Zé Tapera e Teodoro









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"Ícone grandioso da nossa Moda Raíz (...) É 'mole', prá mim falar de Zé Tapera... Eu sou até suspeito de tanto que eu o admiro (...) Tenho também a grande honra de ser amigo do Zé desde 1974, ocasião em que ele tinha a dupla com o Teodoro e sempre vinham cantar em Circos aqui em Botucatu-SP e eu, com a minha dupla, faziámos as aberturas dos Shows deles. O Zé é um exímio Violonista; uma das mais belas primeiras vozes que eu conheço no Meio Sertanejo. É inconfundível e bem colocada. Trabalhou por muitos anos empresariando a maior dupla do século e de todos os tempos: Tonico e Tinoco.

O Zé é um excelente compositor. A primeira Música que eu cantei em dupla na Rádio PRF-8 aqui em Botucatu-SP, no dia 30/10/1973, foi "Rei do Cangaço" (Zé Tapera - Samuel Gervázio de Oliveira). O Zé é uma pessoa sensacional e merece todo o nosso respeito e admiração; é um exemplo de amigo, Poeta, Cantadô e digno de nossos aplausos!!"


O comentário acima é de Ramiro Vióla que reside em Botucatu-SP e, junto com seu parceiro Pardini, forma uma das mais autênticas Duplas Caipiras Raiz da atualidade!

José Sônigo, o Zé Tapera, nasceu em 19/03/1933 em Barretos-SP. Aldair Teodoro da Silva, o Teodoro, nasceu em 18/06/1941 em Santo Antônio da Platina-PR.

Zé Tapera iniciou sua Carreira Musical com apenas 15 anos de idade, cantando com seu irmão Anselmo, que adotou o nome artístico de Paiozinho. Os jovens intérpretes venceram um concurso de duplas que se realizava em um parque de diversões na cidade de Londrina-PR.

"Paiozinho e Zé Tapera" seguiram em frente, formando o trio "Os Fazendeiros" com o Acordeonista e Compositor Pirigoso (Orlando Guilherme, nascido em São Paulo-SP em 29/10/1933 - faleceu também em São Paulo-SP no dia 04/03/1984). O trio gravou três Discos 78 RPM:

Pela Continental:

"Cartão de Visita" (Xote) (Tonico - Chiquinho - Zé Paioça)
Número: 17.079-A
Matriz: 11683
Lançamento: Março/1955


"Rei do Volante" (Moda Campeira) (Paiozinho - Zé Tapera - Pedro Sílvio)
Número: 17.079-B
Matriz: 11682
Lançamento: Março/1955


Pela Copacabana:

"Vou Mandar Fazer Um Balão" (Valseado) (Raul Torres)
Número: 5.096-A
Matriz: M-448
Lançamento: Junho/1953


"Voltei Prá Te Ver" (Rasqueado) (Zé Tapera - Paiozinho)
Número: 5.096-B
Matriz: M-449
Lançamento: Junho/1953


"Torrão Brasileiro" (Moda) (Paiozinho)
Número: 5.224-A
Matriz: M-446
Lançamento: 1954


"Ás De Espadas" (Moda) (Raul Torres)
Número: 5.224-B
Matriz: M-447
Lançamento: 1954


Com o crescente sucesso, "Paiozinho e Zé Tapera" percorreram diversas cidades do Estado do Paraná e, no ano de 1952, seguiram para a Capital Paulista, ocasião na qual acontecia o I Grande Concurso de Violeiros da Rádio Record, do qual a dupla participou e venceu mais uma vez!

Na Paulicéia Desvairada, a dupla assinou contrato também com a Rádio Nacional (atual Rádio Globo) e gravou discos na Continental e na Copacabana.

Em 1955, Zé Tapera passou a cantar em dupla com Chiquinho (Francisco Perez, nascido em Botucatu-SP, irmão mais novo de Tonico e Tinoco).

A nova dupla "Zé Tapera e Chiquinho" fez sua estréia no inesquecível programa "Na Beira da Tuia" e gravou 8 discos 78 RPM pelos selos Todamerica, Caboclo e Continental, entre 1957 e 1959.

O primeiro Disco 78 RPM de "Zé Tapera e Chiquinho" foi lançado pela Todamerica em Julho de 1957 (TA-5710), com a Toada "A Vingança do Soldado" (Chiquinho - Capitão Balduino) e a Moda de Viola "Falsidade" (Anacleto Rosas Júnior - Tonico - Zé Tapera).

No curto período de duração da dupla, "Zé Tapera e Chiquinho" receberam dos Radialistas Nhô Zé e José Russo o título de "Os Cancioneiros do Sertão".

Zé Tapera voltou a cantar em dupla com Paiozinho até meados da década de 1960, tendo a dupla gravado diversos Discos 78 RPM, além de 4 LP's pelos selos Caboclo/Continental e Sertanejo/Chantecler.

Até que, numa viagem pelo Estado do Paraná, Zé Tapera conheceu o Aldair Teodoro e a nova dupla "Zé Tapera e Teodoro" foi formada em 1965, tendo gravado o primeiro LP em 1968 ("Verdade De Um Coração").

Zé Tapera fazia uma "tourneé" com o Circo pelo Estado do Paraná e, numa dessas paradas, Aldair, ainda "meninão" o acompanhou como empregado do Circo. Zé Tapera percebeu que o Aldair Teodoro tocava muito bem a Viola. Começaram a cantar "só por brincadeira" e, de repente, a coisa foi tomando outros rumos...

E, após alguns LP's e Compactos de razoável sucesso, a dupla "Zé Tapera e Teodoro" assinou contrato com a RCA Camden, onde foram gravados 9 LP's (sem contar com as coletâneas). Foi por essa época que a dupla gravou "Tchau Amor" (Praense - Ado - Peão Carreiro) (a Música cujo trecho o Apreciador ouve ao acessar essa página), um dos primeiros Batidões Sertanejos e provavelmente o maior sucesso de "Zé Tapera e Teodoro".

Abaixo, a letra de "Tchau Amor" (Praense - Ado - Peão Carreiro):


Este é o nosso último encontro,
Não fique aborrecida,
Amanhã eu vou embora,
Vou sair da sua vida.


Refrão:

Tchau, tchau, tchau, amor,
Vou embora mas te levo
No pensamento por onde for.


Pra te ver em outros braços,
Eu prefiro o abandono,
Teus carinhos não são meus,
Meu amor tem outro dono.

(Volta ao refrão)


De mim não guarde rancor,
Nem pense que sou ruim,
Prá tua felicidade,
É que estou agindo assim.

(Volta ao refrão)



Ao longo de 15 anos, a dupla se apresentou em diversos lugares do Brasil e participou também de diversos programas de Televisão, além dos programas que eles próprios apresentavam na Rádio Londrina e também na Rádio Nacional (atual Rádio Globo) de São Paulo-SP.

Além de "Tchau Amor" (Praense - Ado - Peão Carreiro), "Zé Tapera e Teodoro" também gravaram belíssimas Composições de autores diversos nos vários LP's que lançaram, como por exemplo, "Rei do Cangaço" (Zé Tapera - Samuel Gervázio de Oliveira), "Jogador de Baralho" (Nenete - Tupi), "Linda Serrana" (Nhô Belarmino), "O Castigo do Doutor" (Zé Tapera - Teodoro), "Cadê Você Meu Sertão" (Teodoro - Peão Carreiro), "Dona da Minha Vida"(Jeca Mineiro - Zé Tapera), "Convite" (Zé Tapera - Zé Paioça), "O Caipira e a Professora" (Zé Tapera - Zé Paioça), "O Pedro Malazarte" (Samuel Gervázio de Oliveira - José Sônigo), "Fuscão Preto" (Atílio Versuti - Jeca Mineiro), além das bem humoradas "Bolo de Saravá" (Peão Carreiro - Vitório - Teodoro) e "Japonês no Saravá" (João Gonçalves - Teodoro), apenas para citar algumas.

Apesar dos diversos LP's gravados, lamentavelmente, pouquíssimas Músicas interpretadas pela Dupla "Zé Tapera e Teodoro" foram remasterizadas em CD. Fora algumas faixas em discos de coletâneas com diversos intérpretes, o único CD de Zé Tapera e Teodoro do qual eu tenho notícia é o CD da Série "Luar do Sertão" lançado pela BMG (7432143862-2) que contém gravações feitas na RCA entre 1973 e 1980, incluindo algumas das Músicas acima mencionadas. O comentário no encarte do CD é de autoria de Ayrton Mugnaini Jr.

E, por falar em Ayrton Mugnaini Jr., lembrando o refrão de "Tchau Amor" (Praense - Ado - Peão Carreiro), ele também comenta humoristicamente em seu livro "Enciclopédia Das Músicas Sertanejas, que "Zé Tapera e Teodoro não pararam de fazer sucesso nem quando se separaram em 1980; a dupla pode ter dito 'tchau' e ido embora, mas os fãs de Música Sertaneja os levam no pensamento por onde forem."

Desfeita a dupla com Teodoro, Zé Tapera passou a cantar em dupla com Casanova, dupla essa que gravou três LP's: "Terno Preto" (Rancho/Polygram - 2493.441 - 1982), "Sem Mágoas" (Tocantins - GTL-1107 - 1986) e "A Vida Continua" (Tocantins - GTL-1191 - 1991). Dentre as Músicas gravadas nesses LP's, merecem destaque "A Dama de Vermelho" (Ado Benatti - Jeca Mineiro), "O Pobre da Rua Rica" (Praense - Zé Tapera), "Terno Preto" (Casanova - Zé Tapera - Robertinho do Acordeon), "Mulher de Ninguém" (Paiozinho - Benedito Seviero), "Meu Irmão da Roça" (Palmar), "Em Cada Coração Uma Saudade" (Jeca Mineiro - Hélio Alves), "Bagre Ensaboado" (Zé Tapera - Zé Vicente), "A Vida Continua" (Luis Cigano - Tião do Carro - Zé Tapera), e "Bagunçaram Meu Coreto" (Zé Tapera - Zé Tropeiro - Robertinho do Acordeon).

Desconheço, no entanto, até o momento, qualquer remasterização desses três LP's em CD, bem como qualquer informação adicional sobre a dupla "Zé Tapera e Casanova".

Teodoro, por sua vez, formou em 1980 com Gentil Aparecido da Silva (nascido em Serra Morena-PR no dia 10/10/1950) a dupla "Teodoro e Sampaio". E, em 1996, Alcino Alves de Freitas (nascido em São Sebastião da Moreira-PR no dia 22/10/1952), que já vinha atuando como parceiro de Teodoro nas Composições, substituiu o Gentil e passou a ser o Sampaio, na dupla com Teodoro, a qual manteve essa formação até o final de 2009, quando Gentil voltou a ser novamente o Sampaio, como no início da dupla.

Curiosamente, na opinião de Teodoro, "Infelizmente, a Música Raiz, o comércio dela é muito pequeno. Mas eu continuo gostando. Se fosse pra gravar prá mim, eu gravava só coisas bem Sertanejas. E, uma Música que eu não posso escutar, que na realidade eu sinto a Música, chama-se 'Boiada' (Zé Paioça), gravada pela dupla Tonico e Tinoco ".

E, segundo o segundo Sampaio (Alcino), "Melhor Música Raiz prá mim, como o maior autor que eu não tive o prazer de ser amigo, porque quando eu cheguei no mercado, ele foi embora, é 'Terra Tombada' do grande Zé Fortuna [em parceria com Carlos Cezar]... Saudade..."



Obs.: As informações contidas no texto dessa página são originárias do Livro de Ayrton Mugnaini Jr "Enciclopédia Das Músicas Sertanejas", e também dos sites Dicionario Ricardo Cravo Albin de Música Popular Brasileira, IMMUB - Instituto Memória Musical Brasileira, Fundação Joaquim Nabuco e Instituto Moreira Salles, além do Site Oficial de Teodoro e Sampaio. Quero agradecer também ao Ramiro Vióla (que reside em Botucatu-SP e, junto com seu parceiro Pardini, forma uma das mais autênticas Duplas Caipiras Raiz da atualidade) pelas informações fornecidas sobre esse excelente Músico com quem ele tem grande amizade! Muito obrigado, "Cumpadre" Ramiro, pela colaboração na elaboração do resumo biográfico de Zé Tapera e Teodoro!! Ver também mais detalhes e links na página Para saber mais... onde constam as Referências Bibliográficas sem as quais a elaboração desse site teria sido impossível.





Essa viagem pela Música Caipira Raiz continua: Clique aqui e pegue o trem, que ele agora irá para Barra Bonita-SP e Rui Barbosa-BA, passando também pelo Interior de Goiás: conheça um pouquinho dessa dupla que, apesar de ter durado tão pouco, deixou mais de 100 músicas gravadas e continua sendo solicitada e tocada nos programas sertanejos de diversas emissoras de rádio em todo o Brasil. Conheça um pouquinho sobre Belmonte e Amaraí.


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