amável atenção não fosse dispensada só nesta minha dissertação e sim que comprovasse junto comigo o valor indiscutível das quatro composições aqui gravadas como também a interpretação segura de 'PIRASSUNUNGA E PIRATININGA', esta dupla que sempre soube fazer jus ao SLOGAM que lhes conferiram 'OS CABOCLOS ROMÂNTICOS DO CANCIONEIRO POPULAR SERTANEJO'. Parabéns aos diretores e produtores da O. M. B., pelo lançamento deste compacto, parabéns ao público apreciador de nossa música VERDE E AMARELA que tem enaltecido o nome de PIRASSUNUNGA E PIRATININGA, em todos os quadrantes do nosso querido e aplaudido BRASIL Sertanejo. As minhas considerações sinceras a todos aqueles que defendem o direito de: BOM BRASILEIRO, NA GRANDE PÁTRIA, BRASIL."

    E a Dupla "Juquinha e Junqueira", ao que consta, gravou 11 Discos 78 RPM e dois LP's ("Mineiro Não Perde o Trem" e "Percorrendo Goiás"), pelos Selos RCA-Camden e Sertanejo, também no início da década de 1960.

    Não pode deixar de ser mencionado que a Discografia de Dino Franco, com as diversas duplas que formou e com os diversos nomes artísticos que adotou, é realmente muito mais ampla do que as informações que qualquer catalogação possa fornecer.

    De acordo com o Radialista, Produtor e Pesquisador Maikel Monteiro (que apresenta o Programa "Brasil Caboclo" nos 630 kHz da Rádio Paraná Educativa (e-Paraná) - AM de Curitiba-PR), " A dupla 'Juquinha e Junqueira', integrada pelo Dino Franco, gravou apenas os 6 primeiros Discos de 78 Rotações, ou seja, até o disco RCA-CAMDEN (CAM 1095/A/B) gravado em 1961 e lançado em 1962. Depois disso o Dino terminou a dupla com o Juquinha e este por sua vez formou dupla com outro moço (...) e gravou os outros 05 discos de 78 rotações e que resultaram em um Compacto Duplo também com as mesmas gravações, além dos dois LP´s (...) É importante lembrar que o Dino gravou um Compacto Simples com as músicas 'Coração de Fera' (Pirassununga)' e 'A Fronha' (Belmonte - Anacleto Rosas Jr.) em trio chamado 'Pirassununga, Belmonte e Zé Maringá'. Além dessa Obra, o Dino Franco lançou em 1968 pelo selo Sabiá o LP solo 'Dino Franco - Rincão Gaúcho' com Músicas do Cancioneiro Regional do Rio Grande do Sul e, em 1971, lançou pela Chantecler o LP também solo 'Dino Franco e Sus Mariachis'."

    Em 1968, Oswaldo adotou em definitivo o nome artístico de Dino Franco, pelo qual ficou conhecido e consagrado até os últimos dias de vida.

    Em 1972, Dino Franco firmou contrato com a gravadora Chantecler como produtor e diretor da Linha Sertaneja. Em seguida, formou a dupla com Biá. "Biá e Dino Franco", foi uma dupla de sucesso, sendo que Biá (ou Sabiá - Sebastião Alves de Cunha nascido em Coromandel-MG em 1927) foi o mesmo que também fez dupla com Palmeira.

    A Dupla "Biá e Dino Franco" gravou 7 LP's, além de alguns Compactos e Discos de Coletâneas, entre 1973 e 1977, pelo Selo Sertanejo/Chantecler. Dentre as diversas Músicas gravadas pela Dupla, merecem destaque as belíssimas "A Sementinha" (Dino Franco - Itapuã) e "Pedaço de Poema" (Flávio Mattes - Milongueiro).

    E, em 1979, Dino Franco formou dupla com Mouraí (Luiz Carlos Ribeiro que nasceu em Ibirarema-SP no dia 19/07/1946 e faleceu em Catanduva-SP no dia 16/10/2005). "Dino Franco e Mouraí" foram pioneiros na regravação de antigos sucessos da Música Sertaneja, tais como "Sertaneja" e "A Volta do Caboclo".

    Em seu trabalho, "Dino Franco e Mouraí" procuraram sempre cultivar a Música Caipira Raíz e se destacaram também com temas de Inspiração Ecológica, tais como "Manto Estrelado" (Dino Franco - Tenente Wanderley), "Serra Molhada" (Dino Franco - Valdemar Reis), "Amanhecer Divino" (Tenente Wanderley - Dino Franco), "Cheiro de Relva" (Dino Franco - José Fortuna) e "Por do Sol" (Jesus Belmiro - Cláudio Balestro), apenas para citar algumas. Na foto acima e à esquerda, Dino Franco, de camisa vermelha, cantando juntamente com o saudoso parceiro Mouraí, ao centro, de camisa branca, no programa Viola Minha Viola que foi gravado na cidade de Araras-SP, e que foi ao ar no dia 25/06/2003, pela TV Cultura de São Paulo-SP.

    Quero aqui destacar o CD "Dino Franco - 50 Anos de História", lançado em 2004 pela Atração Fonográfica (com Fonogramas gentilmente cedidos pela Warner Music e Paradoxx Music), que brinda o Apreciador com algumas das mais belas e inspiradas Composições de Dino Franco, em consagradas interpretações a cargo de "Dino Franco e Mouraí", Duo Esperança, Liu e Léu, Jackson Antunes, Chico Lobo, Abel e Caim e Milionário e José Rico, dentre outros, além da participação de Marina Franco e Marisa Franco, irmãs do excelente Compositor e que também formaram a Dupla "Irmãs Franco". Destaque para "Amargurado" (Dino Franco - Tião Carreiro), "Festança em Brasília" (Dino Franco), "Medo" (Dino Franco - José Neves), "A Sementinha" (Dino Franco - Itapuã), "Berço De Deus" (José Rico - Dino Franco) e "Manto Estrelado" (Dino Franco - Tenente Wanderley).

    Dino Franco também produziu e apresentou algumas peças teatrais juntamente com Liu e Léu, Abel e Caim e Zico e Zeca. Dino Franco teve merecido destaque como excelente Compositor, especialmente na Moda de Viola, com inúmeras composições que têm sido gravadas pelas mais renomadas Duplas Caipira Raiz.

    Dino Franco também foi "Dono" da Cadeira N° 14 da Academia Municipalista de Letras do Brasil, conforme narrado por Siderley Clein no início do CD "Dino Franco - 50 Anos de História"!

    Clique aqui e veja a nota de 20/01/2006 no Site Oficial da Prefeitura Municipal de Rancharia-SP a qual documenta o evento no qual Dino Franco recebeu das mãos do Presidente da Câmara Pedro Ávila o Título de Cidadão Ranchariense, no dia 06/01/2006!

    E, após o falecimento do Mouraí, Dino Franco passou a cantar em Dupla com o Fandangueiro (Nestor de Souza Prado, nascido em Iepê-SP - na foto à esquerda, junto com Gauchito do Acordeon). Quero aqui destacar o CD "Sertão, Viola e Amor", gravado em Outubro de 2007 pela Águia Pro Audio Records, produzido por Dino Franco e Fandangueiro e com a participação de Thiago Viola (Violão, Viola, Baixo e Percussão) e Gauchito do Acordeon (Sanfona e Ritmo). Destaque para "O Dilúvio" (Dr. Manoel Algusto), "Sertão, Viola e Amor" (Alcino Alves Costa - Dino Franco), "Porto da Saudade" (Ademar Braga - Dino Franco), "Temporal de Lágrimas" (Dino Franco - Fandangueiro), "A Fuga" (Nhô Chico - Dino Franco), "Caboclo Castiço" (Ademar Braga - Dino Franco) e "Flores Do Meu Caminho" (Dino Franco).

    Na foto abaixo, Dino Franco e Fandangueiro no Programa "Espaço Cultura" na TV Assembleia de Mato Grosso Do Sul:





    Quero também destacar o excelente CD "Integração Artística - Volume 01", lançado em 2008, produzido por Maciel Corrêa, que também participa do mesmo solando o Acordeon. Importante mencionar que Maciel Corrêa é primo do saudoso Zé Corrêa (O "Rei do Chamamé", mito da Música Sul-Mato-Grossense, que morreu assassinado no dia 09/04/1974, com apenas 29 anos de idade e que deixou um legado de 9 LP's e um Compacto). O CD também conta com a participação de Wando (Violão e Baixo), Ozéias (Viola), Oziel (Percussão), além das belíssimas vozes de "Dino Franco e Fandangueiro", "Irmãs Franco" e as declamações de Wilson de Aquino e Dino Franco. Destaque para "Altar da Natureza" (Dino Franco - Anízio Antônio Moreira), "Eu, Boi e Boiada" (Maciel Corrêa - Dino Franco), "Garoto do Pantanal" (Dino Franco), "Cidade Morena" (Nhô Pai - Rielinho), além das belíssimas versões de "Guavira Poti (Flor de Guavira)" (Mauricio Cardozo Ocampo - Emiliano R. Fernandez) e "Kilometro 11" (Transito Cocomarola - José Aguer Constante - Adaptação: Dino Franco).

    Um CD "imperdível" para quem aprecia a Música Típica do Estado de Mato Grosso do Sul e sua influência com a Fronteira Paraguaia!!


    Na foto abaixo (na Churrascaria Tião Carreiro, no dia 26/03/2008, por ocasião do lançamento do segundo CD de Poemas de autoria de José Caetano Erba, declamados por Kleber Oliveira), da esquerda prá direita, Pajé, Ramiro Vióla, Marina Franco (Irmã de Dino Franco e que forma com Marisa Franco a Dupla "Irmãs Franco") e o Compositor Ademar Braga; foto de autoria do Radialista José Francisco (que apresenta junto com Maikel Monteiro o Programa Brasil Caboclo nos 630 kHz da Rádio Paraná Educativa (e-Paraná) - AM de Curitiba-PR, no ar todos os Domingos Das 07:00 às 09:00 da manhã).




    Tive a honra de conhecer pessoalmente o Compositor Dino Franco e sua irmã Marisa, além de rever Marina Franco em Rancharia-SP, no dia 19/10/2008, ocasião na qual estava visitando o "Cumpadre" Luciano Queiroz, que é Violeiro e Luthier em Assis-SP.

    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Ricardinho, Luciano Queiroz e Dino Franco, em sua residência em Rancharia-SP, no dia 19/10/2008:




    Na foto abaixo, Suzzi (Esposa do Luthier Luciano Queiroz), ouve as Irmãs Franco, em sua residência em Rancharia-SP, na tarde de 19/10/2008:




    Na foto abaixo, Suzzi (Esposa do Luthier Luciano Queiroz), Ricardinho, Sr. Expedito e Dona Edna (os Pais de Luciano Queiroz) ouvem as Irmãs Franco, na tarde descontraída de 19/10/2008, em Rancharia-SP:




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o Poeta e Escritor Anízio Antônio Moreira (pertencente à Academia de Letras de Mato Grosso do Sul, e também Compositor de algumas belíssimas Músicas do CD "Integração Artística"), Ricardinho e o Acordeonista Maciel Corrêa (que participou da gravação do CD "Integração Artística" - ver acima), na tarde descontraída de 19/10/2008, na residência de Dino Franco em Rancharia-SP:




    Na foto abaixo, as Irmãs Franco: Marina (à esquerda) e Marisa (à direita), irmãs do Compositor Dino Franco, na mesma tarde descontraída de 19/10/2008, na residência de Dino Franco em Rancharia-SP:




    Na foto abaixo, as Irmãs Franco: Marisa (à esquerda) e Marina (à direita) e Ricardinho, na tarde de 19/10/2008. Ao fundo, diversos Prêmios Honorários e Títulos de Cidadão de diversas Cidades, os quais Dino Franco conquistou pelo seu Dom de Compor:




    Na foto abaixo, as Irmãs Franco, Dino Franco e Ricardinho, na mesma tarde descontraída de 19/10/2008:




    E, na foto abaixo, Dino Franco e Ricardinho, na mesma tarde de 19/10/2008 em Rancharia-SP:




    Clique nos links abaixo (do YouTube) e conheça um pouquinho do trabalho das Irmãs Franco e da nova Dupla "Dino Franco e Fandangueiro":

    Irmãs Franco: Marina e Marisa Franco, ensaiando a musica "Arraste" (Fátima Leão - Juraíldes Da Cruz), acompanhadas pelo Gauchito Do Acordeon, na residência de Dino Franco em Rancharia-SP. Vídeo adicionado por Sérgio Rodrigues.

    Dino Franco e Fandangueiro interpretando e comentando o grande sucesso "Amargurado" (Dino Franco - Tião Carreiro), no Programa "Espaço Cultura" na TV Assembleia de Mato Grosso Do Sul. Vídeo adicionado também por Sérgio Rodrigues.


    Marisa Franco partiu para o Oriente Eterno, aos 69 anos de idade, no dia 21/12/2013, em Ivinhema-SP, às 15h:35min, após uma grande complicação decorrida de um câncer...

    E o Poeta Dino Franco também partiu para o Oriente Eterno na manhã do dia 04/04/2014, aos 77 anos, em Rancharia-SP, onde residia... Ele foi encontrado morto em seu quarto pela sua Irmã Marina Franco... Dino Franco havia passado alguns dias internado no Hospital e Maternidade de Rancharia-SP, na semana anterior ao seu falecimento...

    Marisa e Dino Franco: Recebam de Netinha e Ricardinho essa singela homenagem...





    Algumas composições de Dino Franco:

  • Abandono (Dino Franco - Fabiano)
  • A Cachaça E O Fumo (Dino Franco - Nhô Chico)
  • A Fuga (Nhô Chico - Dino Franco)
  • A Inflação E O Salário (Chrysóstomo - Dino Franco)
  • Altar da Natureza (Dino Franco - Anízio Antônio Moreira)
  • Amanhecer Divino (Tenente Wanderley - Dino Franco)
  • Amargurado (Dino Franco - Tião Carreiro)
  • A Moda Do Cachaceiro (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Amor e Saudade (Dino Franco - José Milton Faleiros)
  • Amores Perdidos (Dino Franco - Tião Carreiro)
  • A Sementinha (Dino Franco - Itapuã)
  • As Três Namoradas (Dino Franco - José Fortuna)
  • Baile Na Fazenda (Dino Franco - Gauchito do Acordeon)
  • Bailinho do Matão (Dino Franco - Zé Maringá)
  • Berço De Deus (José Rico - Dino Franco)
  • Boiadeiro Da Saudade (Sebastião Ferraz - Dino Franco)
  • Brasil 85 (Dino Franco - Tenente Wanderley)
  • Caboclo Castiço (Ademar Braga - Dino Franco)
  • Caboclo Centenário (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Caboclo De Sorte (Dino Franco - Tião Carreiro)
  • Caboclo Na Cidade (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Caçada De Onça (David Vieira - Dino Franco)
  • Candidato Caipira (Nhô Chico - Dino Franco)
  • Canta Canta Pantaneira (Mário Zan - Dino Franco)
  • Capricho Do Destino (Dino Franco)
  • Casa Pobre (Dino Franco)
  • Céu de Mato Grosso (Dino Franco - Orlando Ribeiro)
  • Cheiro de Relva (Dino Franco - José Fortuna)
  • Cusco Do Pago (Dino Franco)
  • Derradeira Morada (Dino Franco)
  • Desencanto da Natureza (Alcino Alves Costa - Dino Franco)
  • Desesperado (Dino Franco - Tião Carreiro)
  • Eu, Boi e Boiada (Maciel Corrêa - Dino Franco)
  • Exemplo de Humildade (Dino Franco - Tião Carreiro)
  • Festança em Brasília (Dino Franco)
  • Festa Pantaneira (Mário Zan - Dino Franco)
  • Festa Paraguaia (Mário Zan - Dino Franco)
  • Filho De Ninguém (José Rico - Dino Franco)
  • Flor Do Campo (Dino Franco)
  • Flor Predileta (Dino Franco - Tertuliano Amarilla)
  • Foi Demais o que Fizeste Comigo (Dino Franco - Tertuliano Amarilha)
  • Fonte Dos Namorados (Dino Franco)
  • Fundão De Serra (Dino Franco - Cláudio Rodante)
  • Garoto do Pantanal (Dino Franco)
  • Grã Fino Na Roça (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Grande Amor da Minha Vida (Ademar Braga - Dino Franco)
  • He He Goiás (Dino Franco)
  • Herói Do Brasil (Dino Franco - Oswaldo de Andrade)
  • Homem Descrente (Dino Franco - Aparecida Mello)
  • Ideal do Caboclo (Dino Franco - Ari Guardião)
  • Ida Sem Volta (Anízio Antônio Moreira - Dino Franco)
  • Inconfidência Mineira (Dino Franco - Oswaldo de Andrade)
  • Ingrata (Dino Franco)
  • Jóia Perdida (Dino Franco - Tenente Wanderley)
  • Juramento (Dino Franco)
  • Lavoura de Maconha (Dino Franco - Jesus Carlos)
  • Mágoa (Dino Franco - Zeca)
  • Manhã Do Nosso Adeus (Zé do Rancho - Dino Franco)
  • Manto Estrelado (Dino Franco - Tenente Wanderley)
  • Medo (Dino Franco - José Neves)
  • Mestiça Arisca De Laço (Dr. Alves Lima - Dino Franco)
  • Meu Amor É Todo Seu (Dino Franco)
  • Meu Erro (Dino Franco - Mococa)
  • Meu Passado (Dino Franco)
  • Meu Pequeno Itajobi (Dino Franco)
  • Meu Ranchinho (Sebastião Victor - Dino Franco)
  • Milagrosa Nossa Senhora (Tonico - Tinoco - Dino Franco)
  • Minha Infância (Dino Franco)
  • Minha Mensagem (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Minha Vida, Minha Cruz (Dino Franco - Tião Carreiro)
  • Namoro Proibido (Dino Franco - Zezito)
  • Natal De Esperança (Dino Franco)
  • Natureza (Dino Franco)
  • Noites De Angústia (Dino Franco - Tião Carreiro)
  • Nossa Raiz (Dino Franco - Mouraí)
  • O Jeitinho Da Chica (Dino Franco)
  • Oração do Nosso Amor (Dino Franco - Lusmar)
  • Paineira Velha (Dino Franco - Juquinha)
  • Passos Na Calçada (Dino Franco)
  • Pedaço de Chão (Dino Franco - Décio Polônio)
  • Pescador de Ivaí (Dino Franco - Adolfinho)
  • Pinguinho de Gente (Dino Franco)
  • Pombinha Mensageira (Belmonte - Dino Franco)
  • Porto da Saudade (Ademar Braga - Dino Franco)
  • Por Que Me Deixaste (Dino Franco - Liu)
  • Pousada De Boiadeiro (Dino Franco - Tião Carreiro)
  • Presente de Deus (Aparecido Abel - Dino Franco)
  • Primeira Ilusão (Dino Franco)
  • Punhal Da Falsidade (Dino Franco - Tião Carreiro)
  • Quando A Saudade Machuca (Dino Franco)
  • Rebanho Brasileiro (Dino Franco - Julio Paiva)
  • Regresso (Dino Franco)
  • Rei Da Capa (Dino Franco)
  • Retrato Do Boi Soberano (Dino Franco)
  • Santa Helena De Goiás (Liu - Dino Franco)
  • Serra Molhada (Dino Franco - Valdemar Reis)
  • Sertão, Viola e Amor (Alcino Alves Costa - Dino Franco)
  • Sopro de Brisa (Dino Franco - Tenente Wanderley)
  • Temporal de Lágrimas (Dino Franco - Fandangueiro)
  • Travessia Do Araguaia (Dino Franco - Décio dos Santos)
  • Trova Campeira (Jorge Neves - Cândido - Dino Franco)
  • Um Pouco De Minha Vida (Dino Franco)
  • Velhas Ruínas (Tenente Wanderley - Dino Franco)


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    Elpídio dos Santos:

    Elpídio dos Santos nasceu em São Luiz do Paraitinga-SP, em 14/01/1909 e faleceu a 03/09/1970. Filho de Benedito Alves que era maestro da Banda Santa Cecília, na mesma cidade, foi nesse ambiente “saudavelmente contaminado pela música”, que Elpídio dos Santos passou a infância, a adolescência e o início de sua juventude e descobriu o gosto pelas harmonias, ritmos e melodias.

    Elpídio trabalhou como apontador de jogo do bicho, funcionário de cartório e bancário.

    A Arte Musical, porém, já estava incorporada à sua vida.

    Elpídio elegeu o Violão como seu Instrumento Musical preferido, apesar de também tocar com destreza outros instrumentos de cordas e também de sopro.

    Foi também em São Luiz do Paraitinga que Elpídio conheceu Amácio Mazzaropi, que não era até então conhecido pelo grande público e que viera se apresentar num circo. Depois do primeiro espetáculo, Elpídio dos Santos tocou Violão a noite inteira e, a partir dali, ficaram amigos até a morte. Quando Mazzaropi começou a produzir seus filmes, chamou Elpídio para encarregar-se das trilhas sonoras. Elpídio foi realmente o compositor preferido de Mazzaropi, e era sempre convidado para criar as músicas específicas para cada filme, muitas das quais eram cantadas pelo próprio Mazzaropi.

    Casado com Cinira Pereira dos Santos, mudou-se para São Paulo, para onde havia sido transferido pelo banco onde trabalhava. Mesmo trabalhando em período integral, não parou de compor nem de dar aulas de Violão. Em São Paulo, estudou na Escola Paulista de Canto Orfeônico.

    Elpídio faleceu em 03/09/1970, deixando mais de mil composições as quais são preservadas e divulgadas pelos seus filhos, que também são responsáveis pelo Grupo Paranga, que vem fazendo um importante trabalho de resgate da produção musical do Vale do Paraíba. A foto à direita é da revista Manchete e foi tirada dois meses antes do falecimento do Compositor.

    Elpídio teve diversas composições gravadas não só pelo Mazzaropi, mas também por intérpretes consagrados tais como Cascatinha e Inhana, Titulares do Ritmo, Sulino e Marrueiro, Irmãs Galvão, Tonico e Tinoco, Sérgio Reis, Cláudio Lacerda, Ivan Vilela, João Araújo e Viola Urbana, Pininha e Verinha, Primas Miranda, Almir Sater e Pena Branca e Xavantinho, dentre muitos outros.

    Clique aqui e conheça o Site Oficial do Instituto Elpídio dos Santos que foi inaugurado em 14/01/2009, na ocasião da comemoração do Centenário desse excelente Compositor!

    Clique aqui e conheça o Portal Paranga que é o Site Oficial do excelente Grupo Musical de São Luiz do Paraitinga-SP, e que mantém viva a Memória Musical do inesquecível Compositor! Negão dos Santos integra o Grupo Paranga e é filho de Elpídio dos Santos!


    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Negão dos Santos, Ricardinho e Noel Andrade, após a apresentação no SESC-Pompéia, no dia 29/06/2007:





    Algumas composições de Elpídio dos Santos:

  • A Dor Da Saudade (Elpídio dos Santos)
  • Alma Solitária (Elpídio dos Santos)
  • A Mulher do Canoeiro (Elpídio dos Santos - Anacleto Rosas Jr.)
  • Ave-Maria do Sertão (Elpídio dos Santos - Pádua Muniz)
  • Cai Sereno (Rama Da Mandioquinha) (Conde - Elpídio dos Santos)
  • Coração De Mineiro (Elpídio dos Santos - Zé Pagão)
  • Despertar Do Sertão - (Elpidío dos Santos - Pádua Muniz)
  • Dona Do Salão (Elpídio dos Santos - Conde)
  • Fogo no Rancho (Elpídio dos Santos – Anacleto Rosas Jr.)
  • Ingratidão (Elpídio dos Santos)
  • Jeca Magoado (Elpídio dos Santos)
  • Lamparina Do Nordeste (Elpídio dos Santos)
  • Longe Dos Olhos (Armando Neves - Elpídio dos Santos)
  • Me Leva (Priminho - Elpídio dos Santos)
  • Menina De Escola (Elpídio dos Santos)
  • Meu Burrinho (Elpídio dos Santos)
  • Não Vá (Elpídio dos Santos - Pininha)
  • O Lingüiceiro (Elpídio dos Santos)
  • Rede De Tabôa (Elpídio dos Santos)
  • Sopro Do Vento (Elpídio dos Santos)
  • Você Vai Gostar (Lá no Pé de Serra) (Elpídio dos Santos)



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    Genésio Tocantins:

    "O trabalho deles, Genésio e Juraíldes, é maravilhoso. São bons Poetas e têm Músicas absolutamente inéditas."

    Rolando Boldrin (para a Revista da Música).



    "Se apresentar ao lado de Genésio Tocantins é uma honra, pois trata-se de um Artista Popular em sua essência; de um grande Compositor."

    Almir Sater (para o Correio Braziliense).



    "Genésio será a grande surpresa e revelação da MPB... Um grande Cantador, dos melhores de toda minha carreira de Produtor Musical, canta fácil, grande Intérprete de Músicas suas e de seus amigos. Como Cantor, demonstra a mesma força de quando Luiz Gonzaga - o Gonzagão começou."

    Rildo Hora (Maestro e Produtor).



    Genésio Sampaio Filho é Compositor e também Cantador, nascido em Goiatins-TO, à beira do Rio Tocantins onde, com seu pai (Genésio Sampaio Rodrigues que era lavrador, trovador e cordelista), aprendera a entoar os primeiros versos nas feiras locais.

    Quanto a essas feiras, Genésio, por sinal, considera-as importantíssimas para a Cultura Popular, já que, segundo ele, "... sua inspiração musical vem de um Universo Cultural formado pela convivência com artistas populares, repentistas e cantadores, que fazem das feiras uma explosão de Cultura Popular, apresentada por diferentes linguagens”.

    Ainda menino, Genésio seguiu, "no lombo de animais", rumo a Araguaína-TO, às margens da rodovia Belém-Brasília, numa comitiva com mais de vinte famílias que seus pais haviam organizado. E foi nessa cidade que Genésio começou seus estudos básicos, continuando-os mais tarde em Ceres-GO.

    Aprendeu sozinho o toque do Violão; desde criança, estava decidido e queria ser artista. Quanto ao seu gosto musical, Genésio o atribui à sua mãe, pois ela o levava com freqüência às Rodas de Folias, onde ele ouvia as Rezas, os Benditos, os Cantos do Divino e, como não poderia deixar de ser, o Forró, que sempre acontecia após as Orações...

    Genésio Tocantins iniciou sua carreira artística participando de diversos festivais regionais e também por todo o Brasil. Dentre os prêmios conquistados, destaca-se o Prêmio Sharp de 1989 e o Prêmio Fiat de 1990.

    E foi no "Festival Novos Talentos", com início em Março de 2000, que Genésio Tocantins, defendeu a famosíssima composição de Juraíldes da Cruz "Nóis É Jeca Mais é Jóia", em ritmo de Forró, que é uma crítica bem humorada a certos preconceitos que muita gente tem com relação ao Caipira e ao seu linguajar. O compositor Juraíldes da Cruz também havia ganho o Prêmio Sharp com essa composição em 1997.

    No mesmo ano de 2000, Genésio foi classificado para as eliminatórias do Festival da Música Brasileira promovido pela Rede Globo, do qual participou com sua composição "Baião Internauta", feita em parceria com Beirão.

    Como compositor, Genésio Tocantins possui composições em parceria com Juraíldes da Cruz, Braguinha Barroso, Wanda D'Almeida, Hamilton Carneiro, João Gomes, Beirão, Salgado Maranhão e Telma Tavares.

    E, como intérprete, Genésio gravou em 1988 o seu primeiro disco, o LP "Rela Bucho", pela RGE (hoje Som Livre), disco esse que lhe conferiu no ano seguinte II Prêmio Sharp de Música, ocasião na qual recebeu o Troféu Ano Dorival Caymmi na categoria Revelação da Música Regional Brasileira.

    Genésio também gravou os CD's "U-Cantante", pela Gravadora Mercosom e "Brasis - As Canções e o Povo", pela Gravadora Brasis, além de um "single" que contém a famosa composição humorística de Juraíldes da Cruz "Nóis É Jeca Mais É Jóia", já mencionada logo acima.

    Genésio também gravou algumas músicas junto a excelentes intérpretes tais como Fagner, Pena Branca e Xavantinho e Rolando Boldrin, entre outros.

    O trabalho musical de Genésio Tocantins, no entanto, não consiste apenas em compor e interpretar. Também é apaixonado pela pesquisa e produção musical. Para a FIETO - Federação das Indústrias do Tocantins, Genésio é personagem fundamental para a conservação e divulgação da Riqueza Cultural de seu povo, guardada na memória e nos sentimentos da gente de sua terra.

    Genésio Tocantins é também Presidente da Comissão Provisória da Ordem dos Músicos do Brasil - Seccional Tocantins (OMB–TO). Nesse cargo, desenvolve um trabalho muito importante com relação ao combate da "pirataria". Para Genésio, “A pirataria tanto é prejudicial do ponto de vista econômico como do ponto de vista da imagem de quem consome. Do primeiro porque está lesando as pessoas que estão fazendo um trabalho original; do segundo, porque a pessoa que compra um CD pirata, muitas vezes, se sente constrangida quando alguém descobre.” Clique aqui e veja na íntegra esse interessante artigo publicado no Jornal O Girassol.

    E, também o jovem Estado do Tocantins, criado em 1988, situado no "Centro do Brasil", a Norte do Estado de Goiás, ao lado da Região Nordeste Brasileira (um grande mercado consumidor) e praticamente vizinho da Região Amazônica (a maior reserva de recursos naturais do mundo), tem seu Hino composto por esse Tocantinense chamado Genésio Tocantins!


    Quero aqui destacar o CD "Brasís - As Canções e o Povo", gravado pela MCK, o qual contou com a Produção Musical de Rildo Hora e a Produção Fonográfica do próprio Genésio Tocantins, com belíssimas Interpretações de Composições próprias e também de autoria de Juraíldes da Cruz, tais como "Baião Internauta" (Genésio Tocantins), "Frutos da Terra" (Genésio Tocantins), "Quem Ama Perdoa" (Juraíldes da Cruz), "Lira do Povo" (Genésio Tocantins), "Nóis é Jeca Mais é Jóia" (Juraíldes da Cruz), "Canto de Arribação" (Genésio Tocantins) e também o "Hino ao Tocantins" (Genésio Tocantins), apenas para citar algumas!!!


    Contato para shows:
    (63) 3225-2070
    (63) 8123-9170
    e-mail: genesiotocantins10@gmail.com



    Tive o prazer de conhecer pessoalmente esse grande Compositor, em Palmas-TO, no dia 16/05/2012, ocasião na qual conheci o Parque Estadual do Jalapão e também a cidade de Palmas-TO que é a capital planejada do jovem Estado do Tocantins e, conforme já mencionei antes, a única Capital Brasileira que ainda não conhecia até então!!!

    Na foto abaixo, Genésio Tocantins e Ricardinho no Espaço Cultural de Palmas-TO, no dia 16/05/2012:



    Na foto abaixo, Genésio Tocantins, Netinha (minha Esposa) e eu, Ricardinho, no Espaço Cultural de Palmas-TO, no mesmo dia 16/05/2012:



    Na foto abaixo, Genésio Tocantins, nosso Guia Turístico Eudes Torres e eu, Ricardinho, no Espaço Cultural de Palmas-TO, no mesmo dia 16/05/2012:



    Na mesma noite em Palmas-TO, também tive o prazer de conhecer o casal Maurício e Dona Santinha, que são Cantadores do Jalapão, além do Violeiro Toninho Borges, que divulga em seu trabalho a Cultura do Tocantins e também do Vale do Jequitinhonha, no Norte das Minas Gerais!!!

    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Toninho Borges, Ricardinho, Dona Santinha e Maurício, no Teatro do Memorial Coluna Prestes, em Palmas-TO, no mesmo dia 16/05/2012:



    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Dona Santinha, Netinha, Ricardinho e Maurício, no Teatro do Memorial Coluna Prestes, em Palmas-TO, no mesmo dia 16/05/2012:



    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Maurício (tocando Viola de Buriti), Dona Santinha e Toninho Borges, em excelente Apresentação no Teatro do Memorial Coluna Prestes, em Palmas-TO, no mesmo dia 16/05/2012:



    E, na foto abaixo, Netinha e Ricardinho no Parque Estadual do Jalapão, no Estado do Tocantins, no dia 13/05/2012, alguns dias antes do encontro com Genésio Tocantins, Toninho Borges, Maurício e Dona Santinha:



    Algumas composições de Genésio Tocantins:

  • Aliança (Juraildes da Cruz - Genésio Tocantins)
  • Baião Internauta (Genésio Tocantins - Beirão)
  • Beijo Transparente (Genésio Tocantins)
  • Canto de Arribação (Genésio Tocantins)
  • Coco Livre S. A. (Genésio Tocantins)
  • Destino Sanfoneiro (Genésio Tocantins - João Gomes)
  • Estação Saudade (Genésio Tocantins)
  • Festança (Genésio Tocantins)
  • Forró do Ano 2000 (Genésio Tocantins)
  • Frutos da Terra (Genésio Tocantins)
  • Hino Ao Tocantins (Genésio Tocantins)
  • Lira do Povo (Genésio Tocantins)
  • Olê Olê Sabiá (Genésio Tocantins)
  • Rala Bucho (Genésio Tocantins)
  • Rita Medeiro (Genésio Tocantins)



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    Geraldo Meirelles:

    Conhecido como "O Marechal da Música Sertaneja", esse notável Compositor e Apresentador nasceu em Casa Branca-SP no dia 24/02/1926 e se criou na fazenda "Sertãozinho", no Vale do Paraíba. Faleceu na mesma cidade no dia 05/07/2013.

    Passou a residir na Capital Paulista ainda jovem. Geraldo também morou no Rio de Janeiro-RJ durante 5 anos, pois havia sido convocado pelo Exército durante a Segunda Guerra Mundial.

    Geraldo iniciou sua carreira na década de 1940, como Ator de Circo e Locutor de Rádio. Em 1947 passou a fazer Rádio-Teatro juntamente com Lulu Benencase.

    Em entrevista ao Radialista Zé Leite de Guarulhos-SP (representante da excelente Revista Viola Caipira), Geraldo disse que iniciou no Rádio "...praticamente por volta de 1947, quando o Capitão Furtado tinhas uns programas lá no Alto do Sumaré, na Difusora, era o "Mutirão do Sumaré". Eu comecei a freqüentar e na época eu comecei a fazer humorismo em circo. Naquele tempo eu assistia ao Serrinha, ao Caboclinho... Agora, um programa meu mesmo, foi da década de 1950, na Rádio Nove de Julho e na Rádio Tupi: 'Prelúdio Sertanejo', 'Manhã no seu Rádio' foram programas meus, e depois tive um na Rádio Marconi. Eu fazia as três Rádios juntas: entrava às 04:00 na Rádio Tupí, às 06:00 na Nove de Julho e às 08:00 na Rádio Marconi. A gente quase não tinha material naquele tempo prá mostrar nos programas. A gente fazia muito programa ao vivo com as Duplas".

    Na década de 1950, Geraldo criou um programa na Rádio Nove de Julho, o qual durou 20 anos, até o dia em que a emissora foi fechada durante o Regime Militar.

    Como Radialista, Geraldo Meirelles também atuou nas Rádios Nacional e Aparecida, além da Tupi, Marconi e Nove de Julho, conforme mencionado acima.

    A partir de 1961, Geraldo começou a atuar também na Música Sertaneja, incentivado pelo renomado Compositor Athos Campos que era seu cunhado e compadre. Tratava-se do inesquecível programa "Crepúsculo Sertanejo", na já mencionada Rádio Nove de Julho.

    Geraldo Meirelles também atuou na Televisão, apresentando, a partir de 1962, o programa "Canta Viola" na TV Cultura de São Paulo-SP (que época pertencia aos Diários e Emissoras Associados), Programa esse que foi o primeiro do gênero durar mais de uma hora. O programa de estréia contou inclusive com a participação das Irmãs Galvão, conforme citado logo abaixo.

    E em 1966, o "Canta Viola" passou para a extinta TV Tupi, também na Cidade de São Paulo-SP.

    Geraldo atuou por um ano na TV Bandeirantes, retornando logo depois para a TV Tupi. A partir de 1971, passou a apresentar seu programa na TV Record, na qual permaneceu até 1995. Em 1985, porém, Geraldo sofreu um acidente automobilístico e o programa passou a ser apresentado por seu filho Marcelo.

    Além da carreira no Rádio e na TV, Geraldo Meirelles foi também Fiscal Federal durante vários anos, além de ter atuado também como Diretor Artístico da Gravadora Copacabana, de 1970 até 1973.

    Mesmo após o acidente, Geraldo Meirelles permaneceu apresentando o quadro "Na Beira do Forno", dirigido à Música Caipira Raiz.

    Vários Intérpretes Caipiras dos mais renomados se apresentaram no seu programa "Canta Viola", dentre os quais podemos citar Cascatinha e Inhana, Liu e Léu, Irmãs Galvão, Zilo e Zalo e até mesmo algumas duplas mais jovens iníciando a carreira e que acabaram aderindo ao "pop-sertanejo", tais como "Chitãozinho e Xororó", "Leandro e Leonardo" e "Zezé Di Camargo e Luciano".

    Geraldo Meirelles foi também autor de belíssimas páginas do Repertório Caipira, em parceria com renomados Compositores do quilate de Athos Campos, Goiá, Nenete, Tonico, Zé Claudino, Nhô Fio, Tony Damito e Nardel, dentre muitos outros. Diversas de suas composições foram gravadas por excelentes intérpretes tais como Tonico e Tinoco, Nenete e Dorinho, "Monetário e Financeiro", Duo Brasil Moreno, Irmãs Galvão, "Zé Claudino e Carreteiro", Sérgio Reis, Nardel e Delon, Pena Branca e Xavantinho e Liu e Léu, apenas para citar alguns.

    De acordo com Mary Zuil Galvão, Geraldo Meirelles "...foi o pioneiro da Televisão Brasileira a tocar Música Sertaneja (...) foi quem 'peitou'. Fez o primeiro programa de Música Sertaneja na TV Cultura. Nós estávamos lá no primeiro, ajudando, ficamos na produção também e cada uma contribuía conforme seu potencial. Um ficava no camarim, outro ia ligar pro Cascatinha e Inhana... Todo mundo ajudou a fazer o primeiro programa e foi o Geraldo quem 'peitou'. A partir daí surgiu o Viola Minha Viola, que nós também estávamos no primeiro programa. Nós somos arroz de festa..." ( Entrevista concedida pelas Irmãs Galvão ao Dafne Sampaio no site Gafieiras - Clique aqui e veja a íntegra dessa entrevista).

    Geraldo Meirelles voltou a residir em Casa Branca-SP, sua cidade-natal. E por um bom tempo continuou ativo, apresentando o programa "Ultrafarma" que ia ao ar diariamente a partir das 04:00 da manhã pela TV Gazeta de São Paulo-SP. Na mesma entrevista concedida ao Radialista Zé Leite (representante da Revista Viola Caipira), Geraldo também disse que "...Uma coisa eu posso garantir e afirmar: ajudei de boa vontade, sem interesse nenhum. Nunca levei vantagem, nunca cobrei um tostão de nada... esse era o meu 'hobbie'. Sempre fui um fã da Música Sertaneja", referindo-se aos grandes e famosos intérpretes da Música Caipira que foram lançados durante todos esses anos em seus inesquecíveis programas de Rádio e Televisão!

    Na mesma entrevista, Geraldo Meirelles também afirmou que "O Gênero Sertanejo sempre foi discriminado e ainda é até hoje, mas muita coisa já mudou. Antigamente era bem pior. Os mais antigos sabem do que eu estou falando. A gente era a 'lata de lixo' da programação. O Caipira era tratado de ignorante (...) Naquela época, o pessoal da Tupi nem olhava na minha cara. O próprio Lima Duarte, que eu admiro e sou fã, nem olhava prá gente. E hoje em dia, ainda existe isso..."


    Geraldo Meirelles partiu para o Oriente Eterno na noite de 05/07/2013, em Casa Branca-SP, sua cidade-natal, aos 87 anos de idade.

    A causa de seu falecimento não foi divulgada por sua família. Sabe-se apenas que ele sofria de diabetes e apresentou um quadro de falência múltipla dos órgãos. Seu corpo foi sepultado na tarde de 06/07/2013 no Cemitério Municipal de Casa Branca-SP, deixando sem dúvida, um enorme "vazio" na Música Caipira Raiz...

    Geraldo Meirelles: receba de Ricardinho essa singela homenagem...


    Algumas composições de Geraldo Meirelles:

  • A Imagem Aparecida (Nenete - Geraldo Meireles)
  • Brasil Sertanejo (Tonico - Geraldo Meirelles)
  • Caboclo Radialista (Geraldo Meirelles - Waldir de Oliveira)
  • Canoa Velha (Geraldo Meirelles - Athos Campos)
  • Carrosel da Vida (Goiá - Geraldo Meirelles)
  • Chora, Minha Viola (Nilsen Ribeiro - Geraldo Meirelles)
  • Eta Saudade (Marcelo Costa - Geraldo Meirelles)
  • Exaltação (Zé Claudino - Geraldo Meirelles)
  • Grades da Saudade (Geraldo Meirelles)
  • Homenagem ao Lavrador (Dr. Antônio de Lima - Geraldo Meirelles)
  • Lembrança da Minha Terra (Geraldo Meirelles - Zé Claudino)
  • Minha Izabel (Athos Campos - Geraldo Meirelles)
  • Pinha No Pinheiro (Geraldo Meirelles - Nhô Fio)
  • Pobre do Violeiro (Geraldo Meirelles - Luis Ravani)
  • Poema Sertanejo (Tony Damito - Geraldo Meirelles)
  • Que Caipira Sou Eu (Dr. Antônio Lima - Geraldo Meirelles - Zé Claudino)
  • Samba de Roda (Athos Campos - Geraldo Meirelles)
  • Triste Cabana (Geraldo Meirelles - Zé Claudino)
  • Última Boiada (Geraldo Meirelles - Nardel)



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    Goiá:

    Gerson Coutinho Da Silva (Goiá), filho de Celso Coutinho da Silva e Margarida Rosa de Jesus, nasceu em Coromandel-MG em 11/01/1935 e faleceu em Uberaba-MG em 20/01/1981. Desde pequeno, com apenas 4 anos de idade, já gostava de recitar uns versinhos e gostava de “receber um cachê" que podia ser um doce ou um queijinho...

    Até que ganhou do pai uma gaita de boca, que foi sua companheira por vários anos; trocou-a mais tarde por um cavaquinho; e finalmente conseguiu ganhar um Violão de tarrachas, que era o que mais desejava.

    Foi para Goiânia-GO em 1953 onde morou por dois anos, e formou o "Trio da Amizade", com programas diários na Rádio Brasil Central. Goiá e os componentes desse trio foram os primeiros do Estado de Goiás a gravar discos na Capital Paulista (foram dois discos 78 RPM na Columbia).

    Apesar de gostar muito de Coromandel-MG, sua cidade natal no Triângulo Mineiro, fora da qual não suportava passar mais que dois meses, Goiá tinha um carinho todo especial pelo Estado de Goiás, principalmente por sua capital Goiânia, onde fez grandes amizades.

    E em 1955, um novo rumo: a Capital Paulista, para onde partiu com lágrimas nos olhos, mas Goiá estava ciente da importância dessa grande Metrópole para o desenvolvimento de sua carreira artística.

    Durante toda essa trajetória, pelas cidades por onde passou, Goiá compunha suas músicas, nas quais chorava a saudade de sua terra, apesar de ter em mente um ideal que, como tal, exigia sacrifícios. Longe de sua Coromandel e sua gente, era esse, sem dúvida, o maior sacrifício para Goiá.

    Na Paulicéia Desvairada, fez parte do elenco de diversas emissoras de rádio e suas composições foram gravadas por diversos intérpretes consagrados, entre eles, Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léu, Irmãs Galvão, Zilo e Zalo, Caçula e Marinheiro, Tibagi e Miltinho, Primas Miranda, Belmonte e Amaraí, Sergio Reis, Celia e Celma, e muitos outros.

    Também é de autoria de Goiá a trilha sonora composta para o filme "A Vingança de Chico Mineiro", embora, ao que conste, ele pouquíssimo recebeu por um trabalho de tão boa qualidade.

    E, a partir de 1971, a doença debilitava-o cada vez mais: a diabete e a cirrose hepática em conjunto, levaram-no ao falecimento em Uberaba-MG, no dia 20/01/1981, quando contava apenas 46 anos e 9 dias. Foi sepultado no Cemitério Municipal de Coromandel, sua cidade-natal onde sempre foi muito bem recebido.

    Uma consideração interessante sobre seu grande sucesso “Saudade da Minha Terra": corria o mês de Novembro de 1955. Goiá escreveu a música logo que se transferiu de Goiânia-GO para São Paulo-SP. Com saudade de Coromandel-MG, sua terra natal, vagava pelas ruas dessa grande metrópole, recordando seus tempos de infância, as poéticas madrugadas, o cantar da passarada... Alguns anos mais tarde, quando foi gravada pela primeira vez (hoje existem cerca de quarenta regravações) ele ficou surpreso com o sucesso alcançado. Segundo Goiá, “quem “chorava com o rádio ligado" era a sua mãe”!

    Clique aqui e veja algumas fotos de Coromandel-MG, cidade natal de Goiá, no site da CompucenterNet.


    Clique aqui, veja e ouça o Goiá, em seus últimos meses de vida, sendo entrevistado por Moraes Sarmento e Nonô Basílio, num dos primeiros Programas Viola Minha Viola, no início da década de 1980, na TV Cultura de São Paulo-SP! Nesse mesmo clip, postado no YouTube por Daniel David Martins, a Dupla Zilo e Zalo interpreta sua belíssma Composição "Aurora do Mundo" (Goiá)!!!


    Clique aqui, ouça o Trio Mineiro (formado por Hernandes, Mineirinho e Goiá) interpretando "Catarina (Vem Cá Embaixo)" (Savério Rondinelli - Versão: Jader Bruno de Carvalho - João Furtado) e conheça o lado humorístico do Compositor Goiá, nesse "clip" postado no YouTube por Polaco210396.

    Observa-se que a famosíssima "Florentina" gravada pelo Tiririca foi sem dúvida um plágio dessa Música gravada pelo Trio Mineiro muitos anos antes!!! Segundo o Violonista e Arranjador Antônio Célio da Silva.·., "A graça desta Música é o refrão, seguido da voz manhosa do mestre Goiá, contando causos. Desde as primeiras gravações ele já mostrava um aguçadíssimo senso de humor, além, claro, um Poeta e Letrista ímpar na Música Caipira Brasileira. Foi ele o primeiro Compositor a usar o Português de modo correto, com perfeição e muita Poesia, na Música Caipira (...) O Goiá (...) quebrou um grande paradigma, mostrando que o Povo Sertanejo gosta também da Bela Poesia com Letras bem elaboradas e com Erudição."


    Clique aqui, ouça o próprio Compositor Goiá interpretando (em duas vozes - Dueto "Com Ele Mesmo") sua belíssima Composição "Natal Em Goiás" (Goiá - Chicão Pereira), nesse "clip" postado no YouTube pelo Compositor Marrequinho.

    Nessa belíssima Composição Goiá homenageia, além do Povo Goiano, de um modo geral, dois amigos em especial: Jorival dos Santos e o Compositor Marrequinho. De acordo com Violonista e Arranjador Antônio Célio da Silva.·., "O Goiá não era apenas um Grande Compositor, mas também grande Cantor (...) Ouçam como o homem era afinado. Nesta Música ele mesmo faz as duas vozes. A modulação na segunda até hoje ainda representa inovação na Música Caipira. Goiá estava muito além do seu tempo em todos os sentidos da Música."


    Clique aqui e ouça "Recordação" (Nenete - Goiá) interpretada por Celia e Celma, num Arquivo Musical pertencente ao Site Oficial de Celia & Celma, o qual convido o Apreciador a visitar e conhecer não apenas o excelente Trabalho Musical das Irmãs Gêmeas de Ubá-MG, como também o Conhecimento que elas possuem na Culinária Mineira.


    "...E onde estão meus estimados companheiros?
    Se foram tantos Janeiros desde que deixei meus pais...
    Adeus Lagoa Poço Verde da Esperança,
    Meu Tempinho de criança que não volta nunca mais..."


    E abaixo, uma foto da Lagoa "Poço Verde", que Goiá imortalizou em sua música "Recordação (Goiá - Nenete):





    Algumas composições de Goiá:

  • Adeus Maria (Goiá - Sebastião Victor)
  • Alma Triste (Goiá - Chico Vieira)
  • Amada Ausente (Goiá - Zacarias Mourão)
  • Amarga Saudade (Goiá - Comendador Biguá)
  • Amor E Felicidade (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Aurora Do Mundo (Goiá)
  • Canção Do Meu Adeus (Goiá - Zé Claudino)
  • Carta de Filho (Goiá - Plínio Alves)
  • Chorarei Ao Amanhecer (Goiá - Amir)
  • Cidade de Santo André (Goiá - Julião Saturno)
  • Copo na Mesa (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Desilusão (Goiá - Pirajá)
  • Dias Mais Tristes Da Vida (Goiá)
  • Dois Artistas (Goiá)
  • Duelo De Amor (Goiá - Benedito Seviero)
  • Entardecer Da Vida (Goiá - José Neto)
  • Esquina Do Adeus (Goiá)
  • Estrela Dourada (Goiá - Mizael)
  • Estrela Guia (Goiá - Sebastião Victor)
  • Feitiço Espanhol (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Flor Do Lodo (Goiá - Biá)
  • Gente de Minha Terra (Goiá - Amir - Pereirinha)
  • Grão de Areia (Goiá - Leonardo Amâncio)
  • Índia Misteriosa (Goiá - Chico Vieira)
  • Índia Soberana (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Juriti Mineira (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Lamento (Goiá - Zacarias Mourão)
  • Lamento De Uma Saudade (Goiá - Zilo)
  • Lição De Caboclo (Goiá - Julião Saturno)
  • Mais Uma Noite Vou Dormir Sem Meu Bem (Goiá - Waldemar de Freitas Assunção)
  • Mares Da Ilusão (Goiá - Zalo)
  • Mensagem De Amor (Goiá - Zalo)
  • Meu Natal Sem Mamãe (Goiá - Sebastião Aurélio)
  • Nas Curvas Do Seu Corpo Capotei Meu Coração (Goiá - Amir)
  • Nossa Mensagem (Goiá)
  • O Adeus Do Meu Bem (Goiá - Tomaz)
  • O Mártir Do Calvário (Goiá - Bie)
  • Outra Noite Sem Meu Bem (Goiá - Waldemar de Freitas Assunção)
  • Paraná Querido (Paulinho Gama - Goiá)
  • Paraguaia Da Fronteira (Goiá)
  • Pecado Loiro (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Pé de Cedro (Goiá - Zacarias Mourão)
  • Poço Verde (Goiá - Taubaté)
  • Poente da Vida (Goiá - D. Thomaz)
  • Recordação (Nenete - Goiá)
  • Sabe Deus (Sebastião Victor - Goiá)
  • Saudade Cruel (Goiá - Zalo)
  • Saudade da Minha Terra (Goiá - Belmonte)
  • Saudade de Goiás (Goiá - Amaraí)
  • Sem Ela Não Sei Viver (Goiá - Zilo)
  • Sonho De Criança (Goiá)
  • Tardes Morenas de Mato Grosso (Goiá - Valderi)
  • Travessa da Amizade (Goiá - Sebastião Victor)
  • Triste Abandono (Goiá - Zacarias Mourão)
  • Uai (Goiá)
  • Um Abraço, Um Adeus (Goiá - Amir)
  • Visita a Goiás (Goiá - Sidon Barbosa)
  • Volta Ao Passado (Goiá - Antônio Marani)



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    Inami Custódio Pinto:

    O Célebre "Água Azul" do riquíssimo Folclore do Estado do Paraná, um dos maiores Folcloristas e Pesquisadores que esse Estado já produziu, Inami Custódio Pinto nasceu na Capital Curitiba-PR, no dia 19/10/1930.

    Inami, cujo nome, em Tupi-Guarani, significa "Água Azul", formou-se na FAP (Faculdade de Artes do Paraná) e veio a se tornar uma referência ao pesquisar e publicar trabalhos sobre os Indígenas e as Coletividades que conservam a Memória de Mitos, Lendas, Superstições, Crenças, Tabus e onde ocorrem manifestações de Danças, Autos, Poesias, além do cultivo de Artesanato.

    Como se tudo isso não bastasse, Inami Custódio Pinto também foi Filósofo e Compositor, merecendo ser homenageado nessa Página Dedicada Aos Compositores E Poetas da Música Caipira Raiz, já que, dentre as diversas Obras Musicais por ele compostas, destacamos, por exemplo, o Hino da Cidade de Toledo-PR e também "Gralha Azul" (Inami Custódio Pinto), imortalizada na interpretação da Cantadora, Compositora e Folclorista Ely Camargo!!!

    Inami compôs mais de 200 Músicas, várias das quais já gravadas por Intérpretes do "quilate" das Irmãs Castro, Ary Fontoura, Odelair Rodrigues, Albertinho Fortuna, "Os Calouros do Ritmo", Ely Camargo e do excelente Grupo Paranaense Viola Quebrada, apenas para citar alguns!!!

    E, em suas Pesquisas voltadas ao Folclore Paranaense, Inami desenvolveu diversos trabalhos sobre figuras relevantes da História Paranaense, como a Gralha Azul, o Fandango e a Música Folclórica de um modo geral.

    Inami iniciou suas Pesquisas no Litoral do Estado do Paraná através do contato com Nativos e Pescadores das ilhas da região, tendo também realizado as primeiras gravações em áudio e vídeo do Fandango Paranaense.

    No meio universitário, Inami Custódio Pinto também ministrou diversas aulas da Disciplina de Folclore, na Faculdade de Educação Musical do Paraná, e também na Faculdade de Artes do Paraná, além de ter proferido também diversas palestras sobre o riquíssimo assunto.

    Inami Custódio Pinto também foi Presidente da Primeira Jornada de Debates sobre o Folclore Nacional, tendo também participado de diversos Projetos Culturais Paranaenses.

    De acordo com a excelente Monografia, datada de 2012, intitulada Fandangueiros, Folcloristas E Produtores Culturais: Um Estudo Sobre A Trajetória Conceitual Do Fandango, de autoria de Carlos Eduardo Silveira, do Setor de Ciências Humanas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), " ... O Fandango foi objeto ainda de um estudo minucioso de Inami Custódio Pinto, representante de uma outra fase dos Estudos de Folclore. Ao contrário de Loureiro Fernandes e Fernando de Azevedo, com quem ele até chegou a colaborar, Inami não pertencia aos Círculos Intelectuais do Paraná, refletindo um outro lado dos Estudos de Folclore: os colaboradores 'leigos', 'amadores', que trabalhavam por paixão.

    Inami era graduado em Educação Artística, e desenvolveu suas pesquisas durante muito tempo solitariamente; apenas em meados da década de 1960 ele se engajou na Comissão Paranaense de Folclore. Ao contrário dos seus antecessores, ele não teve uma atuação institucional proeminente. Seu maior legado, realmente, foram os materiais recolhidos em campo e as suas iniciativas de resgate do fandango.

    (...) Durante uma de suas temporadas de ida a campo, na Ilha dos Valadares, em Paranaguá-PR, o Professor Inami iniciou um projeto de resgate do Fandango:
    '... as pessoas vinham de longe dos lugares mais afastados da Civilização pra pegar assistência em Paranaguá-PR (...) Começaram a ficar na Ilha dos Valadares, coladinho a Paranaguá-PR, e ali então foi bom, porque eu achei uma diferença enorme (...) É a mesma coreografia mas o andamento, um conjunto não bate com o outro (...) Eu consegui fazer o "quartel-general" do fandango, na Ilha dos Valadares e peguei gente oriunda de todas essas localidades, então tinha um casal de Guaraqueçaba-PR, outro da Ilha dos Teixeiras, das Peças, da Ilha do Mel, e comecei a ensaiar só com conjunto, então fiz uma seleção...'

    Assim, em meados da década de 1960, Inami Custódio Pinto foi o responsável pela criação do primeiro Grupo de Fandango de que se tem notícia: O grupo chamava-se 'Sete de Setembro': nada mais natural para um folclorista buscando resgatar uma manifestação popular associada as nossas Raízes e que, no seu entendimento, estava sendo corroída pelo estrangeirismo e pela cultura de massa. Com o intuito de resgatar o fandango, Inami selecionou, ensaiou e formou um conjunto.

    A estética atual do Fandango, a saber, pares de homens e mulheres, vestidos a caráter, utilizando o 'tradicional tamanco', acompanhados por Violas, Rabecas e Adufos feitos de cacheta, foi selecionada neste processo. Além do conjunto, Inami mobilizou os moradores na construção de uma Casa de Fandango Tradicional. "


    Obs.: Existente até os dias de hoje, a "Casa do Fandango", na época chamada de "Clube Sete de Setembro" foi concebida pelo Inami, tomando como referência os Centros de Tradições Gaúchas (CTG's). Em 1969, Inami foi procurado por um grupo de dissidentes do CTG curitibano "20 de Setembro" para formar, junto a eles, a Associação Tradicionalista Gralha Azul. Atualmente, as atividades desta Associação estão praticamente paradas, mas durante muito tempo eles organizaram eventos, mobilizando Escolas e Prefeituras em torno das suas propostas!!!

    Ainda de acordo com Carlos Eduardo Silveira, " (...) Inami tomou esta iniciativa tomando como base lembranças de sua infância em Paranaguá-PR, quando seu pai levava seus filhos para o Miramar – uma pracinha que dava vista (...) pra Ilha dos Valadares (...)

    Casa do Fandango era uma verdadeira 'caixa acústica', uma casa de madeira sem forro e as paredes separadas do assoalho, (...) para que o ressoar dos tamancos se escutasse a quilômetros... "


    Não resta dúvida de que o Fandango Paranaense seria "praticamente desconhecido", se não fossem iniciativas como as de Carlos Eduardo Silveira, do Grupo Viola Quebrada e do Compositor Inami Custódio Pinto!!!

    E, por falar em Gralha Azul, já mencionada como uma das principais Composições de Inami Custódio Pinto, diz a Lenda que a Cyanocorax caeruleus, ave passeriforme da família dos Corvídeos, com aproximadamente 40 centímetros de comprimento, de coloração geral azul vivo e preta na cabeça, "... há muito tempo atrás, a Gralha Azul era apenas uma gralha parda, semelhante as outras de sua espécie. Mas um dia a gralha azul resolveu pedir para Deus lhe dar uma missão que lhe faria muito útil e importante. Deus lhe deu um pinhão, que a gralha pegou com seu bico com toda força e cuidado. Abriu o fruto e comeu a parte mais fina. A outra parte mais gordinha resolveu guardar para depois, enterrando-a no solo. Porém, alguns dias depois ela havia esquecido o local onde havia enterrado o restante do pinhão.

    A gralha procurou muito, mas não encontrou aquela outra parte do fruto. Porém, ela percebeu que havia nascido, na área onde havia enterrado, uma pequena Araucária. Então, toda feliz, a Gralha Azul cuidou daquela árvore com todo amor e carinho. Quando o pinheiro cresceu e começou a dar frutos, ela começou a comer uma parte dos pinhões e enterrar a parte mais gordinha (a semente), dando origem a novas Araucárias. Em pouco tempo, conseguiu cobrir grande parte do Estado do Paraná com milhares de Pinheiros, dando origem à Floresta de Araucária.

    Quando Deus viu o trabalho da Gralha Azul, resolveu dar um Prêmio a ela: pintou suas penas da Cor do Céu, para que as pessoas pudessem reconhecer aquele Pássaro, seu esforço e dedicação. Assim, a gralha que era parda, tornou-se azul... "


    No riquíssimo Folclore do Estado do Paraná, atribui-se a formação e manutenção das Florestas de Araucária a este belíssimo pássaro, como uma "Missão Divina", razão pela qual, segundo as crenças, as espingardas explodiriam ou negariam fogo quando apontadas para as mesmas...

    Associada à Mata das Araucárias e de fundamental importância para o respectivo Bioma, a Gralha Azul é um dos Símbolos do Estado do Paraná, de acordo com a Lei Estadual Nº 7957 de 1984, a qual consagra a mesma como a "Ave Símbolo" desse belíssimo Estado!!!

    E a Gralha Azul foi também eleita Mascote do Paraná Clube, Time de Futebol da cidade de Curitiba-PR, onde a mesma aparece no respectivo Escudo!!!

    Saiba mais informações sobre a Gralha Azul nos Sites da Wikipedia e Sua Pesquisa.

    Quero aqui destacar o LP "Gralha Azul (Folclore DO Paraná), gravado pela Ely Camargo, no ano de 1966, na Gravadora Chantecler (CMG-2405), com diversas Músicas Folclóricas recolhidas pelo Inami Custódio Pinto, além de duas belíssimas Composições de sua autoria intituladas "Barreado" (Inami Custódio Pinto), que é a 7ª Faixa do LP, além da Faixa-Título "Gralha Azul" (Inami Custódio Pinto), que abre o LP!!! Lembrando que o Barreado é o Prato Típico da Região de Morretes-PR, Antonina-PR, Paranaguá-PR e Litoral Paranaense, enquanto que a "Gralha Azul" é a célebre Ave-Símbolo do Estado do Paraná!!!

    E, por iniciativa do Governo do Estado do Paraná, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e do Museu Paranaense, esse LP foi reeditado num CD de riquíssimo encarte repleto de informações! Um "verdadeiro livro"! Sendo, porém, um "CD Independente", como tal, foi lançado em pequena quantidade...

    Quero também destacar o CD Retratos Musicais, com diversas belíssimas Composições de Inami Custódio Pinto, que proporcionam ao Apreciador uma verdadeira Viagem pelas 5 Regiões do Estado do Paraná: Litoral, Primeiro Planalto, Segundo Planalto, Norte e Oeste, e na qual o Apreciador começa, na 1ª Faixa, Apreciando um Barreado e visitando Ilha do Valadares, Paranaguá-PR e Litoral Paranaense, subindo a serra, e passando por diversas cidades tais como Curitiba-PR, Ponta Grossa-PR, Londrina-PR, Toledo-PR, até a Usina de Itaipu e as belíssimas Cataratas em Foz do Iguaçu-PR!!!

    Esse belíssimo CD conta com a participação de Jackson Lima (Violão de 6 Cordas, Violão de 12 Cordas, Cavaquinho, Vocal), Mário Penzo (Violão de 6 Cordas, Harpa Paraguaia), Silviane Stockler de Lima (Violão de 6 Cordas, Vocal), Cláudio Fernandes (Violão de 7 Cordas), Ricardo Janotto (Bateria e Percussão), Rodrigo Mendes (Rabeca), Luciano Madalozzo (Pandeiro), Andrea Stockler Pinto (Vocal), Ana Fruet Labes (Vocal) e Jallerson Lima (Baixo, Vocal).


    Clique aqui e assista a uma interessantíssima Entrevista que o Compositor Inami Custódio Pinto concedeu à TV Paulo Freire, no ano de 2010. Nessa Entrevista aparecem também algumas cenas de Dança de Fandango, do Arquivo de Inami Custódio Pinto!!!


    Clique nos links abaixo e assista à

    Primeira Parte

    e também à

    Segunda Parte

    da interessantíssima Entrevista que o Compositor Inami Custódio Pinto concedeu ao "Cumpadre" Maikel Monteiro no excelente Programa "Canto da Gente", por ele apresentado e que foi ao ar em Março de 2014 pela TV Evangelizar de Curitiba-PR!!! Nesse mesmo "clip" o Grupo "Retratos Musicais" também interpretou quatro belíssimas Composições de Inami Custódio Pinto: "Gralha Azul", "Paz e Amor", "Maringá" e "Naipi Tarobá - Itaipu - A Lenda Das Sete Quedas do Guayra", essa última com a primeira parte da letra em Português e segunda parte no Idioma Tupi, a "Língua Nativa Brasileira"!!! O Programa "Canto da Gente" vai ao ar todos os Sábados às 19:30 pela TV Evangelizar de Curitiba-PR!!!


    Algumas composições de Inami Custódio Pinto:

  • A Palmeirinha (Inami Custódio Pinto)
  • Amar Sim Casar Não (Inami Custódio Pinto)
  • Barreado (Inami Custódio Pinto)
  • Caiobá (Inami Custódio Pinto)
  • Conselho Da Vovó (Inami Custódio Pinto)
  • Gralha Azul (Inami Custódio Pinto)
  • João Ninguém (Inami Custódio Pinto)
  • Recordação (Inami Custódio Pinto)
  • Sacrifício de Amor (Inami Custódio Pinto)
  • Tem Bobobó No Bububu (Inami Custódio Pinto)



  • Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o Radialista Maikel Monteiro, Ricardinho, o Compositor Inami Custódio Pinto e o Radialista José Francisco, no dia 14/01/2014, num encontro descontraído, na residência de Inami, em Curitiba-PR. Os "Cumpadres" Maikel Monteiro e José Francisco apresentam o excelente Programa "Brasil Caboclo" nos 630 kHz da Rádio Paraná Educativa (e-Paraná) - AM de Curitiba-PR, no ar todos os Domingos Das 07:00 às 09:00 da manhã)!!!




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Ricardinho, o Compositor Inami Custódio Pinto e o Radialista José Francisco, no mesmo encontro descontraído na residência de Inami, em Curitiba-PR, no dia 14/01/2014!!!




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o Radialista Maikel Monteiro, Ricardinho, o Compositor Inami Custódio Pinto e o Radialista José Francisco, no mesmo encontro descontraído na residência de Inami, em Curitiba-PR, no dia 14/01/2014!!!




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o Radialista Maikel Monteiro, Ricardinho, o Compositor Inami Custódio Pinto, Minha Esposa (a Netinha) e o Radialista José Francisco, no mesmo encontro descontraído na residência de Inami, em Curitiba-PR, no dia 14/01/2014!!!




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o Radialista Maikel Monteiro, Ricardinho, o Compositor Inami Custódio Pinto, o Radialista José Francisco e minha Sobrinha Emília Mendonça, no mesmo encontro descontraído na residência de Inami, em Curitiba-PR, no dia 14/01/2014!!!




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Ricardinho e o Compositor Inami Custódio Pinto, no mesmo encontro descontraído na residência de Inami, em Curitiba-PR, no dia 14/01/2014!!!




    E foi com profunda tristeza que a Cultura Caipira recebeu a notícia do falecimento de Inami Custódio Pinto, aos 83 anos de idade, no dia 27/05/2014, pouco mais de 4 meses depois desse encontro descontraído...

    Inami já vinha sofrendo de uma insuficiência respiratória e seu quadro vinha se agravando... Foi em sua residência que ele exalou seu último suspiro na manhã de 27/05/2014...

    Seu corpo foi velado e sepultado no Cemitério Municipal de Curitiba-PR, sua Cidade-Natal, no mesmo dia...

    A Grande Orquestra Celestial.·., sob a Regência do Grande.·. Arquiteto.·. Do.·. Universo.·., com certeza recebeu o Inami ao som de belíssimos Fandangos, quando de sua chegada ao Oriente Eterno.·. ...

    Inami Custódio Pinto: Receba de Netinha e Ricardinho essa singela homenagem...


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    Índio Vago:

    Elias Costa nasceu em Águas de Santa Bárbara-SP e, com apenas seis anos, já acompanhava seu pai João Avelino da Costa que era Rezador, Violeiro e também Boiadeiro.

    Dessa forma, Elias passou praticamente toda a infância e adolescência em contato com boiadas e montarias.

    Curiosamente, aos 18 anos, Elias tentou embarcar como voluntário para a Europa, para participar da II guerra mundial, porém, acabou retornando à vida de Boiadeiro.

    Elias trabalhou também em circos de tourada e foi nessa época que ele conheceu um gaúcho que declamava poemas e falava sobre os "Índios Vagos" que eram valorosos Guerreiros que defendiam o Território Nacional contra as invasões estrangeiras. Identificando-se com o temperamento deles, foi que Elias Costa acabou adotando o nome artístico pelo qual é conhecido como Compositor.

    Ironicamente, no Linguajar Regional do Estado do Rio Grande do Sul, "índio-vago" também vem sendo usado como sinônimo de "gaudério", denominação dada ao antigo Gaúcho, em sentido depreciativo, andarengo, pessoa que viaja muito, que não tem ocupação séria e vive à custa dos outros. Nada a ver com os Guerreiros mencionados acima...

    Presenciando a gradativa substituição do tradicional método de condução das Boiadas pelas estradas asfaltadas e pelos caminhões e jamantas, foi que Índio Vago encontrou inspiração para compor sua Obra Prima "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio). E, para o transporte do gado, tal procedimento continua sendo utilizado até os dias atuais apenas nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

    Clique aqui e veja A Longa Viagem dos Peões - excelente reportagem da Revista Época sobre as Boiadas que são conduzidas na Serra da Bodoquena, no Estado do Mato Grosso do Sul).

    Sobre a "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio), quero aqui dar um destaque ao Museu do "Boiadeiro Moacir Fabiano", o qual tive o prazer de visitar, juntamente com minha Esposa, a Netinha, no dia 17/03/2003, na cidade de Botucatu-SP.

    Nessa ocasião, "entabulei uma conversa" bastante agradável com o proprietário do Museu que é o Sr. Moacir de Campos (foto à esquerda) que, já tendo sido Boiadeiro, reuniu uma coleção de cerca de 1500 peças que nos fazem "viajar no espaço e no tempo" e gostar ainda mais da Nossa Música Caipira Raiz!

    O Museu do Boiadeiro fica na Praça José de Souza Nogueira Nº. 140 - Fone: (14)3813-8245 - no Distrito de Rubião Júnior - no lado esquerdo da Rodovia Marechal Rondon, para quem chega de São Paulo-SP. A própria instalação bem simples do Museu já nos põe em contato com a simplicidade do Boiadeiro! Não há "formalidades" e o próprio dono do Museu é o nosso Cicerone explicando-nos a sua História!

    O Sr. Moacir de Campos ("Fabiano" é um apelido carinhoso que ele tinha desde o tempo de Boiadeiro - na verdade era o nome de seu Avô!) nos contou algumas Histórias muito interessantes da Vida dos Tropeiros e também nos deu ótimas explicações sobre cada objeto exposto, além de diversas fotos nas quais ele estava presente com diversos Compositores e Intérpretes famosíssimos de nossa Música Raiz!!

    A letra da música "Mágoa de Boiadeiro", que Índio Vago compôs em parceria com Nonô Basílio), passou a possuir para mim um significado ainda mais profundo, depois da visita que fiz ao Museu do Boiadeiro e da conversa com Moacir Fabiano, já que o compositor Índio Vago também foi companheiro do Sr. Moacir como mostra a foto à direita, tirada em 29/10/1956, com Sr. Moacir à esquerda e Índio Vago à direita. O local é a Cachoeira de Emas, junto à barranca do Rio Mogi-Guaçu, a cerca de 9 Km de Pirassununga-SP. Essa foto faz parte do Acervo do Museu do Boiadeiro Moacir Fabiano.

    E, de acordo com Moacir, Índio Vago compôs "Mágoa de Boiadeiro" praticamente na sua totalidade, apesar de registrada a parceria com Nonô Basílio. Tal procedimento, apesar de lamentável, é bastante comum quando se deseja registrar um trabalho para garantia de Direitos Autorais... Assim como, da mesma forma, para conseguir que sua música fosse gravada, Atílio Versutti também se viu obrigado a dividir a autoria do seu "Fuscão Preto" com Jeca Mineiro, que na época era diretor da gravadora Continental (hoje Warner Music).

    Clique aqui, veja a letra e ouça uma gravação de "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio) interpretada pela dupla "Ouro e Pinguinho" numa gravação em vinil fora de catálogo.

    Clique aqui e veja mais um pouquinho do acervo do Museu do Boiadeiro Moacir Fabiano.

    Clique aqui e veja também a visita que Paulo Roberto Moura Castro e Ramiro Vióla fizeram algum tempo depois ao Museu do Boiadeiro Moacir Fabiano, com bastante riqueza de detalhes, destacando inclusive o Carro de Boi.

    Foi também o Compositor Índio Vago quem implantou nos regulamentos internacionais dos rodeios a regra do peão segurar as rédeas da montaria com apenas uma das mãos, regra essa que continua válida até os dias atuais.

    "No Brasil, tudo morre no silêncio, no túmulo da corrupção." É a queixa de Índio Vago com relação à falta de consideração do ECAD para com os Artistas, de um modo geral.

    Apesar da importância da belíssima "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio) na História da Música Caipira Raiz, Índio Vago é um Compositor "injustamente desconhecido" e esse resumo biográfico só foi possível graças à excelente Revista Viola Caipira, editada pelo Pinho em Belo Horizonte-MG, que incluiu uma biografia do Compositor na seção "Celeiro".

    Algumas composições de Índio Vago:

  • A Saudade Continua (Índio Vago - Athos Campos)
  • Mágoa de Boiadeiro (Índio Vago - Nonô Basílio)
  • No Vazio da Minha Vida (Índio Vago - Athos Campos)
  • O Herói Anônimo do Sertão (Índio Vago)
  • Peão de Rodeio (Índio Vago - Adauto Santos)
  • Porteira Grande (Índio Vago)
  • Saudade (Índio Vago - Athos Campos)
  • Sinhazinha (Índio Vago - Athos Campos)
  • Sobrado Velho (Índio Vago - Athos Campos)
  • Velho Pouso de Boiada (Índio Vago - Dino Franco)



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    Jeca Mineiro:

    Conhecido principalmente pelo mega sucesso do "Fuscão Preto" (Jeca Mineiro - Atílio Versutti), José Silva, também conhecido como Jeca Mineiro, além do "Fuscão Preto", é autor de diversas obras primas no repertório Caipira Raiz, como por exemplo "Não Beba Mais Não" (Jeca Mineiro - Orlandinho) e "A Dama de Vermelho" (Jeca Mineiro - Ado Benatti).

    Jeca Mineiro nasceu em Arceburgo-MG no dia 04/09/1913 e faleceu na Capital Paulista no dia 26/05/2003 (essa informação foi fornecida pelo Apreciador Marcos Marcondes, editor da "Enciclopédia da Música Brasileira" - Muito obrigado, "Cumpadre" Marcos!).

    Criado junto de Violeiros e Catireiros, pode-se dizer que sua Carreira Artística se iniciou quando contava com apenas 10 anos de idade, quando passou a tocar viola e cantar em reuniões festivas. E, aos 15 anos, ganhou de sua avó uma Viola; por essa época, mudou-se para São José do Rio Pardo-SP, onde continuou a se apresentar em festas.

    Em 1946 passou a residir em São Paulo SP, onde formou dupla com Chico Carretel, apresentando-se na Rádio Cruzeiro do Sul. A dupla logo se desfez e, em 1947, Jeca Mineiro formou uma nova parceria com Motinha e, com ele, passou a atuar no programa "Serra da Mantiqueira", na Rádio Bandeirantes de São Paulo.

    Sua primeira composição foi "Boiadeiro Paulista", a qual foi composta em 1948 e gravada no ano seguinte pela dupla "Zé Pagão e Nhô Rosa", na gravadora Continental.

    De 1949 a 1965, Jeca Mineiro formou dupla com Mineirinho. Nessa época, gravou, como intérprete, seu primeiro disco 78 RPM. A dupla também gravou na Copacabana diversos sucessos, dentre eles, os rasqueados "Perfume de Meu Bem" (Jeca Mineiro) e "Mulher Ciumenta" (Palmeira - Nonô Basílio).

    Em 1955, formou-se o Trio "Jeca Mineiro, Bambuí e Pirajá", que gravou, entre outras, a toada "Filho de Ninguém" (José Fortuna), e a moda de viola "Moda das Duplas" (Piraci).

    No início da década de 1960 Jeca Mineiro passou a cantar em dupla com Nininha; e o primeiro disco da nova dupla incluiu a canção rancheira "Meu Diário" (Jeca Mineiro - Teixeira Filho), e também a guarânia "Quem É Que Não Sente" (Jeca Mineiro - José Russo).

    Jeca Mineiro teve diversas de suas composições gravadas por gente de renome, como por exemplo, " Nonô e Naná", Liu e Léu, Zilo e Zalo, Tonico e Tinoco e Gaúcho da Fronteira, apenas para citar alguns exemplos. E "Paiozinho e Zé Tapera" gravaram o bolero "A Dama de Vermelho" (Jeca Mineiro - Ado Benatti), que foi um dos maiores sucessos de sua autoria e um dos clássicos do repertório sertanejo, que também foi gravado por Pedro Bento e Zé da Estrada.

    Além da Cruzeiro do Sul e da Bandeirantes, a Rádio Cultura de São Paulo também teve o programa "Lá No Pé Da Serra" apresentado por Jeca Mineiro.

    Jeca Mineiro também chegou a cantar em dupla com Luizinho (Luís Raymundo, nascido em São Paulo-SP em 1916 e falecido também em São Paulo-SP em 1983 - o mesmo que também já formou dupla com Palmeira e também com Limeira além de ter composto em parceria com Teddy Vieira o célebre cururu "Menino da Porteira").

    Em 1968 Jeca Mineiro parou de cantar por recomendações médicas e passou a atuar somente como compositor.

    E foi em 1978 que Jeca Mineiro compôs, juntamente com o pintor de placas e cartazes Atilio Versuti, o famosíssimo "Fuscão Preto", que se tornou um verdadeiro fenômeno na música sertaneja. "Giovanti e Mariel" foram os primeiros a gravar a música, o que foi feito numa prensagem particular.

    Em 1980, o trio mineiro "Vandeirante, Zé Batista e Darlon" (foto à direita) gravou o "Fuscão Preto" numa pequena gravadora. E, no final do mesmo ano, Zé Tapera e Teodoro também gravaram o "Fuscão Preto" pela RCA. Gravações essas que não fizeram sucesso e passaram desapercebidas.

    Em 1982, no entanto, o "Fuscão Preto" começou a ficar famoso quando foi regravado pelo Trio "Os Gladiadores", com o qual vendeu mais de 100 mil cópias. E, para aumentar ainda mais a vendagem, Almir Rogério também gravou o "Fuscão Preto" e, na voz dele, chegou a vender mais de 700 mil cópias.

    A partir de então, o sucesso alavancou até mesmo no exterior! Nos Estados Unidos, por exemplo, foi gravada com o título "Black Mustang" e na Itália, com o nome "Fiat Nero". A música também "virou filme" dirigido por Jeremias Moreira Filho, com as participações de Almir Rogério e Xuxa Meneghel (que mais tarde passou a ser a famosíssima "Rainha dos Baixinhos"). E ganhou também uma versão humorística num inglês errado e com sotaque brega feita pelo Falcão ("Black People Car").

    Também não faltam controvérsias sobre o "Fuscão Preto": de acordo com Moacyr Custódio (Jornalista e radialista, amigo pessoal de Atílio Versutti) no jornal Notícias de Itaquera, Giovanti (já falecido) e Mariel (a dupla que gravou a música pela primeira vez, conforme já mencionado) trabalhavam como pintores na cidade de Serra Negra-SP em 1975 e viam diariamente uma mulher casada que por ali passava freqüentemente num Fusca preto, com um homem que, de acordo com as "fofocas de boteco", não era o marido dela.

    Em São Paulo, a dupla contou o fato ao compositor Atílio Versutti, natural de São José do Rio Preto-SP, pintor de placas e cartazes, que começou a compor algumas músicas em 1976.

    Atílio morava há mais de dez anos na Capital Paulista e, juntamente com Giovanti e Mariel, começou a escrever a introdução “Me disseram que ela foi vista com outro, num fuscão preto pela cidade a rodar...”. Mariel compôs a melodia e a música foi incluída no LP que a dupla preparava e que, por sinal, recebeu o nome de “Fuscão Preto”.

    E, ainda segundo Moacyr Custódio, para conseguir que o disco fosse gravado, Atílio Versutti se viu obrigado a dividir a autoria da música com Jeca Mineiro que era diretor da Continental. Tal fato, apesar de lamentável é muito comum no meio artístico.

    Não se sabe ao certo da veracidade da estória desse adultério em Serra Negra-SP que teria inspirado a composição do "Fuscão Preto", mas o fato é que ela foi relatada diversas vezes tanto por Atílio Versutti como também por Mariel, de acordo com Moacyr Custódio no jornal Notícias de Itaquera.

    Seria "Fuscão Preto" o "divisor de águas" entre a Música Caipira e o "breganejo e sertanojo"? Na época, o Trio Parada Dura e as duplas Léo Canhoto e Robertinho e "Milionário e José Rico" já atingiam também mega-vendagens com seus discos, apesar de que tal faturamento ainda era pouco comparado com o que viria depois com as duplas "Chitãozinho e Xororó", "Leandro e Leonardo" e "Zezé di Camargo e Luciano", que ainda não eram conhecidas (apenas "Chitãozinho e Xororó" que eram iniciantes já começavam a ter algum sucesso nas paradas). O fato é que essa famosíssima composição atribuída a Jeca Mineiro e Atílio Versutti foi (e ainda é) um mega-sucesso que quebrou records de vendas, equiparados, na época, por exemplo, ao "Coração de Luto" (Teixeirinha), lançada 1961.

    Algumas composições de Jeca Mineiro:

  • A Dama de Vermelho (Jeca Mineiro - Ado Benatti)
  • A Fumaça Do Cigarro (Jeca Mineiro - Carlos Gil)
  • Alma do Ferreirinha (Jeca Mineiro - Zilo)
  • Amar Não É Crime (Jeca Mineiro - Paiozinho)
  • Baile Gaúcho (Jeca Mineiro - Milton Cristofani)
  • Boiadeiro Paulista (Jeca Mineiro)
  • Caboclo de Fato (Jeca Mineiro - Kambukira)
  • Eterno Apaixonado (Jeca Mineiro - Labareda)
  • Felicidade de Matuto (Jeca Mineiro - Professor Gilson)
  • Flor Dos Meus Sonhos (Jeca Mineiro - Rochedo)
  • Folia de Santo Rei (Tonico - Jeca Mineiro)
  • Força do Destino (Jeca Mineiro - Ado Benatti)
  • Fuscão Preto (Jeca Mineiro - Atilio Versuti)
  • Ilusão Perdida (Jeca Mineiro - Maria Terezinha)
  • Já Encontrei a Solução (Jeca Mineiro - J. Ribeiro)
  • Lembranças Que O Tempo Não Apaga (Luiz de Castro - Jeca Mineiro)
  • Mãezinha Feliz (Jeca Mineiro - José Fortuna)
  • Mandamento Sagrado (Jeca Mineiro - Sebastião Vitor)
  • Meu Diário (Jeca Mineiro - Teixeira Filho)
  • Meu Sabiá (Jeca Mineiro - Atilio Versuti)
  • Minas Gerais (Jeca Mineiro - Moreno)
  • Minha Secretária (Jeca Mineiro - Iray de O. Machado)
  • Não Beba Mais Não (Jeca Mineiro - Orlandinho)
  • Pé Vermelho (Pedro Ornellas - Jeca Mineiro)
  • Perfume de Meu Bem (Jeca Mineiro)
  • Quem É Que Não Sente (Jeca Mineiro - José Russo)
  • Remorso (Jeca Mineiro - Benedito Seviero)
  • Saudade Não Levarei (Jeca Mineiro - Iray de O. Machado)
  • Sem Você Eu Não Sou Nada (Jeca Mineiro - Atílio Versutti)
  • Sonhando Acordado (Jeca Mineiro - Chico Lau)
  • Traidor (Jeca Mineiro - Piraci)
  • Vamos Cantar E Sorrir (Antônio R. Pereira - Jeca Mineiro)



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    Jesus Belmiro:

    Jesus Belmiro Mariano nasceu em Taiaçu-SP no dia 10/05/1943.

    Foi em 1969, aos 26 anos de idade, que Jesus Belmiro iniciou como compositor. E, após se aposentar como Primeiro Sargento da Polícia Militar, passou a dedicar mais tempo à composição. As letras por ele compostas vêm sendo disputadas por diversos Violeiros de todo o Brasil.

    Como exemplo, podemos citar algumas composições musicais com belíssimas letras de sua autoria, como por exemplo "Viola Vermelha" (Jesus Belmiro - Tião Carreiro), que homenageia o Florêncio, célebre parceiro do Raul Torres, além de "Fazenda São Francisco (Maior proeza)" (Jesus Belmiro - Paraíso) e "Preto Velho" (Jesus Belmiro - Tião Carreiro - Lourival dos Santos), que estão entre seus maiores sucessos.

    Jesus Belmiro compõe em parceria com diversos renomados compositores tais como Paraíso, Tião do Carro, Zé Goiano, Vicente P. Machado, Lourival dos Santos, Cacique, João Mulato, Tião Carreiro, Dino Franco, Ronaldo Adriano, Benedito Seviero, Carreirinho, e muitos outros. E suas composições têm sido gravadas por excelentes intérpretes do quilate de Tião Carreiro e Pardinho, Zilo e Zalo, Zé do Rancho e Zé do Pinho, Liu e Léu, Zico e Zeca, Eli Silva e Zé Goiano, Irmãs Galvão, Zé do Cedro e João do Pinho e Dino Franco e Mouraí, apenas para citar alguns.


    Clique aqui e ouça "Barba Azul" (Jesus Belmiro - Zé Goiano) interpretada por Ramiro Vióla e Pardini, num Arquivo Musical pertencente ao site Music Express, o qual convido o Apreciador a visitar e conhecer a diversidade de Estilos Musicais nele divulgados.


    Jesus Belmiro continua "na estrada" e reside atualmente em Monte Alto-SP, cidade interiorana da qual ele desfruta, longe das agitações e tribulações dos grandes centros urbanos.

    E, ao contrário da maioria dos Compositores e Poetas homenageados nessa página, há pouquíssima informação disponível sobre Jesus Belmiro. Seus dados biográficos, bem como a segunda foto, foram encontrados somente na excelente Revista Viola Caipira (Edição de Nº 11 - Maio e Junho/2005); e a primeira foto (no início do resumo biográfico) foi fornecida pelo Radialista, Produtor e Pesquisador Maikel Monteiro que possui um excelente conhecimento sobre a trajetória de diversos compositores e intérpretes da Música Caipira Raiz (ver Referências Bibliográficas no final dessa página).

    Algumas composições de Jesus Belmiro:

  • Adeus Rio Piracicaba (Jesus Belmiro - Tião Carreiro - Craveiro)
  • A Força Do Amor (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • A Loira Do Caixa (Tião do Carro - Jesus Belmiro)
  • A Loura Do Carro Branco (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • Amo Você (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • Barba Azul (Jesus Belmiro - Zé Goiano)
  • Boiada Da Saudade (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • Cabelos Cor De Mel (Jesus Belmiro - Teodoro)
  • Candieiro Da Fazenda (Jesus Belmiro - Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Cerne De Aroeira (Lourival dos Santos - Jesus Belmiro - Vicente P. Machado)
  • Chão Sagrado (Jesus Belmiro - Zé Goiano)
  • Cidade de Sonho (Jesus Belmiro)
  • Colibri (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • Couro Grosso (Jesus Belmiro - Zé Goiano)
  • Dever Do Policial (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)
  • Diamante Verde (Jesus Belmiro - Juliana Andrade)
  • Duelo de Paixão (Jesus Belmiro - Ronaldo Viola)
  • Gente Invejosa (Jesus Belmiro - José Victor)
  • Fazenda São Francisco (Maior proeza) (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • Filha do Barbeiro (Jesus Belmiro - Mococa)
  • Filha Do Caminhoneiro (Edson Bellodi - Paraíso - Jesus Belmiro)
  • Flor de Goiás (Jesus Belmiro - Ronaldo Viola)
  • Fonte Dos Prazeres (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)
  • Força Infinita (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • Homem De Fibra (Eli Silva - Jesus Belmiro)
  • Idolatro Quem Me Ama (Jesus Belmiro - Edson Belodi)
  • Índio Pataxó (Cacique - Jesus Belmiro)
  • Intervenção Divina (João Mulato - Jesus Belmiro)
  • Joio No Trigo (Jesus Belmiro - Geraldo L. Mendes - Cacique)
  • Justiça Divina (Jesus Belmiro - Julinho Guidini - Tião Carreiro)
  • Meus Inimigos Também São Filhos De Deus (Jesus Belmiro - Lourival dos Santos - José Russo)
  • Mina De Ouro (João Mulato - Jesus Belmiro)
  • Mineirinho De Fibra (Jesus Belmiro - Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Mosca Branca (Cacique - Jesus Belmiro)
  • Noite Chuvosa (Ronaldo Adriano - Jesus Belmiro)
  • Novo Amor (Jesus Belmiro - Lourival dos Santos)
  • O Milagre da Traição (Jesus Belmiro - Caim)
  • Por do Sol (Jesus Belmiro - Cláudio Balestro)
  • Por Isso Estou Com Ela (Jesus Belmiro - Zé Goiano)
  • Preto Velho (Jesus Belmiro - Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Prova De Fogo (Joselito - Jesus Belmiro)
  • Pulover De Lã (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • Rainha Do Meu Destino (João Carvalho - Jesus Belmiro)
  • Rei da Pecuária (Ronaldo Viola - Jesus Belmiro)
  • Relembrando Tião Carreiro (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • Rodeio Do Amor (Jesus Belmiro - Paraíso)
  • Sangue De Índio (Eli Silva - Jesus Belmiro - Zé Goiano)
  • Saudade Me Fez Voltar (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)
  • Se Não Güenta Não Vem (Ronaldo Viola - Jesus Belmiro)
  • Sombra Do Desengano (Jesus Belmiro - Carminha - Paraíso)
  • Sonho De Saudade (João Mulato - Jesus Belmiro)
  • Velho Poeta (Zacarias Falseti - Benedito Falseti - Jesus Belmiro)
  • Veneno Da Mentira (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)
  • Viola Vermelha (Jesus Belmiro - Tião Carreiro)



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    José Fortuna:

    Nasceu em Itápolis-SP em 02/10/1923 e faleceu em São Paulo-SP no dia 10/11/1983. Já compunha desde criança, quando acompanhava seu pai na lavoura e escrevia versos com um pedaço de madeira no chão de terra.

    Considerado por muitos estudiosos como um dos melhores letristas da nossa Boa Música Brasileira, José Fortuna também era o compositor preferido de Cascatinha.

    Sua primeira composição "Moda das Flores" (em parceria com Raul Torres) foi gravada em 1944 pelos "Três Batutas do Sertão", ( Raul Torres, Florêncio e Rielli).

    Em 1947 José Fortuna formou juntamente com seu irmão Euclides Fortuna (também de Itápolis-SP, nascido em 18/10/1928 - foto à esquerda) a famosa dupla "Zé Fortuna e Pitangueira" (foto à direita). Mudaram-se para São Paulo no mesmo ano e, em 1948, já cantavam na Rádio Record. A partir de 1950 a dupla deu início a uma longa e brilhante carreira de sucesso sendo que ao mesmo tempo José Fortuna se destacava como compositor e versionista através de Guarânias, Toadas e Valseados.

    E foi em 1952, que a dupla Cascatinha e Inhana lançou um disco 78 RPM contendo dois dos maiores sucessos de sua carreira, tendo vendido na época mais de 1 milhão de cópias: Duas famosíssimas Guarânias Paraguaias com versão em português de José Fortuna: "Índia" (Jose Assuncion Flores - Ortiz Guerrero - Versão: José Fortuna) e "Meu Primeiro Amor (Lejania)" (Herminio Gimenez - Versão: José Fortuna - Pinheirinho Junior). Popularizado esse gênero no Brasil, intensificou-se o intercâmbio musical com o Paraguai. Outras versões de sua autoria e que fizeram sucesso na voz de Cascatinha e Inhana foram "Anahy" (J. D. S. Cordero - Versão: José Fortuna) e "Solidão" (Eládio Martinez - Jose Assuncion Flores - M. Cardozo - Versão: José Fortuna).

    Em 1960, recebeu do então Presidente da República, Juscelino Kubitscheck de Oliveira, um cartão de Congratulação e Mérito pela composição de "Sob o Céu de Brasília", executada quando da inauguração da Nova Capital, sendo então considerada como o Hino Inaugural de Brasília (não confundir com o Hino "Brasília Capital da Esperança" (Ariowaldo Pires e E. Simão Neto)).

    Em 1979 José Fortuna conquistou o primeiro lugar no Festival de Música Sertaneja da Rádio Record com "Riozinho" (José Fortuna - Carlos Cezar) que foi gravada pelas Irmãs Galvão. No mesmo ano, a Secretaria do Trabalho do Estado de São Paulo oficializou a sua composição feita também em parceria com Carlos Cezar, "Hino do Trabalhador Brasileiro". Dois anos depois, em 1981, voltou a conquistar o primeiro lugar no mesmo festival com a composição "O Vai e Vem do Carreiro" (Carlos Cezar - José Fortuna) (gravada por Sérgio Reis e também por Carlos Cezar e Cristiano).

    Entre seus principais parceiros na composição, estão entre os mais freqüentes: Carlos Cezar, Dino Franco, Tião Carreiro e Paraíso. Paraíso, por sinal, além de ter sido parceiro de Tião Carreiro e formando atualmente a dupla com Mocóca, também é genro de José Fortuna, já que ele é esposo de sua filha Iara Fortuna.

    Importante lembrar também que José Fortuna criou a Companhia Teatral "Os Maracanãs" com a qual viajou por quase trinta anos levando peças teatrais a diversos circos espalhados pelo Brasil e também a outros países da América do Sul. Sua companhia teatral conquistou inúmeros troféus, e ficou conhecida como "Os Reis do Teatro". José Fortuna também escreveu 42 peças teatrais (nas quais também trabalhou como ator) e escreveu 30 livros de poemas e Literatura de Cordel. Gravou também cerca de 40 LPs. E, tendo sido radialista durante toda sua carreira artística, apresentou seu "Programa José Fortuna" diversas emissoras de rádio da Capital Paulista.

    Em seus 40 anos de carreira compôs cerca de 2.000 músicas, gravadas pelos mais diversos intérpretes, em diversos gêneros, tais como Marchas, Rancheiras, Guarânias, Tangos, Maxixes, Sambas-Canção, Corridos, Fox, Valsas e Arrasta-Pés. Entre os intérpretes, "Leôncio e Leonel", " Tonico e Tinoco", "Milionário e José Rico", Sérgio Reis e " Pena Branca e Xavantinho". Suas composições foram também regravadas por inúmeros intérpretes da Fina Flor da MPB, entre os quais, Maria Betânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Nara Leão e Ângela Maria. E dessas cerca de 2000 composições, deixou cerca de 900 inéditas.

    José Fortuna também compôs uma belíssima letra para o famoso "Abismo de Rosas" (Américo Jacomino (Canhoto)), a qual foi gravada pelo inesquecível Francisco Petrônio. Lembrar que, em sua forma instrumental, essa valsa é uma das mais belas melodias já compostas para Solo de Violão, imortalizada pelo Dilermando Reis e que não pode faltar no Repertório de quem se dedica a esse maravilhoso Instrumento Musical!


    Clique aqui e ouça "Paineira Velha" (José Fortuna) interpretada por Zé Fortuna, Pitangueira e Zé do Fole, num Vídeo Musical disponibilizado no YouTube.


    José Fortuna "passou para o Andar de Cima" no dia 10/11/1983, vítima de doença de Chagas.


    Clique aqui e conheça o Site Oficial de José Fortuna com fotos, biografia, discografia, vídeos musicais, Poemas e letras das Músicas desse inesquecível Compositor, num belíssimo tributo à sua Obra! Site elaborado pela sua filha Iara Fortuna.


    Quero aqui destacar o Livro "Vida e Arte de Zé Fortuna e Pitangueira" escrito por Euclides Fortuna (o Pitangueira) - Editora Fortuna - 2009 - ISBN: 978-85-62890-00-0 - no qual o irmão e parceiro retrata numa agradabilíssima leitura, repleta de emoção e grandes recordações, a vida de José Fortuna e também a trajetória da inesquecível Dupla "Zé Fortuna e Pitangueira"! O prefácio desse livro foi escrito pelo inesquecível Compositor e Amigo José Caetano Erba!


    Na foto abaixo, em 26/11/2008, Ricardinho, Paraíso e sua Esposa Iara Fortuna, filha do inesquecível Compositor José Fortuna, e que preserva o Acervo Musical de seu Pai na Editora Fortuna, da qual é proprietária:




    Na foto abaixo, também em 26/11/2008, Paraíso e sua Esposa Iara Fortuna:




    Transcrevo abaixo o Poema "Saudades Do Poeta", no qual Elsio Poeta homenageia esse Grande Compositor que foi José Fortuna:

    Eu hoje acordei meio chocho,
    Meu peito assim meio roxo,
    De tanto a saudade bater...
    Que eu pensei...Será ironia?
    Perder assim o meu dia
    Com o meu peito tão triste a doer?
    Será meu Deus necessário,
    Que este caboclo solitário,
    Tem que lembrar pra sofrer?

    Lembrei-me então do "Eterno Poeta"...

    Quis uns versos construir...
    Mas... vi minha banalidade
    Diante de uma sumidade
    Tristemente a sucumbir...
    Parei no meio da prosa
    Com meu rosto quase rosa
    Na vergonha a diluir...
    Porque não tenho a metade
    Da sua capacidade
    Para um verso construir.

    Poeta,
    No dia em que você partiu
    Bois e peões estancaram...
    Na estrada de chão batido
    Seus passos... silenciaram...
    Talvez por tanta tristeza
    Os curiangos cantaram
    E melodias tão tristes
    Nas vastidões ecoaram...
    Saudades! Do velho poeta
    As amplidões... reclamaram...

    E aquele “Riozinho amigo”
    Carregado de lembrança crua
    Foi deslizando lentamente
    Transbordado de poesia sua...
    Parece que ele adivinhava.
    Que tudo na vida é assim,
    Que lá no horizonte distante,
    O mar aguardava seu fim...

    Poeta..! No dia que a fria morte
    Vier aqui me buscar...
    Eu peço a Deus, esta sorte,
    De lá no Céu te encontrar...
    Pois um Poeta só descansa
    Depois que ouvir a "Lembrança"
    Por Anjos, no Céu a tocar...



    Segue abaixo o Poema "Obras Do Poeta (Homenagem A Zé Fortuna)" de autoria do Dr. Afonso Celso Barreiros escrito no dia 17/03/2010, no qual são destacados os nomes de 16 de suas Composições:


    "A MÃO DO TEMPO me fez voltar ao passado
    Pela AVENIDA BOIADEIRA eu caminhei
    Atravessei o RIOZINHO devagar
    O velho ESTEIO DE AROEIRA eu avistei

    Sentei à sombra da minha PAINEIRA VELHA
    O CHEIRO DE RELVA perfumava o sertão
    Eu vi ao longe O VAI E VEM DO CARREIRO
    E TERRA TOMBADA lá no alto do espigão

    Ouvi o toque de um BERRANTE DE OURO
    Eu vi a ÍNDIA que tem o cheiro da flor
    Quanta LEMBRANÇA desta terra abençoada
    Aqui eu conheci o MEU PRIMEIRO AMOR

    Passei a mão pelo meu ROSTO MOLHADO
    Senti brotar LÁGRIMAS dos olhos meus
    Quando ouvi ao longe a VOZ DO SILÊNCIO
    E percebi que era o meu ÚLTIMO ADEUS"



    O Dr. Afonso Celso Barreiros é Advogado em Curitiba-PR e grande admirador do Compositor José Fortuna e da dupla Nhô Belarmino e Nhá Gabriela. Ele é considerado o "Guardião da Fonte" que homenageia a célebra Dupla Paranaense. O Apreciador pode conhecer um pouquinho melhor o Dr. Afonso Celso na página dedicada à Dupla Nhô Belarmino e Nhá Gabriela.


    Algumas composições de José Fortuna:

  • Abismo Cruel (Sulino - Zé Fortuna)
  • Abismo de Rosas (Américo Jacomino (Canhoto) - José Fortuna)
  • A Mão do Tempo (Tião Carreiro - José Fortuna)
  • A Palavra Ladrão (José Fortuna - Pitangueira)
  • A Porteira (José Fortuna - Carlos Cezar - O. Bettio)
  • A Sanfona e o Violão (José Fortuna)
  • As Flores do Lago (José Fortuna - Paraíso)
  • As Três Namoradas (Dino Franco - José Fortuna)
  • Atalho (José Fortuna - Paraíso)
  • A Vaquinha (Carlos Cezar - José Fortuna - Oswaldo Bettio)
  • Avenida Boiadeira (José Fortuna - Paraíso)
  • Beijo da Morte (José Fortuna - Oswaldo Aude)
  • Beijo de Judas (José Fortuna - Paraíso)
  • Beijo Inocente (José Fortuna)
  • Berrante De Ouro (Carlos Cezar - José Fortuna)
  • Caixinha De Ciúmes (José Fortuna - Carlos Cezar)
  • Carga Pesada (Carlos Cezar - José Fortuna)
  • Carreador (José Fortuna - Paraíso)
  • Casarão (José Fortuna - Jotha Luiz)
  • Casinha de Ouro (José Fortuna)
  • Cheiro de Relva (Dino Franco - José Fortuna)
  • Colônia Vazia (Mairiporã - José Fortuna)
  • Coração Doente (José Fortuna - Paraíso)
  • Crime de Amor (José Fortuna)
  • Cunhada (José Fortuna - Paraíso)
  • De Que Adianta (José Fortuna - Tião do Carro)
  • Despedida de Solteiro (Zé Carreiro - Carreirinho - José Fortuna)
  • Dois Destinos (Dilermando Reis - José Fortuna)
  • Drama da Vida (José Fortuna)
  • Esteio de Aroeira (José Fortuna)
  • Expresso Boiadeiro (Carlos Cezar - José Fortuna)
  • Flor do Baile (José Fortuna - Pitangueira)
  • Flor Proibida (Carreirinho - José Fortuna)
  • Flor Serrana (José Fortuna - Daniel Salinas)
  • Folha Seca (José Fortuna)
  • Fronteiriça (José Fortuna)
  • Geração de Boiadeiro (José Fortuna - Carlos Cezar)
  • Hino do Trabalhador Brasileiro (Carlos Cezar - José Fortuna)
  • História dos Times (José Fortuna)
  • Inquilino do Peito (José Fortuna - Paraíso)
  • João Ninguém (José Fortuna - Zeca)
  • Laço De Amor (José Fortuna - Sulino)
  • Lágrimas (José Fortuna - Carlos Cezar)
  • Lembrança (José Fortuna)
  • Lenda Da Valsa Dos Noivos (José Fortuna)
  • Mãe Terra (José Fortuna - Paraíso)
  • Manhã Sem Aurora (José Fortuna - Carlos Cezar)
  • Mato-Grossense (Luizinho - José Fortuna - Zezinha)
  • Metade De Mim (José Fortuna - Paraíso)
  • Moça Caminhoneira (José Fortuna - Carlos Cezar)
  • Moça Do Carro De Boi (José Fortuna - Carlos Cezar)
  • Mourão Queimado (José Fortuna - Sulino)
  • Não Me Abandones (José Fortuna - Enrique de Hoz)
  • O Beijo Da Morte (José Fortuna)
  • O Carro e a Faculdade (Sulino - José Fortuna)
  • Oceano da Vida (José Fortuna)
  • O Ipê e o Prisioneiro (José Fortuna - Paraíso)
  • O Ponteio da Viola (José Fortuna - Paraíso)
  • O Selo De Sangue (José Fortuna - Pitangueira)
  • O Vai e Vem do Carreiro (Carlos Cezar - José Fortuna)
  • Paineira Velha (José Fortuna)
  • Pedaço de Pão (José Fortuna - Carminha)
  • Piscina (José Fortuna - Paraíso)
  • Porta Encostada (José Fortuna - Paraíso)
  • Porta-Jóia do Amor (José Fortuna - Paraíso)
  • Quando A Lua Vem Surgindo (José Fortuna - Sulino)
  • Raízes do Amor (Paraíso - José Fortuna)
  • Remorso (Luizinho - José Fortuna)
  • Retalhos De Amor (José Fortuna)
  • Riozinho (Carlos Cezar - Jose Fortuna)
  • Rosto Molhado (Ronaldo Adriano - Jose Fortuna)
  • Saudadona (José Fortuna - Paraíso)
  • Sentimento Sertanejo (José Fortuna - José Béttio)
  • Sob O Céu De Brasília (Dilermando Reis - José Fortuna)
  • Terra Tombada (Carlos Cezar - José Fortuna)
  • Teu Nome Tem Sete Letras (José Fortuna - Zé Carreiro - Carreirinho)
  • Último Adeus (José Fortuna - Fernandes)
  • Uma Noite No Sofá (José Fortuna - Paraíso)
  • Vento Violeiro (José Fortuna - Carlos Cezar)
  • Vestido Colado (José Fortuna - Paraíso)
  • Viagem do Tietê (José Fortuna)
  • 24 Horas de Amor (Carlos Cezar - José Fortuna)



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    Joubert de Carvalho:

    Joubert Gontijo de Carvalho nasceu no dia 06/03/1900 em Uberaba-MG e faleceu no dia 20/09/1977 no Rio de Janeiro-RJ. Filho do fazendeiro Tobias de Carvalho e de Dona Francisca Gontijo de Carvalho, casal que teve treze crianças no total!

    Joubert aprendeu a tocar "de ouvido" o Piano que seu pai havia comprado quando ele tinha 9 anos de idade; interpretava os Dobrados que ouvia, e que eram tocados pela Banda local.

    Quando se mudou juntamente com a família para São Paulo-SP (pois o Sr. Tobias fazia questão de uma excelente Educação e Formação dos filhos que foram estudar no Ginásio São Bento), Joubert chegou a compor uma Valsa intitulada “Cruz Vermelha”, a qual teve a renda revertida para a instituição homenageada. Estava no início da adolescência e o relativo sucesso obtido incentivou o menino para a Música.

    Em 1919, mudou-se para o Rio de Janeiro-RJ, onde estudou Medicina e também fez sucesso com o Fox “Príncipe” (que foi inclusive editado na França), composição gravada em 1922, que foi o ano do Centenário da Independência do Brasil.

    Concluíu o Curso Universitário em 1925 e defendeu a tese intitulada "Sopros Musicais do Coração"; foi aprovado com distinção, apesar do "título humorístico" da tese. E, mesmo com o exercício da profissão, continuou com as composições musicais ao Piano e a publicação das mesmas, as quais faziam sucesso entre os editores.

    Casou-se dois anos depois de formado com Elza Faria com quem teve o filho Fernando Antonio. E foi também por essa época, em 1928 que Joubert musicou dois poemas de Olegário Mariano ("Cai, Cai Balão" e "Tutu Marambá"), e iniciou com ele uma parceria de mais de vinte músicas.

    Alcançou o primeiro sucesso nacional com a música “Ta-Hi (Pra Você Gostar de Mim)”, gravada em 1930 pela Carmen Miranda. A vendagem foi de 35.000 discos, quando na época, os grandes cantores vendiam, no máximo, algo em torno de 1.000 discos.

    Dentre seus sucessos destacam-se “De papo pro Á” (1931, em parceria com Olegário Mariano) e o grande sucesso “Maringá”, música que foi composta em 1932, que tinha como tema a seca do Nordeste Brasileiro. O sucesso de “Maringá” foi tão grande que uma famosa cidade do Norte do Paraná recebeu, quando de sua fundação, esse nome que era na verdade a fusão das palavras “Maria e Ingá”. A belíssima composição foi gravada inicialmente por Gastão Formenti e depois seguiram-se diversas outras gravações, inclusive em vários outros países.

    Com efeito, Joubert almejava na época (1932) um cargo de “Médico dos Marítimos” e, como era amigo do Ministro da Viação José Américo de Almeida, fêz, para agradá-lo, (o Ministro era Nordestino), a canção "Maringá", que surgiu de “Maria do Ingá”, sendo que Ingá era um dos municípios nordestinos mais castigados pela seca. "Maringá", na época, era cantada pelos operários que construíam uma nova cidade no norte do Paraná e, quando a “Cidade-Canção” foi fundada em 1947, foi “batizada” com o nome de Maringá. Inclusive no Museu que fica na “Cidade-Canção”, no Norte do Paraná, existe o Piano no qual Joubert compôs a célebre “Maringá”.

    E em 1933 Joubert foi nomeado médico do Instituto dos Marítimos, onde fez carreira, chegando a ser diretor do hospital.

    Em 1959, Joubert também foi homenageado pelo povo de Maringá-PR, que deu seu nome a uma das ruas da “Cidade-Canção”.

    Além de renomados intérpretes e duplas caipiras que gravaram sucessos tais como “De Papo Pro Á” e “Maringá” ( Tonico e Tinoco, Renato Teixeira, Adauto Santos e Inezita Barroso, apenas para citar alguns), a obra de Joubert de Carvalho também foi gravada por diversos outros intérpretes de gabarito de nossa MPB, tais como Gastão Formenti, Carlos Galhardo, Francisco Alves, além da “Pequena Notável” Carmen Miranda que havia consagrado “Ta-Hi (Pra Você Gostar de Mim)” em 1929.

    Joubert de Carvalho nunca foi de beber, e também nunca foi boêmio; bares e botecos não o atraíam. Era uma homem culto e refinado e, além de mais de 700 composições editadas, também escreveu um romance: "Espírito e Sexo". E como Médico, também foi muito talentoso e um dos pioneiros no Brasil na Medicina Psicossomática. Joubert de Carvalho também participou de diversas entidades de Defesa dos Direitos Autorais até o fim de seus dias.

    Um pneumonia pôs fim à sua vida no Rio de Janeiro no dia 20/09/1977.

    Algumas composições de Joubert de Carvalho:

  • De Papo Pro Á (Joubert de Carvalho - Olegário Mariano)
  • Mariblanca (Joubert de Carvalho - Luiz de Gongora)
  • Maringá (Joubert de Carvalho)
  • Melhor Amor (Joubert de Carvalho)
  • No Tempo da Valsa (Joubert de Carvalho)
  • Pierrot (Joubert de Carvalho - Pascoal Carlos Magno)
  • Príncipe (Joubert de Carvalho - Hélio Silveira)
  • Rosalinda (Joubert de Carvalho)
  • Ta-Hi (Pra Você Gostar de Mim) (Joubert de Carvalho)
  • Volta Para o Meu Amor... (Joubert de Carvalho - Tostes Malta)
  • Zíngara (Joubert de Carvalho - Olegário Mariano)



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    Juraíldes da Cruz:

    "O trabalho deles, Genésio e Juraíldes, é maravilhoso. São bons Poetas e têm Músicas absolutamente inéditas."

    Rolando Boldrin (para a Revista da Música).



    O nome completo é também o nome artístico desse compositor e cantador que nasceu próximo ao pé da Serra Geral, no dia 23/11/1954, no município de Aurora do Norte que, na época, pertencia ao Norte do Estado de Goiás. A cidade natal de Juraíldes da Cruz hoje pertence ao Estado do Tocantins, o mais novo da Federação, o qual passou a existir a partir de 1988.

    Cresceu ouvindo manifestações folclóricas regionais tais como Cantigas de Roda, Folias de Reis, e também a voz de cantadores como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, entre outros.

    O primeiro lugar que conquistou no GREMI de Inhumas em 1976 deu início à sua carreira artística, a qual incluiu também a participação em diversos festivais, dentre eles, o Festival Tupi-79, onde Juraíldes se apresentou juntamente com Genésio Tocantins, sendo que, no mesmo festival, participaram também compositores e intérpretes do quilate de Caetano Veloso, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Alceu Valença, Fagner e Jackson do Pandeiro, dentre outros.

    Com mais de 20 anos "na estrada", Juraildes é considerado como um sertanejo, não apenas por mero modismo, mas sim, um sertanejo que sabe cantar com a simplicidade que veio do berço, guardada no coração. Como um bom cantador, traz no seu canto os valores autênticos da Cultura Regional, que ele aprendeu naturalmente com a linguagem, os hábitos e os costumes do povo de seu lugar.

    Juraíldes já teve composições gravadas, por diversos excelentes intérpretes, dentre os quais, Pena Branca e Xavantinho, Xangai e Rolando Boldrin, apenas para citar alguns. O segundo disco de carreira de Pena Branca e Xavantinho, "Uma Dupla Brasileira", lançado em vinil em 1982, produzido por Rolando Boldrin, tem como primeira faixa a bela composição "Memória de Carreiro" (Juraíldes da Cruz), numa belíssima interpretação da excelente dupla do Triângulo Mineiro.

    Como intérprete, Juraíldes da Cruz participa do CD "Canta Cerrado", o qual foi gravado ao vivo durante um festival; esse CD contém a famosíssima "Nóis É Jeca Mais É Jóia", em ritmo de Forró, e que é uma crítica bem humorada a certos preconceitos que muita gente tem com relação ao Caipira e ao seu linguajar. Juraíldes da Cruz ganhou inclusive o Prêmio Sharp com essa composição, em 1997.

    Juraíldes também tem participação no CD "Eugênio Avelino - Lua Cheia, Lua Nova", lançado pelo "Estúdio de Invenções", no qual interpreta juntamente com Xangai a sua composição "Fuzuê na Taboca".

    E Juraíldes da Cruz também participa do CD "Só Forró II" (KCD150) lançado pela inesquecível gravadora Kuarup Discos, e que é uma excelente coletânea de Forrós, tendo também as participações especiais de Dominguinhos, Genaro, Heraldo do Monte, Maciel Melo e Jackson Antunes. Juraíldes nesse CD interpreta suas composições "Nois É Jeca Mais É Joia (Juraildes da Cruz), "Pegando Fogo" (Juraildes da Cruz) e "Receita de Mulher" (Juraildes da Cruz).

    Lamentavelmente, a Kuarup Discos se viu obrigada a encerrar suas atividades, no início de 2009, após mais de 30 anos de Excelente Atividade... Resta-nos a esperança de que esse Acervo Musical não seja perdido e que os respectivos CD's e DVD's sejam adquiridos por outra Gravadora/Produtora o mais breve possível, retornando assim aos catálogos de vendas...

    Além das participações especiais nos CD supra-mencionados, Juraíldes lançou três discos de carreira:

    Seu primeiro disco "Cheiro da Terra" foi lançado em 1990 pelo selo "Outros Brasis" e contou com a participação de excelentes músicos tais como Chiquinho do Acordeon, Sebastião Tapajós, Paulo Moura, Jaques Morelenbaum, Fernando Carvalho, Nilson Chaves, Mingo e Xangai, entre outros. Para nossa felicidade, esse álbum também foi lançado em CD.

    Em 1998, gravou seu segundo CD, "Lugar Seguro", também de produção independente, pela Devil Discos, com destaque para as composições "Rio Araguaia" (Juraíldes da Cruz - Hamílton Carreiro), "O Melhor da Festa" (Juraíldes da Cruz), "Meninos" (Juraíldes da Cruz) e "Vida no Campo" (Juraíldes da Cruz), além da faixa-título "Lugar Seguro" (Juraíldes da Crus) que abre o CD e também da famosíssima "Nóis é Jeca Mas é Jóia" (Juraíldes da Cruz), já mencionada logo acima. O CD também conta com participações especiais de excelente músicos tais como Miltinho Edilberto, Toninho Carrasqueira, Oswaldinho do Acordeon e Zé Gomes, entre outros.

    E, em 2002, Juraíldes da Cruz lançou seu terceiro CD "Hot-Dog-Latino" pela Anhangüera Discos, com destaque para "Se Correr o Bicho Pega" (Juraíldes da Cruz), "Canoa Furada" (Juraíldes da Cruz), "Desatando Nó" (Juraíldes da Cruz) e "Você Tá Doida" (Juraíldes da Cruz), além da faixa-título Hot-Dog-Latino, na qual Juraíldes satiraza "nomes próprios americanos e tupiniquins"...

    Em 2000, Juraíldes foi classificado no concurso do Projeto "Rumos Musicais", do Banco Itaú para fazer um Mapeamento Cultural do País. Clique Aqui e conheça o Projeto "Cartografando Sons do Oiapoque ao Chuí", no qual Juraíldes da Cruz participa representando a Região Centro-Oeste e, em especial, o jovem Estado do Tocantins.

    E, no mesmo ano de 2000, Juraíldes também esteve no Rio de Janeiro, onde gravou programas na Rádio MEC com os radialistas Ricardo Cravo Albin e Adelzon Alves, além de apresentar um show no Teatro do Serviço Social da Indústria (SESI).

    E, em 2002, Juraíldes teve sua composição "Luz Dourada" gravada por Xangai (Eugênio Avelino) no CD "Brasilerança", o qual conta também com a participação especial do Quinteto da Paraíba.


    E, segundo Hélio Santos, Juraíldes da Cruz " ...traz o bálsamo de sua infância sertaneja em suas composições, verdadeiras contas no rosário de sua caminhada pela música, sempre voltada para o homem da terra em seus sonhos, alegrias e labuta." Hélio Santos foi o produtor do CD "Made In Dependente Brasil - O Melhor da Música Independente", que é uma coletânea lançada pela "Luz do Sol Produções", da qual Juraíldes da Cruz participa com suas composições "Dodói" e "Cantiga").

    Quero aqui destacar o CD "Nóis É Jeca Mais É Jóia - Juraíldes da Cruz e Xangai" (KCD183), lançado pela Kuarup Discos, onde, juntamente com Eugênio Avelino (também conhecido como Xangai), Juraíldes interpreta 13 músicas, 12 das quais de sua autoria. Destaque para a regravação da célebre "Nóis É Jeca Mais É Jóia" (Juraíldes da Cruz), já mencionada nesse resumo biográfico, além de "Convida Eu (para Bush e Saddam)" (Juraildes da Cruz), "Receita De Mulher" (Juraildes da Cruz) e também "O Bolero De Isabel" (Jessier Quirino) (a única música do CD que não foi composta pelo Juraíldes), apenas para citar algumas. Gravado em Agosto de 2003, esse CD contou com a Produção de Mario de Aratanha e Xangai, e a Direção de João Omar, além das participações especiais de Antonio Adolfo (Piano e Rabeca), Chico Lobo (Viola Caipira), Mariá Porto (voz), Paulo Sérgio Santos (Clarinete) e Oswaldinho do Acordeon.

    Lamentavelmente, a Kuarup Discos se viu obrigada a encerrar suas atividades, no início de 2009, após mais de 30 anos de Excelente Atividade... Resta-nos a esperança de que esse Acervo Musical não seja perdido e que os respectivos CD's e DVD's sejam adquiridos por outra Gravadora/Produtora o mais breve possível, retornando assim aos catálogos de vendas...

    Quero destacar também o CD e o DVD "Meninos" que Juraíldes da Cruz gravou em Novembro de 2008 no "Goiânia Ouro", numa excelente apresentação que também contou com as participações de Luiz Chaffin (Violão), Emídio Queiróz (Violão), Edilson Moraes (Percussão), Andrea Teixeira (Flauta), Marcelo Maia (Baixo), Gidesmi (Violoncelo), Juarez (Trompa), Amin Braga (Acordeon), e também do saudoso Voninho (Acordeon), além do Coral Infantil formado pelos alunos da Professora Adriana Jacinto. No texto do encarte, a Professora de História Miriam Bianca, da Universidade Federal de Goiás, menciona que esse trabalho "...pretende ser uma contribuição para a atividade pedagógica de Professores e Alunos da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino Fundamental. A idéia se baseia na articulação entre a Música, linguagem artística fundamental para o desenvolvimento da sensibilidade, da capacidade de observação e da criatividade, além dos demais conteúdos desenvolvidos em Sala de Aula..."

    Destaque para a interpretação da faixa-título "Meninos" (Juraíldes da Cruz), que é a 1ª Faixa do DVD e a 5ª Faixa do CD, Composição essa que já havia sido gravada por Renato Teixeira e Xangai na 6ª faixa do CD "Aguaraterra" (OXX-1208-1), lançado pela Gravadora Paradoxx Music.


    Minha Esposa (a Netinha) e eu tivemos a felicidade de conhecer pessoalmente o Juraíldes da Cruz na Câmara Municipal de Goiânia-GO, na noite de 16/09/2010, evento no qual a Vereadora Célia Valadão concedeu o Título de Cidadão Goianiense ao Professor Luiz de Aquino Alves Neto.

    Para o envento, Netinha e eu estivemos presentes, a convite de Fátima Paraguassu, que preside a Comissão Goiana de Folclore, que é uma Instituição da Sociedade Civil, sem fins lucrativos, que tem, como Missão, identificar os vários sotaques da Cultura Popular do Estado de Goiás, promover a incorporação dos saberes, fazeres e falares ao conteúdo das Escolas, para que o Estudante, conheça, aprenda a gostar e crie o sentimento de pertencimento dentro de uma Identidade Coletiva!

    Nesse evento, além do Título de Cidadão Goianiense outorgado ao Professor Luiz de Aquino Alves Neto, o Compositor Juraíldes da Cruz também foi homenageado pela Vereadora Célia Valadão!


    Na foto abaixo, Juraíldes da Cruz, interpretando seu sucesso "Nóis É Jeca Mais É Jóia" (Juraíldes da Cruz), na Câmara Municipal de Goiânia-GO, no dia 16/09/2010:




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Juraíldes da Cruz, a Vereadora Célia Valadão e Ricardinho, na Câmara Municipal de Goiânia-GO, na noite de 16/09/2010:




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Ricardinho e Juraíldes da Cruz, com o Prêmio Recebido, na Câmara Municipal de Goiânia-GO, na mesma noite de 16/09/2010:




    E, na foto abaixo, Ricardinho e Juraíldes da Cruz, com o CD e o DVD "Meninos", na Câmara Municipal de Goiânia-GO, na mesma noite de 16/09/2010:




    Algumas composições de Juraíldes da Cruz:

  • A Trempe (Juraíldes da Cruz)
  • Aliança (Genésio Tocantins - Juraíldes da Cruz)
  • Aragem (Lucas - Juraíldes da Cruz)
  • Arraste (Fátima Leão - Juraíldes da Cruz)
  • Beijo na Boca (Juraíldes da Cruz)
  • Bóia Fria (Juraíldes da Cruz)
  • Bom Tempo (Juraíldes da Cruz)
  • Canoa Furada (Juraíldes da Cruz)
  • Cantiga (Juraíldes da Cruz)
  • Com Jeito (Juraíldes da Cruz)
  • Confissões de um Leitor (Juraíldes da Cruz)
  • Desatando Nó (Juraíldes da Cruz)
  • Doce Vício (Juraíldes da Cruz)
  • Dodói (Ei Flor) (Juraíldes da Cruz)
  • Feliz da História Real (Juraíldes da Cruz)
  • Florzinha (Juraíldes da Cruz - Braguinha Barroso)
  • Fogo da Saudade (Juraíldes da Cruz)
  • Fuzuê na Taboca (Juraíldes da Cruz)
  • Homem Tem Que Ter Mulher (Juraíldes da Cruz)
  • Hot-Dog Latino (Juraíldes da Cruz)
  • Lugar Seguro (Juraíldes da Cruz)
  • Luz Dourada (Juraíldes da Cruz)
  • Mais Que Decisão (Sebastião Pinheiro - Juraíldes da Cruz)
  • Maxixe Com Cheese-Burguer (Juraíldes da Cruz)
  • Memória de Carreiro (Juraíldes da Cruz)
  • Meninos (Juraíldes da Cruz)
  • Moça Bonita (Juraíldes da Cruz)
  • Nas Nuvens (Juraíldes da Cruz)
  • Nóis É Jeca Mais É Jóia (Juraíldes da Cruz)
  • O Brasileiro (Juraíldes da Cruz)
  • O Importante é o Brasil ganhar a Copa (Juraíldes da Cruz)
  • O Jaó e a Perdiz (Juraíldes da Cruz)
  • O Melhor da Festa (Juraíldes da Cruz)
  • O Samba (Braguinha Barroso - Juraíldes da Cruz)
  • Pegando Fogo (Juraíldes da Cruz)
  • Porta do Tempo (Juraíldes da Cruz)
  • Potável (Juraíldes da Cruz)
  • Princesinha (Braguinha Barroso - Juraíldes da Cruz)
  • Quem Ama Perdoa (Juraíldes da Cruz)
  • Quem Planta Colhe (Juraíldes da Cruz)
  • Raízes e Rimas (Juraíldes da Cruz)
  • Reboliço (Juraíldes da Cruz)
  • Receita (Juraíldes da Cruz)
  • Receita de Mulher (Juraíldes da Cruz)
  • Retalhos de uma roda de frevo
  • Reviravolta (Juraíldes da Cruz)
  • Rio Araguaia (Hamilton Carneiro - Juraíldes da Cruz)
  • Se Correr O Bicho Pega (Juraíldes da Cruz)
  • Solteirão Conquistador (Juraíldes da Cruz)
  • Some Não (Juraíldes da Cruz)
  • Tão Falando (Juraíldes da Cruz)
  • Tem Que "Privini" (Juraíldes da Cruz)
  • Toda Vez (Juraíldes da Cruz)
  • Tributo do Amor (Sebastião Pinheiro - Juraíldes da Cruz)
  • Viagem (Juraíldes da Cruz)
  • Vida No Campo (Juraíldes da Cruz)
  • Você Tá Doida (Juraíldes da Cruz)



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    Laureano:

    Ochelcis Aguiar Laureano foi Violeiro, Compositor e Cantor. Nasceu em Votorantim-SP em 01/05/1909, onde também veio a falecer em 16/01/1996 (Votorantim era na época um distrito de Sorocaba-SP, por isso, a respectiva cidade costuma ser mencionada em algumas biografias como a cidade-natal desse Compositor).

    Laureano formou a primeira dupla com Soares, tendo sido uma das duplas caipiras pioneiras, logo após a célebre Turma Caipira de Cornélio Pires, da qual também chegaram a fazer parte.

    "Laureano e Soares" chegaram a gravar 14 discos 78 RPM, sendo que o primeiro deles, lançado em 1931, continha as músicas "Desafio" (Laureano e Soares) e "Casamento" (Laureano e Soares). No mesmo ano, gravaram na Ouvidor as toadas caipiras "A Crise" (Laureano) e "O Diabo No Mundo" (Laureano), as quais falavam sobre a crise que o Brasil e o mundo viviam naquela época. E, na mesma esteira, no ano seguinte, a dupla lançou as modas de viola "Revolta de São Paulo" (Laureano) e "Moda dos Tecelões" (Laureano), onde também foi retratada a situação política e social brasileira da época. A dupla foi desfeita no final dos anos 30.

    Laureano também fez parte do "Quarteto da Saudade" juntamente com Serrinha, Mariano e Arnaldo Meirelles (foto à esquerda). Em 1937, formou, juntamente com seu irmão, a dupla "Irmãos Laureano" que estreou em disco com "Casando À Bessa" (Ochelsis Laureano) "Roseira Branca" (Ochelsis Laureano). No ano seguinte, os "Irmãos Laureano" gravaram "O Crime Do Restaurante Chinês" (Laureano) e "Amanhecer No Sertão" (Laureano - Ariowaldo Pires), esta última, uma espécie de teatralização da qual também participaram o Capitão Furtado e Dulce Malheiros. Os "Irmãos Laureano" encerraram a dupla em pouco tempo, no entanto, Ochelsis não largou jamais a carreira musical.

    Laureano também fez parceria com Ariowaldo Pires não apenas na composição, mas também na Rádio Tupi, no programa "Repouso". E, entre as composições mais célebres da dupla, destacam-se "Agricultura Hoje Tem Seu Lugar", (gravada por Nhá Zefa, Nhô Pai e Capitão Furtado), "A Bandeira Do Caboclo" (gravada pelo Duo Estrela Dalva), "Desafio Disparatado" (gravada por Nhá Zefa e Nhô Pai) e também o grande sucesso "Destinos Iguais" (gravado por diversos excelentes intérpretes, dentre os quais, Inezita Barroso, Duo Glacial e também Tonico e Tinoco).

    Em 1945, Laureano fez dupla com Mariano, com quem gravou três discos e juntos fizeram sucesso com a já mencionada "Destinos Iguais" (Laureano - Ariowaldo Pires), "Lola Mariana" (Mariano) e "Boiadeiro Folgado" (Mariano).

    Um dos maiores sucessos de Laureano como compositor foi sem dúvida a famosíssima "Moda Da Pinga", moda de viola chamada inicialmente de "Festança No Tietê" e gravada por Raul Torres em 1937 e regravada pela "Madrinha" Inezita Barroso em 1953, no Lado A do mesmo disco 78 RPM que teve no outro lado a célebre "Ronda" (Paulo Vanzolini). "Moda da Pinga" (ou "Marvada Pinga", como também é conhecida) também foi gravada por diversos outros intérpretes, dentre os quais As Galvão, Passoca e Pena Branca e Xavantinho.

    Além de ter sido considerado como um dos maiores Violeiros nas décadas de 30 e 40, Laureano também estudou Canto Coral com Heitor Villa-Lobos e foi Professor de Música. Tendo se tornado Evangélico, viajou pelo país ensaiando Corais de diversas Igrejas.

    Algumas composições de Laureano:

  • A Bandeira Do Caboclo (Laureano - Ariowaldo Pires)
  • ABC Do Prisineiro (Laureano)
  • A Caçada (Laureano)
  • A Madrugada (Laureano)
  • A Morte Do Manuelzinho (Laureano)
  • A Mulher E O Relógio (Laureano)
  • Agricultura Hoje Tem Seu Lugar (Laureano - Ariowaldo Pires)
  • Amanhecer No Sertão (Laureano - Ariowaldo Pires)
  • Cana-Verde Em Desafio (Laureano - Ariowaldo Pires - Nhá Zefa)
  • Cantando No Rádio (Laureano)
  • Casamento (Laureano - Soares)
  • Casamento Internacional (Laureano)
  • Casamento Perdido (Laureano)
  • Casando À Bessa (Laureano)
  • Chuva de Pedra (Laureano)
  • Como Nasceu o Cururu (Laureano - Ariowaldo Pires)
  • Crise (Laureano)
  • Deixei De Ser Carreiro (Mariano - Laureano)
  • Desafio (Laureano - Soares)
  • Desafio Disparatado (Laureano - Ariowaldo Pires)
  • Destinos Iguais (Laureano - Ariowaldo Pires)
  • Em Redor Do Mundo (Irmãos Laureano - Ariowaldo Pires)
  • Ensinando A Muié (Laureano)
  • Fim De Um Valentão (Laureano)
  • Meu Casamento (Laureano)
  • Meu Jardim (Laureano)
  • Minha Profissão (Laureano)
  • Minhas Aventuras (Laureano)
  • Moda Da Pinga (Ochelsis Laureano - Raul Torres)
  • Moda Das Meias (Irmãos Laureano - Ariowaldo Pires)
  • Moda Do Ceguinho (Laureano)
  • Moda Do Pito (Laureano)
  • Moda Dos Tecelões (Laureano)
  • Muié Sapeca (Laureano)
  • No Mundo Da Lua (Laureano)
  • O Balão Subiu (Laureano)
  • O Cavalo E O Boi (Laureano)
  • O Cravo (Laureano)
  • O Crime Do Restaurante Chinês (Laureano)
  • O Diabo E O Mundo (Laureano)
  • O Jogo Do Truco (Laureano)
  • O Que Eu Vejo (Laureano)
  • O Sonho Do Matuto (Laureano - Ariowaldo Pires)
  • Patrões E Operários (Laureano)
  • Repicando A Viola (Laureano)
  • Revolta De São Paulo (Laureano)
  • Roseira Branca (Laureano)
  • Saudades de Sorocaba (Laureano)
  • Situação Dos Homens (Laureano)
  • Uma Carta Atrapalhada (Laureano)
  • Um Retrato (Laureano)
  • Valentia de Voluntário (Laureano)



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    Lourival dos Santos:

    Nasceu em Guaratinguetá-SP no dia 11/08/1917 e faleceu em Guarulhos–SP no dia 19/05/1997. Com apenas 12 anos de idade, ficou órfão de pai e foi morar na casa do avô em Lorena-SP e, desde essa época já manifestava seus dons fazendo quadrinhas improvisadas em Folias-de-Reis na região. “Meu romance” (Lourival dos Santos - Teddy Vieira) foi sua primeira composição a ser gravada (o que foi feito pela dupla Laranjinha e Zequinha).

    Em 1933, mudou-se para a Capital Paulista, onde foi trabalhar no comércio. Tornou-se amigo de Palmeira e Piraci e passou a compor para a dupla. Em 1959, começou a compor para Tião Carreiro e Pardinho, intérpretes com os quais Lourival conheceu sua glória como compositor.

    Lourival dos Santos compôs com diversos parceiros, entre eles, Tião Carreiro, Teddy Vieira, Sulino, Raul Torres, Piraci, Jacó, Serrinha, Téo Azevedo e Jorge Paulo.

    Um fato curioso na vida de Lourival dos Santos foi como ele conheceu sua esposa, Jandira (professora de filosofia e irmã do dramaturgo Oduvaldo Viana), com quem se casou em 1950, após um namoro de apenas 6 meses: ele havia telefonado para uma lavanderia para reclamar de algumas toalhas que não haviam chegado à casa de espetáculos onde ele trabalhava como comprador, só que errou o número e o telefone tocou na casa dela! Foi o “engano mais certeiro do mundo” segundo palavras do próprio Lourival... Ao final da década de 50, compôs, juntamente com Teddy Vieira, "Pagode em Brasília", que foi gravada por Tião Carreiro e Pardinho, na época da inauguração da Capital Federal. Esta foi a primeira composição do novo gênero denominado “Pagode”, que foi criado pelo Tião Carreiro a partir da batida específica na Viola por ele estabelecida. Foi também nessa época que conheceu seus maiores sucessos, a maioria dos quais em parceria com Teddy Vieira, Moacyr dos Santos e Tião Carreiro.

    Foi uma triste história verídica que levou Lourival à composição de “A Vaca Já Foi Pro Brejo” (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Vicente P. Machado): um grande amigo havia criado a filha com enorme sacrifício. “Deu seu sangue” e trabalhou bastante para comprar cimento, areia, tijolos e todo material de construção para construir a casinha que seria dela. A moça nunca trabalhou, mas estudou Medicina e, quando se formou, disse ao pai que ia embora de casa... E ele ficou tão desgostoso que acabou morrendo em conseqüência do fato...

    Para Lourival dos Santos, compor era um “Dom Divino” que tinha de sentir... Preocupava-se com o público e com o que ele queria ouvir. Foi sem dúvida um dos mais importantes compositores da nossa belíssima Música Caipira Raiz, tendo composto cerca de 1300 músicas, gravadas pelos mais variados e renomados intérpretes do gênero. E, além dos autênticos Caipiras de Raiz, Lourival também gostava de duplas como "Leandro e Leonardo", "Zezé di Camargo e Luciano" e "João Mineiro e Marciano", já que ainda era melhor ouvir algo brasileiro na voz deles do que "certas coisas importadas"...

    O romance que inspirou Lourival a compor "Rio de Lágrimas" pode ser visto no site do Sítio do Caipira da EPTV.


    Algumas composições de Lourival dos Santos:

  • Abrindo Caminho (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • A Coisa Ficou Bonita (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • A Coisa Tá Feia (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • A Ferro e Fogo (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • A Grande Cilada (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Arlindo Rosas)
  • Aliança Contrariada (Lourival Santos - Nízio)
  • A Majestade O Pagode (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • A Marca da Ferradura (Lourival dos Santos - Riachão)
  • Amor De Praia (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Paraíso)
  • Ara Po (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • As Três Verdades (Lourival dos Santos - Piraci)
  • A Vaca Já Foi Pro Brejo (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Vicente P. Machado)
  • A Vida De Um Policial (Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • A Viola e o Violeiro (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • A Volta Que O Mundo Dá (Lourival dos Santos - Zé Batuta)
  • Azulão Do Reino Encantado (Lourival dos Santos - Pardinho - Arlindo Rosas)
  • Baianinho (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Júlio Guidini)
  • Bandeira Branca (Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Boiadeiro de Fama (Piraci - Lourival dos Santos)
  • Boiadeiro de Palavra (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Boiadeiro É Boi Também (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Caminho do Céu (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Canário Malandrinho (Lourival dos Santos - Milton José - Tião Carreiro)
  • Cabelo de Trança (Priminho - Lourival dos Santos)
  • Caboclo Ventania (Zico - Lourival dos Santos)
  • Canarinho Tá Chorando (Paraíso - Lourival dos Santos)
  • Canário Malandrinho (Lourival dos Santos - Milton José - Tião Carreiro)
  • Canção do Século (Lourival dos Santos - Itapuã - Domério de Oliveira)
  • Candieiro Da Fazenda (Jesus Belmiro - Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Cavalo Enxuto (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)
  • Cerne De Aroeira (Lourival dos Santos - Jesus Belmiro - Vicente P. Machado)
  • Chega De Sujeira (Lourival dos Santos - Paraíso - Arlindo Rosas
  • Chora Viola (Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Chuva... Sangue Da Terra (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Cidade Morena (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Alberto Calçada)
  • Cochilou O Cachimbo Cai (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos)
  • Começo do Fim (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)
  • É Fogo (Lourival dos Santos - Zé Batuta)
  • É Isto Que O Povo Quer (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Zé Mineiro)
  • Em Tempo De Avanço (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Encontrei Quem Eu Queria (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Esquina da Saudade (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Esta Vida É Um Punhal (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Faca Que Não Corta (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Falou e Disse (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Piraci)
  • Filhinho de Papai (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Filho da Liberdade (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Sebastião Victor)
  • Final dos Tempos (Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Fim da Picada (Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Golpe de Mestre (Lourival dos Santos - Mairiporã)
  • Guerra de Poesias (Lourival dos Santos - Raul Torres)
  • Hoje Eu Não Posso Ir (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Homem Até Debaixo D' Água (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Arlindo Rosas)
  • Homem Sem Rumo (Serrinha - Lourival dos Santos)
  • Linda Bancária (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Linha de Fogo (Lourival dos Santos)
  • Linha De Frente (Lourival dos Santos - Edgard de Souza)
  • Marreta Do Desprezo (Lourival dos Santos - Carminha - Paraíso)
  • Menina Moça (Lourival dos Santos - Jacozinho)
  • Meu Amor Tem Outro Dono (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Meu Coração De Ferro (Lourenço - Lourival dos Santos)
  • Mina De Ouro (Lourival dos Santos - J. dos Santos)
  • Minas Gerais (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Mineiro de Monte Belo (Lourival dos Santos - Serrinha)
  • Mineiro do Pé Quente (Lourival dos Santos - J. dos Santos)
  • Minha Esposa Vale Ouro (Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Minha Grande Amiga (Lourival dos Santos - Mílton José - Fauzi Kanso)
  • Minha Solidão (Miltinho Rodrigues - Lourival dos Santos)
  • Mundo Velho (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Mundo Velho Não Tem Jeiro (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Rose Abraão)
  • Navalha na Carne (Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Nossas Maneiras (Praense - Lourival dos Santos)
  • Nossos Devaneios (Lourival dos Santos- Tião Carreiro)
  • Nove e Nove (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Teddy Vieira)
  • Novo Amor (Jesus Belmiro - Lourival dos Santos)
  • O Castigo Vem A Cavalo (Lourival dos Santos - Sebastião Victor - Arlindo Rosas)
  • O Fogo e a Brasa (Praense - Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • O Mundo no Avesso (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • O Patrão e o Empregado (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • O Preço da Glória (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - José Russo)
  • Os Degraus da Fama (Lourival dos Santos - Biguá)
  • Os Filhos Da Bahia (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos)
  • O Tesouro É Do Patrão (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos - Paraíso)
  • Pagode Do Grotão (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Ronaldo Viola)
  • Pagode Do Pai Tomé (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Mangabinha)
  • Pagode Em Brasília (Lourival dos Santos - Teddy Vieira)
  • Paixão Dupla (Lourival dos Santos - Chicão Pereira - Pardinho)
  • Paulista E Mineiro (Lourival dos Santos - Carlito)
  • Pé De Chinelo (Lourival dos Santos - Milton José)
  • Pé De Guerra (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Peito De Aço (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Pé Quente Pé Gelado (Lourival dos Santos)
  • Perereca (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos)
  • Prá Tudo Se Dá Um Jeito (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Priminha Linda (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos)
  • Pula-Pula (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)
  • Quando A Saudade Machuca (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Rainha do Lar (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Rancho dos Ipês (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Rancho do Vale (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Claudio Rodante)
  • Rei do Pagode (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)
  • Resposta De Poeta Sertanejo (Téo Azevedo - Lourival dos Santos)
  • Rio de Lágrimas (Lourival dos Santos - Tião Carreiro – Piraci)
  • Rio de Pranto (Lourival dos Santos - Zé do Rancho)
  • Roubei Uma Casada (Lourival dos Santos - Teddy Vieira)
  • Sete Flexas (Zé Mineiro - Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Sou Demais Em Teu Caminho (Lourival dos Santos - Nízio)
  • Suspirando (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)
  • Tá Do Jeito Que Eu Queria (Mãe Menininha) (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Tesouro Da Madrugada (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Brás Bacarin)
  • Tudo É Beleza (Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Última Chance (Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Uma Coisa Puxa a Outra (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Cláudio Balestro)
  • Uma Flor E Uma Santa (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Paraíso)
  • Uma Noite Não É Nada (Praense - Lourival dos Santos - Luiz de Castro)
  • Vencendo Sempre (Piraci - Lourival dos Santos)
  • VII Exposição de Fernandópolis (Mílton José - Lourival dos Santos)
  • Viola Barulhenta (Tião Carreiro - Milton José - Lourival dos Santos)
  • Viola Chic Chic (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Zelão)
  • Viola Divina (Tião Carreiro - Lourival dos Santos)
  • Viola Que Vale Ouro (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Alberto Calçada)
  • Violeiro Sem Medo (Ado Benatti - Brinquinho - Lourival dos Santos)
  • Violinha Barulhenta (Lourival dos Santos - Jacozinho)
  • Vizinha Fuchiqueira (Sulino - Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)



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    Luiz de Castro:

    Esse excelente Poeta e Compositor é natural de Campo do Meio-MG, onde nasceu, no dia 11/12/1936.

    Vindo de uma infância humilde e muito difícil, Luiz é o sétimo dos dez filhos de Joaquim Antônio Mendes e Josefina de Castro Mendes. Contando apenas 12 anos de idade, o menino já dividia o tempo entre o Estudo, a lida na plantação de alho e o futebol de rua, que ele também jogava com os amigos.

    Aos 13 anos, ele se tornou um Folheiro e as peças que produzia, ele próprio "mascateava" nas casas da roça. Também foi Engraxate e trabalhou quebrando pedras na Construção Civil.

    Quero aqui passar a palavra para que o próprio Luiz de Castro conte ao Apreciador a sua Trajetória Artística!!! Segue abaixo a Entrevista que ele concedeu à Rádio Difusora de Pouso Alegre-MG, no dia 07/09/2009 (publicada no site Memória do Povo - Vozes Múltiplas, Histórias Singulares), quando ele tinha 72 anos de idade:

    "Oi gente! Eu sou o Luiz de Castro! Nasci em Campo do Meio-MG e cresci plantando árvore, enrestiando alho e quebrando pedra para a construção de um prédio na minha cidade. Minha família era pobre e tive que começar a trabalhar cedo; por isso, não pude continuar meus estudos – fiz até o Quarto Ano Primário.

    Cresci ouvindo Artistas Sertanejos nas Rádios, como Torres e Flourêncio, Tonico e Tinoco e Cascatinha e Inhana. Alimentava o sonho de ouvir uma Composição minha nas vozes destes Artistas.

    Este gosto pelos versos eu herdei do meu pai, que deixou um livro de poesias editado. Como minha cidade era muito pequena, tivemos que mudar para Varginha-MG prá arrumar trabalho. Consegui emprego numa metalúrgica e lá fiquei quatro anos. Na esperança de que alguma Dupla Sertaneja de lá pudesse gravar minhas Músicas, comecei a frequentar os bares da cidade e levava minhas Composições pra eles.

    Um gerente da Casa Maracanã ouviu uma Música minha uma vez e ficou encantado com a beleza dos meus versos e quis saber de quem era a Música. Quando soube que era minha, ofereceu-se pra ajudar a divulgar meu trabalho em São Paulo-SP. Na época, eu tinha 30 Músicas escritas num caderninho.

    Algum tempo depois eu tirei férias da metalúrgica e segui pra São Paulo-SP sem conhecer nada da cidade. Fui com Deus, a cara e a coragem. Na primeira porta que eu bati, a Gravadora Continental, já veio a primeira decepção. O diretor me tratou com desprezo e disse que
    'não tinha tempo a perder com vagabundo'. Eu não tive tempo de dizer nenhuma palavra. Minha vontade foi de rasgar meu caderninho e voltar pra casa. Mas não desisti. Fui prá pensão onde morava e me lembrei que Cascatinha e Inhana tinham um programa na Rádio Record todas as Quintas, das 07:00 às 08:00 da manhã. Fui bem recebido pelo Cascatinha, mas quando ele olhou a primeira Música ('Somente Tu'), disse que ela não prestava; na segunda Música ('Covarde'), perguntou se tinha melodia. Como tinha, ele disse que poderia aproveitar, mas teria que cortar o refrão que era muito longo.

    Fiquei animado e comecei a buscar outros Artistas da Rádio Record. Um dia cheguei lá faltando 20 minutos pra começar o programa do Palmeira, grande Intérprete da época, mas o porteiro não me deixou entrar. Então, eu menti que tinha um encontro marcado com o Cantor e que ele estava me aguardando. Não pude subir até o auditório. Fiquei esperando ali na rua, perto do portão de entrada.

    Eu não o conhecia pessoalmente, só das capas de Discos. Quando ele chegou, eu me apresentei e disse que tinha um sonho de ver uma Música minha gravada. Disse a ele que era mineiro e ele disse que gostava muito dos mineiros. Aí me convidou para subir com ele e esperar o final do programa e disse que depois daria uma olhada nas minhas Composições.

    Palmeira registrou minha presença no auditório e, quando terminou o programa, quis ver minhas Músicas. Ele gostou muito da Música 'Somente Tu' e perguntou aos companheiros da Rádio se eles tinham gostado. Disseram que era muito boa.

    Ele ficou tão entusiasmado que declarou que não precisava correr atrás de sucessos, mas que o sucesso vinha até ele.

    Parecia um sonho, mas não era. Começava ali uma nova história na minha vida. Palmeira agendou comigo uma visita até a Chantecler pra fazer o contrato de três Músicas que seriam gravadas.

    Aquela dor que eu senti na primeira porta que eu bati se transformou em satisfação. A música desprezada era bem acolhida por Palmeira, um dos maiores Diretores de gravadora de todos os tempos. Ele lançou a música 'Somente Tu' e, em um mês, ela já estava nos primeiros lugares das paradas de sucesso. Hoje essa Música tem 36 gravações no Brasil e 4 no exterior.

    Eu tenho 49 anos de estrada e mais de 1.500 Composições; tenho algumas gravações independentes também. Hoje, eu sobrevivo dos Direitos de Execução das minhas Músicas. Muitos famosos da época gravaram Composições minhas, inclusive Cascatinha e Inhana; depois vieram Milionário e José Rico, Trio Parada Dura, Pedro Bento e Zé da Estrada, Lourenço e Lourival e muitos outros. Da nova safra, meus intérpretes são Daniel e 'Chitãozinho e Xororó'. E tá bom assim.

    Os novos artistas gravam músicas fabricadas, que não têm início, nem meio, nem fim. Minha satisfação não é fazer esse tipo de música, e sim seguir o Dom que Deus me deu de ser um verdadeiro Compositor, com conteúdo de versos e palavras. Esta é a minha alegria, junto com o reconhecimento do público. Por onde vou, eu sou convidado a dar entrevistas e tirar fotos com os fãs.

    Com os Direitos Autorais, estudei meus filhos e construí duas casas. Poderia ter tido muito mais se aderisse à composição em massa, mas eu dispenso isso tudo; prefiro corresponder ao Dom Divino.

    Eu vejo um futuro triste para os Compositores. Acredito que é uma profissão em extinção. Hoje, o Compositor sobrevive exclusivamente do Direito de Execução, porque a 'pirataria' faz uma concorrência desleal com ele. Antigamente, disc-jockey corria atrás dos Compositores pra divulgar suas Músicas. Hoje, pra tocar um lançamento nas rádios, somente mediante pagamento da gravadora. Dificilmente, surgirão novos Compositores como na minha geração de Sertanejos. A 'máfia das gravadoras' não dá acesso a novos talentos.

    Meu forte sempre foi a Música de Raiz. Minha vida no Interior e o contato de perto com a Natureza serviram de inspiração pra mim. Em 1965 compus a Música 'Encanto da Natureza', gravada por Tião Carreiro e Pardinho e, recentemente, por Daniel e seu pai [José Camillo].

    Já compus Música para Pouso Alegre-MG também, mas por ser um tema 'bairrista', sem valor comercial, não tive incentivo para gravar.

    Sou um Amante da Natureza. Até me fizeram um slogan:
    'Luiz de Castro, Poeta da Natureza'. Fico preocupado com essa devastação desenfreada. Já estou com 72 anos e ainda tenho um sonho de transformar o meu poema 'João Ninguém' em um Filme. E essa vai ser uma outra história que eu vou contar."

    Além de enriquecer com belíssimas Composições Musicais o autêntitico Repertório Caipira Raiz, Luiz de Castro foi também Radialista, Apresentador de Programa de TV, animador de auditório, diretor de circo e, por diversas vezes, também atuou na Comissão Julgadora em diversos Festivais de Música Sertaneja!!!

    Além do Repertório Caipira Raiz que, como mencionado logo acima, tem como destaque o Amor à Natureza, Luiz de Castro também é o Autor de algumas versões em Português de alguns Clássicos Internacionais tais como "Tema de Lara (Lara's Theme)" (Maurice Jarré - versão: Luiz de Castro) (do Filme "Dr. Jhivago) e também "Galopeira" (Maurício Cardoso Ocampo - versão: Luiz de Castro), apenas para citar algumas. Lembrando também que "Galopeira" ganhou uma outra letra em Português composta pelo Pedro Bento, e o "Tema de Lara", nessa versão, também foi gravado pelo inesquecível Tinoco, em seu último CD, intitulado "Tinoco do Brasil - 70 Anos", lançado em 2005, comemorando os 70 Anos da inesquecível Dupla Coração do Brasil!!!

    Na foto abaixo, o Compositor Luiz de Castro ao lado da "Cumadre" Sandra Cristina Peripato, criadora do Site Recanto Caipira, que também possui uma Página Dedicada ao Luiz de Castro!!!




    Algumas composições de Luiz de Castro:

  • Alma Aventureira (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Apaixonados (Luiz de Castro - Tião Carreiro)
  • Aquarela Sertaneja (Luiz de Castro - Tião Carreiro)
  • Aquela Ingrata (Luiz de Castro - Tião Carreiro)
  • Cachorro Amigo (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Casa Vazia (Luiz de Castro - Pedro Bento)
  • Coração da Natureza (Luiz de Castro - Ademir)
  • Covarde (Luiz de Castro)
  • Ecologia (Luiz de Castro - Zico - Zeca)
  • Encanto da Natureza (Luiz de Castro - Tião Carreiro)
  • Eu Gosto (Luiz de Castro - Braz Aparecido)
  • Feliz Casamento (Tião Carreiro - Luiz de Castro)
  • Faculdade do Mundo (Luiz de Castro - Muniz Teixeira)
  • Galopeira (Maurício Cardoso Ocampo - versão: Luiz de Castro)
  • Gaúcho Decidido (Luiz de Castro - Tião Carreiro)
  • Herança (Luiz de Castro - José Rico)
  • Homem De Bem (Benedito Seviero - Luiz de Castro - Sulino)
  • Ingratidão (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Lábios Gelados (Luiz de Castro - Osvaldo Tosé)
  • Lembranças Que O Tempo Não Apaga (Luiz de Castro - Jeca Mineiro)
  • Minha Terra, Minha Infância (Luiz de Castro - Tião Carreiro - Atílio Versutti)
  • Ninguém Vive Sem Amor (Luiz de Castro)
  • O Dinheiro Compra Tudo (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Órfãos de Pais Vivos (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Paisagens do Sertão (Luiz de Castro - Pardinho)
  • Pássaro Preto (Luiz de Castro - Cláudio Rodante)
  • Quando Cai a Chuva (Tião Carreiro - Luiz de Castro)
  • Recanto dos Passarinhos (Luiz de Castro - José Homero)
  • Rica e Orgulhosa (Luiz de Castro)
  • Seja Sincero (Luiz de Castro - Sebastião Aurélio)
  • Sertão da Ribeira (Luiz de Castro - Antônio Tonão)
  • Somente Tu (Luiz de Castro)
  • Tema de Lara (Lara's Theme) (Maurice Jarré - versão: Luiz de Castro)
  • Ternura de Teus Beijos (Pedro Bento - Luiz de Castro)
  • Terra Amada (Luiz de Castro - José David Vieira)
  • Teu Adeus (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Toalha De Mesa (Benedito Seviero - Luiz de Castro)
  • Trem Das Seis (Luiz de Castro - Benedito Seviero)
  • Uma Noite Não É Nada (Praense - Lourival dos Santos - Luiz de Castro)



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    Marrequinho:

    O sexto dos 8 filhos de Maria Rosa Piedade e Onofre Ricardo de Souza, Francisco Ricardo de Souza, o Marrequinho, nasceu na Fazenda Gato Preto, no município de Orizona-GO (que já teve antes o nome de Capela dos Corrêas e Campo Formoso), no dia 14/10/1940.

    Tendo adoecido gravemente, Seu Onofre se viu obrigado a vender suas vacas leiteiras, seus cavalos de sela e partes de sua propriedade rural, até que, não restando mais nada para ser vendido, a família foi morar na cidade. Não conseguindo se recuperar, o Pai de Francisco Ricardo faleceu com apenas 48 anos de idade, tendo deixado o Compositor órfão de pai aos seis anos de idade, restando apenas a Fé e muita coragem de Dona Maria Rosa para chefiar a família, com 8 filhos, tendo o mais velho 18 anos de idade...

    Em 1947, aos 7 anos de idade, Dona Maria Rosa e seus 8 filhos, na busca de novas oportunidades, trocaram a pequena cidade de Campo Formoso-GO pela Capital Goiânia-GO, que começava a se desenvolver.

    Francisco Ricardo foi Engraxate, Jornaleiro, Vendedor de Doces (que eram feitos por sua Mãe, Dona Maria Rosa), Cobrador de Ônibus, e também Carregador de Marmitas (para os Trabalhadores que construíam a nova Capital do Estado de Goiás). Marrequinho também foi Lustrador de Móveis na "Móveis Novo Mundo", entre 14 e 16 anos de idade, junto com seu irmão Jair.

    O que o jovem Francisco mais queria, no entanto, era se profissionalizar como Violeiro, já que, desde os seis anos de idade, ele já gostava de cantar em dueto as Modas que ele ouvia no Rádio, geralmente de algum parente ou vizinho. Cantar em dueto era, por sinal, um dom nato de toda a famíla, como o próprio Marrequinho conta em seu Livro Auto-Biográfico "Marrequinho - O Menino de Campo Formoso".

    Na adolescência, Francisco Ricardo, em Dupla com seu irmão Zé Ricardo (Zequita), cantava Músicas de sucesso na época, as quais eram repertório de Duplas com timbre agudo na voz. Marrequinho fazia a primeira voz que era fina e em tonalidade bastante alta.

    Até que a mudança de voz aconteceu, no entanto, não foi um processo gradual, mas sim, de modo brusco, conforme relato do próprio Compositor, em seu Livro Auto-Biográfico "Marrequinho - O Menino de Campo Formoso": " ... depois de uma noite quase totalmente não dormida e após passar uma água pelo pescoço fui perguntar prá mãe se tinha um trem prá gente comer, com café. Levei um baita susto, quando ouvi, saindo da minha garganta, um som estranho, semelhante ao troar de um trovão enrouquecido. Não sei como, nem porque aconteceu, mas, houve uma mudança de voz, repentina, e não gradativa, como acontece com os adolescentes (...) A mudança da minha voz foi da noite para o dia, literalmente. Não aconteceu aquele trastejar característico de falar grosso e falar fino até que as cordas vocais se firmem definitavamente. O acontecimento me causou aflição já que, com o novo timbre da minha voz, tornava-se impossível eu cantar as Músicas de estilo agudo que havia cantado até então. Eram Músicas dos Repertórios de Tonico e Tinoco, Zico e Zeca, Vieira e Vieirinha e Campanha e Cuiabano, só para citar alguns exemplos. Passei algum tempo, sem conseguir cantar nada, o que me deixou desorientado à beça. Tive que passar a fazer a segunda voz e adotar um novo estilo de interpretação... "

    Francisco Ricardo usava (naturalmente!) o nome artístico de Chiquinho, já que "Todo Francisco é Chico. Todo Chico é Chiquinho ou Chicão, dependendo da estrutura óssea e da massa corporal do indivíduo. Eu, desde pequeno, fui chamado de Chiquinho e usava esse diminutivo como apelido artístico, também...", conforme ele narra em seu Livro Auto-Biográfico "Marrequinho - O Menino de Campo Formoso".

    Houve, no entanto, um "quiproquó", após uma carta que ele havia escrito à Rádio Nacional de São Paulo-SP (hoje Rádio Globo), elogiando a Dupla Tonico e Tinoco, que apresentava seu programa na respectiva emissora. Francisco Ricardo era um fã incondicional, da Dupla Coração do Brasil, porém, a carta-resposta que ele recebeu trouxe a advertência de que ele estava " ... usando indevidamente a marca 'Chiquinho', que pertencia a um irmão nosso e encontra-se registrada no Departamento de Registros e Patentes... "

    Em 1957, Francisco Ricardo conheceu o Violeiro Cândido de Paula Brasão, que foi o primeiro Brasão, da Dupla Brasão e Brasãozinho, e que havia acabado de desfazer a Dupla com o Marinheiro.

    Brasão costumava fazer a segunda voz, mas, em Dupla com Francisco Ricardo, passou a fazer a primeira voz, já que a voz de Chiquinho era muito grave e ele não conseguia a façanha de fazer a primeira voz, como antes dos 14 anos de idade.

    Brasão também sugerira que Francisco Ricardo deixasse de lado o nome artístico Chiquinho, para evitar problemas com o Departamento de Registros e Patentes, e sugeriu um nome que se assemelhasse ao nome do Brasão: surgia então a Dupla "Brasão e Braisito" que, em função da diferença de idade de seus integrantes, era alvo de gozação e era chamada de Dupla "Pai e Filho", "Avô e Neto", "O Menino e o Velho", etc.

    A Dupla "Brasão e Braisito" não chegou a gravar nenhum disco comercialmente (somente um "acetato" que gravaram, porém o Brasão não gostou do resultado). Mas, de qualquer forma, a Dupla chegou a se apresentar no auditório lotado da Rádio Brasil Central de Goiânia-GO, numa manhã de Domingo! O público, os microfones, o auditório e os aplausos foram uma nova experiência vivida por Francisco Ricardo que se refere a esse episódio no Capítulo VII de seu Livro Auto-Biográfico "Marrequinho - O Menino de Campo Formoso", capítulo esse que Marrequinho denominou "A Iniciação"!

    Até que no ano seguinte, em 1958, Francisco Ricardo, ainda com o nome artístico de Braisito, conheceu José Onofre Leite, o Marreco, natural de Itaberaí–GO e que havia desfeito a Dupla que ele formava com Sapezinho. Braisito trocou então seu pseudônimo pelo próprio diminutivo do nome artístico do novo parceiro, e passou a utilizar o apelido que perdura até hoje.

    A jovem Dupla "Marreco e Marrequinho" gravou 3 Discos 78 RPM pela RCA:

  • Em 1959: Nº 80-2134, tendo no Lado A o Cururu "Nossa Verdade" (Piraci - Marrequinho - Marreco) e no Lado B o Tango "Passado De Um Boêmio" (Marrequinho - M. Alves Nascimento - B. Eugênio Neto).


  • Em 1960: Nº CAM-1.022, tendo no Lado A o Tango "Tortura Do Remorso" (Marrequinho) e no Lado B o Cururu "Tempo De Carreiro" (Ado Benatti - Marreco).


  • Em 1961: Nº CAM-1.037, tendo no Lado A a Polca Paraguaia "Paraguaia Da Fronteira" (Goiá - Zilo) e no Lado B o Tango "Estrada Da Amargura" (Marrequinho - Aldegundes).


  • O segundo e o terceiro Disco 78 RPM também contou com o acompanhamento do excelente Acordeonista Nardeli.

    A Dupla "Marreco e Marrequinho" também tinha um bom relacionamento com o meio político no Estado de Goiás e costumava ser requisitada em comícios de diversos candidatos a cargos eletivos, incluindo o inesquecível Ex-Presidente Juscelino Kubitschéck de Oliveira, quando de sua candidatura ao Senado pelo Estado de Goiás. O popular JK, era Apreciador da Boa Música Brasileira e também gostava da Moda de Viola. E em algumas ocasiões, Juscelino viajava no mesmo carro e se hospedava no mesmo apartamento do hotel com "Marreco e Marrequinho", nas diversas cidades nas quais se realizavam os comícios.

    A Dupla "Marreco e Marrequinho", porém, durou pouco, já que, no ano de 1962, um político havia oferecido ao Marreco um emprego na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás! Lógico que ele aceitou a "proposta irrecusável"...

    Marrequinho também conheceu, no início da década de 1960, o Compositor e Poeta Ubirajara Moreira de Andrade, de Uruana-GO, cuja parceria foi bastante significativa para a Carreira de Marrequinho como Compositor. A Dupla compôs diversos Músicas de sucesso tais como: "Meu Erro" (Venâncio - Marrequinho - Ubirajara Moreira), "Disco Mensageiro" (Marrequinho - Ubirajara Moreira), "Falso Amigo" (Marrequinho - Ubirajara Moreira), "Gota De Orvalho" (Marrequinho - Ubirajara Moreira), "Mil Mulheres" (Marrequinho - Ubirajara Moreira), "Miragem" (Marrequinho - Ubirajara Moreira) e "Três Noites" (Marrequinho - Ubirajara Moreira)!

    Também foi importante a parceria de Marrequinho com o Mineiro Alberito Leocádio Caetano, de Ituiutaba-MG, famoso pelo seu imenso repertório sertanejo, utilizando os pseudônimos de Letinho e, mais tarde, Ronaldo Adriano. "Pranto do Adeus" (Marrequinho - Ronaldo Adriano) foi gravada pela Dupla Goiana "Sinval e Dalmy" e também foi gravada no Rio de Janeiro-RJ por um dos maiores nomes da Seresta, que foi o Carlos José! E essa belíssima Composição é considerada como o maior sucesso de Carlos José, tendo sido presença obrigatória em suas diversas apresentações, além de ter ocupado por dois anos o primeiro lugar nas grandes paradas das principais emissoras de Rádio no Brasil!

    Além de "Pranto do Adeus" (Marrequinho - Ronaldo Adriano), Alberito compôs também outras belíssimas Músicas tais como "Lembrança" (Letinho - Marrequinho), "Coração Guerreiro" (Ronaldo Adriano - Marrequinho), "Essa Noite Sonhei Contigo" (Marrequinho - Ronaldo Adriano), "Castigo de Amor" (Letinho - Marrequinho), "O Filho Do Mundo" (Marrequinho - Ronaldo Adriano), "Meu Bem Que Tristeza É Essa" (Ronaldo Adriano - Marrequinho) e "Sério Perigo" (Marrequinho - Ronaldo Adriano), em parceria com Marrequinho!

    Em 1963, Marrequinho trabalhava no Bazar Paulistinha (o famosíssimo "Bazar do Waldomiro", Empresa de propriedade do excelente Escritor e Compositor Waldomiro Bariani Ortêncio), e foi nessa época que ele conheceu o Motorista Olídio Machado, Mineiro de Ituiutaba-MG, que adotava o pseudônimo de "Nuvem Negra", dono de uma excelente primeira voz!

    A Dupla "Marrequinho e Nuvem Negra" gravou no mesmo ano de 1963 um Compacto Duplo na Gravadora Audio Fidelity - Nº 78-098 - com a Canção Rancheira "Ergam As Taças" (Waldomiro Bariani Ortêncio - Lindomar Castilho), o Balanceado "Se A Lua Contasse" (Nuvem Negra), a Canção Rancheira "Adeus Boemia" (Campeão - Marrequinho) e a Guarânia "Meu Tormento" (Ubirajara Moreira de Andrade - Percival).

    Durou apenas seis meses a Dupla "Marrequinho e Nuvem Negra" a qual se desfez porque não estava conseguindo coletar nenhum resultado financeiro.

    Em 1965 Marrequinho havia sido convidado pelo diretor Mário Vieira, da Gravadora Califórnia, a gravar um LP. Como ele não tinha dupla, formou com Waldivino Rodrigues da Paz (o Bebé), de Firminópolis-GO, a Dupla "Marrequinho e Silvan". Destaque para as Músicas "Ao Presente E Ao Passado" (Marrequinho), "É Impossível" (Marrequinho - Carlinho), "Berço Da Minha Infância" (Marrequinho - Campeão) e "Disco Mensageiro" (Marrequinho - Ubirajara Moreira).

    O próprio Marrequinho considera que esse LP não foi bem sucedido, dado o despreparo da Dupla, além do repertório bem "ruinzinho", como ele mesmo menciona em seu Livro Auto-Biográfico "Marrequinho - O Menino de Campo Formoso".

    Waldivino, por outro lado, com a experiência adquirida, formou com seu irmão Antônio a Dupla "Carlone e Cabral", que gravou um LP no Selo Chororó. Formou também com Jailes a Dupla "Salomão e Silvan" que gravou um LP na Continental. Waldivino também adotou o pseudônimo de Venancin e fez parte do "Trio da Vitória", formado por Venâncio, Venancin e Nhozinho.

    Após o fracasso do LP com Silvan, Marrequinho havia decidido que não iria mais cantar, já que sua interpretação, segundo ele, tecnicamente era boa, mas o timbre de sua voz deixava muito a desejar.

    Veio, no entanto, o convite de Luiz Salatiel de Oliveira e Francisco Adão Gonçalves, que eram, respectivamente o Venancinho e o Nhozinho que integravam o "Trio da Vitória" juntamente com o Venâncio que, por motivos pessoais, teria que parar de cantar por algum tempo. Como estavam diversos shows agendados e agendada também estava a gravação do próximo LP na Califórnia, Marrequinho, juntamente com Venancinho e Nhozinho passavam a ser a nova formação do "Trio da Vitória", que gravou o LP "Jardim de Amor" em 1967, com destaque para as Músicas "Manhã Do Nosso Adeus" (Zé do Rancho - Pirassununga).

    Marrequinho menciona que "... quando ouvi o nosso disco e o comparei com os discos do verdadeiro 'Trio da Vitória' confesso que tive vergonha (...) A interpretação não convencia, o repertório era fraco, os arranjos eram pobres, e as condições técnicas, sofríveis... "

    Em função disso, Marrequinho resolveu se despedir de vez da Carreira de Intérprete, preferindo ser apenas Marrequinho, o Compositor.

    Ainda em 1965, Marrequinho havia conhecido o Trio "Odaés Rosa, Rosito e Rosenito - Os Donos Dos Dois Gêneros". Os três integrantes do trio eram de Rio Verde-GO. Marrequinho considera Odaés Rosa (foto à esquerda) como um grande amigo, além de um ótimo parceiro em várias Composições, dentre as quais "Interrogação" (Marrequinho - Odaés Rosa), "A Chave Da Casa Dela" (Marrequinho - Odaés Rosa), "Coração Matogrossense" (Marrequinho - Odaés Rosa), "Proposta De Amor" (Marrequinho - Odaés Rosa), "Endereço da Felicidade" (Marrequinho - Odaés Rosa), "Triângulo De Amor" (Marrequinho - Odaés Rosa), "Mar Da Vida" (Marrequinho - Odaés Rosa), "Ensopado De Lágrimas" (Odaés Rosa - Marrequinho), "Minha Poesia" (Marrequinho - Odaés Rosa) e "Saudades Antigas" (Marrequinho - Odaés Rosa), além de "Saudade... Nada Mais (Homenagem ao Goiá)" (Marrequinho - Odaés Rosa) que Odaés Rosa gravou em duas vozes, com a Declamação a cargo de Marrequinho!

    Em 1970, decepcionado com as dificuldades de se manter no meio artístico, por melhor que se possa ser, tanto na Interpretação como na Composição, Marrequinho decidiu abandonar (ao menos temporariamente) o meio musical e, juntamente com seu irmão Zé Ricardo, começou a trabalhar com um caminhão de entregas. Marrequinho trabalhou como Ajudante de Caminhoneiro (profissão conhecida popularmente como "Chapa") e, pouco tempo depois, o Compositor estava empregado como Caminhoneiro nas Casas Alô Brasil.

    Foi também numa dessas viagens, quando ele dirigia o caminhão na Belém-Brasília, que veio a inspiração e os versos de um de seus maiores sucessos, intitulado "Endereço Da Felicidade" (Marrequinho - Odaés Rosa), que foi gravada em 1980 pelo Trio Parada Dura (formado na época por Creone, Barreirito e Mangabinha), no LP "Blusa Vermelha", gravado em 1975 pela Gravadora Copacabana (COELP 41457).

    Calcula-se que mais de 150 Composições de Marrequinho foram gravadas por diversos Intérpretes Sertanejos, tanto do Estado de Goiás como também do Estado de São Paulo e também de vários outros Estados Brasileiros. Dentre os diversos Intérpretes, podemos destacar o "Trio da Vitória", "Sinval e Dalmy", "Osmano e Manito", Carlos José, "Irmãs Barbosa (Edna e Diná)", "Di Paullo e Paulino", "Maída e Marcelo", Silveira e Silveirinha, "Carlito, Baduy e Nhozinho", Belmonte e Amaraí, Irmãs Freitas, André e Andrade, "Chico Rey e Paraná", Lindomar Castilho, "Zé Vidal e Vidalzinho", Muniz Teixeira e Joãozinho, "Creone e Barreirito", Amilton Lelo, "Bandeirinha e Goianinha", "Duduca e Dalvan", "Poeta e Trovador", Pedro Bento e Zé da Estrada, Trio Parada Dura, "Mato Grosso e Mathias", "Mozart e Mozair", "Robson e Chico Jr.", Zé Mulato e Cassiano e Zilo e Zalo, apenas para citar alguns!!!

    Francisco Ricardo de Souza Júnior, o Chico Jr., da Dupla "Robson e Chico Jr.", é o filho primogênito do Compositor Marrequinho e, no Site Oficial da Dupla, existe uma Página Dedicada ao Marrequinho! Chico Jr. é também formado em História pela Universidade Federal de Goiás!

    Em 1999 Marrequinho foi homenageado com um Diploma De Honra Ao Mérito pela AGEPEL - Agência Goiana de Cultura, através da Orquestra de Violeiros de Goiás, que era regida pelo Sr. Geraldo Alves Pereira. O renomado Escritor e Compositor Waldomiro Bariani Ortêncio escreveu a respeito: "Marrequinho, o Francisco Ricardo de Souza, foi, no ano passado, homenageado pela AGEPEL, por iniciativa do Maestro José Eduardo de Morais, no enorme palco do Teatro Goiânia, com a casa cheia, aplaudido de pé, por várias vezes, por seus amigos e admiradores. Um grande espetáculo que homenageou a História da Música Popular Sertaneja em Goiás. Eu estava lá, firme na primeira fila."

    No ano de 2005 Marrequinho recebeu também da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (AGEPEL) uma importantíssima homenagem, com o lançamento de um álbum formado por um CD e um Livro. No livro constam diversos segmentos da trajetória artística de Marrequinho, além de comentários feitos por Artistas famosos de vários segmentos: Radialistas, Apresentadores, Jornalistas, Escritores e muita gente famosa ligada ao meio sertanejo, admiradores de Marrequinho. E, no CD (foto da capa à direita), foram gravadas 20 Músicas de Autoria de Marrequinho, com parceiros diversos, interpretadas por intérpretes de nomes admirados e respeitados a nível nacional, os quais se ofereceram voluntariamente para que fosse prestada essa homenagem a quem dedicou grande parte da sua vida à valorização, ao prosseguimento e ao aperfeiçoamento da Música Sertaneja. O lançamento do CD "Marrequinho – Uma Vida, Uma História" foi um "mega-espetáculo" que aconteceu na cidade de Pirenópolis–GO, no Grande Palco Do Rio, como parte do tradicional evento "Canto da Primavera" de 2005 e foi prestigiado por uma multidão calculada em 30.000 pessoas, conforme estimativa feita pela Polícia Militar. Destaque do CD para "Miragem" (Marrequinho - Ubirajara Moreira) e "Consagração De Amor" (Marrequinho - Antônio Fernando de Farias (Campeão)), interpretadas pela excelente Dupla Zé Mulato e Cassiano!!!

    Quero destacar também o CD independente "Relíquias" com remasterização de diversas gravações originais a cargo de "Marrequinho, Melrinho e Belguinha", "Marreco e Marrequinho", "Marrequinho e Nuvem Negra", "Marrequinho e Silvan", "Marrequinho, Venancinho e Nhozinho" (Trio da Vitória), "Odaés Rosa e Marrequinho" e "Marrequinho e Mozair", que mostra ao Apreciador um verdadeiro "panorama" da Trajetória Musical do Marrequinho como Intérprete e também como Compositor! Destaque para "Paraguaia Da Fronteira" (Goiá - Zilo), interpretada por "Marreco e Marrequinho", "Manhã Do Nosso Adeus" (Zé do Rancho - Pirassununga), interpretada por "Marrequinho, Venancinho e Nhozinho" (Trio da Vitória), "Senhora Do Rosário" (Waldomiro Bariani Ortêncio), interpretada por "Marrequinho, Melrinho e Belguinha", e "Saudade... Nada Mais (Homenagem ao Goiá)" (Marrequinho - Odaés Rosa) interpretada por Odaés Rosa (Em Duas Vozes) com Declamação de Marrequinho.

    Quero destacar também o CD independente "Reminiscências" que também brinda o Apreciador com belíssimas Composições de Marrequinho, a cargo de renomados Intérpretes do quilate de Carlos José, "Trio da Vitória", Zé Mulato e Cassiano, "Irmãs Barbosa (Edna e Diná)", "Di Paullo e Paulino", "Carlito, Baduy e Nhozinho", Irmãs Freitas, André e Andrade, "Chico Rey e Paraná", "Poeta e Trovador", Trio Parada Dura, "Mozart e Mozair" e "Robson e Chico Jr.", dentre outros. Destaque para "Pranto do Adeus" (Marrequinho - Ronaldo Adriano), interpretada pelo Carlos José, "Endereço Da Felicidade" (Marrequinho - Odaés Rosa), interpretada pelo Trio Parada Dura, e "Meu Violão" (Marrequinho - Silveira - Silveirinha), interpretada pela Dupla "Di Paullo e Paulino"!

    Está em andamento o Projeto "Marrequinho - 50 Anos de Música" (1958 - 2008), pela Secretaria Municipal da Cultura de Goiânia-GO, o qual consistirá na gravação de um CD com diversas composições de Marrequinho, sendo que 6 Músicas serão regravações e outras 7 Músicas serão inéditas! De acordo com o Compositor, em seu Livro Auto-Biográfico "Marrequinho - O Menino de Campo Formoso", "Ao ocupar minha mente com o planejamento desse trabalho, mais uma vez minhas trovas vêm me servir de alento, provocando efeito balsâmico sobre o sofrimento causado pelas duras provas que tem sido impostas a mim."

    Marreco e Marrequinho também participaram do Programa Raízes - Jornalismo Cultural, que vai ao ar todos os Domingos às 11:00 da manhã pela Fonte TV (Canal 5 na "TV aberta" e Canal 4 na NET), apresentado por Doracino Naves e Edival Lourenço.

    Clique nas fotos abaixo, e saiba mais sobre a participação de Marreco e Marrequinho nos respectivos programas:






    Marrequinho diz que é "Um Guardador de Saudades" e, no 50º Capítulo de seu Livro Auto-Biográfico "Marrequinho - O Menino de Campo Formoso", ele destaca diversas lembranças marcantes de sua vida. E, nesse seu excelente livro, também estão publicadas as letras de uma centena de suas principais Composições!!! Esse excelente Livro "Marrequinho - O Menino de Campo Formoso - Memórias de um Artista Sertanejo", foi publicado em Goiânia-GO em 2010 pela Editora Kelps, e tem o Prefácio datado de 08/10/2008 escrito pelo renomado Escritor e Compositor Waldomiro Bariani Ortêncio.


    Clique aqui e conheça o Blog do Marrequinho, com grande riqueza de fotos e informações sobre sua Trajetória como Intérprete e Compositor!!!

    Clique aqui e conheça o espaço dedicado ao Compositor Marrequinho no Palco MP3.

    Clique aqui, e ouça "Miragem" (Marrequinho - Ubirajara Moreira), interpretada pela excelente Dupla Zé Mulato e Cassiano, num Arquivo Musical pertencente ao Palco MP3, e que é a 2ª Faixa do CD "Uma Vida Uma História".

    Clique aqui, e ouça "Endereço Da Felicidade" (Marrequinho - Odaés Rosa), interpretada pelo Trio Parada Dura, num Arquivo Musical pertencente ao Palco MP3, e que é a 12ª Faixa do CD "Uma Vida Uma História".

    Clique aqui, e ouça "Consagração De Amor" (Marrequinho - Antônio Fernando de Farias (Campeão)), interpretada pela excelente Dupla Zé Mulato e Cassiano, num Arquivo Musical pertencente ao Palco MP3, e que é a 18ª Faixa do CD "Uma Vida Uma História".

    Clique aqui, veja e ouça Marrequinho, em Dupla com seu Filho Chico Jr., interpretando descontraídamente a Música "Perdoando Sempre" (Marrequinho), num "Clip Musical" pertencente ao Palco MP3.


    Contato com Marrequinho:
    (62) 9215-4931
    (62) 8571-8138
    (62) 3597-3305

    e-mail: marrequinhocompositor@hotmail.com



    Algumas composições de Marrequinho:

  • A Chave Da Casa Dela (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Adeus À Boemia (Marrequinho - Carlinho)
  • A História do Nosso Amor (U. Moreira - Marrequinho - C. Bento)
  • Agora Sei Que Estou Amando (Marrequinho - Venâncio)
  • Alguém Tão Só (Marrequinho - Paulino)
  • Alma Vencida (Marrequinho - Jota Dias)
  • Ao Presente E Ao Passado (Marrequinho)
  • Baque da Solidão (Marrequinho - Deusdete Alves - Chico Jr.)
  • Berço Da Minha Infância (Marrequinho - Campeão)
  • Capricho da Sorte (Venancinho - Marrequinho)
  • Castigo de Amor (Letinho - Marrequinho)
  • Confissão (Marrequinho - Sinval - Dalmi)
  • Consagração De Amor (Marrequinho - Antônio Fernando de Farias (Campeão))
  • Coração Guerreiro (Ronaldo Adriano - Marrequinho)
  • Coração Matogrossense (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Disco Mensageiro (Marrequinho - Ubirajara Moreira)
  • Duas Vidas (Baronito - Marrequinho)
  • É Impossível (Marrequinho - Carlinho)
  • Endereço da Felicidade (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Endereço Dele (Marrequinho)
  • Ensopado De Lágrimas (Odaés Rosa - Marrequinho)
  • Essa Noite Sonhei Contigo (Marrequinho - Ronaldo Adriano)
  • Estrada Da Amargura (Marrequinho - Aldegundes)
  • Eterna Saudade (Belmonte - Amaraí - Marrequinho)
  • Eu e Ela (Venancinho - Marrequinho)
  • Eu e Você (Marrequinho - Reinaldo Queiróz)
  • Falso Amigo (Venâncio - Marrequinho - Zé Risada)
  • Falso Amigo (Marrequinho - Ubirajara Moreira)
  • Frente A Frente (Marrequinho)
  • Gota De Orvalho (Marrequinho - Ubirajara Moreira)
  • Homem Sem Rumo (Marrequinho - Reinaldo Queiróz)
  • Interrogação (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Julgamento de Amor (Marrequinho - Fernandito)
  • Lembrança (Letinho - Marrequinho)
  • Mar Da Vida (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Meu Bem Que Tristeza É Essa (Ronaldo Adriano - Marrequinho)
  • Meu Erro (Venâncio - Marrequinho - Ubirajara Moreira)
  • Meu Violão (Marrequinho - Silveira - Silveirinha)
  • Mil Mulheres (Marrequinho - Ubirajara Moreira)
  • Minha Poesia (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Miragem (Marrequinho - Ubirajara Moreira)
  • Noiva Triste (Marrequinho - Creone)
  • Nossa Verdade (Marrequinho - Marreco - Piracy)
  • O Filho Do Mundo (Marrequinho - Ronaldo Adriano)
  • Perdoando Sempre (Marrequinho)
  • Pranto do Adeus (Marrequinho - Ronaldo Adriano)
  • Proposta De Amor (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Reminiscências (Marrequinho - Mozart - Mozair)
  • Rio Araguaia (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Saudade... Nada Mais (Homenagem ao Goiá) (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Saudades Antigas (Marrequinho - Odaés Rosa)
  • Sério Perigo (Marrequinho - Ronaldo Adriano)
  • Sorriso Triste (Marrequinho - Bandeirinha)
  • Tortura Do Remorso (Marrequinho)
  • Três Noites (Marrequinho - Ubirajara Moreira)
  • Triângulo De Amor (Marrequinho - Odaés Rosa)



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    Moacyr dos Santos:

    Nasceu em 03/06/1932 em Monte Aprazível-SP e faleceu em 02/04/1996 em São Paulo, SP.

    Despertou seu desejo compor, principalmente como letrista, através de um pequeno livro de modinhas. Ficou impressionado com algumas letras de Lourival dos Santos (não havia nenhum parentesco entre eles, apesar de terem o mesmo sobrenome). Chegou a São Paulo em 1953, onde procurou por Lourival e, em pouco tempo, começaram a compor juntos.

    Destacou-se como letrista e fez parceria com diversos nomes da Música Caipira Raiz, dentre os quais Sulino, Tião Carreiro, Tião do Carro, Jacozinho e Paraíso, além do já mencionado Lourival dos Santos. Na foto ao lado, da esquerda para a direita: Moacyr, Lourival dos Santos, Pardinho e Tião Carreiro.

    Trabalhou também como programador na Rádio Clube de Tanabi e também na Rádio Brasil Novo de São José do Rio Pardo.

    Diversas duplas, entre as quais, Tião Carreiro e Pardinho, Sulino e Marrueiro, Zilo e Zalo, Lourenço e Lourival e Pedro Bento e Zé da Estrada gravaram suas composições.

    Moacyr dos Santos também compôs inúmeras Obras-Primas em parceria com o Paraíso, tais como "Franguinho Na Panela" (Moacyr dos Santos - Paraíso), "Não É Mole Não" (Paraíso - Moacyr dos Santos), "O Esteio E O Estorvo" (Moacyr dos Santos - Paraíso), "O Gato E A Pomba" (Moacyr dos Santos - Paraíso) e "Pé De Boi E Mão De Vaca" (Moacyr dos Santos - Paraíso).

    Paraíso era por sinal muito amigo de Moacyr dos Santos e "Franguinho Na Panela" teve uma história "sui-generis", já que Moacyr um dia foi ao escritório de Paraíso e lhe mostrou um "rascunho" da belíssima composição, a qual encantou o parceiro que, ocupado, acabou "deixando o franguinho para outro dia".

    Porém, poucos dias depois, Moacyr dos Santos "partiu para o Andar de Cima" e Paraíso, bastante chateado, tentava lembrar como era a melodia do "franguinho"... E nada! Até que, bastante tempo depois, uma Dupla Caipira foi ao seu escritório, querendo orientação para gravar um disco e, numa fita, levavam também uma gravação do que seria a "idéia básica" do mesmo "Franguinho na Panela"! Moacyr dos Santos, que também era amigo dessa dupla, havia apresentado a eles o "franguinho". Paraíso fez então o "acabamento" tão desejado e a primeira gravação ficou a cargo de Craveiro e Cravinho, que, com bastante alegria, num momento de retorno à Carreira Artística, fizeram ficar ainda mais bonito o "Franguinho Na Panela" (Moacyr dos Santos - Paraíso) e, com sucesso imediato!

    Moacyr dos Santos jamais parou de compor e, ao falecer, deixou diversos trabalhos inacabados e algumas de suas obras ainda inéditas estavam sendo gravadas na ocasião.

    Algumas composições de Moacyr dos Santos:

  • Achei Pouco, Achei Bom (Jacozinho - Moacyr dos Santos)
  • A Ferro e Fogo (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • A Mulher do Cachaceiro (Moacyr dos Santos - Tião do Carro)
  • Baiano No Côco (Moacyr dos Santos - Vaqueirinho)
  • Boiadeiro de Palavra (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Boi Fumaça (Moacyr dos Santos - Sulino)
  • Bom de Bico (Moacyr dos Santos - Sulino)
  • Caboclinha (Moacyr dos Santos - Milton José)
  • Caboclo do Pé Quente (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Canção à Morena da Praia (Xavantinho - Moacyr dos Santos - Tião do Carro)
  • Cavalo Enxuto (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos)
  • Cavalo Que Pula (Carlos Militar - Moacyr dos Santos)
  • Cochilou O Cachimbo Cai (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos)
  • Começo do Fim (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)
  • Coração Redomão (Tião do Carro - Moacyr dos Santos)
  • Empreitada Perigosa (Moacyr dos Santos - Jacozinho)
  • Faca Que Não Corta (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos - Tião Carreiro)
  • Franguinho na Panela (Moacyr dos Santos - Paraíso)
  • Fundanga (Moacyr dos Santos - Zé Claudino)
  • Laço da Saudade (Moacyr dos Santos - João de Deus)
  • Ladrão de Terra (Moacyr dos Santos - Teddy Vieira)
  • Mãe Cega (Moacyr dos Santos - Tião do Carro)
  • Mão Fechada (Moacyr dos Santos - Chico Mineiro)
  • Mariquinha (Moacyr dos Santos - Quintino Eliseu)
  • Menino Boiadeiro (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Não É Mole Não (Paraíso - Moacyr dos Santos)
  • Ninho De Cobra (Moacyr dos Santos - Jacó)
  • O Caçador (Moacyr dos Santos - Jacozinho)
  • O Dedo de Deus (Moacyr dos Santos - Gamalier)
  • O Esteio e o Estorvo (Moacyr dos Santos - Paraíso)
  • O Gato e a Pomba (Moacyr dos Santos - Paraíso)
  • O Jogador de Baralho (Moacyr dos Santos - Quintino Eliseu - Sulino)
  • O Machado e a Moto-Serra (Moacyr dos Santos - Zé Goiano)
  • O Milagre de São Gonçalo (Nenete - Moacyr dos Santos)
  • O Peão e o Ricaço (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • O Pobre e o Rico (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Os Filhos Da Bahia (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos)
  • O Tesouro É Do Patrão (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos - Paraíso)
  • Pagode na Praça (Moacyr dos Santos - Jorge Paulo)
  • Patrão Camarada (Jacozinho - Moacyr dos Santos)
  • Peão da Cidade (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Pé de Boi e Mão de Vaca (Moacyr dos Santos - Paraíso)
  • Pé Quente (Moacyr dos Santos - Jacozinho)
  • Perereca (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos)
  • Portas Fechadas (Jacozinho - Moacyr dos Santos)
  • Preto e Branco (Moacyr dos Santos - Sulino)
  • Priminha Linda (Moacyr dos Santos - Lourival dos Santos)
  • Promessa Do Batistinha (Moacyr dos Santos - Ado Benatti - Marrueiro)
  • Pula-Pula (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)
  • Pura Verdade (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Rei do Pagode (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)
  • Resposta de Bombardeio (Moacyr dos Santos - Sulino - Celso Duarte)
  • Sonho dos Direitos Autorais (Jacozinho - Moacyr dos Santos)
  • Suspirando (Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)
  • Tem E Não Tem (Moacyr dos Santos - Tião Carreiro)
  • Tem Gambá No Galinheiro (Tião do Carro - Moacyr dos Santos)
  • Terra Bruta (Moacyr dos Santos - Jacozinho)
  • Tirando Aço do Chão (Xavantinho - Moacyr dos Santos - Martins Neto)
  • Tudo Certo (Tião Carreiro - Moacyr dos Santos)
  • Tudo Serve (Tião Carreiro - Moacyr dos Santos)
  • Um Beijo Só (Moacyr dos Santos - Sulino)
  • Vizinha Fuchiqueira (Sulino - Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)



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    Muybo César Cury:

    Nascido em Duartina-SP, no dia 16/01/1929 e falecido em São Paulo-SP dia 26/12/2009, Muybo César Cury (ou simplesmente Muybo Cury) tinha origem Libanesa. Seu pai era proprietário de uma lojinha na cidade de Marília-SP. Embora não tenha vivido no campo, Muybo gostava da Música Caipira desde criança e também aprendeu a tocar Viola.

    De grande versatilidade, Muybo César Cury foi Cantor, Dublador, Radialista, Ator e Compositor.

    Como Cantor, Muybo participou do LP "Linguagem Do Amor", lançado em 1964 pela Fermata (N° FB-92), cantando nas faixas 6 e 7, que eram, respectivamente, "Não Me Abandones" (Zacarias Mourão - Zé do Rancho - Biguá) e a faixa-título "Linguagem do Amor" (Marguerite Monnot - versão: Juvenal Fernandes), que era tema do filme "Irma La Dulce".

    O LP "Linguagem do Amor" foi produzido pelo Capitão Furtado que na época apresentava o Programa "Roda de Violeiros", que ia ao ar pela renomada Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP. Esse LP foi a estréia de Muybo César Cury como Intérprete.

    Na foto abaixo (do site da Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP), Muybo César Cury apresentando o programa "Roda de Violeiros", com o Capitão Furtado, em 1953:




    Além disso, Muybo Cury também já substituiu o Barroso num LP da famosa dupla "Barreto e Barroso", dupla que era formada inicialmente por Antônio Barreto (o Barreto, natural de São Sebastião da Grama-SP) e Benedito Rodrigues Pinheiro (o Barroso, natural de Guará-SP).

    Barreto também foi apresentador na Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP e Barroso, além de Professor de artífices, também foi apresentador na mesma emissora. Além disso, a dupla havia se formado em 1946, tendo estreado na Rádio América de São Paulo-SP, a mesma emissora na qual Muybo iniciou sua carreira em 1947, conforme mencionado logo abaixo.

    Foi após o falecimento de Benedito, que Muybo César Cury o substituiu, tendo mantido o mesmo nome (Barroso) no LP "As Duas Faces de Barreto e Barroso" (foto da capa do LP à direita).


    Na foto abaixo (do site da Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP), Muybo César Cury e a Dupla "Barreto e Barroso" em sua formação original:




    Como dublador, função que Muybo exercia esporadicamente, emprestou sua voz ao Caçador Kaura em "Flashman". Fez também a primeira voz do Mantor do Diabo em "Lion Man" (exibido no Brasil em 1973 na extinta Rede Manchete) e participou ainda de algumas dublagens em "Jaspion".

    Como Radialista, Muybo teve destaque como um dos maiores profissionais do radiojornalismo brasileiro, atuando por mais de 37 anos na Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP. "Faço estágio, estou terminando meu período de experiência", brincava ele, referindo-se à sua Profissão e à sua experiência no Rádio, principalmente na referida emissora na qual ele apresentava o "Jornal em Três Tempos" junto com Chiara Luzzati e Paulo Galvão.

    Muybo foi locutor de auto-falante, auxiliar de escritório e "contínuo" de banco em Duartina-SP, até que em 1946 seguiu para a Capital Paulista, onde iniciou no ano seguinte a sua carreira na Rádio América. Muybo Cury foi também disk-joquei na década de 1960.

    Além do trabalho jornalístico na já mencionada Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP, Muybo Cury também apresentava o excelente programa "Raízes do Brasil" na Rádio Cultura - AM - 1200 kHz de São Paulo-SP, programa que mostrava ao Apreciador a genuína Música Caipira Raiz, além da prestação de serviços gratuitos. Nesse programa, Muybo também contava "causos" caboclos, piadas e declamava Poemas Sertanejos (que podiam inclusive ser enviados pelos ouvintes).

    Como Ator, Muybo Cury atuou nas tele-novelas "Os Inocentes", na extinta TV Tupi e "Dulcinéia Vai À Guerra", na TV Bandeirantes. Atuou também em diversos comerciais na Televisão. Destaque também para a radio-novela "A Verdade da Vida" interpretada por Maria Stella Barros e Muybo César Cury, na já mencionada Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP.

    E, como Compositor, Muybo César Cury foi Autor da Moda de Viola "Castigo De Dona Benta" (Teddy Vieira - Muybo César Cury), gravada pelos Irmãos Divino no Lado-A do 78 RPM Nº 13.901, em 1955, pela Odeon.

    Bastante versátil também na Composição, Muybo compôs em diversos outros estilos, como por exemplo, Marchas Carnavalescas, tais como "A Marcha do Cabeção" (Alfredo Borba - Muybo Cury) e "A Marcha da Peruca" (Bobby Hilton - Muybo Cury - Milton). É também de autoria de Muybo Cury o único hino da Copa 74 "Cem Milhões de Corações", gravado pelo conjunto "Os Incríveis", gravação que acabou "esquecida", já que o tão esperado Tetra-Campeonato não veio nessa Copa que teve lugar na Alemanha Ocidental...

    Muybo é também autor de algumas versões tais como "Deus Te Acompanhe Amor" (Vaya Com Diós) (L. Russel - I. James - B. Pepper - adaptação: Muybo Cury) e "Minhas Noites Sem Ti" (Mis Noches Sin Ti) (Maria Teresa Marques - Demetrio Ortiz - versão: Muybo Cury).

    No entanto, a principal Obra-Prima de Muybo César Cury como Compositor é, sem dúvida, uma das mais belas páginas do repertório Caipira Raiz: "João de Barro" (Muybo César Cury - Teddy Vieira), a qual foi gravada pela primeira vez pela dupla Mineiro e Manduzinho, em 17/06/1955, na RCA Victor (hoje BMG), no Lado-A do Disco 78 RPM Nº 80.1561 (Matriz: BE5VB-0791), lançado em Março de 1956.

    De acordo com José Hamilton Ribeiro, em seu excelente livro "Música Caipira - As 270 Maiores Modas De Todos Os Tempos", Muybo "...se encantara ao ver, no sítio de um amigo, um casal de "joão de barro" fazendo sua casinha. 'É o pedreiro da floresta', disseram a ele. Muybo passou horas acompanhando o trabalho da construção do ninho de barro. Quando soube da história de que o passarinho, se traído pela fêmea, aprisionava-a na casinha, levando a parceira à morte, começou - sem nenhuma experiência - a compor a Música (...) Fez os versos da canção (que acabaram ficando confusos e muito longos) e ajeitou uma melodia, mas entendeu que aquilo podia dar certo se alguém criativo, e com prática, desse ali uma mexida (...) Pergunta daqui, pergunta dali, descobriu que o homem certo para ajudá-lo era Teddy Vieira, já um autor diferenciado. Aproximou-se dele, foi recebido com simpatia e ali mesmo, no corredor da rádio, mostrou seu 'rascunho'. Teddy disse na hora que achava que ia dar certo, com possibilidade até de entrar em um disco que estava em produção. Gravou numa fita a Música, na voz de Muybo, avisando que precisaria dar uma ajeitada na melodia e na letra (...) A dupla Mineiro e Manduzinho estava dependendo de uma nova Música para fazer seu disco (...) Muybo foi ver a dupla ensaiar a Moda - estava uma beleza. Marcou-se estúdio. Mineiro ficou doente, precisaram adiar. Demorou para ser estabelecido novo dia de gravação, o rapaz não melhorava. Nova data, novo adiamento. Por fim, após outros discos na frente, a prensagem agora tinha que aguardar na fila. Por fim, o disco saiu (...) Entre o fim da prensagem e a data de lançamento, morreu Mineiro. Era um moço lutador, muito querido. A comoção foi grande, não havia mais clima para fazer lançamento, trabalhar o disco, batalhar as músicas. O parceiro remanescente nem sequer foi à gravadora para se informar, pedir alguma providência. Numa palavra: o disco 'morreu', com tudo o que continha."

    E, de acordo com o compositor Muybo Cesar Cury, "Passaram-se vários anos, ninguém falava em 'João de Barro'. Fazer o quê, mais uma Moda, que não pegou."

    Pedro Bento e Zé da Estrada também freqüentavam o mesmo estúdio na época da gravação e haviam aprendido a belíssima, composição, a qual apresentavam com freqüência em seus shows. Até que em 1974, Sérgio Reis havia procurado o Zé da Estrada atrás de idéias para gravação, ao que este lhe sugeriu o "João de Barro". Tendo gostado, o "Serjão" contactou Muybo que "...já estava até conformado com o apagão do 'pedreiro da floresta'. Aí vem o disco do Sérgio e o que se vê é uma 'explosão'. Teddy não estava mais aqui para ver o 'nosso João' no lugar que ele merece."

    E, lamentavelmente, o Mineiro também não estava mais aqui, já que ele havia falecido em 1958, ocasião na qual a dupla já havia parado de cantar.

    Muybo César Cury continuou em plena atividade até seus últimos dias de vida, apresentando os já mencionados programas tanto na Rádio Bandeirantes como também na excelente Rádio Cultura - AM - 1200 kHz de São Paulo-SP!

    Problemas cardíacos, no entanto, encerraram a brilhante carreira de Muybo César Cury que "passou para o Andar de Cima" no dia 26/12/2009, na Capital Paulista...

    O Radialista Antônio Daniel Queiroz, conhecido carinhosamente como Tunico da Viola, compareceu ao enterro de Muybo no Cemitério da Lapa, em São Paulo-SP. Segundo Tunico " ...além da perda irreparavel dessa pessoa querida, eu fico pensando que, junto com ele, foi Sabedoria e Conhecimentos... Isso tudo é muito triste... Estamos perdendo 'peças' importantíssimas no Cenário Caipira... Estive no velório junto com seus filhos, Luis Carlos, Luiz Alexandre, Adriana, Karina, e sua esposa Dalva. Fiquei sabendo por depoimento dos proprios filhos de quanto ele era uma pessoa simples. Como um dos filhos disse, um Caipira Nato. Esteve internado por vários dias com problemas cardíacos. Recebeu alta na véspera do Natal, passou com a familia, brincou, sorriu e, no dia seguinte, sentiu uma dor aguda... Foi socorrido, mas no hospital, teve uma outra dor forte e fulminante... Morreu em segundos por volta das 11:30 do dia 26/12/2009. Seu maior sucesso foi 'João de Barro', composição dele com Teddy Vieira e, por obra divina, um pássaro desses passou várias vezes em frente ao velório e, vez ou outra, cantavam como que homenageando... foi de arrepiar... "

    E, também, segundo o Tunico da Viola, "...conversando com um dos filhos do Muybo, fiquei sabendo que o nome dele original, 'de Batismo', era Muhib, e que ele adotou o nome Muybo, porque dava muita confusão com os ouvintes..."

    Tunico da Viola é um Grande Defensor da autêntica Música Caipira Raiz e, junto com o Cumpadre Lino, apresenta seu Programa de Segunda a Sexta-Feira das 19:00 às 21:00 na Rádio Raiz Caipira, que transmite exclusivamente pela Internet!! Visite também o Site da Rádio Raiz Caipira, e conheça o trabalho de Tunico da Viola e Cumpadre Lino (foto abaixo) em prol da autêntica Música Caipira Raiz, com destaque para a Moda de Viola, além da Folia de Reis, Congada, Catira e Cururu!! Nas palavras de Tunico da Viola, "...tocamos o que rádio comercial não toca!".




    Na foto abaixo, à direita, o Compositor Muybo César Cury e, à esquerda, o Radialista e Pesquisador Maikel Monteiro (que apresenta o Programa Brasil Caboclo nos 630 kHz da Rádio Paraná Educativa (e-Paraná) - AM de Curitiba-PR, no ar todos os Domingos Das 07:00 às 09:00 da manhã). Foto de autoria do Radialista José Francisco (que também apresenta o mesmo programa juntamente com o Maikel Monteiro).





    Algumas composições de Muybo César Cury:

  • A Marcha do Cabeção (Alfredo Borba - Muybo César Cury)
  • Carnavar Caipira (Muybo César Cury - Tony Ruiz)
  • Castigo De Dona Benta (Teddy Vieira - Muybo César Cury)
  • Desilusão, Nada Mais (Muybo César Cury - Dionísio da Ponte)
  • Deus Te Acompanhe Amor (Vaya Con Dios) (Russel - James - Pepper - versäo: Muybo César Cury)
  • João de Barro (Teddy Vieira - Muybo César Cury)
  • Quá-Quá-Quá (Adilson Godoy - Domingos Leone - Muybo César Cury)



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    Nhô Chico:

    Excelente Cururueiro, Poeta e Compositor da Música Caipira Raiz, Francisco Fornaziero, o "Nhô Chico", nasceu no Bairro Sete Barrocas, na cidade de Piracicaba-SP (município riquíssimo nas tradições da dança do Cururu), no dia 19/08/1927. Filho do Sr. Atílio Fornaziero (nascido em Rovigo, Itália) e de D. Inês Guerrero (nascida em Málaga, Espanha).

    Quero aqui deixar a palavra para que Joaquim de Oliveira Fornaziero, o Juninho Caipira, filho de Nhô Chico, apresente ao Apreciador uma biografia desse excelente Compositor e Poeta:

    "Aos 4 anos, tornou-se órfão de mãe, recebendo assim a educação e os carinhos de sua madrasta, a Sra. Regina Betiol. Aos 11 anos começou a tocar Cavaquinho e a cantar com seu irmão de criação, nascendo assim, a dupla 'Chiquinho e Luizinho'. Uma dupla dotada de muito talento, mas também de muita timidez, que ao notar a presença de estranhos, parava de cantar.

    Acompanhando a sua família, Chiquinho, como era carinhosamente chamado, aos quatorze anos, mudou-se para Pederneiras-SP, onde viveu por 20 anos. Já aos 16 anos, começou a compor as primeiras letras. Cantor de Modas-de-Viola, também demonstrava seu grande talento, cantando Cururu.

    Certa vez, o que foi motivo de muita emoção, a Dupla
    'Chiquinho e Luizinho', recebeu um convite da Rádio PRG-8 de Bauru-SP, para uma apresentação. Tiveram assim, um sonho realizado.

    Com o casamento de Luizinho, a dupla foi desfeita. Porém, a vida artística de Chiquinho, não parou por ali. Na inauguração da Rádio Cultura de Pederneiras-SP, fora convidado a assumir o programa sertanejo
    'Festa na Fazenda'. Foi naquela época que recebeu do Sr. Kamel, diretor da emissora, um novo nome artístico que se perpetuou no meio cultural brasileiro: 'Nhô Chico'.

    A partir desse momento, uma nova trajetória começava a ser traçada na vida desse valoroso artista. Conheceu as duplas Leôncio e Leonel e Craveiro e Cravinho.

    Em setembro de 1949, Nhô Chico casou-se com Apparecida de Oliveira Góes Fornaziero. Desse casamento nasceram: João, Dirceu, Neusa, Ivone, Dimas e Joaquim, tendo este último, o nome artístico de Juninho, e que herdou do pai Nhô Chico, o dom de cantar e de compor, vindo a gravar quatro CDs, na carreira solo e autor de mais de 650 letras de músicas.

    Em 1961, Nhô Chico retornou definitivamente à sua terra-natal, Piracicaba-SP. Passou assim, a conviver com grandes cantadores de Cururu: João Davi, Parafuso, Pedro Chiquito, Zico Moreira, Horácio Neto e outros, tornando-se conhecido em toda a região.

    Com o passar do tempo, a morte de alguns amigos fez com que Nhô Chico deixasse de cantar o Cururu, dedicando-se exclusivamente à composição de letras musicais. Assim surgiram sucessos como:
    'Caboclo na Cidade' (Dino Franco - Nhô Chico), 'Negrinho Parafuso' (Nhô Chico - Tião Carreiro) e 'Moradia' (Nhô Chico - Tião Carreiro - Craveiro), dentre outros.

    Nhô Chico assinou sozinho vários trabalhos, mas possui também músicas em parceria com Dino Franco, Tião Carreiro, Tião do Carro, Garcia, Carreirinho, além de Juninho Caipira, seu filho
    (na foto à direita, Nhô Chico e seu filho Juninho Caipira que, seguindo os passos do pai, também é Intérprete e Compositor Sertanejo).

    Teve como seu maior parceiro Dino Franco. Participou do corpo de jurados de diversos festivais, ao lado de grandes nomes ligados à cultura sertaneja. Comandou programas nas rádios: Rádio Alvorada (AM e FM) e Municipal-FM e se apresentou na TV Bandeirantes e na TV Cultura por diversas vezes.

    O talento de Nhô Chico foi mais além. É também autor de muitos Cânticos Religiosos. A Capital Paulista e quase todas as cidades da região, conheceram a
    'Missa Caipira' de Nhô Chico, inclusive em CD (foto da capa à direita), com o Coral Sertanejo Padre Anchieta e com arranjos de Viola Caipira a cargo do Violeiro Mazinho Quevedo, que também é encarregado da regência. O CD também conta com a participação de Gil Pedro e Vitor Quevedo na Percussão, Toninho Madrugada no Contra-Baixo, e o coral é formado por Galileu, Samaritano, Nhô Chico, Dona Cida, Juninho, Carlos Tabai, Nelson Vitti, Ilda e Roseli Palomo. Gravado e Mixado no Estúdio Millenium em Araras-SP.

    Em homenagem à memória de Artistas Piracicabanos, Nhô Chico escreveu "Negrinho Parafuso", "Pedro Chiquito", "Toninho do Mirante", "Zé do Prato", "Sorocabinha", "Saudade do Veneno" e diversas outras composições."


    Nhô Chico possui belíssimas Modas de Viola gravadas por excelentes intérpretes do quilate de Pedro Bento e Zé da Estrada, Zilo e Zalo, "Os Dois Mineiros", Dino Franco e Mouraí, Tião Carreiro e Pardinho, Craveiro e Cravinho, "Cativante e Continente", Tião Do Carro e Pagodinho, Daniel e Cacique e Pajé, apenas para citar alguns.

    Quero aqui agradecer ao Joaquim de Oliveira Fornaziero, o Juninho Caipira, filho de Nhô Chico e também Violeiro e Compositor pela biografia fornecida e também pelos e-mails de incentivo que me foram enviados. Clique aqui e visite o "flogão" de Juninho Caipira com diversas fotos dele e do pai, além de belíssimos poemas escritos por esse Violeiro e Compositor que é filho de Nhô Chico.


    Contato para shows e venda de CD's:
    (19) 3421-1580
    (19) 9627-4838
    (falar com Juninho Caipira)
    e-mail: juninhocaipira@hotmail.com








    Na foto abaixo, Nhô chico declamando belíssimos Poemas, num momento descontraído, acompanhado por seu filho Juninho Caipira, em dupla com Marcelo, em Piracicaba-SP, no dia 10/03/2007:




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Juninho Caipira, Zé Francisco (que apresenta o programa Brasil Caboclo na Rádio Paraná Educativa (e-Paraná) juntamente com Maikel Monteiro em Curitiba-PR), Nhô Chico e Ricardinho, numa tarde descontraída em 10/03/2007 em Piracicaba-SP.




    E, na foto abaixo, da esquerda prá direita, Guido de Sousa, o Leonel (da inesquecível Dupla Leôncio e Leonel) e o Compositor Nhô Chico, em Jaú-SP, no ano de 2009. Foto gentilmente cedida pelo Juninho Caipira, filho do excelente Compositor!




    Clique aqui e conheça o Poema "Tião Carreiro e o Menino" que homenageia o Criador e Rei do Pagode, declamado pelo próprio Nhô Chico, num arquivo pertencente ao site YouTube.


    Clique aqui e conheça o Poema "Boiadeiro Centenário" de autoria de Juninho Caipira, filho do Compositor Nhô Chico. Poema dedicado a todos os Cidadãos Brasileiros que lidam com gado e/ou vivem nos campos retirados da cidade. Esse Poema é tambem uma homenagem ao seu pai que no passado foi também Peão de Boidadeiro. Arquivo pertencente ao site YouTube.


    Clique nos quatro links abaixo e ouça uma amostra do trabalho de Nhô Chico, como Cururueiro, num "Desafio" com o inesquecível Parafuso:

    Parafuso Desafia Nhô Chico

    Nhô Chico Responde Parafuso

    Parafuso Desafia Nhô Chico em Réplica

    Nhô Chico Responde Parafuso em Réplica


    Essas 4 valiosíssimas gravações fazem parte do excelente Site Os Reis Do Cururu desenvolvido pelo Fábio Porangaba e que retrata o Cururu, que é o repente, o desafio, trovado ao som de Violas do Médio Tietê. Não deixe de visitar esse excelente Site que faz parte da História da Música Caipira Raiz!!

    O Cururueiro Parafuso é homenageado pelo Nhô Chico em sua belíssima Composição "Negrinho Parafuso" (Nhô Chico - Tião Carreiro), cujo Poema foi musicado pelo Criador e Rei do Pagode. E, na foto abaixo, a Casa onde viveu o inesquecível Parafuso, em Piracicaba-SP, "...Perto da Linha FEPASA, antiga Sorocabana...":




    Algumas composições de Nhô Chico:

  • A Cachaça E O Fumo (Nhô Chico - Dino Franco)
  • A Fuga (Nhô Chico - Dino Franco)
  • A Moda Do Cachaceiro (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Amor Precipitado (Nhô Chico - Taviano)
  • Caboclinha Sertaneja (Nhô Chico - José Toledo - Getúlio Toledo)
  • Caboclo Centenário (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Caboclo Na Cidade (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Candidato Caipira (Nhô Chico - Dino Franco)
  • Escravidão (Nhô Chico - Paraíso)
  • Filhos de Botucatu (Nhô Chico - Ramiro Vióla)
  • Futebol de Amor (Tião do Carro - Nhô Chico)
  • Grã-Fino Na Roça (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Minha Mensagem (Dino Franco - Nhô Chico)
  • Missão Cumprida (Nhô Chico - Carreirinho)
  • Moradia (Nhô Chico - Tião Carreiro - Craveiro)
  • Negrinho Parafuso (Nhô Chico - Tião Carreiro)
  • Pedro Chiquito (Nhô Chico - Apolônio)
  • Trem da Vida (Nhô Chico - Paraíso)
  • Trem De Ferro (Nhô Chico)
  • Tudo Mentira (Nhô Chico - Cravinho)


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    Nhô Pai:

    João Alves dos Santos nasceu em Paraguaçu Paulista-SP no dia 28/03/1912 e faleceu na mesma cidade em 12/03/1988.

    O famoso compositor de "Beijinho Doce" foi lançado por Ariowaldo Pires (o Capitão Furtado) e, como intérprete, formou duplas com seu compadre Nhô Fio, sua prima Nhá Fia e também com sua irmã Nhá Zéfa. Também chegou a cantar juntamente com Tonico da dupla Tonico e Tinoco.

    Nitidamente influenciado pela Música Paraguaia, Nhô Pai fez bastante sucesso nos anos 40 e 50, interpretando Rasqueados (ritmo musical utilizado com freqüência nas Polcas Paraguaias e no qual as cordas da Viola são todas puxadas simultaneamente com as costas dos dedos).

    Em 1943, cruzando pastos em carro de boi, viajando em caminhões de mudança, Nhô Pai excursionou pelo Interior Paulista e também pelo Triângulo Mineiro, além dos Estados de Goiás e Mato Grosso, juntamente com o Capitão Furtado, tendo também em sua companhia Nhá Fia e Mário Zan. Apresentaram-se em diversos lugares, incluindo cinemas, salões de igrejas e pracinhas.

    Já tendo cantado em dupla com Nhô Fio e Nhá Zefa, Nhô Pai formou em 1942 uma dupla com João Salvador Perez, o Tonico da dupla Tonico e Tinoco! E interpretaram o Rasqueado "Casinha de Carandá" (Nhô Pai) e a Valsa "Gauchita" (Zé Mané). E, no mesmo ano, Nhô Pai também gravou com Nhô Fio a Moda de Viola "O Brasil Entrou Na Guerra" (Nhô Pai - Ariowaldo Pires), além do Rasqueado "Fronteira" (Nhô Pai - Edgard Cardoso). Na foto acima e à direita, Nhô Pai e Nhô Fio.

    Outro fato curioso se deu em 1944, quando Nhô Pai compôs e gravou juntamente com Nhô Fio, o desafio "Corinthians x São Paulo" (Nhô Pai - Nhô Fio), incluindo o futebol (tema caracteristicamente urbano) como assunto também na Música Caipira.

    Como compositor, seu maior sucesso foi sem dúvida o Corrido "Beijinho Doce", gravado pela primeira vez no ano de 1945 pelas Irmãs Castro e que se tornou um dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira, tendo sido incluída também no filme "Aviso Aos Navegantes" em 1951.

    Esse famoso Corrido foi gravado também em diferentes ritmos tais como Valsa (por Adelaide Chiozzo e Eliana) e Baião (por André Penazzi). Mas foi em 1976 que "Beijinho Doce" voltou a ser novamente um grande sucesso quando foi gravado por Nalva Aguiar que, até então, atuava predominantemente nos ritmos da Jovem Guarda e, segundo algumas opiniões, tal gravação estabeleceu um "segundo marco" na "migração" de intérpretes da Jovem Guarda para a Música Sertaneja, a exemplo de Sérgio Reis, quando da sua gravação do "Menino da Porteira" (Teddy Vieira - Luizinho) em 1973.


    Clique aqui e ouça "Ciriema" (Mário Zan - Nhô Pai), numa interpretação bastante criativa das irmãs Alzira e Tetê Espíndola, num Arquivo Musical pertencente ao site MPB-NET.


    Nhô Pai deixou um expressivo repertório de composições em nossa Música Caipira, tendo tido diversos parceiros tais como Nhô Fio, Nhá Zefa, Ariowaldo Pires, Riellinho, Nalva Aguiar, Piraci, Ado Benatti, Sulino, Mário Zan, e Raul Torres, apenas para citar alguns.

    Algumas composições de Nhô Pai:

  • A Muié E O Avião (Nhô Pai)
  • A Volta Do Curumbá (Nhô Pai - Ado Benatti - Sulino)
  • Amor E Ciúme (Nhô Pai - Mário Zan)
  • Apuros Na Capitá (Nhô Pai)
  • Araçatuba (Nhô Pai)
  • Beijinho Doce (Nhô Pai)
  • Beijinho Horroroso (Nhô Pai - Zé Fidélis)
  • Caboclo Beija-Flô (Nhô Pai - Mira Vieira)
  • Caboclo de Azar (Nhô Pai)
  • Canta, Canta, Canta (Nhô Pai - L. F. Simões)
  • Cãozinho Sem Dono (Mário Zan - Nhô Pai)
  • Cartinha Aventurosa (Nhô Pai - José Cleto "Zé da Pinta")
  • Casamento De Hoje Em Dia (Nhô Pai)
  • Casinha De Carandá (Nhô Pai - Bolinha)
  • Chalana Do Amor (Nhô Pai - Serralheiro)
  • Cidade Feitiço (Nhô Pai - Limeira)
  • Cidade Morena (Nhô Pai - Riellinho)
  • Ciriema (Mário Zan - Nhô Pai)
  • Coisas Do Paraguai (Nhô Pai)
  • Com Deus (Nhô Pai)
  • Coração Sem Dono (Nhô Pai - Mário Zan)
  • Coração Sofredor (Nhô Pai - Nalva Aguiar)
  • Corinthians x São Paulo (Nhô Pai - Nhô Fio)
  • Deixei A Minha Terra (Nhô Pai)
  • Égua Branca (Nhô Pai - Raul Torres e Godoy)
  • Fronteira (Nhô Pai - Edgard Cardoso)
  • Galo Índio (Nhô Pai - Nhô Fio)
  • Iracema (Mário Zan - Nhô Pai)
  • Lucila (Nhô Pai)
  • Meu Brasil (Nhô Pai - Jota Efegê)
  • Meus Oito Anos (Nhô Pai - Ariowaldo Pires)
  • Meus Parabéns (Nhô Pai)
  • Minha Despedida (Nhô Pai)
  • Minha Viola (Nhô Pai - Nhô Fio)
  • No Corrê Dos Ano (Nhô Pai)
  • Nossa Vida (Nhô Pai)
  • O Brasil Entrou Na Guerra (Nhô Pai - Ariowaldo Pires)
  • Orgulhoso (Nhô Pai - Mário Zan)
  • Peixinho Arisco (Nhô Pai - Riellinho)
  • Pirraça (Nhô Pai - Riellinho)
  • Quando Dois Se Ama (Nhô Pai)
  • Rapaz De Gosto (Nhô Pai)
  • Receita De Coquetel (Nhô Pai)
  • Rocinha De Milho (Nhô Pai)
  • Rosa Linda (Nhô Pai - Piraci)
  • Santa Cruz Do Rio Pardo (Nhô Pai)
  • Seu Aniversário (Nhô Pai)
  • Sombranceia Grossa (Nhô Pai)
  • Suspiro (Nhô Pai)
  • Tá De Mal Comigo (Nhô Pai)
  • Triste Despedida (Nhô Pai - Piraci)
  • Viaje A Parmitá (Nhô Pai - Nhá Zefa)
  • Vinte Anos A Mais (Nhô Pai - Luizinho)



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    Nonô Basílio:

    Nascido em Formiga-MG no dia 22/11/1922 e falecido em São Paulo-SP no dia 01/07/1997, Alcides Felisbini Basílio foi Compositor, Cantor e Diretor Artístico, tendo trabalhado inclusive na produção do excelente programa Viola Minha Viola, apresentado por Inezita Barroso e que vai ao ar aos Sábados e Domingos pela TV Cultura de São Paulo-SP.

    Desde cedo, Alcides demonstrou sua paixão pela Música, cantando e compondo. Sua carreira artística ganhou força quando formou juntamente com sua esposa Maria de Lourdes Souza (nascida também em Formiga-MG no dia 19/08/1934) a dupla "Nonô e Naná". O casal havia se conhecido ainda na infância em sua cidade-natal.

    Foi com apenas 12 anos de idade que Alcides adotou o pseudônimo de Nonô Basílio e, nessa época, já se apresentava com os "Irmãos Azevedo", que faziam sucesso na emissora de rádio de Formiga-MG. E Maria de Lourdes, a Naná, apresentava-se num teatro amador local, ao passo que Nonô cuidava da parte musical do mesmo. Até que em 1938, Nonô Basílio deixou o conjunto dos Irmãos Azevedo o qual havia se transformado numa orquestra.

    Antes porém de formar a dupla com Naná, Nonô Basílio seguiu para São João D'el Rey-MG em 1946, onde estudou Instrumentos de Sopro na Corporação Musical Teófilo Otoni. Em seguida, Nonô seguiu para a Paulicéia Desvairada, onde tentou formar dupla com seu irmão Dudu Basílio que no entanto desistiu e decidiu retornar para Formiga-MG.

    Foi em 1950 que Nonô conheceu o renomado trio Luizinho, Limeira e Zezinha na Rádio Tupi de São Paulo-SP. E eles gravaram em 1951 o corrido "Cantando Sempre" (Nonô Basílio - Mauro Pires).

    Nonô Basílio passou então a ter suas composições gravadas por Luizinho, Limeira e Zezinha, "Palmeira e Biá" e também "Jeca Mineiro e Mineirinho".

    E foi com Jeca Mineiro e Lúcio Sampaio que Nonô Basílio formou o Trio "Seresteiros do Sul" que se apresentou com sucesso na Rádio Cultura de São Paulo-SP.

    E, em 1953, celebrou-se o casamento de Alcides com Maria de Lourdes, o qual teve como padrinhos a dupla Cascatinha e Inhana.

    Desfeito o "Trio Seresteiros do Sul", Nonô voltou a se dedicar à sua antiga profissão que era a de alfaiate. Junto com Maria de Lourdes, costumava cantar nas horas vagas e o casal foi percebendo que as vozes se combinavam e finalmente formaram a dupla "Nonô e Naná" (foto acima à direita).

    Seguiram-se diversas apresentações em festas, shows de caridade, clubes e salões e também apresentações na Rádio Emissora ABC de Santo André-SP e também no programa de Zacarias Mourão na Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP, além do programa de Blota Jr. na Record (nesse último, Nonô e Naná foram apresentados por Cascatinha e Inhana, em 1956).

    Nonô e Naná gravaram o primeiro disco em 1957 na Todamérica, gravadora que era dirigida pelo Cascatinha. Também continuaram com as apresentações em circos e teatros das cidades do interior.

    Além de 10 LP's gravados pela dupla, em 1971, Nonô e Naná participaram do filme "No Rancho Fundo", de Osvaldo de Oliveira.

    Em 1996, Nonô e Naná gravaram o último disco e único CD da dupla, "Nossa Última Lembrança". Por essa época, Naná apresentava problemas na voz (desde 1980). E Nonô Basílio deixou esse mundo no ano seguinte à gravação do CD.

    Como compositor, Nonô Basílio é sem dúvida de fundamental importância para o nosso Cancioneiro Sertanejo; e um grande momento de sua carreira foi certamente o lançamento e o sucesso de “Mágoa de Boiadeiro”, que ele compôs em parceria com Índio Vago (ver mais detalhes sobre Índio Vago, no Museu do Boiadeiro Moacyr Fabiano, na página dedicada aos Três Botucatuenses) e também no resumo biográfico do compositor, nessa mesma página.

    Essa belíssima composição foi gravada por dezenas de diferentes intérpretes, tais como Pedro Bento e Zé da Estrada, Sérgio Reis, Ouro e Pinguinho e outros mais.

    Calcula-se que Nonô Basílio tenha mais de 500 composições, às quais foram gravadas pelos mais variados artistas, tais como Luizinho, Limeira e Zezinha, Cascatinha e Inhana, Pedro Bento e Zé da Estrada, Mário Zan, Nenete e Dorinho, Duo Ciriema, Irmãs Galvão, Tonico e Tinoco e Sérgio Reis, apenas para citar alguns.

    Como compositor, Nonô Basílio teve como um dos mais constantes parceiros o acordeonista Mário Zan, com quem compôs, entre outras, o xote "Criança Sapeca" (gravada pelo próprio Mário Zan), o baião "Vovó Caduca" (gravado pelo Duo Ciriema) e a Tupiana "Linda Forasteira" (gravada pelo Duo Irmãs Celeste.

    E, por falar em "Tupiana", de acordo com a jornalista e pesquisadora Rosa Nepomuceno em seu excelente livro "Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio", Nonô Basílio, em 1956, juntamente com Mário Zan, foi o criador do novo rítmo que é "uma espécie de guarânia, com maior influência da música dos Índios Tupi-Guaranis, em compasso 3 x 4, com batidas ritmadas marcadas pelo tambor".

    Face à "invasão" dos rítmos paraguaios em nossa Música, principalmente na Região do Mato Grosso do Sul, Nonô Basílio e Mário Zan resolvem criar o novo ritmo de resistência dentro da Música Brasileira.

    Curiosamente o próprio Mário Zan havia sido antes um dos principais expoentes da introdução de tais elementos vindos "de fora" em nossa Música Brasileira, como por exemplo, a célebre "Chalana" (Mário Zan - Arlindo Pinto) que é uma Guarânia e foi composta às margens do Rio Paraguai, na cidade de Corumbá-MS.

    A primeira Tupiana foi "Alvorada Tupi" gravada na RCA Victor pelo Duo Irmãs Celeste. O Duo Irmãs Celeste e também os próprios autores chegaram a gravar outras "Tupianas". Tal ritmo, no entanto, não atingiu o grande público e não foi grande sucesso de vendas. De acordo com Mário Zan, a Tupiana "... não pegou, não teve divulgação. Naquele tempo não existia mídia, hoje qualquer bobagam que você fala tem repercussão."

    E além da criação da Tupiana juntamente com Mário Zan, Nonô Basílio compôs suas músicas nos mais variados ritmos, tais como Boleros, Cururus, Tangos, Valsas, Canções Rancheiras e Xotes, entre outros.

    Algumas composições de Nonô Basílio:

  • Abandono (Nonô Basílio)
  • Abecê Do Amor (Nonô Basílio)
  • A Dança Do Amor (Nonô Basílio)
  • Agradecimento (Nonô Basílio)
  • Água Mole Em Pedra Dura (Nonô Basílio)
  • Amigo Até Morrer (Nonô Basílio)
  • Arena Do Amor (Nonô Basílio - Antônio Celso)
  • Bambolê (Nonô Basílio - Mário Zan)
  • Baton No Colarinho (Nonô Basílio)
  • Berrante Da Saudade (Nonô Basílio)
  • Boiadeiro Beija-Flor (Nonô Basílio)
  • Calendário da Vida (Nonô Basílio - Mário Zan)
  • Canta Moçada (Nonô Basílio - Tonico - Nhô Fio)
  • Cantando Prá Goiás (Nonô Basílio)
  • Cantando Sempre (Nonô Basílio - Mauro Pires)
  • Cartão Vermelho (Nonô Basílio)
  • Cerne de Aroeira (Lourival dos Santos - Jesus Belmiro - Vicente P. Machado)
  • Chapéu Furado (Nonô Basílio)
  • Coisinha Fofa (Nonô Basílio - Osmar Zan)
  • Colibri (Nonô Basílio - Zé do Rancho)
  • Conselho De Amigo (Nonô Basílio - Piraci)
  • Coração De Pai (Nonô Basílio)
  • Criança Sapeca (Nonô Basílio - Mário Zan)
  • Desilusão (Nonô Basílio)
  • Desprezada (Nonô Basílio)
  • Desquite (Nonô Basílio - Biguá)
  • Devoção (A Dança De São Gonçalo) (Nonô Basílio)
  • Diabinha Deixa Disso (Nonô Basílio - Rubens Avelino)
  • Dilema Da Vida (Nonô Basílio)
  • Doce Ilusão (Nonô Basílio - Zé Garcia)
  • Dormindo Só (Nonô Basílio)
  • Egoísta (Nonô Basílio - Sebastião Vitor)
  • Escrava Do Amor (Nonô Basílio - Osmar Zan)
  • Eterna Lembrança (Nonô Basílio)
  • Festinha Do Papai (Nonô Basílio - Osmar Zan)
  • Forró Do Zero A Zero (Nonô Basílio)
  • Gauchinha Boiadeira (Nonô Basílio)
  • Grande Verdade (Nonô Basílio)
  • Hino Sertanejo (Nonô Basílio)
  • Hoje Eu Não Posso Ficar (Nonô Basílio - Tião Carreiro)
  • Homenagem À Mamãe (Nonô Basílio - Mário Zan)
  • Largando Brasa (Nonô Basílio - Henrique de Almeida - Brasinha)
  • Linda Forasteira (Nonô Basílio - Mário Zan)
  • Mágoa De Boiadeiro (Nonô Basílio - Índio Vago)
  • Mais Uma Lição (Nonô Basílio)
  • Mais Um Drama Da Vida (Nonô Basílio)
  • Mal de Amor (Nonô Basílio - Tião Carreiro)
  • Meu Juramento (Nonô Basílio)
  • Meu Sofrimento (Nonô Basílio - Nhô Belarmino - Nhá Gabriela)
  • Meu Tempo De Criança (Nonô Basílio)
  • Minha História (Nonô Basílio - Tião Carreiro)
  • Minha Vida Em Tuas Mãos (Nonô Basílio - Osmar Zan)
  • Motivo De Saudade (Nonô Basílio)
  • Mulher Ciumenta (Nonô Basílio - Palmeira)
  • Mulher Valente (Nonô Basílio)
  • Não Bebo Mais (Nonô Basílio)
  • Nome De Mãe (Nonô Basílio - Barreto)
  • O Milagre Da Fé (Nonô Basílio)
  • Onde Canta O Sabiá (Nonô Basílio)
  • O Rei Dos Reis (Nonô Basílio)
  • Orgulho De Caboclinha (Nonô Basílio)
  • Papel De Madalena (Nonô Basílio)
  • Prova De Amor (Nonô Basílio)
  • Recordar É Sofrer (Nonô Basílio - Osmar Zan)
  • Restaurante Do Papai (Nonô Basílio - Osmar Zan)
  • Rostinho Colado (Nonô Basílio - Aldo Reis)
  • Saudade Da Mamãe (Nonô Basílio)
  • Sem O Teu Amor (Nonô Basílio - Valdemar Salomão)
  • Sinto-Me Bem (Nonô Basílio)
  • Solidão (Nonô Basílio - Miguel Ângelo)
  • Sou Igual A Um Passarinho (Nonô Basílio)
  • Terra Sempre Terra (Nonô Basílio)
  • Tudo bem... Tudo bem (Nonô Basílio)
  • Um Bom Exemplo (Nonô Basílio - Tito Neto)
  • Uma Casa De Caboclo (Nonô Basílio)
  • Vamos Cochichar (Nonô Basílio - Sertãozinho)
  • Velho Macho (Nonô Basílio)
  • Vovó Caduca (Nonô Basílio - Mário Zan)



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    Palmeira:

    Diogo Mulero, o Palmeira, nasceu em Agudos-SP em 1918 e faleceu em São Paulo-SP no dia 29/06/1967. O sucesso do "Menino da Porteira" (Teddy Vieira - Luizinho) mostrou-nos o que a cidade de Ouro Fino-MG significa para a Música Caipira Raiz. Nessa cidade mineira, existe também a "Rua Diogo Mulero", que homenageia um dos maiores compositores e cantores brasileiros, que cantou em Dupla com Piraci, Luizinho e Biá. Piraci, por outro lado, também é nome de rua em sua cidade natal, Piracicaba-SP: Rua Miguel Lopes Rodrigues.

    A dupla, formada por Diogo Mulero, o Palmeira, e Miguel Lopes Rodrigues, o Piraci (abreviação de "Piracicabano") (Piracicaba-SP. 1917 - Caieiras-SP, 1974), teve início em 1941 na Rádio São Paulo, a convite de Oduvaldo Viana e, logo em seguida, no Rio de Janeiro-RJ, gravou seu primeiro disco na RCA-Victor, destacando-se "Carro de Boi" (Capitão Furtado e Orlando Puzone).

    No Rio de Janeiro-RJ, a dupla se apresentou, também, na Rádio Nacional e no Cassino Atlântico. Foi nessa época, na Cidade Maravilhosa, que Piracicabano "abreviou" seu nome artístico para "Piraci". Em 1945, Palmeira e Piraci voltaram pra São Paulo e foram trabalhar na Rádio Difusora no programa "Longe da cidade". Em São Paulo, atuaram também no legendário programa "Arraial da Curva Torta", produzido e apresentado pelo Capitão Furtado, (Ariowaldo Pires, sobrinho de Cornélio Pires, conforme já foi mencionado nesse site).

    Palmeira e Piraci compuseram diversas outras músicas, sozinhos e também com parceiros. Ainda no mesmo ano gravaram um disco 78 RPM juntamente com Tonico e Tinoco que, no Lado A, gravaram "Em Vez de Me Agradecê" (Capitão Furtado - Jayme Martins - Aymoré); e, no Lado B, Palmeira e Piraci gravaram a Moda de Viola "Salada Internacional" (Palmeira - Piraci - Ariowaldo Pires).

    Em 1946, a dupla se separou e Palmeira passou a cantar em dupla com Luizinho (Luiz Raimundo - São Paulo-SP, 1916 - São Paulo-SP, 1983). A Dupla foi logo contratada pela Rádio Tupi de São Paulo e, pela Continental, lançou seu primeiro disco com destaque para "Burro Picaço" (Anacleto Rosas Jr. - Geraldo Costa) e "Cavalo Preto" (Anacleto Rosas Júnior).

    Em 1950 "Palmeira e Luizinho" foram contratados pela RCA-Victor, onde gravaram diversos sucessos. No mesmo ano, com a sanfoneira Zezinha, formaram o "Trio Orgulho do Brasil", que logo se desfez.

    Palmeira e Luizinho foram considerados os "Criadores da Música Campeira" e contaram para seu repertório com dois dos principais Compositores Caipiras da época, Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr. Também cantavam freqüentemente acompanhados pela acordeonista Zezinha.

    Em 1953, Palmeira e Luizinho gravaram o último disco pois, logo depois, a dupla se desfez. Palmeira formou então a Dupla com Biá; e Luizinho formou a Dupla com Limeira (foi inclusive a Dupla que, pela primeira vez, gravou o célebre "Menino da Porteira" (Teddy Vieira - Luizinho), em 1955).

    Biá (Sebastião Alves da Cunha - o Sabiá - Coromandel-MG, 1927), que até então fazia dupla com Mariano, passou a integrar com Palmeira a dupla "Palmeira e Biá" (foto à direita) a partir de 1953.

    Em São Paulo-SP, foram contratados pela Rádio Piratininga, para fazer um programa semanal, toda Terça-Feira às 21 horas. A dupla trabalhou acompanhada pelo Sanfoneiro Alberto Calçada (célebre por excelentes interpretações de diversas Valsas de Zequinha de Abreu, tais como "Branca", "Aurora", "Tardes em Lindóia", "Último Beijo" e "Rosa Desfolhada".

    Em seu primeiro ano de atuação, a dupla "Palmeira e Biá" gravou 10 discos 78 RPM, numa média de quase um por mês. Gravaram além de composições próprias, outras músicas, de conhecidos e renomados compositores, tais como Teddy Vieira e Nhô Pai.

    No ano seguinte, em 1954, a dupla passou a se apresentar juntamente com o célebre acordeonista Mário Zan em excursões por vários estados do Brasil. A dupla manteve o mesmo ritmo de gravações do ano anterior, com lançamentos sucessivos, dentre os quais, a toada "Couro de Boi", (Palmeira - Teddy Vieira), que além de grande sucesso, tornou-se um clássico da Música Caipira. E, no ano seguinte, em 1955 lançaram mais um grande sucesso, "Disco Voador" (Palmeira). No mesmo ano gravaram a toada "Carmen Miranda" (Palmeira - Capitão Barduíno), que foi uma homenagem à Pequena Notável que havia falecido naquele ano nos Estados Unidos.

    E em 1956, "Palmeira e Biá" gravaram o bolero "Boneca Cobiçada" (Biá - Bolinha), o maior sucesso da dupla com mais de 500 mil cópias vendidas e que se tornou um clássico da MPB, tendo sido regravado inúmeras vezes, por diversos artistas, como por exemplo, Carlos Galhardo. "Boneca Cobiçada" virou filme com o mesmo nome e tornou-se um marco da Música Sertaneja, por incluir novas temáticas, além de novos arranjos e nova instrumentação.

    "Palmeira e Biá" ficaram conhecidos como "Os Coronéis da Música Sertaneja".

    Não podemos nos esquecer de que Teddy Vieira também foi um parceiro constante de Palmeira e juntos compuseram o já mencionado "Couro de Boi", obra que se tornou um clássico da nossa Música Caipira Raiz, conforme já mencionado acima.

    Palmeira assumiu também o cargo de Diretor Artístico do Setor Sertanejo, na RCA-Victor e, em 1958, foi contratado pela Chantecler como Diretor Geral.

    Mas, em 1965, Palmeira e Biá se separaram e Biá passou a fazer dupla com seu irmão Sílvio, o Biazinho. (Biá também chegou a cantar em dupla com Dino Franco de 1972 até o início da década de 80).

    Palmeira continuou compondo e foi creditado a ele o lançamento do cantor Francisco Petrônio, a quem entregou "Valsa da Saudade" (Palmeira e Zairo Marinoso), que logo faria suspirar os corações brasileiros, além dos célebres sucessos "O Amor Mais Puro" (Palmeira) e também "O Baile da Saudade" (Palmeira - Zairo Marinoso), a célebre valsa que nos leva a um maravilhoso passado de belas danças em compasso ternário e excelentes bandas tocando no coreto da praça!

    Aliás, merece destaque aqui uma curiosidade sobre "O Baile da Saudade": deixemos que o próprio Francisco Petrônio, em seu Site Oficial nos conte como aconteceu essa composição: "...na volta do SHOW, em meu carro e com meu amigo violonista Zairo Marinoso, sem querer comecei a cantarolar instintivamente o tema da música que viria a chamar-se "O Baile Da Saudade", e a letra e as rimas vinham se encaixando rapidamente, e com a participação do Zairo montei uma grande parte da música no caminho de volta, mas houve ai um grande detalhe: quando cheguei em casa às três horas da madrugada, antes de dormir eu gravei música e letra, deixando-a registrada no gravador. Quando acordei às nove da manhã, não me lembrava de mais nada, apenas recordei-me da gravação e ato continuo telefonei para a Continental onde o Palmeira tinha assumido a direção artística, e pedi a ele que terminasse a letra da musica, o que imediatamente foi feito. Rapidamente gravada, não deu outra... foi um sucesso total. Embora tivesse sito co-autor da música e letra "O Baile da Saudade" fiz questão de não colocar o meu nome como autor no disco prestigiando meus dois companheiros..."

    Ver também logo adiante, no resumo biográfico de Piraci, o CD "Palmeira e Piraci - Caboclinho Apaixonado" - RVCD-181, contendo todas as 21 gravações deixadas em 78 RPM pela dupla Palmeira e Piraci, lançado pela excelente gravadora Revivendo!


    Algumas composições de Palmeira:

  • Adeus Morena (Palmeira - Piraci)
  • Arroz À Carretera (Palmeira - Mário Zan - José Paniguel)
  • Baião da Serra Grande (Palmeira - Fred Williams)
  • Boiadeiro Triste (Palmeira - Mário Zan)
  • Caboclinho Apaixonado (Serrinha- Palmeira - Piraci)
  • Carmen Miranda (Palmeira - Capitão Barduíno)
  • Carta Para O Expedicionário (Capitão Furtado - Palmeira)
  • Céu de Goiás (Palmeira - Biá)
  • Congada De Ouro Fino (Palmeira)
  • Couro de Boi (Palmeira - Teddy Vieira)
  • Curimbatá (Palmeira - Mário Zan)
  • Disco Voador (Palmeira)
  • Ébrio De Amor (Ramoncito Gomes - Palmeira)
  • Festa Na Roça (Mário Zan - Palmeira)
  • Louvação A São Gonçalo (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • Nóis Na Oropa (Palmeira - Piraci)
  • O Amor Mais Puro (Palmeira)
  • O Baile da Saudade (Palmeira - Zairo Marinoso)
  • O Burro Canário (Palmeira)
  • O Milagre De Tambaú (Teddy Vieira - Palmeira)
  • O Mundo Daqui A Cem Anos (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • O Nariz Da Mulher (Capitão Furtado - Palmeira)
  • O Segredo Está No Molho (Arlindo Pinto - Palmeira)
  • Os Homens Não Devem Chorar (Nova Flor) (Mário Zan - Palmeira)
  • Paraguaya Pepita De Oro (Capitão Furtado - Palmeira)
  • Paraná do Norte (Palmeira)
  • Recordações (Mário Zan - Palmeira)
  • Resposta do Couro de Boi (Palmeira - Biá)
  • Salada Internacional (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • São Judas Tadeu (Palmeira - Luizinho)
  • Sina Do Beija-Flor (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • Vai De Roda (Teddy Vieira - Mário Zan - Palmeira)
  • Valsa Da Saudade (Palmeira e Zairo Marinoso)
  • Você Já Viu O Cruzeiro? (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • Volta Comigo Morena (Palmeira - Piraci)



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    Patativa do Assaré:

    "Não tenho tendência política; sou apenas revoltado contra as injustiças que venho notando desde que tomei algum conhecimento das coisas provenientes talvez da política falsa, que continua fora do programa da verdadeira democracia."

    Patativa do Assaré, em sua Auto-Biografia, presente no site do Clube dos Cordelistas da Internet - CORDELON - Literatura de Cordel.

    Antônio Gonçalves da Silva nasceu no dia 05/03/1909 no sítio Serra de Santana, a 3 léguas da cidade de Assaré-CE e faleceu no dia 08/07/2002 também em Assaré-CE. Foi o segundo filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva, pequenos proprietários rurais.

    Em 1913, com 4 anos de idade, Antônio ficou cego do olho direito, no período da dentição, devido a uma doença conhecida como "dor-d'olhos". E quando contava 8 anos, em 28/03/1917, faleceu o Sr. Pedro e a pequena propriedade da família acabou sendo dividida entre os 5 filhos que ficaram (quatro homens e uma mulher). Conseqüentemente o menino teve que trabalhar bastante, ao lado do irmão mais velho, para poder sustentar os mais novos, na extrema pobreza em que a família ficou.

    Aos 12 anos de idade foi que Antônio passou a freqüentar uma escola, atrasadíssima por sinal, e na qual passou apenas 4 meses, sem interromper o trabalho na agricultura. Mesmo assim, ele já saiu da escola lendo o segundo livro de Felisberto de Carvalho, livro pelo qual ele foi alfabetizado e, desde então, nunca mais sentou nos "bancos escolares", mas passou a lidar com as Letras, sempre que encontrava algum tempo.

    Desde cedo, Antônio já tinha a paixão pela Poesia: alguém lia os versos e ele "tinha que demorar para ouvi-los"... E, entre 13 e 14 anos de idade, começou a fazer versinhos que falavam sobre as Brincadeiras das Noites de São João, a Queima de Judas, o plantio nas roças e também o "ataque aos preguiçosos" (que deixavam o mato estragar os plantios das roças).

    E, aos 16 anos de idade, Antônio conseguiu uma Viola (a qual havia sido trocada por uma ovelha) e começou a cantar de improviso, de acordo com tradição dos Cantadores Nordestinos. No entanto, nunca quis fazer profissão, apesar de sempre cantar e recitar quando alguém o convidava.

    Em 1928 Antônio viajou para Belém-PA, com José Alexandre Montoril que era primo de sua mãe e morava na Capital Paraense. Foi numa visita ao Assaré-CE, para matar saudades de seu "torrão natal", que José Alexandre havia ouvido falar dos versos do jovem repentista e pediu à Dona Maria que o deixasse ir com ele para Belém-PA, prometendo o custeio das despesas. Apesar de bastante chorosa, Dona Maria confiou o filho ao seu primo que tratou Antônio como se fosse um filho.

    Antônio passou 5 meses em Belém do Pará. Seu primo José Alexandre apresentou-o ao tabelião José Carvalho de Brito, que era nascido no Crato-CE, e que estava trabalhando na publicação de seu livro "O Matuto Cearense e o Caboclo do Pará" (que, por sinal, possui um capítulo referente ao Patativa do Assaré e o motivo da sua viagem ao Pará). E foi nesse período em Belém-PA que Antônio ganhou de José Carvalho o apelido de "Patativa", dada a pureza de sua poesia comparada com o canto da ave nordestina.

    No Estado do Pará, Patativa apresentou-se nas "colônias" (núcleos de nordestinos que migraram para aquele Estado Brasileiro) e fez também o percurso pela ferrovia de Belém-PA a Bragança-PA. Segundo o próprio Patativa do Assaré em sua Auto-Biografia, "...passei naquele estado apenas 5 meses, durante os quais não fiz outra coisa, senão cantar ao som da Viola com os cantadores que lá encontrei. De volta do Ceará, José Carvalho deu-me uma carta de recomendação, para ser entregue à Dra. Henriqueta Galeno, que recebendo a carta, acolheu-me com muita atenção em seu Salão, onde cantei os motes que me deram".

    De volta ao Assaré-CE, seu "torrão natal", visitou a Casa de Henriqueta e Juvenal Galeno, onde Patativa se apresentou numa noite festiva, tendo conhecido o poeta das "Lendas e Canções Populares". E, na Serra de Santana, por outro lado, continuou na mesma vida de pobre agricultor. O próprio Patativa do Assaré nos diz em sua Auto-Biografia: "...desde que comecei a trabalhar na agricultura, até hoje, nunca passei um ano sem botar a minha roçazinha; só não plantei roça, no ano em que fui ao Pará".

    Em 06/01/1936, com 27 anos incompletos, Patativa do Assaré se casou com Belarmina Paes Cidrão, a dona Belinha, que lhe deu 14 filhos, 7 dos quais vieram a falecer.

    Em 1940 Patativa passou a se apresentar com Violeiros em sítios e festas no Sertão do Cariri. Conheceu em 1955 José Arraes de Alencar, que transcreveu seus poemas, por meio de Moacir Mota, filho de Leonardo Mota. E em 1956, foi publicado pela primeira vez o livro "Inspiração Nordestina", por Borsi Editor, do Rio de Janeiro.

    Apesar de ser semiletrado, Patativa do Assaré é conhecido e respeitado como sendo um dos maiores repentistas e poetas nordestinos sem no entanto enveredar pela vida itinerante de cantador, mas sim, permanecendo na agricultura. Dedicou-se principalmente ao canto das coisas de sua terra e sua gente.

    Sua primeira composição gravada foi "A Triste Partida", em 1964, na belíssima voz de Luiz Gonzaga, o inesquecível Rei do Baião! Nessa belíssima composição musical, é narrada a triste saga do Nordestino que, sem nenhuma esperança com a seca que castiga o Sertão e a chuva que nunca chega, se vê obrigado a vender barato o pouquinho que possui, botar a família num caminhão, rumo a São Paulo, onde também vive como escravo, sofrendo desprezo, devendo ao patrão... É muito difícil ouvir atentamente os quase 9 minutos desse verdadeiro poema cantado, na voz do Gonzagão, sem que nos venham as lágrimas nos olhos!

    Eis a letra do belíssimo poema que é "A Triste Partida" (Patativa do Assaré):


    Setembro passou, com Oitubro e Novembro
    Já tamo em Dezembro,
    Meu Deus, que é de nóis?
    Assim fala o pobre do seco Nordeste,
    Com medo da peste,
    Da fome feroz.

    A treze do mês ele fez a experiença,
    Perdeu sua crença
    Nas pedra de sá.
    Mas nôta experança com gosto se agarra,
    Pensando na barra
    Do alegre Natá.

    Rompeu-se o Natá, porém barra não veio,
    O só, bem vermeio,
    Nasceu munto além.
    Na copa da mata, buzina a cigarra,
    Ninguém vê a barra,
    Pois barra não tem.

    Sem chuva na terra descamba Janêro,
    Depois, Feverêro,
    E o mêrmo verão
    Entonce o Nortista, pensando consigo,
    Diz: - isso é castigo,
    Não chove mais não!

    Apela pra Março, que é o mês preferido
    Do Santo querido,
    Sinhô São José.
    Mas nada de chuva! Tá tudo sem jeito,
    Lhe foge do peito
    O resto da fé.

    Agora pensando ele ségui ôtra tria,
    Chamando a famía
    Começa a dizê:
    - Eu vendo mau burro, meu jegue e o cavalo,
    Nós vamo a São Palo
    Vivê ou morrê.

    - Nós vamo a São Palo, que a coisa tá feia;
    Por terras aleia
    Nós vamo vagá.
    Se o nosso destino não fô tão mesquinho,
    Cá pro mêrmo cantinho
    Nós torna a vortá.

    E vende o seu burro, o jumento e o cavalo,
    Inté mêrmo o galo
    Vendêro também,
    Pois logo aparece feliz fazendêro,
    Por pôco dinhêro
    Lhe compra o que tem.

    Em um camião ele joga a famía;
    Chegou o triste dia,
    Já vai viajá.
    A seca terrive, que tudo devora,
    Lhe bota prá fora
    Da terra natá.

    O carro já corre no topo da serra.
    Oiando prá terra,
    Seu berço, seu lá,
    Aquele nortista, partido de pena,
    De longe acena:
    - Adeus, Meu lugá!

    No dia seguinte, já tudo enfadado,
    E o carro embalado,
    Veloz a corrê,
    Tão triste, o coitado, falando saudoso,
    Com seu fio choroso
    Escrama, a dizê:

    - De pena e sodade, papai, sei que morro!
    Meu pobre cachorro,
    Quem dá de comê?
    Já ôtro pergunta: - Mãezinha, e meu gato?
    Com fome, sem trato,
    Mimi vai morrê!

    E a linda pequena, tremendo de medo:
    - Mamãe, meus brinquedo!
    Meu pé fulô!
    Meu pé de rosêra, coitado, ele seca!
    E a minha boneca
    Também lá ficou.

    E assim vão dexando, com choro e gemido,
    Do berço querido
    O céu lindo e azul.
    Os pai, pesaroso, nos fio pensando,
    E o carro rodando
    Na estrada do Sul.

    Chegaro em São Palo sem cobre, quebrado.
    O pobre, acanhado,
    Percura um patrão.
    Só vê cara estranha, de estranha gente,
    Tudo é diferante
    Do caro torrão.

    Trabaia dois ano, três ano e mais ano,
    E sempre nos prano
    De um dia vortá.
    Mas nunca ele pode, só vive devendo,
    E assim vai sofrendo
    É sofrê sem pará.

    Se arguma notícia das banda do Norte
    Tem ele por sorte
    O gosto de ouvi,
    Lhe bate no peito sodade de móio,
    E as água dos óio
    Começa a caí.

    Do mundo afastado, ali veve preso,
    Sofrendo desprezo,
    Devendo ao patrão.
    O tempo rolando, vai dia vem dia,
    E aquela famía
    Num vorta mais não!

    Distante da terra tão seca mas boa,
    Exposto à garôa,
    À lama e ao paú,
    Faz pena o Nortista, tão forte, tão bravo,
    Vivê como escravo
    No Norte e no Su.




    Clique aqui e ouça Luiz Gonzaga interpretando "A Triste Partida" (Patativa do Assaré), numa gravação oriunda do LP "A Triste Partida", lançado pela RCA em 1964. Arquivo Musical pertencente ao excelente site Luiz Lua Gonzaga, o qual convido o Apreciador a visitar!


    Outra belíssima composição de Patativa que alcançou bastante sucesso foi "Vaca Estrela e Boi Fubá", gravada por Fagner em 1980, tendo sido gravada também por excelentes intérpretes tais como Rolando Boldrin, Sérgio Reis e Pena Branca e Xavantinho.

    Apesar de tão pouco tempo nos "bancos escolares", Patativa do Assaré foi Doutor Honoris Causa em três Universidades: a Universidade Regional de Cariri, a Universidade Federal do Ceará (UFCE) e a Universidade Tiradentes de Sergipe. Mesmo sem estudo, discutia com maestria a arte de versejar. Patativa também lançou quatro livros de poesias: "Inspiração Nordestina" (1956), "Patativa do Assaré" (1970), "Canto da Patativa" (1976) e "Cante Lá Que Eu Canto Cá" (1978).

    A poesia intuitiva e de alto teor social que Patativa do Assaré escreveu passou a ser estudada a partir da década de 1970 pela cadeira de Literatura Popular Universal, na Universidade da Sorbonne na França.

    Em 1979, com a produção do cantor cearense Raimundo Fagner, a gravadora Epic (hoje Sony Music) lançou o LP "Patativa do Assaré", no qual o poeta declama versos de sua autoria, dentre os quais: "A Triste Partida", "O Retrato do Sertão", "Lamento de um Nordestino" e "Casinha de Palha", entre outros.

    E, em 1981, também com a produção de Fagner, Patativa lançou pela CBS (hoje Sony Music) o segundo LP, também com declamação de poemas de sua autoria, dentre os quais "A Terra É Naturá".

    Em 1995, em Fortaleza-CE, por ocasião do recebimento da medalha José de Alencar, que o homenageou pelos seus 85 anos de vida, foi lançado o LP "Patativa do Assaré: 85 anos de poesia".

    Consta que em 2002 foram relançados em CD os dois LPs gravados em 1979 e 1981 numa parceria da Fundação Demócrito Rocha e da Fundação Raimundo Fagner.

    Entre diversas dificuldades em sua trajetória, Patativa do Assaré sofreu também um atropelamento na avenida Duque de Caxias em Fortaleza-CE no dia 13/08/1973, acidente esse que lhe deixou seqüelas e ele passou a usar uma perna mecânica. E, no dia 15/05/1994, perdeu sua esposa, a Dona Belinha que veio a falecer nesse dia, após 58 anos de casamento.

    Patativa do Assaré também atuou politicamente, tendo sido perseguido durante o regime militar. E, no ano de 1984, participou da campanha pelas "Diretas Já", tendo subido no palanque em Fortaleza para declamar seus poemas ao lado de diversos políticos brasileiros. E em 1986 apoiou a candidatura de Tasso Jereissati ao governo do Estado do Ceará.

    Mas Patativa do Assaré sempre se manteve ativo em seus 93 anos de vida, tendo participado de diversos eventos, tais como o "Seminário 80 Anos de Patativa do Assaré" (1989), além de "Patativa do Assaré - 80 Anos de Vida e Poesia" (30/11/1989 no BNB Clube em Fortaleza-CE). Apresentou-se juntamente com Téo Azevedo, no teatro das Nações em São Paulo-SP e, juntamente com Fagner no Memorial da América Latina, também na Capital Paulista, no mesmo ano de 1989.

    Patativa participou também do evento "Fortaleza das Violas" no BNB Clube nos dias 26 e 27/01/1990 como convidado especial juntamente com Otacílio Batista e Geraldo Amâncio. E, em 1993, teve participação na novela "Renascer" na Rede Globo e, no mesmo ano, foi também entrevistado pelo Jô Soares, no "Jô Onze e Meia" que na época ia ao ar pelo SBT. Lançou também em 20/11/1993 a "Caixa Cordéis do Patativa" (editada pela SECULT, com apoio da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, na Casa de Juvenal Galeno, em Fortaleza-CE).

    E em 1999 por ocasião da comemoração de seus 90 anos, foi inaugurado o Memorial Patativa do Assaré, em sua cidade natal, no Estado do Ceará.

    E, em 1993, Patativa do Assaré foi internado três vezes com problemas pulmonares e também na vesícula. E esse Poeta e Repentista que soube colher como poucos a poesia da terra seca e do povo humilde do Sertão do Ceará, deu seu último suspiro no dia 08/07/2002, em Assaré, sua cidade-natal, após falência múltipla dos órgãos após tanto sofrimento com pneumonia dupla, infecção na vesícula e problemas renais. Seu corpo repousa no Cemitério São João Batista, em Assaré-CE.

    Clique aqui e veja uma Cronologia da Vida de Patativa do Assaré que faz parte do Jornal de Poesia a cargo de Soares Feitosa.

    Clique aqui e veja um artigo intitulado "Patativa do Assaré, o Pássaro Repentista e Seus 90 Verões de Gorjeio Poético" no site Música Nordestina que é um Projeto Experimental em Comunicação pelos alunos Cláudio Carvalho Moreira e Zezão Castro da Universidade Federal da Bahia - UFBA.

    Clique aqui e ouça "Patativa do Assaré" (Emmanuel Sampaio - Gilton Della Cella), interpretada pelo Pedrinho Sampaio, que é uma belíssima homenagem a esse Grande Poeta que foi o Patativa do Assaré.

    Ou então, se preferir, Clique aqui e faça o download do Arquivo PPS (Slides) - Justa Homenagem com a mesma Melodia, além de fotos e informações sobre essa belíssima Composição!

    Esse Arquivo Musical, bem como o Arquivo PPS, foi gentilmente fornecido pelo Compositor Emmanuel de Castro Sampaio, residente em Salvador-BA.

    Algumas composições de Patativa do Assaré:

  • Adeus
  • (Patativa do Assaré)
  • A Estrada Da Minha Vida (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • A Triste Partida
  • (Patativa do Assaré)
  • Barriga Branca (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • Cada Um No Seu Lugar (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • Cante Lá Que Eu Canto Cá
  • (Patativa do Assaré)
  • Casinha De Palha
  • (Patativa do Assaré)
  • Dor Gravada
  • (Patativa do Assaré)
  • Lamento De Um Nordestino (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • Mãe Preta (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • Maria Gulora (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • Menino De Rua (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • O Inferno, O Purgatório E O Paraíso
  • (Patativa do Assaré)
  • Óios Redondo (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • O Poeta Da Roça (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • O Rádio ABC
  • (Patativa do Assaré)
  • O Retrato Do Sertão
  • (Patativa do Assaré)
  • Poética
  • (Patativa do Assaré)
  • Rosa e Rosinha (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • Saudade (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • Senhor Doutor
  • (Patativa do Assaré)
  • Um Cearense Desterrado (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)
  • Vaca Estrela E Boi Fubá (Patativa do Assaré)
  • Viva O Povo Brasileiro (Patativa do Assaré - Téo Azevedo)



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    Piraci:

    Miguel Lopes Rodrigues, filho de Francisco Lopes Rodrigues e Encarnación Puga Rodrigues, nasceu em Piracicaba no Bairro dos Marins em 1917 e faleceu em Caieiras-SP, em 1974. Iniciou seu trabalho artístico em 1937, em dupla com o irmão Santiago Lopes (os “Irmãos Piracicabanos”). E, num período de 4 anos, Os “Irmãos Piracicabanos” se apresentaram em shows, que incluíam “causos”, bom humor e um pouco de Música Caipira.

    Em 1941, Miguel passou a cantar em dupla com Diogo Mullero, o Palmeira, surgindo então na Rádio Difusora de São Paulo, a dupla caipira que veio a ser uma das mais importantes (se não a mais importante) da década seguinte: Palmeira e Piracicabano.

    Influenciado por Antenor Serra (o Serrinha) e também por Ariowaldo Pires (o Capitão Furtado), “Palmeira e Piracicabano” se mudaram para o Rio de Janeiro onde gravaram o primeiro disco, na RCA Victor e que alcançou grande repercussão em todo o Brasil. O disco continha as músicas “Mulheres Célebres” (Capitão Furtado - Bandeirante) e “Carro de Boi” (Capitão Furtado - Orlando Puzone), que são respectivamente a 2ª. e a 3ª. faixa do CD "Palmeira e Piraci - Caboclinho Apaixonado" - RVCD-181, da Revivendo, mencionado logo abaixo.

    E, conforme já foi dito logo acima no resumo biográfico de Palmeira, Miguel Lopes Rodrigues, na Cidade Maravilhosa, aceitando sugestão do padrinho e amigo Zé da Zilda, mudou seu nome artístico (Piracicabano) para "Piraci" e a dupla adotou o nome definitivo “Palmeira e Piraci” (foto da dupla à direita).

    Em 1944, a dupla retornou à Paulicéia Desvairada. Na Capital Paulista, “Palmeira e Piraci” participaram dos programas “Longe da Cidade” e “Arraial da Curva Torta”, este último produzido e apresentado pelo renomadíssimo Capitão Furtado. A dupla na época passou a gravar na Continental.

    Em 1945, desfez-se a dupla “Palmeira e Piraci”. Ambos então saíram à procura de parceiros e formaram novas duplas: “Palmeira e Luizinho” e “Piraci e Jorginho”, estes últimos que logo ficaram conhecidos como “Os Garimpeiros da Música Sertaneja”.

    Outra dupla formada foi também “Piraci e Guarani”, a qual se desfez em 1952. Nesse mesmo ano, outra parceria: “Piraci e Cuiabá” que existiu como dupla até 1957. Embora tendo sido parcerias de curta duração, Piraci participou de 4 duplas de sucesso em 17 anos.

    Em 1950, de seu casamento com Natalina Gornik (falecida em 1992), nasceu sua única filha, em 1951, Veranice Gornik Rodrigues, que foi presenteada com a valsa “Veranice” (gravada por Carlinhos Mafazzoli).

    Desfeita a dupla com Cuiabá, Piraci passou a se dedicar mais ao Humorismo, viajando em companhia de Mário Zan. O excelente acordeonista e célebre compositor ("Chalana" e "Nova Flor - Os Homens Não Devem Chorar", entre outras) ainda era desconhecido na época. Piraci assumiu também muitas outras atividades, incluindo a que mais gostava: viajar por todo o Brasil divulgando a Música Caipira e o Riquíssimo Folclore Brasileiro. Nas “Rodas de Cururu” das quais participava, estava sempre ao lado de João Chiarini, estudioso de Folclore.

    No Setor Sertanejo da gravadora Chantecler, Piraci foi responsável direto pelo lançamento de discos de “Cururueiros” tais como Parafuso, Pedro Chiquito, Nhô Serra e Moreno entre outros. Também foi Piraci quem lançou duplas famosas como o Duo Glacial e o “Duo Brasil Moreno”, e Piraci também teve participação na Chantecler no lançamento da Dupla Coração do Brasil Tonico e Tinoco.

    Suas composições ultrapassando a casa das trezentas, continuam sendo cantadas, pelos mais renomados intérpretes, como por exemplo, Irmãs Galvão, Sérgio Reis e Zico e Zeca.

    Foi em 1970, em seu apartamento na Avenida São João, que Piraci compôs juntamente com Lourival dos Santos o célebre “Rio de Lágrimas”, que homenageia o famosíssimo Rio de Piracicaba que banha a sua Terra Natal. Além de Tião Carreiro e Pardinho, centenas de diferentes intérpretes gravaram a célebre composição, entre os quais, Tonico e Tinoco, Sérgio Reis, Renato Teixeira e Almir Sater. Foi realmente uma das músicas do Nosso Cancioneiro que atingiu um dos mais altos índices de regravações. Lembrar que dos três compositores de “Rio de Lágrimas” (Piraci – Lourival dos Santos – Tião Carreiro), Piraci foi o único que realmente nasceu em Piracicaba.


    Na foto abaixo, uma vista do Rio Piracicaba, com Arco-Íris, após uma rápida "chuva de verão", na tarde de 10/03/2007:




    Na foto abaixo, Ricardinho no "Mirante" do Rio Piracicaba na tarde de 10/03/2007:




    E, na foto abaixo, Netinha e Ricardinho na margem do Rio Piracicaba no dia 11/03/2007:




    Em 1975, ano seguinte à sua morte, Piraci foi homenageado em Piracicaba, onde seu nome, Miguel Lopes Rodrigues, foi perpetuado com o nome de uma das ruas da cidade.

    Não deixe de ver também uma excelente biografia de Piraci no site http://www.piraci.art.br a ele dedicado, que possui também alguns links com pequenos trechos de composições célebres de sua autoria, incluindo a valsa “Veranice”, composta em homenagem à sua única filha.


    Para nossa felicidade, todas as 21 gravações deixadas em 78 RPM pela dupla Palmeira e Piraci estão remasterizadas no CD "Palmeira e Piraci - Caboclinho Apaixonado" - RVCD-181 lançado pela excelente gravadora Revivendo com um excelente trabalho de León Barg em termos do resgate das preciosas gravações históricas, que vão de 1942 a 1945, muitas das quais disponíveis apenas em 78 RPM até então! A 21ª. faixa é a histórica gravação de "Salada Internacional" (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci) que ocupava o Lado B do disco 78 RPM Nº. 15.385-B, da Continental (Matriz 10-249), gravada em Abril de 1944 e lançada em Julho de 1945. Conforme já foi mencionado, no Lado A desse "bolachão", foi gravada a música "Em Vez De Me Agradecê" (Capitão Furtado - Jaime Martins - Aimoré) que foi a estréia em disco da célebre dupla Tonico e Tinoco, gravação essa que também foi lançada pela Revivendo no CD "Tonico e Tinoco - Nossas Primeirias Gravações" - RVCD-220.

    Além das gravações históricas resgatadas, os CD's da Revivendo também presenteiam o Apreciador com excelentes encartes contendo dados biográficos do artista, além das letras das músicas, explicações sobre as mesmas e os dados originais constantes no selo do "bolachão" 78 RPM!

    Parabéns, mais uma vez, León Barg!!!


    Algumas composições de Piraci:

  • Abre a Janela (Capitão Barduíno - Piraci)
  • A Carta Do Expedicionário (Capitão Furtado - Piraci)
  • Adeus Morena (Palmeira - Piraci)
  • Adeus, Morena, Adeus (Luiz Alex - Piraci)
  • Ai Meu Bem (Geraldo Costa - Piraci)
  • As Três Verdades (Lourival dos Santos - Piraci)
  • Boiadeiro de Fama (Piraci - Lourival dos Santos)
  • Caboclinho Apaixonado (Serrinha - Palmeira - Piraci)
  • Casando Fugido (Piraci - Antônio P. de Toledo)
  • Conselho De Amigo (Nonô Basílio - Piraci)
  • Encontro Divino (Piraci - Ado Benatti)
  • Falou e Disse (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Piraci)
  • Goiano Valente (Piraci – Nenete)
  • Gostinho de Saudade (Piraci - João Pacífico)
  • Lembrando Meu Bem (Piraci - Zico)
  • Louvação A São Gonçalo (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • Não Fico Mais Na Cidade (Jaime Martins - Piraci)
  • Nóis Na Oropa (Palmeira - Piraci)
  • Nossa Senhora Da Guia (Dr. Alves Lima - Piraci)
  • O Mundo Daqui A Cem Anos (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • Rio de Lágrimas (Lourival dos Santos - Tião Carreiro – Piraci)
  • Salada Internacional (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • Sina Do Beija-Flor (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • Triste Lembrança (Piraci - Ado Benatti)
  • Vencendo Sempre (Piraci - Lourival dos Santos)
  • Veranice (Piraci)
  • Viola Cabocla (Piraci - Tonico)
  • Você Já Viu O Cruzeiro? (Capitão Furtado - Palmeira - Piraci)
  • Você Sabe Onde Eu Moro (Piraci - Geraldo Costa)
  • Volta Comigo Morena (Palmeira - Piraci)



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    Roberto Stanganelli:

    "Confesso que ao ouvir algumas composições do jovem acordeonista e compositor Rob Stan, senti que esse moço é mais um grande valor que surge no cenário da Música Popular Brasileira ".

    (comentário do compositor e poeta Arlindo Pinto impresso num volume de diversas partituras de Roberto Stanganelli)



    "Venho acompanhando com interesse, de uns tempos a esta parte, a carreira ascencional do jovem compositor Rob Stan. Sua sensibilidade artística vem lhe caracterizando um valor incomum, mercê da originalidade dos seus temas musicais. Seu mérito elevado e digno, bem justifica a situação que gosa de componente da União dos Compositores. Seu slogan de 'O Caçula dos Compositores', por ser esse o mais jovem Compositor Brasileiro, nos permite prognosticar para ele, espectativas de um futuro promissor e venturoso. Auguro Rob Stan que as musas continuem a te inspirar sublimes poemas musicais para êxtase do teu espírito, gáudio da tua legião de 'fans' e glória para o patrimônio artístico de nossa terra ".

    (comentário do compositor Teddy Vieira impresso num volume de diversas partituras de Roberto Stanganelli)



    "A Música é uma subida que não cansa".

    (Roberto Stanganelli)



    Esse notável Acordeonista, Compositor, Escritor e Produtor Fonográfico nasceu em Guaranésia-MG no dia 24/02/1931. Filho de Maria Vitória Villan Stanganelli e Pedro Stanganelli, Roberto foi o décimo-quarto dos quinze filhos do casal.

    Roberto contava apenas 12 anos de idade e sua mãe, que era parteira, havia viajado para São Paulo-SP para assistir o parto de seu neto, que era filho de um dos 15 filhos do casal e que já morava há algum tempo na Capital Paulista.

    Foi quando Roberto decidiu trocar sua Guaranésia natal pela Paulicéia Desvairada, movido por sua paixão musical. Estudou Acordeon no Conservatório Musical Brasileiro e começou também a despertar sua "veia" de Compositor. E, no início da carreira, era conhecido carinhosamente como Rob Stan.

    E foi entre 13 e 14 anos de idade que Roberto Stanganelli abraçou a Doutrina Espírita, inspirado pelo respeitadíssimo Médium Chico Xavier, por quem sempre teve profunda admiração. Desde o período da adolescência, Roberto já cultivava uma atitude sempre positiva e encarava a vida de uma forma otimista. E esse modo de pensar Roberto escreveu em diversos livros de Mensagens Otimistas e Pensamentos Positivos.

    Como exemplos de livros edificantes escritos por Roberto Stanganelli, podemos citar "A Bíblia Do Otimismo" (Editora Tríade - ISBN - 146881), "Coragem Para viver" (Edições Culturama) e "De Vencido A Vencedor" (Editora Ícone), apenas para citar alguns.

    "De Vencido A Vencedor" foi por sinal o seu primeiro livro publicado. Tendo de início o nome "E A Vida Continua", o livro teve seu nome modificado para o nome pelo qual o conhecemos atualmente, por sugestão de seu amigo, o compositor Diogo Mulero, o Palmeira.

    Como Compositor e Solista de Acordeon, Roberto Stanganelli estreou em disco na década de 1950, com "Coração de Criança" (Roberto Stanganelli) e "Princesa Isabel" (Roberto Stanganelli), um 78 RPM gravado pela CID. Além de suas primeiras interpretações, foram também suas primeiras composições gravadas.

    "Coração de Criança" por sinal, ganhou algum tempo depois uma letra escrita pelo Capitão Furtado, e a mesma passou a ser conhecida como "Sua Majestade A Criança" (Roberto Stanganelli - Capitão Furtado).

    Roberto Stanganelli teve desde o início suas composições gravadas por diversos intérpretes, dentre as quais, podemos destacar a belíssima valsa "Cidade de Santos" (Roberto Stanganelli - Dr. Luciano Mazzei Nogueira) que foi gravada por José Béttio em 1954 (o famosíssimo Zé Béttio, também conhecido pelo seu famoso programa, inicialmente na Rádio Record, e atualmente na Rádio Capital, é também excelente Solista de Acordeon). A rancheira "Festa Gaúcha" (Roberto Stanganelli) e o xote "Sempre Sorrindo" (Roberto Stanganelli) foram gravadas em 1958 pelo Sexteto Guarany na gravadora Chantecler. E em 1960, José Béttio gravou seu bolero "Bis Para o Amor" (Roberto Stanganelli).

    José Béttio também gravou em 1961 pelo selo Sertanejo o maxixe "Tudo Certo" (Roberto Stanganelli - José Béttio). Em 1963 a quadrilha "Festa de São João" (Roberto Stanganelli - Sertãozinho) foi gravada na gravadora Caboclo por Pedro Sertanejo (que mais tarde também passou a ser produtor fonográfico). Isso apenas para citar alguns exemplos.

    Roberto Stanganelli é também produtor fonográfico e diversos excelentes nomes da Música Caipira Raiz foram lançados graças ao seu incentivo. Podemos citar, por exemplo, a primeira gravação das Irmãs Galvão, que foi "Canta Com A Natureza" (Roberto Stanganelli) em 1955, gravação na qual Roberto Stanganelli participou solando o Acordeon e Zé Paioça, narrando o belíssimo poema!

    Também foi produção de Roberto Stanganelli as duas primeiras gravações da jovem dupla formada pelos "Irmãos Lima" (filhos do Paranaense Mário Antônio Lima que também já havia cantado em dupla com João Mineiro - "Joãozinho e Marinho" - o mesmo João Mineiro que formou depois a dupla com Marciano). "Chitãozinho e Chororó" (Serrinha - Athos Campos) e "Moreninha Linda" (Tonico - Priminho - Maninho) foram gravadas por José Lima Sobrinho e Durval de Lima, que ainda possuiam vozes infantis e bem afinadas e, na gravação, podemos também ouvir no refrão, um coro no qual participaram Athos Campos e o Capitão Furtado. José e Durval, inicialmente os "Irmãos Lima", receberam e aproveitaram a sugestão de adotar para a dupla um nome "mais caipira" e hoje eles são famosíssimos como a dupla Chitãozinho e Xororó. Acima e à esquerda, um verdadeiro Documento Histórico assinado por Mário Antônio Lima quando do recebimento da quantia de Cr$ 400,00 (Quatrocentos Cruzeiros) referentes à gravação do primeiro LP da jovem dupla.

    Para nossa felicidade, as gravações de "Canta Com A Natureza" (Roberto Stanganelli) na voz das Irmãs Galvão e de "Chitãozinho e Chororó" (Serrinha - Athos Campos) e "Moreninha Linda" (Tonico - Priminho - Maninho) nas vozes da jovem dupla Chitãozinho e Xororó estão presentes no CD "O Melhor Do Sertão" - BR-1020 - Brasis - Distribuído pela Movieplay, que também é mais um excelente trabalho produzido por Roberto Stanganelli!

    Também tenho uma gratidão especial por Roberto Stanganelli, pois é de sua autoria a linda valsa "Saudades de Santos" (Roberto Stanganelli - Dr. Luciano Mazzei Nogueira) que ele compôs em homenagem à cidade de Santos que foi a cidade onde foi celebrado o casamento do compositor e é também a cidade-natal de Ricardinho, o criador desse site. Roberto Stanganelli compôs a belíssima melodia para Acordeon em 1954 (a qual foi gravada por José Béttio, conforme já mencionado) e o Dr. Luciano Mazzei Nogueira compôs a belíssima letra em 1960. Na foto acima e à direita, Roberto Stanganelli e Ricardinho, numa conversa bastante agradável em 30/03/2005, na Capital Paulista.

    Roberto Stanganelli é autor de inúmeras composições nos mais diversos ritmos tais como Valsas, Choros, Polcas, Boleros, Sambas, Rasta-Pés, Toadas, etc. e, também compôs diversas obras-primas em parceria com renomados compositores do quilate de Ariowaldo Pires, Paulo Barreiros, Francisco Barreto, Belmiro, Sulino, Martins Neto, Hélio Cavanaghi, Tonico e Rodolfo Vila, apenas para citar alguns. São mais de 2000 composições, muitas das quais gravadas por renomados intérpretes tais como Tonico e Tinoco, Silveira e Silveirinha, Belmiro e Bueno, Caçula e Marinheiro, Sulino e Marrueiro, Irmãs Galvão, Cascatinha e Inhana, Charanga e Chará, além do próprio Roberto Stanganelli, solando suas próprias composições no Acordeon. E muitas de suas composições ainda permanecem inéditas!! Na foto acima e à esquerda, Roberto Stanganelli, Neusinha do Acordeon e Ricardinho, numa tarde descontraída em 30/03/2005 na Paulicéia Desvairada!


    "Não escreveremos um livro sem antes aprendermos o Alfabeto: assim é na Música: não chegaremos a compor ou executar grandes peças musicais sem antes passarmos pelos estudos das semi-breves e dos cansativos exercícios".

    (Roberto Stanganelli)




    Na foto abaixo, Ricardinho e Roberto Stanganelli, noutro encontro descontraído no dia 24/05/2007:




    Na foto abaixo, minha Esposa (Netinha) e Roberto Stanganelli, no dia 24/05/2007:




    Na foto abaixo, Roberto Stanganelli, no dia 24/05/2007, com um exemplar de seu Livro "De Vencido A Vencedor":




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Ricardinho, Oswaldo Galhardi (Esposo de Laura e Produtor da Dupla Leyde e Laura) e Roberto Stanganelli, numa tarde descontraída no dia 26/11/2008:




    Na foto abaixo, o Radialista José Francisco (que apresenta junto com Maikel Monteiro o Programa Brasil Caboclo nos 630 kHz da Rádio Paraná Educativa (e-Paraná) - AM de Curitiba-PR, no ar todos os Domingos Das 07:00 às 09:00 da manhã), e Roberto Stanganelli, no mesmo encontro descontraído no dia 26/11/2008:





    Roberto Stanganelli "desencarnou" quando contava seus 79 anos de idade, "provavelmente" no dia 24/09/2010, na Capital Paulista, onde residia há vários anos. "Data provavel", já que seu corpo foi encontrado em seu apartamento, sentado no sofá, alguns dias depois...

    De acordo com comentários de diversos amigos, Roberto Stanganelli parece ter partido para o "Andar de Cima", de uma forma serena, com a consciência tranqüila, de bem com a Vida e, possivelmente, "sem sofrimento"...

    Roberto trabalhava na preservação de seus diversos livros, digitalizando-os em CD-Rom, na época em que deixou esse mundo...

    Roberto Stanganelli: Receba de Ricardinho essa singela homenagem...


    Algumas composições de Roberto Stanganelli:

  • Abismo (Roberto Stanganelli - Paraguassú)
  • Acordeon Manhoso (Roberto Stanganelli)
  • A Garota Do Biquini Vermelho (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • A Grande Luz (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto - Ari Guardião)
  • A Humanidade Está Mudada (Roberto Stanganelli - Rodolfo Vila)
  • Alma Desesperada (Roberto Stanganelli)
  • Arrasta-Pé Da Meia-Noite (Roberto Stanganelli)
  • Até O Sol Nascer (Roberto Stanganelli - Francisco Ribeiro)
  • Até O Sol Raiar (Roberto Stanganelli)
  • Baião Dos Escoteiros (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Barba Azul (Roberto Stanganelli - Evandro)
  • Beija-Me Com Ternura (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Bendita Hora (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Bis Para O Amor (Roberto Stanganelli)
  • Brasil Gigante (Roberto Stanganelli - Belmiro)
  • Canta Com A Natureza (Roberto Stanganelli)
  • Chorando No Céu (Roberto Stanganelli)
  • Chuva De Rosas (Roberto Stanganelli)
  • Coisinha Boa (Roberto Stanganelli)
  • Como Eu Gosto De Você (Roberto Stanganelli - Sebastião Do Rojão)
  • Conseqüência Da Bebida (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Conversa de Papagaio (Roberto Stanganelli - José Béttio)
  • Coração Amoroso (Roberto Stanganelli)
  • Coração Que Chora (Roberto Stanganelli)
  • Coração Solitário (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Coragem Para Viver (Roberto Stanganelli - francisco Barreto)
  • De Coração Para Coração (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Deixa-Me Chorar (Roberto Stanganelli)
  • Deixe Que Leve (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • De Vencido A Vencedor (Roberto Stanganelli - Ari Guardião - Tonico)
  • Dona Chiquinha (Roberto Stanganelli)
  • Duvido (Roberto Stanganelli - Roberto Nunes)
  • Encha O Coração De Fé (Roberto Stanganelli - Ari Guardião)
  • Esqueça Coração (Roberto Stanganelli - Roberto Nunes)
  • Estrela Por Uma Noite (Roberto Stanganelli)
  • Feliz Semeador (Roberto Stanganelli)
  • Festa De São João (Roberto Stanganelli - Sertãozinho)
  • Festa Gaúcha (Roberto Stanganelli)
  • Fingido (Roberto Stanganelli)
  • Gata Borralheira (Roberto Stanganelli)
  • Hoje É Meu Aniversário (Roberto Stanganelli - Tonico)
  • Humilhação (Roberto Stanganelli)
  • Lágrimas De Quem Ama (Roberto Stanganelli)
  • Mensagem De Amor (Roberto Stanganelli - Luizito Peixoto)
  • Meu Passado (Roberto Stanganelli - Rodolfo Vila)
  • Minha Última Noite (Roberto Stanganelli - Waldick Soriano)
  • Moça Bonita (Roberto Stanganelli - Santana)
  • Mulata Danada (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Não Deixa Cair (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Não Me Julgue Mal (Roberto Stanganelli)
  • Não Quero Mais Sofrer (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Nossa Senhora De Maio (Roberto Stanganelli - Hélio Cavenaghi)
  • O Canto Triste Da Ema (Roberto Stanganelli - Valdeci)
  • Olhar De Boneca (Roberto Stanganelli)
  • O Seresteiro (Roberto Stanganelli - Maria Vitória)
  • Pé Na Estrada (Roberto Stanganelli)
  • Por Que Sofrer? (Roberto Stanganelli)
  • Primeiro A Esposa (Roberto Stanganelli - Roberto Nunes)
  • Rosa Das Rosas (Roberto Stanganelli - Maria Vitória)
  • Samba Amoroso (Roberto Stanganelli)
  • Samba Do Lavrador (Roberto Stanganelli - Ipalúcia)
  • Sanfoneiro Feliz (Roberto Stanganelli)
  • Saudade De Porto Alegre (Roberto Stanganelli - Paraguassú)
  • Saudades De Santos (Roberto Stanganelli - Dr. Luciano Mazzei Nogueira)
  • Seja Feliz (Roberto Stanganelli - Roberto Nunes)
  • Sepultura Larga (Roberto Stanganelli - Sulino)
  • Sempre Sorrindo (Roberto Stanganelli)
  • Sua Majestade A Criança (Roberto Stanganelli - Capitão Furtado)
  • Sublimidade (Roberto Stanganelli)
  • Tenho Fome E Tenho Sede (Roberto Stanganelli - Sulino)
  • Testamento De Um Pobre Velho (Roberto Stanganelli - Martins Neto)
  • Tire O Olho Gordo (Roberto Stanganelli - Italucia)
  • Todinha Prá Mim (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Trenzinho Do Amor (Roberto Stanganelli - Maria Vitória)
  • Tudo Certo (Roberto Stanganelli - José Béttio)
  • Um Dia Sentirás Saudades (Roberto Stanganelli)
  • Valsa De Carroussel (Roberto Stanganelli)
  • Vamos Em Frente (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto)
  • Vatapá De Iaiá (Roberto Stanganelli - Francisco Barreto - Ari Guardião)
  • Velho Amor (Roberto Stanganelli - Hélio Cavenaghi)
  • Velho Sozinho (Roberto Stanganelli - Hélio Cavenaghi)
  • Vestido De Chita (Roberto Stanganelli)



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    Sulino:

    Francisco Gottardi nasceu na Fazenda Santa Cecília, Comarca de Castilho, próximo a Penápolis-SP no dia 10/04/1924 e faleceu em São Paulo-SP no dia 30/07/2005. Com apenas 6 anos de idade, já trabalhava na dura lida do campo, sabendo plantar, colher e cultivar qualquer tipo de cereal. Filho e neto de Violeiros, também cantava e se acompanhava ao Cavaquinho.

    Francisco era o mais velho dos sete filhos e ficou órfão de mãe em 1940, com 16 anos de idade e, além do trabalho na roça, passou a ter que cozinhar e dar banho nos irmãos mais novos, inclusive no irmão caçula que tinha apenas 8 meses de vida.

    No ano de 1941, seu pai se casou pela segunda vez e a família se mudou da fazenda para o município de Castilho, onde Francisco trabalhou como carroceiro, transportando cereais das lavouras para os armazéns.

    Em 1942, Francisco adotou o nome artístico de Limeira e, juntamente com Amélio Posso, formou a dupla "Limeira e Limeirinha", a qual se desfez em 1945.

    Francisco se casou com Leonor em 28/07/1945, com quem teve duas filhas: Isabel Gottardi Marçal e Ivanilde de Oliveira Gottardi. O casamento completou 60 anos dois dias antes do falecimento de Sulino, quando este contava 81 anos de idade!

    Após a separação da dupla "Limeira e Limeirinha", Francisco formou com João Rosante (que nasceu em Bocaina-SP em 1916 e faleceu em São Paulo-SP em 1978) e com o sanfoneiro Castelinho (que havia atuado na Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP) o "Trio Campeiro", o qual também se desfez rapidamente. Algumas biografias mencionam que João Rosante nasceu em Jaú-SP, o que não deixa de ser verdade, já que Bocaina-SP, na época, era um Distrito de Jau-SP.

    Francisco adotou então, no mesmo ano de 1945, o nome artístico de Sulino e teve origem a dupla "Sulino e Marrueiro". João Rosante, o Marrueiro, na verdade era antes o Ninão que havia deixado o "Trio Saudade", do qual fazia parte juntamente com Nininho e Nenete).

    O primeiro disco 78 RPM foi gravado em 1949 pela Copacabana, com as músicas "Morena de Olhos Pretos" (Sulino - Teddy Vieira) e "Corumbá" (Teddy Vieira - Ado Benati).

    Após uma curta separação, Sulino e Marrueiro se uniram novamente em 1952, e estrearam o programa "Brasil Caboclo" do Capitão Barduino na Bandeirantes. Três anos depois, passaram a fazer parte do programa "Alma da Terra", juntamente com Nhá Serena, o humorista Saracura e o compositor Ado Benatti, na Rádio Tupi, também na Capital Paulista.

    A partir de então, Sulino começava a se celebrizar também como compositor e foram lançadas pela dupla várias de suas composições célebres, tais como "Abismo Cruel" (Sulino - Zé Fortuna), "Mandamento do Chofer" (Sulino - Ado Benatti), "Florisbela" (Sulino - Zé do Rancho), "A Volta de Curumbá" (Ado Benatti - Sulino - Nhô Pai), "A Volta do Boiadeiro" (Sulino - Teddy Vieira), "Peão da Cidade" (Sulino - Moacyr dos Santos), "O Peão e o Ricaço" (Sulino - Moacyr dos Santos) e "Tenho Fome e Tenho Sede" (Sulino - Roberto Stanganelli), apenas para citar algumas.

    Após o falecimento do Marrueiro em 1978, Sulino chegou a formar uma nova dupla com Amarito e juntos gravaram mais alguns discos, entre 1978 e 1982. Desconheço até o momento qualquer relançamento em CD da dupla Sulino e Amarito.

    Sulino presidiu o juri dos Festivais da Rádio Record em 1978 e foi também diretor artístico do Setor de Música Sertaneja da RGE (adquirida recentemente pela Som Livre) até 1984. E em 1987, Sulino foi um dos fundadores do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - ECAD.

    Além das célebres composições musicais, Sulino também escreveu diversas Peças de Teatro às quais foram apresentadas com sucesso em diversos circos pelo Brasil, dentre elas, "Volta do Boiadeiro", "Quatro Caminhos", "Quatro Pistoleiros a Caminho do Inferno", "Vingança se Escreve Com Sangue" e "Cada Bala Uma Sepultura".

    E, no Hospital Bandeirantes, em São Paulo-SP, um infarto fulminante "transportou Sulino para o Andar de Cima", no dia 30/07/2005, quando o Compositor contava 81 anos de idade. Seu corpo foi cremado no Crematório da Vila Alpina em São Paulo-SP. Dois dias antes, em 28/07/2005, Sulino e sua esposa Leonor de Souza Gottardi haviam completado 60 anos de casados! Além da esposa Leonor, Sulino deixou duas filhas, três netos e uma neta: Isabel Gottardi Marçal (mãe de Maurício Gottardi Marçal e André Luis Gottardi Marçal) e Ivanilde de Oliveira Gottardi (mãe de Francis Gottardi de Oliveira e Giselle Gasparini).


    Clique aqui, veja e ouça "Erro Judiciário" (Sulino - Dr. Antônio Carlos), numa interpretação a cargo do próprio Sulino, no excelente Programa Viola Minha Viola, apresentado pela "Madrinha" Inezita Barroso e que foi ao ar pela TV Cultura de São Paulo-SP no ano de 1994. Essa belíssima Moda de Viola (também gravada pela Dupla Luiz Faria e Silva Neto,) conta a história dos Irmãos Naves que foram presos (inocentes) e barbaramente torturados até confessar sua suposta culpa num crime que não cometeram. Esse caso foi verídico e é conhecido como um dos maiores erros judiciários no Brasil e ocorreu na época do "Estado Novo".


    Algumas composições de Sulino:

  • Abismo Cruel (Sulino - Zé Fortuna)
  • A Boiada Do Araguaia (Sulino)
  • Adeus Ingrata (Fernandes - Sulino)
  • A Lenda Do Caipora (Sulino)
  • Ambição (Moacir dos Santos - J. Ferreira - Sulino)
  • Aniversário da Mamãe (Sulino - Nelson Gomes)
  • A Volta do Boiadeiro (Sulino - Teddy Vieira)
  • A Volta do Corumba (Ado Benatti - Sulino)
  • Boiadeiro de Passos (Sulino)
  • Boi Fumaça (Moacyr dos Santos - Sulino)
  • Boi Meia Noite (Sulino - Antônio Maria)
  • Bom de Bico (Moacyr dos Santos - Sulino)
  • Bom Jesus de Iguape (Sulino - Teddy Vieira)
  • Caboclo do Pé Quente (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Castigo do Fazendeiro (Sulino - Roque José de Almeida)
  • Cidades de Mato Grosso (Sulino - João de Deus)
  • Cruel Desilusão (Sulino - Nelson Gomes)
  • Destino Sofredor (Sulino - José Fortuna)
  • Dia de Natal (Sulino - Corrente)
  • Duas Rosas (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Erro Judiciário (Sulino - Dr. Antônio Carlos)
  • Estranho Retrato (Sulino - Teddy Vieira)
  • Festa No Céu (Sulino - Augusto Toscano)
  • Flor Cobiçada (Anacleto Rosas Jr. - Sulino)
  • Flor Da Minha Alma (Sulino)
  • Florisbela (Sulino - Zé do Rancho)
  • Fui o Primeiro (Sulino - Requinto)
  • Gamei Por Você (Sulino)
  • Garça Branca (Sulino - Marrueiro)
  • Herói do Laço (Sulino)
  • Herói sem Medalha (Sulino)
  • Homenagem a Maracaju (Sulino)
  • Justiceiro do Oeste (Sulino)
  • Laço de Amor (Sulino - José Fortuna)
  • Laço de Couro (Sulino)
  • Laço Justiceiro (Sulino)
  • Mãe do Batistinha (Marrueiro - Sulino - Pedro Lopes Oliveira)
  • Mandamentos do Chofer (Sulino - Ado Benatti)
  • Menino Boiadeiro (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Mensagem de Teddy Vieira (Sulino - Toscano)
  • Mentira de Amor (Sulino - Zé Fortuna)
  • Meu Querido Sertão (Sulino - Quintino Elizeu)
  • Moça Namoradeira (Sulino - Teddy Vieira)
  • Morena Dos Olhos Pretos (Sulino - Teddy Vieira)
  • Não Me Diga Adeus (Sulino - Pereira - Guerrinha)
  • Nelore Valente (Sulino - Antônio Carlos da Silva)
  • Noite Triste (Sulino)
  • O Carro e a Faculdade (Sulino - José Fortuna)
  • O Erro da Professora (Sulino - Teddy Vieira)
  • O Jogador de Baralho (Moacyr dos Santos - Quintino Eliseu - Sulino)
  • O Justiceiro (Sulino)
  • O Milagre da Foto (Sulino - Paulo Calandro)
  • Onde Estejas (Sulino - Nelson Gomes)
  • O Peão e o Ricaço (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • O Pobre e o Rico (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • O Que é Dela é Meu (Sulino - Roberto Becker)
  • Passarinho Prisioneiro (Sulino - José Fortuna)
  • Peão da Cidade (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Prece À Nossa Senhora (Sulino - Nelson Gomes)
  • Preto e Branco (Moacyr dos Santos - Sulino)
  • Primeiro Filhinho (Sulino - Nelson Gomes)
  • Pura Verdade (Sulino - Moacyr dos Santos)
  • Quando A Lua Vem Surgindo (José Fortuna - Sulino)
  • Resposta de Bombardeio (Moacyr dos Santos - Sulino)
  • Semente do Desprezo (Sulino - José Rancheiro)
  • Se O Passado Voltasse (Sulino - Quintino Eliseu)
  • Sepultura Larga (Sulino - Roberto Stanganelli)
  • Tenho Fome e Tenho Sede (Sulino - Roberto Stanganelli)
  • Um Beijo Só (Moacyr dos Santos - Sulino)
  • Velho Peão (Sulino - Teddy Vieira)
  • Viola Amiga (Sulino - Quintino Elizeu)
  • Vizinha Fuchiqueira (Sulino - Lourival dos Santos - Moacyr dos Santos)



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    Teddy Vieira:

    O célebre compositor de “Menino da Porteira” (em parceria com Luizinho), Teddy Vieira de Azevedo, nasceu em Itapetininga-SP no dia 23/12/1922 e morreu em 16/12/1965, num acidente de carro na estrada, na região onde nasceu. Deixou cerca de 200 composições de sua autoria gravadas pelos mais destacados intérpretes da Música Caipira Raiz, tais como Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Mineiro e Manduzinho e Sérgio Reis, apenas para citar alguns.

    Teddy cursou o Primário em Itapetininga e os Estudos Secundários na Capital Paulista. Casou-se na cidade de Andradas-MG com América Risso Azevedo (já falecida) e, com ela teve seu filho conhecido por “Teddinho”.

    Tendo sido diretor da gravadora Columbia, foi Teddy Vieira que praticamente “criou” a dupla Tião Carreiro e Pardinho, em 1956. Também responsável pela criação de Zico e Zeca em 1957 e foi quem também lançou, algum tempo depois a dupla Liu e Léu (irmãos de Zico e Zeca).

    E foi por essa época, em 1955, que a dupla Luizinho e Limeira lançou pela RCA o registro histórico de um dos maiores clássicos da Música Caipira Raiz, de Teddy Vieira em parceria com Luizinho, o cururu "Menino da Porteira" (“Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino / De longe eu avistava a figura de um menino...”), regravada inúmeras vezes, inclusive por Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho e Sérgio Reis.

    Vale lembrar também que na cidade mineira de Ouro Fino existe um Monumento dedicado ao "Menino da Porteira", no trevo de entrada da cidade na Rodovia MG-290, erigido em homenagem à belíssima música que fala sobre a referida cidade. Na foto à direita, com Ricardinho, o criador desse site, em 02/05/2004.

    Ainda na mesma época, em 1956, um outro grande sucesso de Teddy Vieira e Muibo Cesar Curi, "João de Barro", teve sua primeira gravação a cargo da dupla “Mineiro e Manduzinho”. Gravada também por diversas outras duplas, "João de Barro" alcançou novo sucesso com a regravação feita por Sérgio Reis na década de 70, pouco tempo depois do sucesso renovado do “Menino da Porteira”, que foi, sem dúvida um marco na carreira artística do Serjão quando ele trocou o estilo “Jovem Guarda” pela Música Sertaneja.

    "Pagode em Brasília" (Teddy Vieira – Lourival dos Santos), de 1959, foi a primeira composição do gênero “Pagode” que havia sido criado por Tião Carreiro. Essa música, consagrada nas vozes de Tião Carreiro e Pardinho, fez sucesso na época da inauguração de Brasília. Teddy e Lourival foram inclusive homenageados pelo então Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira.

    Um acidente automobilístico, no entanto, tirou a vida de Teddy Vieira em 16/12/1965, quando ele voltava para a Capital Paulista, após ter realizado um show em Itapetininga, sua Cidade-Natal. Uma semana antes do seu 43º aniversário...

    Algumas composições de Teddy Vieira:

  • A Enxada e a Caneta (Teddy Vieira - Capitão Barduíno)
  • Amor Passageiro (Comendador Biguá - Teddy Vieira)
  • A Volta do Boiadeiro (Sulino - Teddy Vieira)
  • Boiadeiro Errante (Teddy Vieira)
  • Boiadeiro Punho de Aço (Teddy Vieira - Tião Carreiro - Pereira)
  • Bom Jesus De Iguape (Teddy Vieira - Sulino)
  • Capelinha de Chico Mineiro (Comendador Biguá - Teddy Vieira)
  • Catimbau (Teddy Vieira - Carreirinho)
  • Couro de Boi (Palmeira - Teddy Vieira)
  • Criador de Passarinho (Teddy Vieira - Biguá)
  • Delicadeza (Cumpadre Juvená - Teddy Vieira)
  • Dona Felicidade (Teddy Vieira)
  • Duas Jóias (Teddy Vieira)
  • Estranho Retrato (Teddy Vieira - Sulino)
  • Faz Um Ano (Waldick Soriano - Teddy Vieira)
  • Goiana (Tonico - Teddy Vieira)
  • Goiás Do Sul (Teddy Vieira - Jayme Ramos)
  • Irmão do Ferreirinha (Teddy Vieira - Carreirinho)
  • João De Barro (Teddy Vieira - Muibo César Cury)
  • Ladrão de Gado (Teddy Vieira - Nelson Gomes)
  • Ladrão de Terra (Moacyr dos Santos - Teddy Vieira)
  • Lenço Preto (Teddy Vieira - Laureano)
  • Moça Namoradeira (Teddy Vieira - Sulino)
  • Morena Dos Olhos Pretos (Sulino - Teddy Vieira)
  • Nove e Nove (Lourival dos Santos - Tião Carreiro - Teddy Vieira)
  • O Cavalo e a Lambreta (Arlindo Rosa - Teddy Vieira - Craveiro)
  • O Manto Sagrado (Teddy Vieira - Luizinho)
  • O Menino Caçador (Teddy Vieira)
  • O Menino da Porteira (Teddy Vieira - Luizinho)
  • O Milagre de Tambaú (Teddy Vieira - Palmeira)
  • O Mineiro e o Italiano (Teddy Vieira - Nélson Gomes)
  • Pagode em Brasília (Lourival dos Santos - Teddy Vieira)
  • Peão Do Rio Grande (Teddy Vieira - Alcino Freire)
  • Pescadô e Canoêro (Benedito Seviero - Biguá - Teddy Vieira)
  • Pretinho Aleijado (Teddy Vieira - Luizinho)
  • Preto de Alma Branca (Teddy Vieira - Lauripe Pedroso)
  • Preto Inocente (Teddy Vieira - Campão - Bento Palmiro)
  • Rei do Café (Carreirinho - Teddy Vieira)
  • Rei do Gado (Teddy Vieira)
  • Reisado (Teddy Vieira)
  • Relógio Quebrado (Teddy Vieira - José Russo)
  • Rosa Traiçoeira (Lauripes Pedroso - Teddy Vieira - Tatu)
  • Roubei Uma Casada (Lourival dos Santos - Teddy Vieira)
  • Sagrado Ofício (Teddy Vieira - Ado Benatti)
  • Santa Cruz da Serra (Benedito Seviero - Biguá - Teddy Vieira)
  • Terra Roxa (Teddy Vieira - Carreirinho)
  • Treze De Maio (Teddy Vieira - Riachão - Riachinho)
  • Triste Desengano (Zé Carreiro - Teddy Vieira)
  • Vai De Roda (Teddy Vieira - Mário Zan - Palmeira)
  • Velho Catireiro (Teddy Vieira - Roque José de Almeida)
  • Velho Peão (Sulino - Teddy Vieira)



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    Tião do Carro:

    Cantador, Violeiro e Compositor, João Benedito Urbano nasceu em Vargem Grande do Sul-SP no dia 17/01/1946 e faleceu em Campinas-SP no dia 28/02/2009. Alguns biógrafos citam Varginha-MG como sendo a cidade-natal de Tião do Carro; em entrevista ao Walter de Sousa, autor do excelente Livro "Moda Inviolada", na página 208, Tião do Carro menciona que "Sou registrado no Estado de São Paulo. Mineiro de nascença e Paulista de criação..."

    João Benedito iniciou sua Trajetória Musical duetando em "terços cantados" junto com sua família. Aos 6 anos de idade foi o "Foguetinho", cantando em Dupla com "Faisquinha". Em 1954, com apenas 8 anos de idade, começou a participar do programa "Na Fazenda do Boqueirão", na Rádio Difusora de São João da Boa Vista-SP.

    Em 1960, em sua adolescência, João Benedito seguiu para a Rádio Brasil de Campinas-SP. Nessa cidade, formou a dupla "João e Joca" e participou do Programa do Rivail, durante 5 anos.

    Foi com 20 anos de idade que João Benedito adotou o nome artístico Tião do Carro, nome com o qual ficou conhecido como Compositor e também como Intérprete nas diversas Duplas que formou.

    Seu primeiro disco foi um Compacto Simples de Vinil gravado em 1967, em Dupla com Piraquara, com destaque para "A Lei Da Chibata" (Jeca Mineiro).

    Em 1968, Tião do Carro mudou-se para a Capital Paulista, onde formou dupla com Mulatinho, com quem gravou dois LP's: "Na Boca Dos Leões", lançado em 1980 pelo selo Mourão da Porteira/K-Tel (KPL-16027), e "Nem Carro, Nem Boiada", lançado em 1982 pelo selo Rancho/Polygram (2493-423). Desconheço qualquer remasterização dos mesmos em CD.

    A Dupla "Tião do Carro e Mulatinho" durou 16 anos e teve fim com o falecimento de Mulatinho. "Do Mulatinho, acho que não me separaria nunca...", afirmou Tião do Carro em entrevista ao Walter de Sousa, autor do excelente Livro "Moda Inviolada", na página 209. Tião do Carro também considerava que nunca tinha tido muita sorte com as diversas Duplas que formou.

    Tião do Carro passou a cantar em Dupla com Maurício Moreira da Silva, o Pagodinho, natural de Londrina-PR.

    Foi num restaurante da Paulicéia Desvairada que Tião do Carro conheceu Pagodinho, que cantava nesse restaurante. Desse encontro, surgiu uma grande amizade e formou-se a Dupla "Tião do Carro e Pagodinho" que durou 12 anos e gravou cerca de dez discos, entre LP's e CD's. A maioria dos quais, infelizmente, fora de catálogo.

    De acordo com o "Cumpadre" Luiz Fernando, o Pagodinho também já foi conhecido pelo nome artístico de Oreco: "... Eu conheci muito o Oreco; viajamos muito com Zilo e Zalo, quando o Zilo estava recuperando do derrame, então o Oreco ia pra poder cantar com o Zalo, quando o Zilo não tava muito disposto. O Oreco recebeu esse nome quando ainda era Palhaço de Circo (Palhaço Oreco) e depois ele deixou o Circo e foi cantar na noite em São Paulo-SP, até que foi trabalhar como Músico num Regional num programa da Rede Vida, que o Mário Zan apresentava, e foi nessa época que ele começou a gravar com o Tião do Carro com o nome de Pagodinho."

    Tião do Carro também acompanhou durante vários anos o Criador e Rei do Pagode Tião Carreiro, tocando com ele nas gravações de diversos discos e fazendo solos de Viola. Tião do Carro também gravou com Zé do Rancho e com Rolando Boldrin!!!

    Em 1980, Tião do Carro gravou o disco "Uma Viola na Saudade". Desconheço, no entanto, a existência de qualquer remasterização do mesmo em CD.

    Em 1982, Pena Branca e Xavantinho gravaram no disco "Um Dupla Brasileira" as composições de Tião do Carro "Procissão de Gado" (José Caetano Erba - Xavantinho - Tião do Carro) e "Canção à Morena da Praia" (Xavantinho - Moacyr dos Santos - Tião do Carro). Para nossa felicidade, esse LP foi remasterizado em CD na década de 1990 e existe à venda!! É o segundo disco da inesquecível Dupla do Triângulo Mineiro!!!

    Em 1994, um ano após o falecimento do Criador e Rei do Pagode, Tião do Carro participou do CD "Saudades de Tião Carreiro", lançado pela Warner Music, tocando Viola e Violão e também com a participação de diversos artistas.

    Em 1999, Tião do Carro gravou com Jackson Antunes, tendo também a participação de Pagodinho, o CD "Jeitão de Caipira", onde interpretam, entre outras, composições do próprio Tião do Carro, como "Conversa de Caipira" (Tião do Carro) e "Francisco de Assis" (Tião do Carro - José Caetano Erba), além de "Clássicos Caipiras Raiz" como "A Coisa Tá Feia" (Tião Carreiro - Lourival dos Santos), "Chico Mulato" (João Pacífico - Raul Torres), "Terra Roxa" (Teddy Vieira - Carreirinho), "Ferreirinha" (Carreirinho), "A Vaca Já Foi Pro Brejo" (Tião Carreiro - Lourival dos Santos - Vicente Machado) e "Travessia do Araguaia" (Dino Franco - Décio dos Santos).

    Tião do Carro também formou Dupla com Talismã e com Zé Matão, com quem gravou, respectivamente os LP's "Mera Coincidência", em 1990, pelo selo Itaipu (GILP-666), e "Tião Do Carro e Zé Matão", pelo selo Tri-Som (LP-1031). Esse último, para nossa felicidade, foi remasterizado em CD pela Allegretto: O CD "Cheiro de Terra" (ALCD-00135).

    Tião do Carro, formou dupla também com o paranaense Odilon e, com ele, participou do Programa Viola Minha Viola que foi ao ar no dia 28/05/2003 pela TV Cultura de São Paulo, apresentado pela "Madrinha" Inezita Barroso, programa no qual também estiveram presentes Pena Branca com o conjunto "Mano Véio" e a dupla "César e Paulinho". No respectivo programa, predominaram Composições de José Caetano Erba.

    Tião do Carro e Odilon lançaram seu CD pela Gravadora Tocantins (GTL-CD-230), em Setembro de 2003, com destaque para diversas Modas de Viola bem autênticas, tais como "O Pintor" (Tião do Carro - José Caetano Erba), "O Homem e os Bichos" (Tião do Carro - Da Costa) e "O Cachorro e o Andarilho" (Tião do Carro - José Caetano Erba), apenas para citar algumas.

    Na foto ao lado, da esquerda prá direita, Tião do Carro, Ricardinho e Odilon, no dia 14/03/2004, por ocasião do II Encontro de Violeiros que teve lugar no Sítio do Pau D' Alho, na cidade de Ribeirão Preto-SP, quando tive o prazer de conhecer pessoalmente e assistir a uma excelente apresentação da Dupla "Tião do Carro e Odilon".


    E na foto abaixo, Ricardinho, Aparício Ribeiro e Tião do Carro, também no II Encontro de Violeiros, no dia 14/03/2004, em Ribeirão Preto-SP:




    Desfeita a Dupla, Odilon passou a cantar com o parceiro Rio Pardo (a Dupla "Rio Pardo e Odilon"), e Tião do Carro passou a cantar em Dupla com Adilon, por um curto espaço de tempo e, ao que consta, sem ter gravado nenhum CD.

    A título de curiosidade, voltei e me encontrar com Odilon, mais de 5 anos depois, por ocasião da posse da Diretoria da ASESP, quando ele já havia lançado o terceiro CD, juntamente com seu novo parceiro Rio Pardo.

    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, a Dupla "Rio Pardo e Odilon", o Compositor Ademar Braga e o Radialista Valdecir Matioli (que apresenta seu programa "Madrugada Especial" simultaneamente na Rádio ABC de Santo André-SP e na Rádio Atlântica de Santos-SP, diariamente das 00:00 às 05:00 da manhã), por ocasião da posse da Diretoria da ASESP - Associação Dos Sertanejos Da Música Raiz Do Estado De São Paulo-SP, no Teatro da UNIP (Campus Anchieta), no dia 21/11/2009:




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Rio Pardo, Ricardinho e Odilon, também por ocasião da posse da Diretoria da ASESP - Associação Dos Sertanejos Da Música Raiz Do Estado De São Paulo-SP, no Teatro da UNIP (Campus Anchieta), no mesmo dia 21/11/2009:




    Pouco tempo depois, Tião formou nova Dupla com Santarém, tendo gravado o CD "Espada Azul", pela Unimar Music (UNI186), com destaque para "Sonho de Caboclo" (Tião do Carro - Ademar Braga), "Velho Comandante" (Tião do Carro - José Caetano Erba), "O Preto Velho e o Tico-Tico" (Tião do Carro - José Pinto), além da faixa-título "Espada Azul" (Tião do Carro - Ademar Braga).

    No entanto, "Tião do Carro e Santarém" foi a última Dupla, e o CD "Espada Azul", foi o último disco desse Grande Cantador, Violeiro e Compositor, pois, no início de 2009, Tião do Carro foi internado na Santa Casa de Valinhos-SP, onde foi submetido a um cateterismo, o qual constatou a necessidade de uma cirurgia que, por sua vez, seria de alto risco.

    E um infarto calou a voz e silenciou a Viola de Tião do Carro, que passou para o "Andar de Cima" na manhã de 28/02/2009, no Hospital da PUC de Campinas-SP, onde havia sido novamente internado...


    A foto abaixo se encontra na página 358 do excelente Livro de Rosa Nepomuceno "Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio", e mostra Tião do Carro participando do inesquecível Programa "Som Brasil", apresentado pelo Rolando Boldrin e que ia ao ar nas manhãs de Domingo na Rede Globo, na década de 1980:




    A foto abaixo, de autoria do Violeiro Pinho, se encontra na página 15 da excelente Revista Viola Caipira, editada pelo Pinho em Belo Horizonte-MG, com uma reportagem muito boa sobre o Tião do Carro, feita na residência do inesquecível Violeiro, que na época residia em São Paulo-SP:




    Algumas composições de Tião do Carro:

  • A Formiguinha (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • A Loira Do Caixa (Tião do Carro - Jesus Belmiro)
  • Amigo da Onça (Zé Mulato - Tião do Carro)
  • A Mudança (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • A Mulher do Cachaceiro (Moacyr dos Santos - Tião do Carro)
  • A Semente (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • A Volta do Filho (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Baú de Saudade (Ademar Braga - Tião do Carro - Toni Gomide)
  • Braza Viva (Zé Mulato - Tião do Carro)
  • Berço de Espinhos (José Caetano Erba - Tião do Carro)
  • Bolha de Sabão (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Canção à Morena da praia (Tião do Carro - Xavantinho - Moacyr dos Santos)
  • Capiau (José Caetano Erba - Tião do Carro)
  • Caquinho de Saudade (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Cenas do Passado (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • Chuva de Mulher (Zé Mulato - Tião do Carro)
  • Conversa De Caipira (Tião do Carro)
  • Coração de Gelo (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • Coração Redomão (Tião do Carro - Moacyr dos Santos)
  • Cordão de Ouro (Tião do Carro)
  • Cortina Dourada (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Depois A Gente Se Fala (Tião do Carro - Ademar Braga)
  • De Que Adianta (José Fortuna - Tião do Carro)
  • Dois Astros (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Dr. Coração (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Duelo Sem Espada (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Espada Azul (Tião do Carro - Ademar Braga)
  • Fogo da Paixão (G. Gomes - Tião do Carro)
  • Francisco de Assis (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Garganta do Mundo (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • João Corisco (Tião do Carro - Aleixinho)
  • Joãozinho Da Favela (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Mãe Cega (Moacyr dos Santos - Tião do Carro)
  • Mãe De Carvão (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Mala De Ouro (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Mansão Caipira (José Vitor - Tião do Carro)
  • Maxixe na Rama (Zé Mulato - Tião do Carro)
  • Meu Pai (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Meu Retrato (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Moça Canavieira (José Caetano Erba - Tião do Carro)
  • Ninho de Andorinha (José Caetano Erba - Tião do Carro)
  • O Cachorro e o Andarilho (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • O Caipirão (Tião do Carro - Zé Batuta)
  • O Homem e os Bichos (Tião do Carro - Da Costa)
  • Onde Você Mora (Tião do Carro - G. Gomes)
  • O Nordestino (Tião do Carro - Grilo)
  • O Paciente da Janela (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • O Pintor (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • O Repórter Andarilho (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Patrono do Infinito (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Picada de Cobra (Domério de Oliveira - Meire Perce - Tião do Carro)
  • Primeira Cartilha (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • Primeiro Brinquedo (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Primeiro Presidente (Tião do Carro - Léu)
  • Procissão de Gado (Tião do Carro - José Caetano Erba - Xavantinho)
  • Puro Caboclo (Tião do Carro - Caetano Erba)
  • Recado de Carreiro (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Reza Povo (Tião do Carro)
  • Sem Terra E Sem Caminho (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Sonho de Caboclo (Ademar Braga - Tião do Carro)
  • Sou Forgado (Tião do Carro - Zé Batuta)
  • Tem Gambá No Galinheiro (Tião do Carro - Moacyr dos Santos)
  • Um Peso, Duas Medidas (Tião do Carro - José Caetano Erba)
  • Vou Tentar Te Esquecer (Meire Perce - Tião do Carro)




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    Valdemar Reis:


    "Para o poeta a amizade,
    É o perfume da saudade,
    Que se tem quando distante;
    Sem amigo e sem saudade,
    O poeta na verdade,
    Nem divisa o horizonte. "
    .

    Valdemar Reis



    Respeitado Poeta e Compositor da Música Caipira Raiz, Valdemar Alves dos Reis nasceu em Araçatuba-SP, no dia 08/10/1941, e reside há vários anos em São José do Rio Preto-SP, que é a cidade de sua preferência, mais amada do que a própria cidade-natal; como ele próprio afirma, "Ninguém escolhe o lugar para nascer, mas pode perfeitamente escolher o lugar para viver (..) E escolhi [São José do] Rio Preto." A foto acima à esquerda retrata Valdemar Reis em sua residência e pertence ao seu arquivo particular.

    Filho do lavrador e administrador de fazenda Antônio Alves dos Reis e de Dona Eulina Rodrigues dos Reis (Do Lar), Valdemar Reis viveu sua infância numa fazenda do Interior Paulista.

    Quando contava apenas 13 anos de idade, na escola em que estudava, sua professora solicitou algumas trovas para um concurso que homenageava o Dia das Mães e, de modo surpreendente, todas as três trovas vencedoras foram de autoria do jovem estudante que daí por diante passou a escrever versos e poesias para declamar para amigos e parentes em festinhas do Interior, inspirado em grandes e já renomados compositores tais como Teddy Vieira, Dino franco e José Fortuna, e movido também pela saudade da infância no campo, a família e as suas raízes.

    Podemos dizer que o Poeta cedeu lugar ao Compositor, já que Valdemar Reis uniu seus talentos predominantes e as letras de suas composições conservam o tom poético e delicado de seus antigos versos, desde o tempo dos bancos escolares.


    Valdemar Reis ingressou na Polícia Militar do Estado de São Paulo com apenas 19 anos de idade, e serviu à Corporação de 1961 até 1992, quando se aposentou. Desses 30 anos e 9 meses, 18 anos foram na cidade de São Paulo-SP e o tempo restante no Interior Paulista.

    E sua esposa Marilda Coelho dos Reis, foi Sub-Tenente Feminina também na Polícia Militar, onde serviu durante 25 anos, tendo sido 15 anos na Capital Paulista e o restante em São José do Rio Preto-SP, para onde foi transferida por ocasião da criação da Polícia Feminina naquela cidade.

    Valdemar e Marilda nasceram em Araçatuba-SP e se consideram "Rio-Pretenses de Coração". O casal tem filhos paulistanos e araçatubenses.

    Sua primeira composição gravada foi "O Paredão" (Valdemar Reis), nas vozes de Mato Grosso e Mathias, no início da década de 1980. Algum tempo depois, a belíssima composição "Meu Reino Encantado" (Valdemar Reis - Vicente P. Machado), passou a ser seu principal sucesso, destacada na mídia, e que foi gravada por Daniel e também por Lourenço e Lourival.

    Valdemar Reis calcula que já possua um total de cerca de 340 composições gravadas, nas vozes de renomados intérpretes da Música Caipira Raiz, tais como Zico e Zeca, Liu e Léu, João Mulato e Douradinho, Lourenço e Lourival, Marcos Violeiro e Adalberto, Ramiro Vióla e Pardini, Daniel e Zé Camilo, Ronaldo Viola e João Carvalho, Mato Grosso e Mathias, Irídio e Irineu, Eli Silva e Zé Goiano, Goiano e Paranaense, Dino Franco e Mouraí e muitos outros.

    Transcrevo a seguir o Poema "Sou Quem Sou" de Valdemar Reis, escrito em São José do Rio Preto-SP em 30/08/1999 às 22:00, Poema esse cuja cópia recebi das mãos do próprio Valdemar Reis em Pardinho-SP, por ocasião do III FESMURP - Festival de Música Sertaneja Raiz - que se realizou nos dias 09 a 12/06/2005:

    Sou parte de um continente
    Que soma quase a metade
    Sou a beleza que invade
    A ternura do poente
    Eu sou a prosperidade
    Que orgulha muita gente
    Sou grande sou imponente
    Como a força da verdade.

    Sou território banhado
    Por um grande oceano
    Sou por rios retalhado
    Com montanhas e chão plano
    Sou livre sou soberano
    Sou por todos admirado
    Sou pendão dasabrochado
    A mais de quinehntos anos.

    Sou a fauna, sou a flora
    Campos verdes e montanhas
    Eu sou as praias que banham
    Minha face a toda hora
    Sou terra cujas entranhas
    O diamante e o ouro afloram
    Sou poesia à vida a fora
    Sou a luta, eu sou a glória.

    Sou porta do Velho Mundo
    Com um cenário colorido
    Eu sou o grão mais fecundo
    Germinado e já crescido
    Sou o mundo prometido
    Eu sou da paz oriundo
    Eu cresço a cada segundo
    Eu sou o Brasil querido.

    Valdemar Reis
    SICAM Nº. 6834 - ECAD-MEC



    Quero aqui destacar o excelente CD "Vinte Músicas do Autor e Compositor Valdemar Reis", produzido pela Interativa CD, sob encomenda do próprio Valdemar Reis, contendo o melhor de sua obra, inclusive algumas das preferidas do próprio compositor, na interpretação a cargo de excelentes Duplas Caipiras. O CD pode ser adquirido através de contato direto com Valdemar Reis (ver telefones e e-mails abaixo).

    Quero destacar também o Álbum Duplo "Valdemar Reis - Poemas, Modas e Viola" que é uma coletânea de 35 Composições de Valdemar Reis interpretadas por excelentes Duplas Caipiras diversas, além de 5 Poemas declamados pelo próprio Valdemar Reis. Os dois CD's são intitulados "Valdemar Reis e Suas Canções Raízes" e "Valdemar Reis e Suas Canções Românticas" e também podem ser adquiridos através de contato direto com Valdemar Reis (ver telefones e e-mails abaixo).


    Valdemar Reis também tem sido também presença constante, fazendo parte do Juri em diversos Festivais de Música Sertaneja Raiz que costumam ser realizados em diversos lugares do Brasil!


    Clique aqui e conheça o Site Oficial de Valdemar Reis com sua Biografia, Discografia, Clipes, Fotos Diversas e Homenagens já recebidas por esse excelente Compositor!


    Para contato:
    (17) 3233-4009
    (17) 9619-3559
    (17) 9619-3518
    e-mail: valdemarreis@ig.com.br






    Clique aqui e veja o Artigo sobre o Compositor Valdemar Reis que me foi enviado pelo Apreciador José Goularte que reside em São José do Rio Preto-SP. Trata-se de um artigo publicado no Jornal "Diário da Região" de 24/10/2010 que homenageia o excelente Compositor que escolheu a cidade de São José do Rio Preto-SP para residir!

    Muito obrigado, José Goularte, por esse gesto que ajuda a preservar a Memória Musical Brasileira!!!


    Na foto à direita, pertencente ao arquivo particular do compositor Valdemar Reis, um verdadeiro "Edifício de João de Barro", com 8 andares e o nono andar em construção! De acordo com as informações no verso da foto, a cena foi fotografada no município de Caçu-GO, pelo Sr. Sebastião do Bar Recanto dos Violeiros de Uberlândia-MG, em 19/01/2004.


    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o compositor Batista dos Santos, Ramiro Vióla, Ricardinho, Rivaldo Corulli (Produtor do Programa Viola Minha Viola), Pardini, e os compositores Valdemar Reis e Zé Procópio, por ocasião do III FESMURP - Festival de Música Sertaneja Raiz - que teve lugar na cidade de Pardinho-SP nos dias 09 a 12/06/2005:



    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Valdemar Reis, Pardini e Ricardinho, por ocasião do III FESMURP - Festival de Música Sertaneja Raiz - que teve lugar na cidade de Pardinho-SP nos dias 09 a 12/06/2005:



    E na foto abaixo, Valdemar Reis e Ricardinho, o criador desse site, por ocasião do III FESMURP - Festival de Música Sertaneja Raiz - que teve lugar na cidade de Pardinho-SP nos dias 09 a 12/06/2005:




    Nas duas fotos abaixo (gentilmente fornecidas pelo Compositor), Valdemar Reis participa do "Viola Em Alto Mar" que teve lugar em São Francisco do Sul-SC, nos dias 06 e 07/11/2008, a bordo do Iate Joinville FII SC: Na primeira foto, Valdemar embarcando no Iate e, na segunda foto, no Chalé Suíço, onde Valdemar pernoitou por ocasião do evento:






    Encontrei-me novamente com o Compositor Valdemar Reis na viagem que fiz a São José do Rio Preto-SP entre 16 e 19/03/2009.


    Na foto abaixo, Ricardinho e Valdemar Reis, exibindo seus diversos troféus, em sua residência em São José do Rio Preto-SP, no dia 16/03/2009 (foto de autoria de minha Esposa (a Netinha)):




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Valdemar Reis, Ricardinho, Dilson Vaz Cipolli e sua Esposa Teca (Maria do Carmo das Primas Miranda), num momento descontraído na residência de Valdemar Reis, em São José do Rio Preto-SP, no dia 16/03/2009 (foto de autoria de minha Esposa (a Netinha)). Ricardinho segura o Violão que pertenceu ao saudoso Mouraí, que cantava em Dupla com Dino Franco.




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Zé do Cedro, Valdemar Reis, Ricardinho e Tião do Pinho, num momento descontraído na residência de Valdemar Reis, em São José do Rio Preto-SP, no dia 18/03/2009 (foto de autoria de minha Esposa (a Netinha)).




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Valdemar Reis, João Campanha (Sobrinho de Antônio Campanha), Zé do Cedro, Antônio Campanha, Ricardinho e Tião do Pinho, num momento descontraído na residência de Valdemar Reis, em São José do Rio Preto-SP, no dia 18/03/2009 (foto de autoria de minha Esposa (a Netinha)).




    Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Ricardinho e Valdemar Reis, em sua residência em São José do Rio Preto-SP, no dia 18/03/2009 (foto de autoria de minha Esposa (a Netinha)):




    E, na foto abaixo (de autoria de minha Esposa (a Netinha)), diversos amigos presentes no encontro descontraído que teve lugar na casa do Compositor Valdemar Reis, em São José do Rio Preto-SP, no dia 18/03/2009: Antônio e João Campanha, Zé do Cedro e Tião do Pinho, Valdemar Alves dos Reis Junior (Advogado, Filho do Compositor Valdemar Reis), o Radialista Alan de Tanabi (que apresenta seu Programa na Rádio Clube Tanabi de Segunda a Sábado (exceto às Terças-Feiras) das 20:00 às 22:00 e aos Domingos das 06:00 às 08:00 da manhã - em frente, "agachado"...), além de Lucas e Gustavo (amigos de Alan de Tanabi):





    Algumas composições de Valdemar Reis:

  • Amor Sincero (Valdemar Reis - Divino)
  • Amor Tentação (Valdemar Reis - Adalberto)
  • A Outra Metade (Valdemar Reis)
  • Areião da Saudade (Valdemar Reis - Eli Silva)
  • A Viola e o Cantor (Valdemar Reis - João Carlos)
  • Belezas Não Se Dividem (Valdemar Reis - Liu)
  • Brete da Paixão (Valdemar Reis)
  • Canção de um Poeta (Valdemar Reis - João Pinheiro)
  • Cerveja (Valdemar Reis - Donizete)
  • Conselho (Valdemar Reis - Junior Hartung)
  • Coração Estação (Valdemar Reis - Emerson Reis)
  • Coração Que Apanha (Valdemar Reis - James)
  • Cortina do Mundo (Valdemar Reis - Zé Goiano)
  • Duplo Sentido (Valdemar Reis - Pirajá)
  • Esposa Fiel (Valdemar Reis - Geraldinho)
  • Eu Compro Essa Lua de Mel (Valdemar Reis)
  • Eu E A Lua (Valdemar Reis - Délio Silva)
  • Fazenda Furnas (Valdemar Reis - Zé Goiano)
  • Festa Do Peão De Boiadeiro (Valdemar Reis - Zé Matão)
  • Fonte De Desejos (Valdemar Reis)
  • Inquilino do Mundo (Valdemar Reis - Batista dos Santos)
  • Jeitão De Caboclo (Valdemar Reis - Liu)
  • Lamento De Um Peão (Valdemar Reis - Goiano)
  • Língua do Povo (Valdemar Reis - João Mulato)
  • Livro da Mente (Valdemar Reis - Divino)
  • Mansão 430 (Valdemar Reis - José Caetano Erba)
  • Meu Cenário (Valdemar Reis - Zé Goiano)
  • Meu Paraíso (Valdemar Reis - Chico Amado)
  • Meu Reino Encantado (Valdemar Reis - Vicente P. Machado)
  • Meu Regresso (Valdemar Reis)
  • Meus Dois Diamantes (Valdemar Reis - Batista dos Santos)
  • Minha Amiga (Valdemar Reis - Rodrigues Viola)
  • Minhas Lembranças (Valdemar Reis - Nilson Nunes de Freitas)
  • Minha Solidão (Valdemar Reis - Pirajá)
  • Morena de Anápolis (Valdemar Reis - Alvarenga)
  • Na Voz Do Vento (Valdemar Reis - Ronaldo Viola - Silviano Ramos)
  • No Fim Dos Tempos (Valdemar Reis - Goiano)
  • O Caipira Lavrador (Goiano - Valdemar Reis)
  • O Mestiço (Valdemar Reis - Jaime)
  • O Meu Regresso (Valdemar Reis)
  • O Paredão (Valdemar Reis)
  • O Vagalume (Valdemar Reis)
  • Patrono Dos Catireiros (Valdemar Reis - Fernando Basso)
  • Peão de Rodeio (Valdemar Reis)
  • Pergunta Ao Mestre (Valdemar Reis - Marcos Violeiro)
  • Por Dois Olhos Negros (Valdemar Reis - Zé Goiano)
  • Princesa Morena (Valdemar Reis)
  • Recanto Feliz (Valdemar Reis)
  • Recordação de Boiadeiro (Valdemar Reis)
  • Retalhos de Poemas (Valdemar Reis - Zé Goiano)
  • Sempre Prá Cá Da Porteira (Valdemar Reis - Divino)
  • Serra Molhada (Valdemar Reis - Dino Franco)
  • Sol Vermelho (Valdemar Reis)
  • Som De Viola (Valdemar Reis - Piauí)
  • Sonhando Com O Pantanal (Valdemar Reis - Zé Goiano)
  • Te Esperando (Valdemar Reis - Nilson Nunes de Freitas)
  • Terceira Carta (Valdemar Reis - Monterey)
  • Tô Fora e Tô Dentro (Valdemar Reis)
  • Touro Bandido (Valdemar Reis - Dudu da Viola)
  • Tropa e Boiada (Valdemar Reis - Junior Hartung)





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    Zacarias Mourão:

    Compositor, Radialista e Jornalista, considerado como o principal representante musical do Estado de Mato Grosso do Sul, Zacarias dos Santos Mourão nasceu em Coxim-MS em 1928, onde também veio a falecer, brutalmente assassinado, por razões desconhecidas, em 23/05/1990.

    Encontramos nas composições de Zacarias Mourão belíssimos poemas que divulgam a beleza do Estado de Mato Grosso do Sul. Foi com 27 anos de idade que Zacarias entrou no mundo artístico, com a poesia "Brasil Caboclo".

    E, pouco tempo depois, compôs juntamente com Goiá o maior sucesso de sua carreira, "Pé de Cedro" (Goiá - Zacarias Mourão), Música que foi gravada primeiramente pela dupla Tibagi e Miltinho, através da qual recebeu o Troféu Oceania. O célebre "Pé de Cedro" foi gravado por diversos outros intérpretes, entre os quais, Sérgio Reis e também as irmãs Sul Matogrossenses Alzira e Tetê Espíndola. "Pé de Cedro" também passou a ser considerada como o Hino Municipal de Coxim-MS, cidade natal de Zacarias Mourão.


    Clique aqui e ouça "Pé de Cedro" (Goiá - Zacarias Mourão), numa interpretação bastante criativa das irmãs Alzira e Tetê Espíndola, num Arquivo Musical pertencente ao site MPB-NET.


    Assim como o já mencionado Goiá, Zacarias Mourão colocou em suas diversas composições a saudade de sua terra natal. E “Pé-De-Cedro”, por sinal, é autobiográfico: Em 1939, quando contava 11 anos de idade, Zacarias plantou uma muda de pé-de-cedro antes de sair de Coxim-MS com objetivo de estudar na cidade de São Paulo-SP. Quando retornou a Coxim-MS, cerca de 20 anos depois, emocionou-se com a árvore já adulta que lá existia e escreveu a belíssima canção, em parceria com Goiá, música essa que se tornou o seu mais importante trabalho musical. E, desde então, passou a cultivar o sonho de transformar o local do pé-de-cedro numa praça pública.

    Zacarias Mourão também recebeu diversos prêmios no Festival de Música Sertaneja da Rádio Record de São Paulo.

    Além de compositor, Zacarias Mourão foi também radialista, tendo trabalhado na Bandeirantes, na Excelsior (hoje CBN) e também na Nacional (hoje Globo). Na Bandeirantes, por sinal, também foi diretor artístico sertanejo e, com essa função, descobriu vários novos talentos na Música Caipira.

    Zacarias também foi diretor artístico e produtor de diversas gravadoras, tais como Polygram (hoje Universal), Chantecler (hoje Warner Music) e RCA (hoje BMG).

    Como jornalista, trabalhou nas revistas "Melodias" e "Moda e Viola", onde era responsável pela coluna "Venenos do Zacarias".

    Suas composições foram gravadas por renomados intérpretes, tais como as "Primas Miranda", "Tião Carreiro e Pardinho", Irmãs Galvão e Zilo e Zalo, apenas para citar alguns exemplos.

    Zacarias retornou ao Mato Grosso do Sul no ano de 1981, e passou a residir em Campo Grande, onde trabalhou na Assembléia Legislativa, sem no entanto abandonar o meio artístico.

    Participou também como jurado do programa “Nossa Terra Nossa Gente”, que ia ao ar pela TV Campo Grande, além do programa "Porteira Velha" que apresentava na Rádio Cultura.

    "Brigava" constantemente pela Valorização dos Artistas Regionais! Chegou a ser proprietário da ZN Produções, trabalho que exerceu até o momento em que foi misteriosamente assassinado no dia 23 de maio de 1990.

    E, com a morte trágica de Zacarias Mourão, o sonho de fazer a praça pública no lugar do pé-de-cedro passou a ser um desafio ainda maior para os amigos e familiares.

    Foi erguido no local um busto em homenagem ao compositor, o que deu início à construção do espaço público com o qual ele sempre sonhou.

    Segundo o Coxim News, as Irmãs Galvão, que chegaram a gravar em 1975 um disco de carreira com 12 composições de Zacarias Mourão (pelo Selo Itamarati Pé de Cedro, sob a direção de Zacarias Mourão), não conseguiram segurar as lágrimas ao visitarem o “Parque Temático do Pantanal”, quando se depararam com o busto do compositor.

    E, segundo Lígia Mourão, filha de Zacarias, num artigo no Informativo de Expressão Popular, a casa na qual se encontra o pé-de-cedro deverá abrigar no futuro o museu Zacarias Mourão, onde também repousarão os restos mortais do célebre Compositor de Coxim-MS, o "Pai do Pé de Cedro".

    Algumas composições de Zacarias Mourão:

  • Alvorada de Coxim (Zacarias Mourão - Jorge Castilho)
  • A Matogrossense (Zacarias Mourão)
  • Amada Ausente (Goiá - Zacarias Mourão)
  • Amor e Felicidade (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Copo na Mesa (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Desventura (Zacarias Mourão - Biguá - Zé do Rancho)
  • Deus Sabe O Que Faz (Zacarias Mourão - Capitão Furtado)
  • Feitiço Espanhol (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Flor Mato-Grossense (Zacarias Mourão)
  • Fui Culpado - (Zacarias Mourão - Sebastião Vito)
  • Gangorra (Gioia Jr. - Zacarias Mourão)
  • Índia Soberana (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Juriti Mineira (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Lamento (Goiá - Zacarias Mourão)
  • Luar de Aquidauana (Zacarias Mourão - Anacleto Rosas Jr.)
  • Não Me Abandones (Zacarias Mourão - Zé do Rancho)
  • O Cantar da Siriema (Zacarias Mourão - Nízio)
  • O Que é o Amor (Zacarias Mourão - Waldomiro Bariani Ortêncio)
  • O que Passou (Zacarias Mourão - Pechincha)
  • Pecado Loiro (Zacarias Mourão - Goiá)
  • Pé de Cedro (Goiá - Zacarias Mourão)
  • Porta-Voz do Meu Sertão (Zacarias Mourão)
  • Rincão Mato-Grossense (Zacarias Mourão - Zé do Rancho)
  • Sonho de Caboclo (Zacarias Mourão - Mário Albanese)
  • Ternura, Amor e Paz (Zacarias Mourão - Antonio Miranda Neto)
  • Triste Abandono (Goiá - Zacarias Mourão)
  • Voltei Amor (Zacarias Mourão - Trans-Cocomarola)



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    Zé Paioça:

    Fernandes Bortolon, o Zé Paioça, é natural de Tangará-SC, onde nasceu no dia 29/06/1933 e faleceu em Curitiba-PR, cidade onde viveu boa parte de sua vida, dedicada à Música, ao Rádio e também ao Teatro.

    Filho de Nathália Rana Bortolon e João Bortolon, de acordo com a Certidão de Nascimento registrada no dia 30/06/1933 em Tangará-SC.

    Artista completo, além de excelente Poeta, Zé Paioça foi também Declamador, Animador, Violeiro, Cantador e Ator de Teatro, o que lhe conferiu em 1958 o Prêmio "Máscara de Ouro", por ter sido considerado o melhor ator do ano na Capital Paranaense, cidade que Zé Paioça escolheu para residir, após o período em que morou na Capital Paulista, onde atuou durante 4 anos na Rádio Nacional e na TV Paulista Canal 5 (na época, a emissora paulistana ainda não pertencia à Rede Globo).

    Sua estréia no Rádio se deu na Nacional de São Paulo-SP (hoje Rádio Globo), ao lado da já consagrada dupla Tonico e Tinoco.

    No Rádio, a "grande queixa" de Zé Paioça era a existência de "...muita gente incapaz, concorrência dos apadrinhados e ordenados minguados", de acordo com entrevista por ele concedida ao J. Pacheco na inesquecível Revista Sertaneja N° 19 (Ano II - Novembro de 1959).

    Além de suas belíssimas Composições, Zé Paioça também mostra sua voz em "Educação" (Tonico - Zé Paioça) juntamente com a dupla Vieira e Vieirinha num de seus LP's gravados na Continental. E Zé Paioça também declama seu Poema "A Carta Do Pracinha" (Zé Paioça) no disco CS-333-B gravado em Março de 1960 no Selo Caboclo, e também participa de uma das primeiras gravações das Irmãs Galvão que é "Canta Com A Natureza" (Roberto Stanganelli) em 1955, gravação na qual Roberto Stanganelli participou solando o Acordeon e Zé Paioça, narrando o belíssimo poema!

    Zé Paioça também cantou em dupla com Rancho Alegre, também Violeiro e Cantador (foto à direita), na Capital Paranaense, onde o Compositor passou a morar a partir de Março de 1957, onde também se destacou na Rádio Tingüi do Paraná e na Rádio Clube Paranaense (PRB-2).

    Na Rádio Clube Paranaense, o programa matutino "Galpão De Violeiros" era apresentado por "Oswaldinho e Vieirinha", uma das Duplas Sertanejas mais famosas do Estado do Paraná e, com o falecimento prematuro dos dois integrantes da dupla, num acidente de trânsito em 1957, o comando do programa ficou com Zé Paioça, que já tinha seu talento reconhecido como Poeta e Declamador Sertanejo, de acordo com o belíssimo site Nosso Encontro Com Ubiratan Lustosa, desenvolvido pelo célebre Radialista que é uma das maiores lendas do Rádio Brasileiro! E a foto à esquerda também faz parte desse excelente site desenvolvido pelo Ubiratan Lustosa.

    E, conforme já mencionado, foi na cidade de Curitiba-PR, no ano de 1958, que Zé Paioça, representando um dos mais importantes papéis na peça teatral "Seu Nome Era Joana" (que retratava a vida de Santa Joana D' Arc), foi aclamado pela crítica e reconhecido como o "melhor ator teatral de 1958", o que lhe valeu o cobiçado Prêmio "Máscara de Ouro".

    Zé Paioça também gostava de um bom Churrasco, que era seu prato preferido. Também gostava bastante de viajar e confessava que não gostava muito de Futebol.

    Considero uma grande injustiça existir tão pouca informação disponível sobre esse Poeta que foi Zé Paioça. Esse resumo biográfico só foi possível graças a algumas informações disponíveis no já mencionado site Nosso Encontro Com Ubiratan Lustosa, e também ao e-mail enviado pelo Radialista Ricardo Nemer que trabalha junto com Valdomiro na programação de Música Raiz da Rádio Caminho Seguro FM - 107,9 MHz - na cidade de Bebedouro-SP, e que me forneceu informações adicionais bem como algumas fotos e a reportagem da Revista Sertaneja N° 19 (Ano II - Novembro de 1959). Muito obrigado, Ricardo!!

    Quero agradecer também ao Radialista Dirceu Moretto que contribuiu de forma bastante significativa com esse resumo biográfico e obteve inclusive a data correta de nascimento do Zé Paioça, no Cartório de Tangará-SC, a partir da Certidão de Nascimento do Compositor.

    Dirceu Moretto apresenta seu Programa "Viola e Saudade", que vai ao ar às Sextas-Feiras das 20:00 às 24:00, com bastante Música Caipira Raiz de Qualidade, pela Rádio Canal 8 FM - 104,9 MHz de Mariópolis-PR e também apresenta o "Viola e Saudade" pela Rádio Cidade Pato Branco–PR - AM 1360 kHz, aos Domingos das 06:00 às 09:20 da manhã.

    Muito obrigado, "Cumpadre" Nhô Dirceu!!

    Quero agradecer também ao Apreciador Marco Túlio Schneider pelo envio de algumas fotos e preciosíssimas informações adicionais sobre o Zé Paioça e também sobre a Dupla ("Seresteiro e Sertanejo") que Zé Paioça formou com Sebastião Pereira (Pai de Marco Túlio) e também sobre o Trio ("Os Trovadores Do Sertão") que, além de Zé Paioça e Sebastião, também contava com o Acordeon a cargo de Júlio Bertassoni, o Julinho.

    Pela preciosidade do material fornecido, faço questão de reproduzir textualmente o relato de Sebastião Pereira (nascido em 1930), que conviveu com Zé Paioça entre 1949 e 1954, quando Zé Paioça se mudou para Curitiba-PR e Sebastião permaneceu em Caçador-SC:

    " Fernandes Bortolon, o Zé Paióça, nascido lá pelos anos de 1930, no interior do Estado de Santa Catarina (...) Era filho de João Bortolon e dona Itália Bortolon, sendo que o pai era Madeireiro, na região dos pinheirais, no planalto Catarinense.

    Fernandes, naquela época era estudante na cidade de Caçador-SC e só ia para a casa dos pais nos fins de semana, no interior do município, onde seu pai tinha uma serraria.

    Numa dessas datas, lá no mato como ele dizia, eu que trabalhava na serraria, onde ponteava um Violão velho, muito mal afinado e com umas cordas emendadas, ele me pediu licença para experimentar aquela
    'jóia' e nunca mais largou do dito pedaço de Violão.

    Zé, ou Fernandes Bortolon, por um longo tempo, vinha para o
    'mato' com o fito de aprender dominar o arcaico instrumento. Lembro-me, como se fosse hoje.

    Num determinado fim de semana ele me aparece lá no
    'mato', portando as novinhas seis cordas de Violão. Nervoso, pediu-me para que eu encordoasse e afinasse o 'lindo' instrumento. A titulo de brincadeira (mas era sério) ele disse que na próxima viagem traria um Violão novo, como presente de seu pai, que também ficou entusiasmado com a possibilidade do surgimento de uma nova Dupla Sertaneja.

    Como eu não tinha pai nem dinheiro, tive que me contentar com o Violão velho.

    Nesses encontros de final de semana, eu cantava e tocava Violão (do meu jeito) e ali surgiu o embrião de uma nova Dupla Sertaneja, desde já muito afinada que, como sempre acontece, tinha que ter um nome, então surgiu a dupla
    'Seresteiro e Sertanejo'. Seresteiro era Fernandes e Sertanejo, era eu.

    (...) chegou o dia em que, por acaso, o diretor de uma estação de rádio local, a Rádio Caçanjurê, nos viu cantando num bar da cidade e nos convidou para uma apresentação no auditório de sua emissora e ele mesmo fez diversas chamadas, conclamando a população de que seria apresentado um novo Conjunto Musical,
    'prata da casa', que até então nunca havia acontecido naquela cidade.

    A apresentação foi um sucesso tão grande que, na saída, tivemos dificuldade para deixar o prédio. Aquela primeira apresentação nos animou e, com o sucesso, tivemos um horário próprio naquela emissora. A partir daí
    'choveram' contratos para tocar em festas de Igreja, churrascarias e diversos convites para todas as festinhas e bailes, em diversas localidades da região.

    Nessas alturas já tínhamos adquirido instrumentos novos: Violão, Viola e Acordeon. E então resolvemos transformar a dupla em um trio, com o nome de
    'Os Trovadores do Sertão', com a seguinte formação: Violão e Canto: Fernandes Bortolon, o Seresteiro; Acordeon: Júlio Bertassoni, o Julinho; e Viola, Violão e Canto, Sebastião Pereira, o Sertanejo.

    Tudo estava correndo
    'às mil maravilhas', em função de termos um bom repertório, para levar alto o sucesso que conseguimos angariar em tão pouco tempo. As músicas que cantávamos eram 'tiradas' de um radinho movido a bateria e que só funcionava quando não estivesse chovendo...

    Fernandes (Seresteiro) e eu éramos
    'vidrados' em Tonico e Tinoco e em muitos outros Artistas do Gênero Sertanejo. Fernandes era muito bom Cantor, muito bom Compositor e, como Declamador, estupendo!

    Como Compositor escreveu lindas melodias, quase todas em parceria; como Declamador ele era simplesmente estupendo. Antes de ir ao sucesso propriamente dito, fez estágio na cidade de Curitiba-PR que, em pouco tempo, já se sentia pequena para
    'hospedar' tamanho talento em uma só pessoa. Dentro daquelas matérias, ele era especialista. Ele deve ter ficado meio tonto com o sucesso que abraçou muito rápido.

    E lá foi Fernandes, em busca do seu futuro, cognominado Zé Paióça. E nunca retornou ao seu
    'torrão natal'. Por alguns tempos ele nos mandava longas cartas, as quais foram rareando, até que terminaram, talvez em função de que nos mudamos para cidade distante e perdemos o contato. Por informações de terceiros, soubemos que ele tinha falecido. "

    Ainda de acordo com Marco Túlio:

    " ... meu pai nasceu em 1930 e não se lembra com exatidão quando Zé Paioça nasceu, mas creio que ele tenha nascido 2 ou 3 anos antes que meu pai.

    A Rádio Caçanjurê, de Caçador-SC, ainda existe e talvez tenha alguns arquivos com a biografia de Zé Paioça (...) Entusiasmado em relembrar as Histórias com seu grande Amigo, ele se propôs a escrever outros relatos da convivência com Zé Paioça e, em breve, terei material, com mais precisão de datas, sobre esse Artista."



    Na foto abaixo, enviada gentilmente por Marco Túlio, o Trio "Os Trovadores do Sertão": da esquerda prá direita, Seresteiro (Zé Paioça), Júlio Bertassoni (Julinho) e Sebastião Pereira (Sertanejo):



    Na foto abaixo, enviada também por Marco Túlio, Zé Paioça em 1952:




    Valeu, Marco Túlio!! Muito obrigado por esse gesto que enriquece a Preservação da Memória Musical Brasileira e da nossa Música Caipira Raiz!!


    Algumas composições de Zé Paioça:

  • A Carta Do Pracinha (Zé Paioça)
  • A Madrasta (Chiquinho - Zé Paioça)
  • A Viola e o Cantador (José Rosa - Zé Paioça )
  • Boiada (Zé Paioça)
  • Cabelo de Trança (Tonico - Zé Paioça)
  • Cartão De Visita (Chiquinho - Tonico - Zé Paioça)
  • Convite (Zé Tapera - Zé Paioça)
  • Despedida de Circo (Zé Paioça - Júlio Morais)
  • Deus Lhe Pague (Zé Paioça - Joel Tavares)
  • Filho de Carpinteiro (Tonico - Zé Paioça)
  • Fim do Baile (Tonico - Tinoco - Zé Paioça)
  • Formosa Prenda (Priminho - Zé Paioça)
  • Mãe Preta Maria (J. dos Santos - Tonico - Zé Paioça)
  • Marca Do Beijo (Tinoco - Paiozinho - Zé Paioça)
  • Menina Preta (Zé Tapera - Zé Paioça - Carlos Costa)
  • Menina Sapeca (Léo Canhoto - Zé Paioça)
  • Minha Mensagem (Zé do Rancho - Zé Paioça)
  • Mudança (Priminho - Zé Paioça)
  • Nóis e o Destino (Tonico - Zé Paioça)
  • Nova Ilusão (Cambará - Zé Paioça)
  • O Gavião (Zé Paioça - Siqueira)
  • Olhar Feiticeiro (Zé Paioça - Ivan Taborda)
  • Padre Lima de Tambaú (Tonico - Tinoco - Zé Paioça)
  • Papai Noel (Zé Paioça - Mogica)
  • Papai Noel Chorou (Tonico - Tinoco - Zé Paioça)
  • Pranto Amargo (Zé Paioça)
  • Quebrando Bolacha (Zé Paioça)
  • Querência da Serra (Zé Paioça)
  • Querência do Céu (Tonico - Zé Paioça)
  • Risco De Espora (Waldemar - Zé Paioça)
  • São Gonçalo do Amarante (Nenete - Zé Paioça)
  • Saudade Dela (Zé Paioça - Santana)
  • Serenata do Adeus (Priminho - Zé Paioça)
  • Três Lagoas, Minha Terra Natal (Tertuliano Amarilha - Zé Paioça)
  • Vanerão da Lua Cheia (Zé Paioça)
  • Velhas Cartas (Tonico - Tinoco - Zé Paioça)
  • Velho Carreiro (Tonico - Tinoco - Zé Paioça)
  • Vida de Palhaço (Zé Paioça)
  • Xote do Gavião Cheia (Zé Paioça)



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    Zica Bergami:

    "Um dia levantei cantando, peguei o Violão e fui para o terreiro sem tomar café. Saiu o Lampião de Gás..." (Zica Bergami)

    A nonagenária Compositora e Desenhista, Maria Elisa Campiotti Bergami, filha de italianos, nasceu em Ibitinga-SP no dia 10 de Agosto de 1913 e faleceu na Capital Paulista no dia 16 de Abril de 2011. Ela é por nós conhecida, em grande parte, graças à excelente "Comendadora" e Pesquisadora de Folclore Inezita Barroso, que gravou em 1958, pela primeira vez, a sua valsa de coreto, composta em 1957, que é uma verdadeira Ode à "São Paulo Antiga dos Bons Tempos", intitulada "Lampião de Gás". Essa espetacular composição, tanto pela letra, como também pela música, conferiu à Zica Bergami o Troféu Zequinha de Abreu em 1959.

    O Crítico Musical Zuza Homem de Melo considera "Lampião de Gás" (Zica Bergami) como "a mais bela Canção já escrita sobre São Paulo".

    Foi na cidade-natal de Ibitinga que o pai de Zica se fixou como imigrante italiano e trabalhador rural, tendo sido homem de confiança do proprietário da fazenda. Conhecedor de vinhos que era, foi logo incumbido de ser também provador da cachaça produzida no local. Tal fato, no entanto, fez dele um alcoólatra, até que um dia, ele simplesmente saiu de casa e nunca mais se teve dele qualquer notícia...

    Ao se mudar para a Capital Paulista, Zica Bergami residiu na Barra Funda e, algum tempo depois, no Bom Retiro.

    Além de Inezita Barroso (que, além de "Lampião de Gás", também gravou "O Batateiro" (Zica Bergami)), também podemos conhecer suas Composições, graças à iniciativa da Cantora Zezé Freitas que, contrariando os interesses comerciais e mega-lucrativos das principais gravadoras, presenteou-nos com o lançamento do CD "Zezé Freitas Interpreta Zica Bergami".

    Destaque nesse CD para "Gafanhoto Chegou" (Zica Bergami), que retrata uma praga de gafanhotos que invadiu a plantação e a reação da mãe e do filho, e também para "Mato o Pato" (Zica Bergami) que trata de modo galhardo o problema do desemprego, apesar de ter sido composta na década de 50. E também o célebre "Lampião de Gás" (Zica Bergami) já mencionado acima.

    Em Outubro de 2003, visitando uma Livraria Cultural em São Luiz do Maranhão, tive a grata surpresa de "descobrir a existência" do CD "Salada de Danças" lançado pela gravadora MCK, com 13 composições de Zica Bergami, interpretadas por ela mesma!! Naturalmente eu não poderia jamais ter deixado de adquirir esse preciosíssimo documento e, a partir daquele momento, foi que decidi incluir a Compositora de "Lampião de Gás" nessa página dedicada aos "Compositores e Poetas da Música Caipira Raiz". Foi também a primeira vez na qual pude obter alguma informação sobre essa excelente Compositora Paulista! E a 8ª faixa do CD "Salada de Danças" é a famosíssima "Lampião de Gás" (Zica Bergami)!

    Além de excelente Compositora, Zica Bergami também é Desenhista Primitiva e, como tal, também participou de diversas exposições, dentre elas, o "X Salào Paulista de Arte Moderna" (1960), a "Primeira Mostra Contemporânea Brasileira - EXPOFAIR - Lisboa - Portugal" (1985), e também conquistou a Grande Medalha de Prata no "Centre International D'Art Contemporain - Paris - França" (1984), além da Grande Medalha de Ouro no "Encontro de Artes Plásticas de Atibaia-SP".

    Zica Bergami também escreveu e publicou o livro "Aonde Estão os Pirilampos?"

    Clique Aqui e conheça esse excelente Site Dedicado à Zica Bergami, desenvolvido pela já citada Cantora Zezé Freitas, contendo biografia, letras de suas Composições Musicais, além de desenhos, quadros e livros dessa excelente Artista em diversos sentidos!!!

    Clique Aqui e conheça um artigo que homegeia Zica Bergami no Site da Galeria Brasiliana - Arte Popular Contemporânea.

    Sem dúvida, Zica Bergami é uma Compositora que jamais pode deixar de ser mencionada na História Musical da Paulicéia Desvairada, assim como os famosos compositores Paulo Vanzolini e Adoniran Barbosa. Antes mesmo de Caetano Veloso, com seu belíssimo "Sampa", Zica Bergami soube captar a "dura poesia concreta das esquinas de São Paulo-SP" tanto no passado, como também nos dias de hoje!!


    Clique nos lins abaixo e ouça:

    Gafanhoto Chegou (Zica Bergami)

    Manga (Zica Bergami)

    Mato o Pato (Zica Bergami)


    Interpretadas pela Zezé Freitas em Arquivos Musicais pertencentes ao site Music Express, o qual convido o Apreciador a visitar e conhecer a diversidade de Estilos Musicais nele divulgados.


    Clique aqui e ouça a inesquecível Valsa "Lampião de Gás" (Zica Bergami) interpretada pela Inezita Barroso, acompanhada pela Orquestra e Coro da Rádio Record de São Paulo-SP, com arranjo de Hervé Cordovil, em sua primeira gravação (histórica) do Disco 78 RPM - 5890 - Lado A - Gravadora Copacabana - Gravado em Maio/1958 - do Acervo de José Ramos Tinhorão - num excelente Arquivo Musical pertencente ao IMS - Instituto Moreira Salles, excelente site que se preocupa com a Preservação de Inestimáveis Acervos Brasileiros em termos de Música, Fotografia, Artes Plásticas e Biblioteca, o qual convido o Apreciador a visitar! Na foto à esquerda, Zica Bergami e Inezita Barroso.


    Clique aqui e ouça "O Batateiro" (Zica Bergami) interpretada pela própria Zica Bergami, num Arquivo Musical pertencente ao Site de Zezé Freitas Dedicado À Zica Bergami, e que é a terceira faixa do já mencionado CD "Zica Bergami - Salada de Danças".


    Parabéns, Zica Bergami!! Não apenas os Paulistanos e Paulistas, mas também os Brasileiros não podem deixar de conhecer seu Trabalho Musical, que vai muito além do maravilhoso "Lampião de Gás"!!!


    A Compositora Zica Bergami exalou seu último suspiro no dia 16/04/2011, na Cidade de São Paulo-SP, onde residia desde os 8 meses de idade...

    Zica Bergami!!! Receba de Ricardinho essa singela homenagem...







    Algumas composições de Zica Bergami:

  • Cabral Chegou (Zica Bergami)
  • Caçador de Borboletas (Zica Bergami)
  • Chuvarada (Zica Bergami)
  • De Hora Em Hora (Zica Bergami)
  • Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si (Zica Bergami)
  • Gafanhoto Chegou (Zica Bergami)
  • Lampião de Gás (Zica Bergami)
  • Manga (Zica Bergami)
  • Maricotinha (Zica Bergami)
  • Mato o Pato (Zica Bergami)
  • O Batateiro (Zica Bergami)
  • Pirilampo (Zica Bergami)
  • Salada de Danças (Zica Bergami)
  • São Paulo de Hoje (Zica Bergami)
  • Serenata (Zica Bergami)
  • Sou Boêmio (Zica Bergami)
  • Tempos Passados (Zica Bergami)



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    Obs.: As informações contidas no texto dessa página são originárias dos Livros de Rosa Nepomuceno: "Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio", de Walter de Sousa "Moda Inviolada" e de Ayrton Mugnaini Jr.: "Enciclopédia das Músicas Sertanejas", além da Revista Viola Caipira (editada pelo Pinho em Belo Horizonte-MG) e também do Site Oficial de Junior da Violla, Site Dedicado ao Piraci, Comitiva Sertaneja, Recanto Caipira, Voz e Viola (do "Cumpadre" Cleber Toffoli de Londrina-PR), CliqueMusic da UOL, Museu Mazzaropi, Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira, IMMUB - Instituto Memória Musical Brasileira, Fundação Joaquim Nabuco e Instituto Moreira Salles.

    Quero agradecer também às preciosíssimas colaborações que me foram enviadas pelo Radialista, Produtor e Pesquisador Maikel Monteiro (na foto à esquerda ao lado de Ricardinho e do amigo José Francisco) que apresenta o programa Brasil Caboclo que vai ao ar aos Domingos às 07:00 da manhã pela Rádio Paraná Educativa (e-Paraná) de Curitiba-PR (AM 630 kHz), e que conhece a fundo a trajetória de diversos excelentes intérpretes da Música Caipira Raiz, tais como as Irmãs Galvão, Tonico e Tinoco, Nhô Belarmino e Nhá Gabriela, Tuta e Tota, Jacó e Jacozinho, Leôncio e Leonel, Primas Miranda, Pininha e Verinha, Mogiano e Mogianinho, Abel e Caim, Mensageiro e Mexicano, Nízio e Nézio, Mineiro e Manduzinho e Luizinho, Limeira e Zezinha. Maikel também me forneceu as preciosíssimas informações sobre diversos Compositores e Intérpretes da Música Caipira Raiz, além de esclarecimento de diversas dúvidas que ocorreram durante a elaboração dos diversos resumos biográficos!

    Muito Obrigado, mais uma vez, "Cumpadres" Maikel e Zé Francisco!!! Parabéns por esse gesto que enriquece e ajuda cada vez mais e de forma brilhante a Preservação da Memória Musical Brasileira!!

    Ver mais detalhes e links na página Para saber mais... onde constam as Referências Bibliográficas e as Referências Discográficas sem as quais a elaboração deste site teria sido impossível.




    Essa "viagem de trem" pelo Interior Musical do Brasil não para por aqui. Pegue o "Trenzinho do Caipira", que ele agora irá para o Rio de Janeiro-RJ, no bairro Laranjeiras: conheça um pouquinho da trajetória desse excelente Músico que soube captar o melhor da Música Brasileira tanto nas ruas de sua cidade-natal, como também no Folclore dos mais longínquos rincões desse imenso Território Brasileiro, e que projetou de modo espetacular o Nosso País na Música Erudita além de nossas fronteiras! Clique aqui e conheça esse Grande Compositor e Grande Brasileiro que foi Heitor Villa-Lobos!

    Ou então, se você preferir outro compositor ou intérprete, clique aqui e "pegue outro trem para outra estação", na Página-Índice dos Compositores e Intérpretes.

















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