Badia Medeiros









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" O Som da Viola prá mim é um som de amor. Que aquilo grava na gente como grava uma criança que quando começa a falar, ouve os outros falando. Eles grava, então... É o mesmo assunto prá mim da Viola. Os menino aprende a falar papai porque vê os irmãozinho falar. O primeiro filho aprende a tratar o pai pelo nome: 'Oi, João!', porque vê a mãe falar. Agora, quando já tem mais irmão, aí começa a falar 'papai' e 'mamãe'; aprende pelo irmão mais velho que tá falando. Então é o caso. A Viola pra mim, o Som da Viola foi isso: o amor que eu tive por ela, e aprendi a gostar da viola. Inclusive o Som da Viola vem mais quando a pessoa tá muito alegre, muito satisfeita. Ele lembra logo da Viola porque o som dela ajuda ele a ficar mais alegre, mais satisfeito, abrir mais o coração. Agora quando é na tristeza, não lembra. Quando, na tristeza, você lembra assim, depois de uns tempo passado, você vai disfarçá por ela. Mas no momento, som nenhum não serve. E aí, no caso, a Viola vai ajudar a pessoa a recuperar".

(Badia Medeiros - citado no site Olaria Cultural)



Badia Alves Medeiros nasceu na Fazenda Galho em Unaí-MG no ano de 1940. Desde cedo, sempre foi bastante ligado à Cultura Popular local.

Com apenas 10 anos de idade, já havia começado a fazer a segunda voz na Folia do Divino, através de seu tio que era Devoto.

Badia se casou com Dona Cesária em 1965. Cinco anos depois, trocou sua Unaí natal pela cidade de Buriti de Minas-MG, onde morou durante 23 anos, após os quais, mudou-se para Formosa-GO, cidade onde Badia fabricava e vendia doces de porta em porta, de bicicleta, juntamente com sua esposa, e onde residem atualmente.

Algum tempo depois, Badia começou a consertar Instrumentos Musicais de Corda; abriu uma oficina, prosseguindo com essa atividade até os dias atuais.

Seu pai tinha uma Violinha de 5 furos com cravelhas de madeira que passava um tempão dependurada na parede, mas que era também tocada na Folia, na qual ele era Contra-Guia e Puxador de Palmas no Catira. Badia "namorava" constantemente o Instrumento...

Apesar do "ciúme danado" que tinha para com a Violinha, chamou o filho e disse: "Parece que ocê fica com vontade de pegá a Violinha... péga... pode pegá!" E, "quebrada a resistência" do pai, Badia aos poucos foi aprendendo de ouvido, vendo outros Violeiros tocando.

De acordo com o próprio Badia Medeiros, "Nessa época eu tava com 9 anos e rádio num tinha, não. Música que eu ouvia era Música tocada na Viola. Ninguém nem ouvia falá em fita, nem disco. Vitrola de corda, eu conheci já tinha 13 anos. Foi uma novidade e aí eu ia prá cima, prá iscutá e aprendê alguma coisa."

Com o passar do tempo, Badia Medeiros se tornou Capitão de Folia do Divino, além de Dançador de Catira e Lundu e, além de tocar a Viola Caipira e o Violão, toca também uma Sanfoninha de Oito Baixos (a chamada "Pé-de-Bode"). E, mais recentemente, Badia também vem se apresentando cantando em dupla com Valdemar de Brito Vanderlei, o Nêgo de Brito (foto acima à esquerda).

Com sua Viola, Badia de Medeiros, já levou a Música Caipira a diversos cantos do Brasil. Ganhou também o Prêmio Renato Russo no ano de 1998. E, em 2002, Badia Medeiros se apresentou juntamente com os célebres Violeiros Paulo Freire e Roberto Corrêa, no show "Violas do Brasil", espetáculo esse que, através do Projeto "Sonora Brasil" do Serviço Social do Comércio - SESC, foi mostrado em 36 cidades de 8 Estados Brasileiros. Dessa turnê, surgiu o CD "Esbrangente", conforme mencionado logo abaixo.

Em 2003, Badia se apresentou novamente com Roberto Corrêa, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro em Brasília-DF, no show "Violas do Sertão", apresentação essa que fez parte da programação do XXV Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília!

E, em 2004, Badia de Medeiros gravou o seu primeiro CD solo, intitulado "Badia Medeiros – Um Mestre do Sertão", lançado pela Viola Correa Produções Artísticas, Empresa da qual o Violeiro e Professor Roberto Corrêa é proprietário.

Antes disso, Badia já havia feito alguns registros sonoros de suas Músicas, como por exemplo, em 1999, no CD Sertão Ponteado - Memórias Musicais do Entorno do DF, com gravações originais da tradição popular, pesquisa de Roberto Corrêa e Juliana Saenger. Esse CD, por sinal, foi indicado para o Prêmio Rodrigo Melo Franco, realizado pelo IPHAN, e faz parte da "Série Cultura Popular Viola Corrêa". O mesmo pode ser adquirido pelo Apreciador através do Site Oficial de Roberto Corrêa.

E, em 2001, Badia Medeiros participou do álbum de 10 CD's intitulado Cartografia Musical Brasileira, interpretando "Recordação do Passado" (Badia Medeiros); esse álbum também conta com a participação de excelentes Músicos do quilate de Rogério Gulin (integrante do grupo Viola Quebrada), Juraíldes da Cruz, "Zé da Velha e Silvério Pontes", "Janela Brasileira", "Grupo de Tradições Marajoaras Cruzeirinho", e "Quinteto de Cordas de Curitiba-PR", apenas para citar alguns! Esse CD é oriundo do programa "Rumos Musicais", realizado pelo Itaú Cultural.

Quero destacar aqui o CD Esbrangente, que é fruto de uma turnê que Roberto Corrêa, Badia Medeiros e Paulo Freire fizeram pelo Brasil em 2002. De acordo com Paulo Freire, "...seja no interior de Santa Catarina, na capital do Acre, Norte do Amapá, Sertão Cearense ou à beira do incrível Mar Alagoano, o que mais marcou esta turnê foi a alegria que brotava no público ao final de cada espetáculo!"

Paulo Freire também menciona que "...um dia, Badia precisava dizer algo além de abrangente, que fosse mais para a frente, que atingisse um tanto de légua adiante. Então soltou: 'esbrangente'! Não era a primeira vez que nos dizia uma palavra nova, uma expressão curtida no tempo do Sertão. Como todas as outras vezes, paramos tudo e pedimos para repetir. Pois lá veio a tal. E lembrei-me de uma frase do poeta Manoel de Barros: 'Não gosto de palavra acostumada'. Então percebemos: este era o espírito de nosso encontro. Era o momento de juntar tudo: as músicas, causos e sapateados que vinhamos trabalhando, cada um em seu canto..."

Sobre o nome do CD "Esbrangente", Badia Medeiros veio com esse exemplo: "Tem dois lotes, um vizinho do outro, e não é possível pedir para o agrimensor medir. Então chama o vizinho, vai com ele até o lote e faz por conta própria. Com o muro pronto, o agrimensor aparece tempos depois e mede. Aí, se meu lote entrou dentro do vizinho, ele diz assim: a sua divisa abrangeu tantos centímetros dentro da outra. Isso é abranger. Esbranger é outra coisa, é notícia. Se diz assim: a notícia esbrangeu no mundo todo, pois o povo é doido pelas novidades".

Badia Medeiros participa do CD "Esbrangente" em quatro faixas, interpretando juntamente com Roberto Corrêa as Músicas "Inhuma do Badia" (Badia Medeiros), "Quase Verdade" (Badia Medeiros), "Fogo na Macega" (Badia Medeiros) e "Desembolada" (Tradicional - adaptação: Badia Medeiros) (a Música, cujo trecho o Apreciador ouve ao acessar essa página).

Além dessas faixas, o CD brinda o Apreciador com belíssimas Obras Primas do Cancioneiro Caipira Raiz, interpretadas por Paulo Freire e Roberto Corrêa, tais como "Pagode Em Brasília" (Teddy Vieira - Lourival dos Santos), "Viola Quebrada" (Mário de Andrade - Ary Kerney), "Siriema" (Nhô Pai - Mário Zan), "Tristezas do Jeca" (Angelino de Oliveira), além da narração de Paulo Freire em "O Causo Do Angelino" (Paulo Freire) que nos mostra um momento bastante peculiar vivido por Angelino de Oliveira, que também é narrado no excelente livro de Paulo Freire "Eu Nasci Naquela Serra" (Ver Referências Bibliográficas na página Para saber mais... nesse site).

Clique aqui e veja mais detalhes sobre o CD "Esbrangente" no Site Oficial de Paulo Freire.

Aliás, sobre esse maravilhoso CD, tenho que citar uma célebre frase do Paulo Freire: "Vai Ouvindo!"

Merece destaque também a composição "Detrás da Serra" (Badia Medeiros) que foi escolhida como Música-Tema para o Filme "À Margem do Corpo" (Direção: Debora Diniz; Direção de Produção: Fabiana Paranhos; Lançado em 2006). Clique aqui e visite o Site Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero e veja mais detalhes sobre essa interessante Produção.

Na foto abaixo, Badia Medeiros e Volmi Batista em Fevereiro de 2004, num momento descontraído, na residência de Volmi no Distrito Federal, ocasião na qual eu também havia conhecido pessoalmente Zé Mulato e Cassiano, Carreiro e Carreirinho, Vanderley e Valtecy, Fernando e Osmair e Aparício Ribeiro, além do próprio Badia Medeiros e do Empresário da VBS - Viola Brasileira Show, que é o Volmi Batista.





Obs.: As informações contidas no texto desta página são originárias principalmente da Revista Viola Caipira editada pelo Pinho em Belo Horizonte-MG, e também dos sites da VBS - Viola Brasileira Show, Site Oficial de Paulo Freire, Site Oficial de Roberto Corrêa, Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, Olaria Cultural, Revista Alcance, Culturas Populares, ANIS - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, Clique Music - UOL e Itaú Cultural. Ver mais detalhes e links na página Para saber mais... onde constam as Referências Bibliográficas sem as quais a elaboração desse site teria sido impossível.





Essa viagem pela Música Caipira Raiz continua: Clique aqui e pegue o trem, que ele agora irá para Olímpia-SP e Pirangi-SP, passando também por Itapira-SP. Conheça essa dupla que, com suas belíssimas vozes, apesar de poucos discos gravados, ganhou prestígio no meio artístico e faz parte da História da autêntica Música Caipira Raiz. Conheça um pouquinho da dupla Vadico e Vidoco, conhecida carinhosamente como a "Dupla Café Com Leite".


Ou então, se você preferir outro compositor ou intérprete, clique aqui e "pegue outro trem para outra estação", na Página-Índice dos Compositores e Intérpretes.
















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