Três Grandes Botucatuenses: Angelino de Oliveira, Raul Torres e Serrinha









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Continuando a "viagem" pelo "Maravilhoso Mundão Velho Sem Porteiras" da Música Caipira Raiz, não poderei jamais deixar de "abrir um parêntese" para falar um pouquinho sobre uma Cidade que já ocupou 25% da área territorial do Estado de São Paulo, que foi um dos principais pontos de parada dos tropeiros e que "nos deu três filhos ilustres" na nossa Boa Música Brasileira.

À esquerda, a Catedral de Botucatu-SP, em estilo Gótico, foto essa que foi uma cortesia do Site Oficial da Cidade, o qual também convido o Apreciador a fazer uma visita. Em 17/03/2003, tive o prazer de conhecer um pouquinho da "Cidade dos Bons Ares" (Catu = Bom; Ybytu = Vento - de acordo com o "Vocabulário Tupi-Guarani - Português" do Professor Silveira Bueno) , situada numa altitude média de 804 metros do Nível do Mar, na Região Centro-Sul do Estado de São Paulo, e que tem esse nome, pois os Índios, nossos Habitantes Nativos, já sabiam dessa característica climática do lugar, antes mesmo dos nossos "Antepassados Portugueses" aportarem as Caravelas nessa "Nossa Terra Descoberta por Cabral"...

Além dos "Bons Ares", também é a "Cidade das Boas Escolas", já que, com seu sistema de Ensino reconhecido internacionalmente, atrai estudantes de todo o Brasil e até mesmo do exterior para os cursos de Graduação e Pós-Graduação da UNESP, entre outras boas Entidades de Ensino.

A Cidade dos Bons Ares foi o berço de três grandes Compositores Brasileiros:

Angelino de Oliveira
(17/06/1889 - 24/04/1964)
(compositor de "Tristezas do Jeca", "Moda de Botucatu" e "Incruziada", entre outras)


Raul Torres
(11/07/1906 - 13/07/1970)
(compositor de "Chico Mulato", "Cabocla Tereza", "Moda da Mula Preta", "Mestre Carreiro" e da letra de "Saudade de Matão", entre outras)


Antenor Serra, o Serrinha
(26/06/1917 - 19/08/1978)
(compositor de "Chitãozinho e Xororó", "Bom Jesus de Pirapora" e "Do Mundo Nada Se Leva", entre outras).


É certo que Angelino de Oliveira não nasceu em Botucatu-SP. Ele nasceu em Itaporanga-SP. Mas mudou-se com a família para Botucatu-SP com seis anos de idade e o amor que ele tinha por esse lugar realmente fazia com que ele considerasse a "Cidade dos Bons Ares" como "sua Terra Natal", já que, mesmo após um cargo bem sucedido em Ribeirão Preto-SP, ele "largou tudo", pegou o trem, e retornou com a esposa e os filhos para Botucatu-SP, cidade que ele não conseguiu deixar por um só instante!!

Raul Torres e Serrinha, por outro lado, nasceram na Cidade dos Bons Ares, sendo que Serrinha era sobrinho de Raul. Foi inclusive com Serrinha que Raul Torres formou a dupla, antes de cantar com Florêncio.

Antes de falar sobre os Três Filhos Ilustres da Cidade dos Bons Ares, quero dar um destaque especial ao Museu do Boiadeiro Moacir Fabiano, o qual, juntamente com minha Esposa, tive o prazer de visitar no mesmo dia 17/03/2003, ocasião na qual "entabulei uma conversa" bastante agradável com o proprietário do Museu que é o Sr. Moacir de Campos que, já tendo sido Boiadeiro, já tendo conduzido as Boiadas por este imenso Brasil, reuniu uma coleção de cerca de 1500 peças que nos fazem "viajar no espaço e no tempo" e (por que não?) gostar ainda mais da Nossa Música Caipira Raiz!!!

O Museu do Boiadeiro foi inaugurado em 29/04/2000 e fica na Praça José de Souza Nogueira Nº. 140 - Fone: (14)3813-8245 - no Distrito de Rubião Júnior - no lado esquerdo da Rodovia Marechal Rondon, para quem chega da Capital Paulista; o centro de Botucatu-SP, por outro lado, se localiza no lado oposto da estrada. A própria instalação bem simples do museu já nos põe em contato com a simplicidade do Boiadeiro, do Homem do Campo! Não há "formalidades" e o próprio dono do Museu é o nosso Cicerone explicando-nos a sua História!

O Sr. Moacir de Campos ("Fabiano" é um apelido carinhoso que ele tinha desde o tempo de Boiadeiro - na verdade era o nome de seu Avô!) nos contou algumas Histórias muito interessantes da Vida dos Tropeiros e também nos deu ótimas explicações sobre cada objeto exposto, além de diversas fotos nas quais ele estava presente com diversos Compositores e Intérpretes famosíssimos de nossa Música Raiz!!

A letra da música "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio), embora já a conhecesse em excelentes interpretações ( Pedro Bento e Zé da Estrada e também Sérgio Reis, dentre outros), possui agora para mim um significado ainda mais profundo, depois da visita que fiz ao Museu do Boiadeiro e da conversa com Moacir Fabiano: o compositor Índio Vago também foi companheiro do Sr. Moacir como mostra a foto à esquerda, tirada em 29/10/1956, com Sr. Moacir à esquerda e Índio Vago à direita. O local é a Cachoeira de Emas, junto à barranca do Rio Mogi-Guaçu, a cerca de 9 Km de Pirassununga-SP.


Clique aqui, veja a letra e ouça uma gravação de "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio) interpretada pela dupla "Ouro e Pinguinho" numa gravação em vinil fora de catálogo.


Clique aqui e veja mais um pouquinho do acervo do Museu do Boiadeiro Moacir Fabiano.


Clique aqui e não deixe de ver também a visita que Paulo Roberto Moura Castro e Ramiro Vióla fizeram algum tempo depois ao Museu do Boiadeiro Moacir Fabiano, com bastante riqueza de detalhes, destacando inclusive o Carro de Boi.


Tive oportunidade de revisitar o Museu do Boiadeiro e rever o Moacir Fabiano no dia 10/04/2007, dessa vez em companhia do excelente Violeiro Ramiro Vióla.


Na foto acima e à direita, Ricardinho, Ramiro Vióla e Moacir Fabiano no interior do Museu do Boiadeiro. E, na foto à esquerda, Ricardinho, Moacir Fabiano e Ramiro Vióla no portão do Museu do Boiadeiro Moacir Fabiano.



Deixo aqui portanto a recomendação: indo a Botucatu-SP, não deixe de visitar o Museu do Boiadeiro Moacir Fabiano. Vale a pena! Agende a visita com o Sr. Moacir pelo telefone (14) 3813-8245.


Clique aqui e veja também alguns belíssimos cartões postais da cidade de Botucatu-SP.



E agora, vamos falar um pouquinho sobre esses "Três Grandes Compositores Botucatuenses":




ANGELINO DE OLIVEIRA



"Cumprimentar e saudar o autor de "Tristezas do Jeca", música que nossa gente consagrou como sua música pelo resto dos tempos, é sempre um prazer grande e honroso. Esse prazer se torna muito maior e muito mais significativo neste momento, quando nos cabe a honra de comunicar ao grande compositor paulista, que mais uma vez sua inspiração e seu talento merecem do povo de sua terra mais uma forma expressiva de aplauso e consagração. É que depois de demorada e minuciosa investigação, que abrangeu os mais variados setores da opinião pública, a Organização Victor Costa veio a escolher essa linda melodia para prefixo musical de suas emissoras de rádio e televisão. Assim, dentro de poucos dias, antes de todos os programas da Rádio Nacional de São Paulo, da Rádio Excelsior de São Paulo, da Rádio Clube de Santos e da TV Paulista Canal 5, estará no ar a assinatura musical em questão, em arranjo delicado e bonito. Essa presença de "Tristezas do Jeca" nos céus do Brasil será uma homenagem permanente ao artista privilegiado que criou um momento de rara beleza, hoje transformado por todos na página musical mais representativa de São Paulo e dos Paulistas. Será a invocação constante e merecida de um artista que soube transmitir com sensibilidade e poesia toda a ternura que sentia por sua terra e sua gente."

Publicada na Folha de Botucatu em 11/11/1959, e também nas páginas 37 e 38 do livro "Eu Nasci Naquela Serra" de Paulo Freire (ver Referências Bibliográficas na página Para Saber Mais... desse site), a citação acima foi uma carta que Angelino de Oliveira recebeu das Organizações Victor Costa de Rádio e TV de São Paulo e do Rio de Janeiro. A Folha de Botucatu só publicou a carta depois de muita insistência do Delegado Agnelo Audi e do reporter Jayme Contessote que convenceram Angelino a mostrar publicamente a referida carta!

Conforme já foi mencionado, o compositor da célebre "Tristezas do Jeca" nasceu em Itaporanga, mas, com certeza, foi "Botucatuense de Coração", já que, aos seis anos, ele se mudou juntamente com seus pais para a Cidade dos Bons Ares.

Após concluir o Curso de Odontologia e ter sido bem sucedido como Escrivão de Polícia em Ribeirão Preto-SP, "a saudade apertou" e ele retornou com a Esposa e os Filhos para Botucatu-SP, seu "Pedacinho de Chão"! Corajosamente ele largou um emprego estável para se aventurar!

Em Botucatu-SP foi proprietário da loja "A Musical" que vendia instrumentos musicais, partituras e demais acessórios. Foi também Diretor Artístico da Rádio Municipalista de Botucatu-SP. Estudou Violão, Violino e Trombone (tendo integrado a Banda de Música São Benedito em Botucatu-SP), mas seu instrumento predileto foi o Violão, o qual Angelino também tocou em Duo com o Guitarrista José Maria Peres (o Duo "Vi-Gui" que queria dizer "Violão e Guitarra") e, posteriormente esse Duo se transformou no Trio "Vi-Gui-Pi" já que Luiz Cardoso, ex-Padre e pianista passou a integrar o conjunto.

Angelino conheceu José Maria Peres no distrito de Capão Bonito (hoje, Rubião Júnior, onde fica o Museu do Boiadeiro Moacir Fabiano, mencionado nessa página) em 1908 numa festa em louvor a Santo Antônio na Igreja em forma de Castelo no alto do morro (na foto à direita, a qual foi uma cortesia do Site Oficial de Botucatu, o qual convido o Apreciador a fazer uma visita). José Maria Peres, filho de espanhóis, e nascido em São Manuel-SP e dois anos mais novo, foi o parceiro que teve mais afinidade musical com Angelino e juntos os dois tocaram por quase 60 anos! Apesar do sobrenome Peres, sua origem espanhola e o fato dele ser de São Manuel-SP, não encontrei até o momento nenhuma evidência que pudesse confirmar ou não o parentesco do parceiro de Angelino de Oliveira com a família de Tonico e Tinoco, também Pérez e de origem espanhola.

A mais célebre composição de Angelino, conforme já foi mencionado, foi a toada "Tristezas do Jeca", o verdadeiro "Hino do Caipira", a qual foi composta em 1918, editada 1922 e gravada pela primeira vez, só que na forma instrumental, em 1925. A primeira gravação cantada foi em 1926 na voz de Patrício Teixeira. Mas a primeira gravação que realmente tornou célebre "Tristezas do Jeca" ficou a cargo do cantor Paraguassu (Roque Ricciardi 25/05/1894 - 05/01/1976) em 1937 (gravação Colúmbia - Matriz 3431).

Para nossa Felicidade, a Revivendo Músicas reeditou em CD (RVCD-056) essa histórica gravação que é a décima faixa do CD (ver Referências Discográficas na página Para Saber Mais...).

"Tristezas do Jeca" também foi gravada por gente de renome como Tonico e Tinoco, Inezita Barroso, Pena Branca e Xavantinho, Sérgio Reis, Passoca, Zico e Zeca, Irmãs Galvão e muitos outros! Esta composição atravessou fronteiras e serviu muitas vezes como fundo musical ao se falar sobre o Brasil no exterior. Mazzaroppi também empregou "Tristezas do Jeca" no filme homônimo em 1961, ocasião na qual chegou a ter uma pequena desavença com Angelino quanto aos direitos autorais, mas que foi rapidamente resolvida num encontro entre Mazzaropi e Angelino de Oliveira.

Também foi "um espetáculo inesquecível" a estréia da toada "Tristezas do Jeca", a qual se deu no Clube 24 de Maio em Botucatu-SP em 1918. Marília Banducci e Aurélia Gouveia cantaram a belíssima melodia acompanhadas pelo próprio Angelino no Violão. Após um "curto silêncio" que sucedeu o último acorde, iniciou-se um aplauso que, de início tímido, prolongou-se, seguido então de pedidos de bis e, segundo depoimentos, a música foi "bisada" cinco vezes naquela noite!! E, ao que consta, parece que Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado, que na época contava 11 anos de idade, presenciou esse momento maravilhoso da nossa Boa Música Brasileira, pois seu pai era zelador do Clube 24 de Maio em Botucatu-SP.

Curiosamente, "Tristezas do Jeca" não era a preferida de Angelino de Oliveira! Ele mesmo se espantava com o sucesso de sua composição. Inclusive ele às vezes se esquecia de parte da letra quando as pessoas insistiam para que ele tocasse "a tarzinha"..., principalmente no Colosso, que era o bar preferido onde Angelino gostava de seus encontros musicais com os diversos amigos, tendo sempre presente o José Maria Peres. "Tristezas do Jeca" chegou a ser utilizada como prefixo pela BBC de Londres quando a mesma iniciava suas transmissões para o Brasil.

O sucesso de "Tristezas do Jeca" em interpretações consagradas como as de Tonico e Tinoco e Inezita Barroso nos faz "classificar" Angelino de Oliveira como um compositor de Música Caipira, o que não é verdade, em seu todo, já que Angelino também compôs muitas serestas e canções.

Quanto à Música Caipira, na época, o "progresso" da mesma já intrigava Angelino de Oliveira que implicava com os rumos que ela vinha tomando, principalmente quando se tratava dos "Dramas Sertanejos" que já faziam sucesso. Dizia Angelino:

"Gozada a moda desses caipiras, só fala em desgraça. O pequenininho tá chorando, a mãe vem e derrama um caldeirão de água quente na criança, aí o marido chega em casa, mata tudo e depois se suicida... é desgraça multiplicada por dez! Ah, larga a mão, parece que a música prá ser boa tem que ter desgraça dobrada!?"

Tudo isso, antes do início da década de 60!!

Para quem não conhecia Angelino, ele dava a impressão de ser bravo e mal-humorado. Sempre com a "cara séria", óculos de lentes grossas ("fundo de garrafa") e realmente não ria muito. Mas, para os amigos, era muito diferente... "fala mansa", humor fino, irônico... E, quem gostava de Angelino era o proprietário do Colosso! No auge da empolgação, sempre punha mais uma cerveja na mesa de Angelino e seus amigos! Também pudera, Angelino tornava interessante, alegre, movimentado e atraía mais clientela para o seu bar preferido! Aliás o autor de "Tristezas do Jeca" era realmente uma celebridade em Botucatu-SP e sempre dava prestígio aos locais que freqüentava.

Também tinha a "fama de boêmio", mas... o que seria um boêmio? Para Angelino, ser boêmio não era necessariamente estar bêbado (e ele "sabia beber", sem dar vexame! Uma cerveja, ou uma boa pinguinha, "era com ele mesmo..."), mas sim, amar a noite e a boa música, fosse na mesa do bar, na própria casa, ou até mesmo na beira de um rio! Zezinho do Nascimento dizia que "o boêmio não está obrigado a nada porque ele também nada pediu. Faz aquilo que bem quer (...) alguém põe um copo de vinho; se ele quiser, bebe; senão, como não está obrigado a nada, ele não bebe. Pode até ficar bêbado, acontece, mas aí já é outra história..." (citado nas páginas 29 e 30 do livro "Eu Nasci Naquela Serra" de Paulo Freire).

E, dessa forma, com os filhos crescidos e encaminhados, Angelino se mantinha com o que ganhava de Direitos Autorais, vivia modestamente, no entanto, vivia do jeito que gostava de viver; morava na Capital Paulista, mas sempre ia passar alguns dias (que não eram poucos!!) na Cidade dos Bons Ares, ao lado dos grandes amigos e sempre dedicado à sua Arte Musical. Novas composições afloravam praticamente "a qualquer hora e em qualquer lugar".

Também teve suas desavenças com o Dr. Aleixo, que sendo descendente de Italiano, brigava muito com Angelino que "não comia nem dormia direito" e "queria porque queria que ele parasse de beber"!. Gastão dal Farra, Desenhista e Professor Secundário, e também um dos grandes amigos dos encontros musicais na mesa do Colosso, por sua vez, "comprava a briga" com o médico: "... você não pode fazer isso com o paciente! Assim você mata ele antes do final da consulta..."

Dr. Aleixo, de sangue italiano "que fervia" não era homem de meia palavra; o que tinha de dizer, dizia mesmo, na hora, doesse a quem doesse! Taxativo dizia que se Angelino continuasse a levar aquele tipo de vida não duraria muito... Lógico que Angelino não obedeceu o Dr. Aleixo! E "a briga foi feia"...

Angelino parecia não ligar para as coisas mundanas, vivendo intimamente "com suas próprias leis". Acendia seu cigarro, "esquecia de comer", bebia uma pinguinha... para desespero cada vez maior do Dr. Aleixo com seu "orgulho ferido"...

Era incrível como a Música fluía naqueles encontros, sendo que não existia ali um único Músico Profissional. Tinha professor, gerente de banco, médico, desenhista e diversos aposentados. Moravam todos na "Cidade dos Bons Ares", exceto o Zé Maria Peres, que morava em São Manuel-SP, há cerca de 22 quilômetros dali. Além de José Maria, Gastão Dal Farra, Jurandir Trench, Zezinho e Zorico Nascimento (dupla que chegou a apresentar o programa de auditório "A Alma do Sertão" na Rádio Emissora de Botucatu-SP), Toninho Ramos, Reinaldo Piozzi, Trajano Pupo, Roberto Policaro, Otacílio Paganini, La Corte, Aleixo Del Manto (o "médico briguento") e outros mais...

Quero aqui "abrir um parêntesis" para falar um pouquinho sobre o Zezinho Nascimento (foto à esquerda), esse Caipira Autêntico que, em companhia de Ramiro Vióla, eu tive a felicidade de conhecer pessoalmente, na cidade de Anhembi-SP, onde reside atualmente junto com sua esposa Júlia.

Nascido em Jaboticabal-SP no dia 15/08/1913, José Mariano do Nascimento, foi criado em Botucatu-SP e, a partir de 1944, passou a residir na cidade de Anhembi-SP, onde já foi inclusive Prefeito. Juntamente com seu irmão, Zezinho formou a dupla "Zezinho e Zorico" (foto à direita), conforme mencionado logo acima.

Ao que consta, a dupla "Zezinho e Zorico" não chegou a gravar nenhum disco. Por outro lado, Zezinho Nascimento interpreta, juntamente com Ramiro Vióla e Pardini, a Música "Prece" (Angelino de Oliveira), no CD Álbum Duplo "Angelino de Oliveira - Arquivo" (ver logo abaixo menção sobre esse excelente trabalho discográfico).

Bastante lúcido e demonstrando grande conhecimento da Cultura Caipira Raiz, Zezinho Nascimento era o único dos companheiros daqueles encontros com Angelino de Oliveira que continuava vivo até o dia desse nosso encontro - 10/04/2007. Lembrar que Zezinho nasceu 7 anos antes de Tinoco e 8 anos antes de Carreirinho, dois grandes Patriarcas da Música Caipira Raiz. E, naquele dia 10/04/2007, juntamente com Ramiro Vióla, tive a oportunidade de assistir a uma excelente "Aula de História Musical Brasileira", numa conversa bastante agradável. Na foto à esquerda, Zezinho Nascimento e Ramiro Vióla, na residência de Zezinho em Anhembi-SP.

Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Zezinho, o Acordeonista João Cicino, "Cumadre" Balbina "Esther" e Zorico, em 1942, foto pertencente ao arquivo de Zezinho Nascimento:



Na foto abaixo, Ricardinho e Zezinho Nascimento, nesse encontro de 10/04/2007 em sua residência:



E, na foto abaixo, Ricardinho, Netinha (minha Esposa), Zezinho Nascimento, Dona Júlia e Ramiro Vióla, nesse encontro de 10/04/2007:



Zezinho Nascimento "partiu para o Andar de Cima" pouco antes de completar 97 anos de idade, no dia 21/07/2010, em Piracicaba-SP onde estava internado. Seu corpo foi sepultado na cidade de Anhembi-SP, onde ele residia com sua Esposa Dona Júlia.

Maria Lúcia, filha de Gastão Dal Farra, também gostava bastante da música que Angelino compunha, tocava e cantava, muitas vezes na própria casa onde ela morava. Um dia ela manifestou a Angelino a sua preocupação: "... um dia, cê vai embora, e como é que vai ser? Todas essas músicas...". Mas Angelino não se preocupava com isso, dizia viver das coisas que "aconteciam no momento"... E dizia que tinha o Gastão, o Trajano, o Aleixo...

Desnecessário dizer que muita coisa linda se perdeu!! Conhecemos realmente "mui pouco, mas mui pouco mesmo" da grande obra musical de Angelino de Oliveira. Um pouquinho daquelas maravilhas musicais até chegou a ser gravado, no entanto, os antigos gravadores eram realmente bastante precários e as fitas hoje são praticamente inaudíveis. Muito da produção de Angelino está apenas na memória de alguns amigos, como por exemplo, a própria Maria Lúcia. As músicas instrumentais, então, praticamente todas se perderam, já que com o falecimento do leal amigo José Maria Peres, não existia mais ninguém que as soubesse tocar, já que também não foram escritas em partituras...

Maria Lúcia Dal Farra, por outro lado, tem uma brilhante participação no album duplo que Ramiro Vióla e Pardini lançaram em Maio de 2002, intitulado “Angelino de Oliveira - Arquivo”, projeto esse que era um antigo sonho do Deputado Dr. Braz Nogueira, que era, por sinal, grande amigo de Angelino de Oliveira.

Os dois CD's desse álbum duplo contam com a colaboração artística de diversas pessoas, dentre elas, Rivaldo Corulli (produtor do excelente programa "Viola Minha Viola" na TV Cultura de São Paulo-SP), Oliveira Neto e o Deputado Dr. Braz Nogueira, além da própria Maria Lúcia que, voluntariamente, abraçaram essa idéia para resgatar as obras desse excelente compositor que lamentavelmente só é conhecido pelo seu maior sucesso que foi “Tristezas do Jeca”!

Com uma excelente coletânea de músicas de Angelino de Oliveira, este CD está sendo distribuído gratuitamente em todas as Escolas de Botucatu-SP. A tiragem foi de 1000 exemplares.

Ramiro Vióla e Pardini têm também um "Livro de Registro de Recebimento" onde aqueles que recebem deixam registrada a sua emoção. Posteriormente esse livro será colocado no Museu Angelino de Oliveira na cidade de Botucatu-SP, juntamente com o depoimento de cada contemplado para que as futuras gerações pesquisem e conheçam as suas Raízes e nossas histórias Caipiras e culturais!

A saúde de Angelino realmente não estava nada boa e, com 75 anos incompletos, foi internado algumas vezes em Botucatu-SP, acabou por ser internado em São Paulo. Aos amigos que o visitavam, ele dizia estar vendo "...a rua reta de Itaporanga, lá que eu nasci... reta, larga, tá vendo?..."

Em 24/04/1964, o último suspiro... Seu corpo foi transladado para o Cemitério Portal das Cruzes em sua tão querida Botucatu-SP, cidade que, apesar de não ter sido sua Terra Natal, foi amada por Angelino como sendo seu "verdadeiro pedaço de chão querido".

"Angelino de Oliveira: Ele foi o cantor de nossa terra e de nossa gente"

Foi a inscrição deixada no busto construído em sua homenagem na Praça do Bosque na Cidade dos Bons Ares.


Clique aqui e ouça "A Incruziada" (Angelino de Oliveira) interpretada por Cornélio Pires, Maracajá E Os Bandeirantes numa gravação histórica do Disco 78 RPM - 20031 - Gravadora Colúmbia - Gravado em Agosto de 1930 - do Acervo de José Ramos Tinhorão - num excelente Arquivo Musical pertencente ao IMS - Instituto Moreira Salles, excelente site que se preocupa com a Preservação de Inestimáveis Acervos Brasileiros em termos de Música, Fotografia, Artes Plásticas e Biblioteca, o qual convido o Apreciador a visitar! Essa gravação, por sinal, faz parte dos famosos discos do "Selo Vermelho" da Colúmbia na iniciativa pioneira de Cornélio Pires.


Clique aqui, veja e ouça uma linda interpretação de "Tristezas do Jeca" (Angelino de Oliveira) a cargo de Ramiro Vióla e Pardini, num Arquivo Musical pertencente ao site YouTube, gravação essa que é do "Programa Nota 10", gravado no Museu do Boiadeiro de Moacir Fabiano, no Distrito de Rubião Junior, em Botucatu-SP, numa reportagem realizada com a participação de Álvaro Picado que foi amigo de Angelino de Oliveira, bem como do Sr. Moacir Fabiano, Proprietário do Museu e também do Daltim, genro do compositor Serrinha, também botucatuense. Trata-se de uma das interpretações mais autênticas e completas (com as quatro estrofes na íntegra) que se conhece desse maravilhoso clássico de Angelino de Oliveira, que é um verdadeiro Hino da Música Caipira Raiz!


O "Cumpadre" Ramiro Vióla, é, sem sombras de dúvida, um dos maiores Conhecedores do Trabalho Musical de Angelino de Oliveira!


Clique aqui e veja o Documento Histórico datado de 15/08/1939, pelo qual Angelino de Oliveira é convidado para ser Diretor Artístico da Rádio Emissora de Botucatu-SP (conhecida carinhosamente como PRF-8)!!! O convite partiu de Emílio Peduti, que era o Diretor Superintendente da renomada Emissora de Rádio!

Clique aqui e veja o Documento Histórico datado de 25/11/1981, referente à Lei que instituiu a "Semana Angelino de Oliveira", anualmente, na segunda Quinzena do mês de Junho, em Botucatu-SP, cujo Prefeito, na época, era Luiz Aparecido da Silveira. E o Autor e Idealizador desse maravilhoso Projeto foi o saudoso Vereador Álvaro Picado Gonçalves, falecido em 05/02/2010.

As Cópias desses importantíssimos Documentos me foram gentilmente enviadas pelo "Cumpadre" Ramiro Vióla, que forma a excelente Dupla com o "Cumpadre" Pardini, e que é uma das Duplas que mais divulga a Obra Musical dos Três Botucatuenses homenageados nessa Página!!!

Muito obrigado, "Cumpadre" Ramiro Vióla!!! Parabéns por esse maravilhoso gesto que ajuda a preservar a Memória Musical Brasileira!!!


Clique aqui, e ouça "Saudades de Botucatu" (Angelino de Oliveira) interpretada pela Dupla "Ramiro Vióla e Pardini", num belíssimo Arquivo Musical que me foi gentilmente enviado pelo "Cumpadre" Ramiro Vióla!!!




RAUL TORRES



"Conheci Raul Torres nos tempos de criança quando ele, assim como meu pai, trabalhava na Estrada de Ferro Sorocabana. Por mais de uma vez, ele foi meu presente de aniversário, indo tocar e cantar lá em casa, nas festinhas infantis, como se estivesse num grande palco! O que é bem próprio dos verdadeiros artistas. Foi uma admiração total por ele enquanto viveu, culminando com a felicidade de ter gravado um desafio com tão importante figura, quando eu iniciava minha vida profissional. Às vésperas de sua morte, recebi dele uma fita com uma canção que eu deveria defender num dos Festivais de Música Sertaneja. Não é preciso dizer da minha emoção. Essa canção permanece inédita, pois nos preparativos do Festival aconteceu sua morte."

Citado na página 55 do livro "Eu Nasci Naquela Serra" de Paulo Freire (ver Referências Bibliográficas na página Para Saber Mais... nesse site), temos um depoimento de nossa grande e respeitadíssima cantora e pesquisadora de Folclore Inezita Barroso que teve o prazer de conhecer ainda criança Raul Montes Torres.

Compositor de inúmeros grandes sucessos na Música Caipira Raiz, tais como "Moda da Mula Preta" (Raul Torres), "Cabocla Tereza" (João Pacífico - Raul Torres), "Pingo D' Água" (João Pacífico - Raul Torres), "Chico Mulato" (João Pacífico - Raul Torres) (além da letra de "Saudade de Matão" cuja autoria da melodia é atribuída a Jorge Galatti e Antenógenes Silva, como veremos adiante nesse resumo biográfico), Raul Torres foi também pioneiro do Rádio Brasileiro. Esse filho de Espanhóis (que haviam chegado em Botucatu-SP em 1898) também foi "Cocheiro Oficial" no Jardim da Luz na Paulicéia Desvairada, para onde havia se mudado em 1920, quando contava 14 anos de idade. Na Estrada de Ferro Sorocabana trabalhou como Lenheiro. Foi aliás com esse emprego na Sorocabana que Raul Torres incentivou e conseguiu a transferência do seu sobrinho Antenor Serra - o Serrinha - de Botucatu-SP para a Capital Paulista, pois Raul sabia do potencial musical do sobrinho.

Raul Torres integrou também alguns grupos musicais tais como "Turunas Paulistas", "Batutas Paulistanos", "Chorões Sertanejos" e "Bando dos Baitacas".

Conforme já mencionado na página dedicada a João Pacífico, após uma "receptividade inicial bastante negativa" da embolada "Seu João Nogueira" (Raul Torres havia recomendado que João a "jogasse no lixo"...) em 1935, foi quando Raul (na foto à direita com João Pacífico) leu com mais atenção a letra e viu o verdadeiro valor que possuía: nascia aí uma das mais produtivas parcerias em nossa Boa Música Brasileira: Raul Torres e João Pacífico. Também foi "Marca Registrada" dos dois parceiros a criação do gênero "Toada Histórica", o famoso "falar e cantar" que imortalizou "Chico Mulato" e "Cabocla Tereza", músicas essas que enfrentaram dificuldades técnicas no início, pois, como as músicas duravam mais de 3 minutos, não caberiam jamais em apenas um lado do disco. Após uma estudada e experimentada "maior aproximação entre os sulcos" do disco, finalmente foi gravada e os discos de "Chico Mulato" foram tocados nas rádios, alcançado estrondoso sucesso. Daí para "Cabocla Tereza", foi "um pulo", pois o diretor da gravadora passou a querer "mais daquelas de falar e cantar"...

O primeiro casamento de Raul Torres se deu em 1939 com Assunção Fernandes, no ano seguinte à histórica primeira gravação (na interpretação de Serrinha e Mariano) de "Saudade de Matão". Aliás, não podemos nos esquecer da polêmica gerada sobre essa célebre a Valsa Sertaneja:

Na Estação Ferroviária na cidade de Bebedouro-SP, Raul Torres viu um homem paraplégico que, sentado em sua cadeira de rodas, tocava seu violão. Raul ficou encantadíssimo com a melodia que fluía e não resistiu: pegou também o seu violão e pediu para que o homem lhe ensinasse a música. Raul perguntava, mas o homem não sabia nem o nome da música nem o nome do(s) compositor(es).

Após repetir várias vezes e memorizar a melodia, Raul Torres agradeceu ao homem e foi embora. Durante vários dias ficou sempre repetindo a melodia recém-aprendida, inclusive já em São Paulo. A melodia "parecia que perseguia Raul" em todos os lugares. Mas, nada de encontrar quem a conhecesse.

Algumas palavras "vieram à sua mente, seguidas de emoção"...

"Neste mundo eu choro a dor
Por uma paixão sem fim..."

E a letra que, por sinal, casava-se perfeitamente com a música já existente, estava composta! Era enorme a vontade de gravá-la, mas, cadê o(s) compositor(es)? E o nome da música?

Deixemos que o próprio Raul nos conte o que se passou (de acordo com o que nos diz Paulo Freire na página 75 do livro "Eu Nasci Naquela Serra"):

"Tratei de investigar quem era o autor da melodia (...) Na "Hora da Saudade", pelo microfone da Difusora, foi anunciado por muitos dias e até instituiram um prêmio para o autor desta valsa, caso se apresentasse com provas suficientes. O resultado foi nulo. Diante disso tudo, eu disse cá comigo: Vou em frente e seja o que Deus quiser". E em 1938, era lançado o maior sucesso do ano, atingindo logo uma venda de alguns milhares de discos.

Realmente a gravação na RCA com Mariano da Silva e Serrinha foi um grande sucesso. E não é que, a partir daí começaram a surgir "inúmeros supostos autores da música"? Eles apareciam aos montes "como se fosse uma epidemia", apesar de que ninguém conseguiu provar a autoria; mas "faziam barulho" e começaram a surgir também os comentários que diziam que "nem a letra seria de Raul Torres"...

Realmente foi desgastante: Raul passou meses procurando honestamente o autor, oferecendo prêmios no programa de rádio, e nada! E, como "faziam barulho" mas não apresentavam provas, a polêmica sobre a letra terminou, mesmo porque a competência de Raul Torres nesse sentido não deixava dúvidas. Mas continuava a polêmica quanto à autoria da música.

E, com a crescente popularidade da música que continuava a ser tocada, apareceu Jorge Galati que era o Regente da Banda da Cidade de Marília que, apresentando alguns documentos de 1904, "provou convincentemente" que a linda melodia havia sido por ele composta em Franca e o nome da música era "Francana". E, juntamente com os editores, foi finalmente dada a paternidade da música para Jorge Galati.

Resolvida a questão? Ainda não!

Antenógenes Silva, renomado Acordeonista, que também trabalhava em disco gravando juntamente com diversas Duplas Caipiras, quando foi chamado a gravar a referida música, "levou um susto" quando viu que "não estava entre os autores"!!

Antenógenes "jurava de pés juntos" que havia composto e gravado a valsa em 1918, pelo selo "Popular" (cujo proprietário era filho da famosa Compositora Chiquinha Gonzaga), porém na etiqueta do disco (78 RPM) tinha apenas e tão somente o nome "Francana". E, desgraçadamente, naquela época, no rótulo dos discos não saía o nome do autor das músicas!

Desnecessário dizer que foram mais brigas, denúncias, estações de rádio que tomavam partido de um lado ou de outro, brigas na Justiça entre Advogados das diferentes gravadoras, enfim, a confusão estava armada!

No fim, para terminar (ou amenizar?) a "briga", a "autoria oficial" da música ficou dividida entre Jorge Galati e Antenógenes Silva. Quanto à letra, pelo menos a grande maioria concordava que era mesmo de Raul!

E a "rainha das Valsas Brasileiras", "Saudade de Matão" ficou registrada, como "aceitamos" até hoje, como sendo de autoria de Jorge Galatti (sic), Antenógenes Silva e Raul Torres.

Assim como "Tristezas do Jeca" de Angelino de Oliveira, "Saudade de Matão" também atravessou fronteiras, tendo sido gravada inclusive em diversos países Europeus.

Nessa época Raul Torres cantava em dupla com seu sobrinho Serrinha (Antenor Serra também Botucatuense), dupla essa que durou de 1937 a 1942, dissolvida após um desentendimento entre o tio e o sobrinho.

As coisas realmente "não iam bem" para Raul Torres: Além dos desgastes gerados pela polêmica de "Saudade de Matão" e também dos constantes desentendimentos com o sobrinho Serrinha, os quais culminaram com a "separação" da dupla, Raul perdeu a esposa Assunção que veio a falecer em Fevereiro de 1942, após apenas três anos de casamento...

Após a separação da dupla com seu sobrinho, foi com Florêncio (João Batista Pinto de Barretos-SP) que Raul Torres passou a cantar em dupla (a dupla Torres e Florêncio na foto à esquerda). Florêncio havia tentado conciliar a profissão de Farmacêutico com a carreira artística, no entanto, com a crescente popularidade que vinha adquirindo nas rádios onde se apresentava na Capital e no Interior, acabou largando definitivamente a farmácia, e passou a se dedicar integralmente à carreira artística.

E João Pacífico continuava sendo um dos principais parceiros e letristas das composições celebrizadas pela dupla pioneira; ele mesmo dizia que "Ser compositor para a interpretação de Raul Torres e Florêncio é o mesmo que ter um emprego vitalício..." (citado na página 78 do livro "Eu Nasci Naquela Serra" de Paulo Freire). Também eram freqüentes as viagens de João Pacífico juntamente com Raul Torres e Florêncio ao Rio de Janeiro, onde gravavam seus discos. Na foto acima e à direita, Raul Torres, Florêncio e João Pacífico, na volta de uma de suas viagens à Cidade Maravilhosa.

E a Música Caipira nessa época já vinha sendo chamada de "Música Sertaneja", e dominava cerca de 40% do Mercado Fonográfico Brasileiro. Ao que consta, parece que o termo Música Sertaneja passou a ser utilizado cada vez com mais intensidade quando Palmeira (o mesmo que fazia dupla com Biá e que compôs "Disco Voador" e "Couro de Boi", dentre outras) que, na época trabalhava na Direção Artística da Gravadora Chantecler (hoje Warner Music), teria dito ao Brás Baccarin (também Diretor da Gravadora) que "esquecesse a Música Caipira", que "agora era só Música Sertaneja", já que as duplas já estavam gravando Canções Rancheiras, Tangos, Boleros, etc...

A dupla Torres e Florêncio foi realmente um "marco" que fez escola na Música Caipira. Escola essa que durou até o aparecimento de uma dupla que mudou bastante o panorama da Música Sertaneja: em 1944, Tonico e Tinoco eram "uma revelação" no programa do Capitão Furtado "Arraial da Curva Torta".

Raul Torres e Florêncio, juntamente com o Acordeonista Rieli, apresentaram na Rádio Record o programa "Os Três Batutas do Sertão" que ficou no ar durante quase 30 anos e só terminou quando do falecimento do Raul.

Francisco Alves e Sílvio Caldas, entre outros, no Rio de Janeiro, também eram amigos de Raul Torres. O Chico Viola chegou inclusive a ajudar no coro quando da gravação de "Quando o Sol Descamba", na RCA Victor; tal evento teve bastante repercussão na época, já que Francisco Alves era o maior ídolo do Brasil e, nessa gravação, atuou como sendo "apenas mais um integrante do coro do Caipira Raul Torres"...

Em 1944, uma seca terrível castigava o Interior Paulista. Em Barretos-SP, João Pacífico (que para lá havia viajado para se apresentar numa exposição de gado) viu os fiéis rezando e fazendo promessa numa procissão, para que a chuva viesse. A reza pela chuva inspirou João Pacífico que escreveu a letra de "Pingo D' Água", que logo foi musicada pelo Raul, que imediatamente gravou juntamente com Florêncio a belíssima melodia!

E qual é o Sertanejo que não se emociona com a letra de "Pingo D' Água"? O Homem do Campo que tanto depende da Natureza para o seu trabalho e para a sua sobrevivência! Esta composição de João Pacífico e Raul Torres tocou fundo o coração do Caipira que viu nela a sua realidade e também "uma esperança"...

A letra fala sobre "a promessa de, ao chegar a chuva, levar o primeiro pingo d' água e molhar a flor da Santa em frente ao Altar..." E a última estrofe encerra o poema de forma genial resumindo toda a emoção do Homem do Interior:

Em pouco tempo a roça ficou viçosa
A criação já pastava, floresceu meu cafezá
Fui na capela e levei três pingos d' água
Um foi o pingo da chuva... dois caiu do meu oiá...

Este fato é narrado com riqueza de detalhes nas páginas 79 a 81 do livro de Paulo Freire "Eu Nasci Naquela Serra", leitura que eu recomendo ao Apreciador da Boa Música Caipira Raiz (ver Referências Bibliográficas na página Para Saber Mais...).

Coincidência ou não, choveu no Interior Paulista dois dias depois do lançamento de "Pingo D' Água" e, em Barretos João Pacífico e Raul Torres foram até chamados de "Feiticeiros"... E que Feitiço Maravilhoso, não é mesmo?

O segundo casamento de Raul Torres se deu em 1955 com Adelina Barreira, que ele conheceu na Estrada de Ferro Sorocabana, onde ainda trabalhava no emprego que dividia com a carreira artística.

Raul também enfrentou problemas com a Política, já que com o Golpe Militar em 31/03/1964, sua composição "Desabafo" teve sua execução proibida, já que foi considerada "subversiva" por retratar uma realidade social e a má vontade dos que governam...

Mais um pouquinho sobre sua música: deixemos que o próprio Raul nos fale algo sobre seu aprendizado:

"Nunca tive professor de canto ou música. Entendo mesmo que a sincera e fiel interpretação das nossas canções, sambas, cateretês, etc., só pode existir na alma expontânea dos nossos sertanejos e, para eles, quase sempre, é inacessível o estudo. Mas é só com eles que se encontra a expressão do nosso clima, das nossas belezas naturais, que, com tanta nitidez sentimental, eles sabem traduzir na simplicidade poética de seus violões e violas."

Em 1969, quase no fim do ano, após um infarto, o médico proibiu Raul Torres de continuar apresentando "Os Três Batutas do Sertão" na Rádio Record. Florêncio continuou no comando do programa, enquanto Raul se recuperava. No entanto, em 1970, um novo infarto complica seu estado de saúde. O médico, sem esperanças, deixa que Raul vá para casa, recomendando repouso absoluto.

Faleceu sua irmã Isabel em 11/07/1970, coincidentemente no dia do 64º aniversário de Raul, no entanto ele nada soube, pois Adelina, sua segunda esposa não lhe deu a notícia, pois Raul poderia não suportar a emoção.

No dia seguinte (12/07/1970) a rádio anunciava que "Os Três Batutas do Sertão lançavam seu novo disco: O Maior Patrimônio da Música Sertaneja!" As músicas do disco ("Jacaré no Caminho", "A Mulher e o Trem", entre outras) foram executadas nas rádios durante o dia todo. Raul ao fim do dia foi dormir exausto e bastante emocionado. E nenhuma rádio anunciou a morte de sua irmã, conforme Adelina havia pedido encarecidamente!

E, no dia seguinte, à noite, 13/07/1970, "saiu do ar" uma das vozes mais queridas do Rádio Brasileiro. Recostado em sua cama, assistindo a um jogo de Futebol pela TV, Raul deixou esse Mundo Terreno aos 64 anos e dois dias...

Após seu falecimento em 1970, o programa na Record, apresentado por Florêncio e Rielinho, durou apenas mais algumas semanas, pois Florêncio não conseguiu prosseguir com o mesmo sem a presença do companheiro Raul. Bem que Florêncio havia tentado, pois esse era o desejo que Raul Torres havia expressado e era também o interesse da Rádio Record!

Mas, Florêncio sentia muita falta de Raul... Não viu mais sentido em continuar com o programa... e se despediu dos ouvintes...


Por outro lado, para nossa felicidade, existe um bom número de gravações de Raul Torres remasterizadas em CD existentes no mercado! Quero destacar os CD's RVCD-214, RVCD-215 e RVCD-216, lançados pela excelente gravadora Revivendo que nos mostram um excelente trabalho de León Barg em termos do resgate de excelentes gravações históricas, que vão de 1930 a 1964, algumas das quais disponíveis apenas em 78 RPM até então! São respectivamente os CD's "Raul Torres - Tá Vendo Muié", "Raul Torres & Serrinha - Suspira Meu Bem" e "Raul Torres e Seus Parceiros", este último com interpretações históricas de Raul Torres, juntamente com Mariano, Ascendino Lisboa, João Pacífico, Inezita Barroso, Inhana, Aurora Miranda, Jaime Vogeler e Ramoncito Gomes, além dos célebres parceiros Florêncio e Serrinha.

Além das gravações históricas resgatadas, os CD's da Revivendo também presenteiam o Apreciador com excelentes encartes contendo dados biográficos do artista, além das letras das músicas, explicações sobre as mesmas e os dados originais constantes no selo do "bolachão" 78 RPM!

Parabéns, León Barg!!


E, em Botucatu-SP, no dia 23/03/2007, foi inaugurada a Estátua em homenagem ao Raul Torres, na Praça Emílio Peduti (O Bosque), um belíssimo trabalho esculpido por Pedro César e que retrata o inesquecível Cantor e Compositor em tamanho natural. Quero aqui agradecer ao Ramiro Vióla e também ao Antonio Fernando Pereira da BOTUCATUR Turismo pelas informações e pelo precioso material que me foi enviado sobre a inauguração desse belíssimo monumento!

Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Ramiro Vióla, Ricardinho e o célebre Radialista Oliveira Neto, no dia 09/04/2007, junto à Estátua que homenageia Raul Torres em Botucatu-SP, ocasião na qual tive a alegria de conhecer pessoalmente essa excelente pessoa que é uma Lenda no Rádio Brasileiro!

Clique aqui e ouça a voz do Oliveira Neto numa de suas inesquecíveis narrações nos reclames da Bozzano na década de 1960, num arquivo musical pertencente ao site do Centro Cultural Vergueiro de São Paulo-SP.



E, na foto abaixo, da esquerda prá direita, Ramiro Vióla, Netinha e Ricardinho, no mesmo dia 09/04/2007, junto à Estátua de Raul Torres em Botucatu-SP:




Clique aqui e ouça "Festança No Tietê" (Raul Torres), interpretada por Raul Torres e Serrinha, numa gravação de 1939, no Lado A do disco 78 RPM N° 34479 da RCA Victor, num preciosíssimo Arquivo Musical proveniente do Acervo de Humberto Franceschi, que faz parte do excelente site do Instituto Moreira Sales. Essa Moda de Viola foi recolhida do Folclore e, mais tarde, com novas estrofes acrescentadas, passou a ser conhecida como a famosíssima "Moda da Pinga" (ou "Marvada Pinga") (Ochelsis Laureano - Raul Torres), gravada pela "madrinha" Inezita Barroso.




ANTENOR SERRA - O SERRINHA



"Posso dizer que sou um velho observador e admirador da maneira de ser do festejado violeiro e cantador, nome que já se constitui numa autêntica legenda do nosso Cancioneiro Caipira. Estou acostumado a ver, todas as Terças, Quintas e Sábados aquele moço de olhar manso e atitudes plácidas, entrando calmamente pelos corredores buliçosos da Cidade do Rádio, como se o meio ambiente em nada afetasse o extraordinário sossego que o mantém como que alheio a tudo. Serenamente dirige-se ao salão dos artistas onde se encontra com seus companheiros de trio e, depois de acertar os detalhes para o programa, queda-se por ali para conversar com os amigos (que não são poucos). Aproximando-se o momento de entrar no estúdio para a audição, lá vai o sossegado Serrinha, ao lado do Zé do Rancho e do Rielinho para, mais uma vez, com suas atuações brilhantes, escrever mais uma página de beleza para a história da radiofonia regional brasileira."

Citação do reporter J. Pacheco na Revista Sertaneja em Junho de 1958. Citado também na página 55 do livro "Eu Nasci Naquela Serra" de Paulo Freire (ver Referências Bibliográficas na página Para Saber Mais... nesse site).

O célebre compositor de "Chitãozinho e Xororó" (em parceria com Athos Campos), Antenor Serra, o Serrinha, era o segundo dos dois filhos de Antenor Serra Filho, Italiano, Motorista de Taxi; e sua mãe, Isabel Montez Serra, era irmã de Raul Torres, também nascido em Botucatu-SP. Josefa, a vó materna de Serrinha, era também a mãe de seu tio Raul que, percebendo os dotes musicais do sobrinho, quando este cantava com os amigos em Botucatu-SP, convidou-o a residir na Capital Paulista. Antenor, pouco antes, havia arrumado o emprego na Estrada de Ferro Sorocabana na Cidade dos Bons Ares; Raul Torres também trabalhava na mesma Empresa.

Em pouco tempo, Antenor Serra havia sido transferido de Botucatu-SP para a "Terra da Garôa"; na época, com 19 anos de idade, animado com o convite do tio Raul, mudou-se para São Paulo-SP. No Largo de Santa Cecília, ficava a pensão onde Serrinha morava no início de sua vida na Capital Paulista.

Luiz Marino Rabelo, companheiro de quarto de Serrinha na mesma pensão, também cantava. E, musicalmente, os dois se deram muito bem! Ao final da jornada de trabalho, Luiz e Antenor voltavam apressadamente à pensão e cantavam juntos as músicas de sucesso da época. Algum tempo depois, o mesmo Luiz Marino Rabelo ficou famoso cantando em dupla com Serrinha; seu nome artístico era Caboclinho! Mas essa dupla só aconteceu depois da "briga" de Serrinha com seu tio...

O tio Raul parece "ter sentido um certo ciúme" quando viu Serrinha cantando com Luiz Marino na pensão e, vendo as duas vozes tão afinadas, sentiu que ele é que deveria formar a dupla com Antenor o mais breve possível. E, conseqüentemente, Raul Torres e Serrinha (foto acima à direita) gravaram e fizeram sucesso com "Cavalo Zaino" (de Raul Torres). Também foi feita por Serrinha juntamente com Mariano da Silva a primeira gravação da célebre "Saudades de Matão" (Jorge Galatti, Antenógenes Silva e Raul Torres).

Em 23/05/1940, foi celebrado em São Paulo seu casamento com Olinda, após um "difícil namoro à moda antiga", já que o pai de Olinda "era uma fera"; de tamanha rigidêz que muitas vezes chegava à violência física; o casamento, por outro lado, só terminou com a morte de Serrinha em 1978.

Nessa época, Raul Torres ainda cantava em dupla com Serrinha (foto dos dois à esquerda). Um desentendimento, porém, modificou os rumos de ambos, e fez surgir duas novas célebres duplas caipiras: "Torres e Florêncio" e "Serrinha e Caboclinho" (Luiz Marino Rabelo, o mesmo Caboclinho que havia sido colega de Serrinha na mesma pensão onde ele morava no início da vida na Paulicéia Desvairada). Não se sabe ao certo quais teriam sido os motivos da "briga"; sabe-se porém que "o negócio foi feio", já que o tio e o sobrinho não voltaram mais a se falar. Cada um dos dois, por outro lado, seguiram com bastante sucesso as suas respectivas carreiras.

Em dupla com Caboclinho, Serrinha integrou um trio com Rielinho (o "Bacharel do Acordeom", filho do já famoso Rieli). Esse trio pioneiro ficou conhecido como "O Trio Mais Querido do Brasil". Trabalharam também no programa que durou 17 anos na Rádio Tupi de São Paulo.

Serrinha e Caboclinho também costumavam contar "histórias e causos" entre uma música e outra nos shows que faziam, sendo que Caboclinho era o "escada", o qual "incitava" Serrinha para contar as estórias.

O "Rei da Viola" como era conhecido Serrinha teve os maiores sucessos em parceria com Athos Campos ("Chitãozinho e Xororó") e também com Ado Benatti ("Bom Jesus de Pirapora").

Serrinha também fez dupla com Zé do Rancho após o falecimento de Caboclinho em 1954. Lembrar que Zé do Rancho também cantou em dupla com sua esposa Mariazinha. É o sogro de Xororó (que canta em dupla com Chitãozinho), sendo também o avô materno de Sandy e Junior.

Juntamente com Zé do Rancho, Serrinha integrou com Rielinho o novo "Trio Mais Querido do Brasil". Fizeram diversos shows e gravações e continuavam a apresentar o programa na Rádio Tupi às Terças, Quintas e Sábados sempre às 18:30.

Antenor Serra, o Serrinha enfrentou também momentos dificílimos durante a segunda guerra mundial, já que o Brasil havia ingressado na mesma, contra o "eixo" formado por Alemanha, Itália e Japão; Serrinha, sendo descendente de Italiano, foi denunciado (denúncia essa comprovada posteriormente como sem fundamento, já que havia partido de um inimigo que o invejava) como integrante da "Quinta Coluna", ou seja, denunciado como um suposto simpatizante do nazismo e/ou do fascismo. Tal fato custou-lhe 4 dias na prisão no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), além de ter tido sua vida particular investigada. Acredita-se, porém, que Serrinha ficou preso por um período de tempo "relativamente curto", pois as autoridades do DOPS "sabiam quem era Serrinha, sua popularidade, e como o mesmo era querido por sua gente", ou seja, de um certo modo, sabiam o quanto seria problemático, mais cedo ou mais tarde, manter Serrinha atrás das grades, principalmente com uma acusação tão infundada, contra um ídolo tão popular! Era realmente "muita responsabilidade"...

Após um infarto sofrido por Serrinha em 1965, o médico proíbe a continuação da vida artística; continuou ainda na Sorocabana até sua aposentadoria em 1968. Como "a saudade apertava", mudou-se para Botucatu-SP, tendo levado a família. Mesmo assim, ainda gravou o disco "A Volta do Serrinha" em 1971 com Caboclinho II, disco esse que foi o último de sua vida. Para Serrinha, era terrível "respeitar o conselho médico" e ficar fora do mundo artístico; "desacatando as ordens médicas" trabalhou como apresentador do programa "Serra Dourada" e foi também Diretor Artístico da Rádio Municipalista de Botucatu-SP.

Um novo infarto pôs fim à vida terrena de Serrinha em 19/08/1978.



Quero aqui destacar os CD's RVCD-169 e RVCD-204, lançados também pela excelente gravadora Revivendo que nos mostram um excelente trabalho de León Barg em termos do resgate de excelentes gravações históricas, que vão de 1943 a 1948, algumas das quais disponíveis apenas em 78 RPM até então! São respectivamente os CD's "Serrinha e Caboclinho - Caboco Bão" e "Serrinha e Caboclinho - Vol. 2 - Chitãnzinho e Chororó", com interpretações históricas de Serrinha e Caboclinho, e as primeiras gravações de grandes sucessos tais como "Recordando Botucatu" (Serrinha), "O Fim Do Zé Carrero" (Serrinha - Ado Benatti), "Boiada Saudosa" (Serrinha - Athos Campos) e também a célebre "Chitãnzinho E Chororó" (Serrinha - Athos Campos). Também merece destaque o CD "Raul Torres & Serrinha - Suspira Meu Bem" - RVCD-215, já mencionado logo acima no resumo biográfico de Raul Torres.

Como em todos os CD's da Revivendo, além das gravações históricas resgatadas, o Apreciador também é presenteado com excelentes encartes riquíssimos em informações, contendo dados biográficos do artista, além das letras das músicas, explicações sobre as mesmas e os dados originais constantes no selo do "bolachão" 78 RPM!

Parabéns, mais uma vez, León Barg!!!


Clique aqui e ouça "Chitanzinho E Xororó" (Serrinha - Athos Campos) interpretada por Serrinha e Caboclinho em gravação do Disco 78 RPM - 16464 - Lado A - Gravadora Continental - Gravado em 05/06/1951 - do Acervo de José Ramos Tinhorão - num excelente Arquivo Musical pertencente ao IMS - Instituto Moreira Salles, excelente site que se preocupa com a Preservação de Inestimáveis Acervos Brasileiros em termos de Música, Fotografia, Artes Plásticas e Biblioteca, o qual convido o Apreciador a visitar! Trata-se de uma das primeiras gravações desse maravilhoso clássico da Música Caipira Raiz, composto por Serrinha e Athos Campos.



Botucatu-SP, a Cidade dos Bons Ares, da Boa Música, dos Bons Compositores e das Boas Escolas não nos deu apenas os Três Filhos lembrados nessa página, mas também nos deu outros filhos ilustres na Música Caipira Raiz, também presentes nesse site:


Dois filhos ilustres que também "nasceram naquela serra" e que continuam se dedicando à Boa Música Raiz: José Pérez, o Tinoco, que nasceu em Pratânia-SP, que em 1920 pertencia a Botucatu-SP; e Zé da Estrada, também Botucatuense de Pratânia-SP que, juntamente com Pedro Bento (de Porto Feliz-SP), integra a consagrada Dupla Caipira que continua firme defendendo o gênero Raiz.


Também "nasceu naquela serra" Ramiro Vieira de Andrade, da dupla Ramiro Vióla e Pardini, uma das mais autênticas Duplas Caipiras da atualidade, que lançaram recentemente o CD "Violeiro Matuto" e também o álbum duplo "Angelino de Oliveira - Arquivos" e cujo resumo biográfico também se encontra nesse site dedicado à Boa Música Brasileira.


E também "nasceram naquela serra" os jovens César e Caio, que formam desde 1995 uma boa dupla capira raiz, cujo "resumo biográfico" também se encontra na página dedicada aos Novos Caipiras, nesse site dedicado à Boa Música Brasileira.


Obs.: As informações contidas no texto desta página são originárias principalmente do Livro "Eu Nasci Naquela Serra" de Paulo Freire (uma excelente biografia de Angelino de Oliveira, Raul Torres e Serrinha!!) e também do livro "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio" de Rosa Nepomuceno. O presente texto contém também informações de José Ramos Tinhorão (Jornalista e Pesquisador da Música Popular Brasileira) do fascículo da Coleção Nova História da MPB - "Música Sertaneja" - da Editora Abril - Abril Cultural - editado em 1982 (e contendo um LP com algumas Raridades ainda não existentes no CD), além do Encarte dos CD's "Paraguassu - Noite Enluarada" - RVCD-056, "Raul Torres - Tá Vendo Muié" - RVCD-214, "Raul Torres & Serrinha - Suspira Meu Bem" - RVCD-215 e "Raul Torres e Seus Parceiros" - RVCD-216, lançados pela Revivendo. Ver mais detalhes e links na página Para saber mais... onde constam as Referências Bibliográficas e também as Referências Discográficas sem as quais a elaboração desse site teria sido impossível.



Essa viagem pela Música Caipira Raiz continua: Clique aqui e pegue o trem, que ele agora irá para Maceió-AL e Itabaiana-PB, passando também pelo Rio de Janeiro-RJ: conheça um pouquinho desses dois Nordestinos que, incentivados por Pixinguinha, mudaram-se para a Cidade Maravilhosa e formaram não apenas uma das duplas mais bem humoradas que a História Musical Brasileira já teve, como também deixaram excelente herança no nosso Carnaval com "Mamãe Eu Quero" e também no nosso Chorinho com o belíssimo "Saxofone, Por Que Choras?". Os passageiros desse trem com todas essas características são Jararaca e Ratinho.




Ou então, se você preferir outro compositor ou intérprete, clique aqui e "pegue outro trem para outra estação", na Página-Índice" dos Compositores e Intérpretes.

















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