Solistas de Viola









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Nessa página será mostrado um pouquinho de um trabalho muito interessante que vem sendo feito pela nossa Música Caipira Raiz, por músicos que "nem sempre cantam", mas tocam em solo de forma virtuosística a tradicional Viola Caipira.

Como se sabe, a Viola foi trazida para o Brasil pelos Colonizadores Portugueses oriundos de diversas regiões, principalmente do Norte de Portugal; a partir do Litoral Brasileiro, as Violas foram seguindo rumo ao Interior e se espalhando por todo o país. A Viola era na época o instrumento musical mais popular em Portugal com diferentes estilos regionais para o intrumento, sem fugir, no entanto, do seu padrão típico.

Aliás também herdamos de Portugal o culto ao São Gonçalo do Amarante (desde 1551), "Protetor dos Violeiros" que tocava e dançava com as prostitutas, para que elas não pecassem. Por esse motivo, São Gonçalo é reverenciado com danças tanto em Portugal como também no Brasil que herdou a tradição.

E, conforme o Apreciador já observou, é muito comum que o Violeiro tenha as famosas fitinhas coloridas amarradas no braço do tradicional instrumento musical caipira raiz.

Suas cores possuem significado de acordo com as tradicionais Folias de Reis que acontecem no mês de Janeiro em diversas regiões do Brasil. A Fita Branca representa Jesus, enquanto que a Cor-De-Rosa representa José e a Azul representa Maria, ao passo que os Três Reis Magos são representados pelas Fitas Amarela (Belchior), Vermelha (Baltazar) e Verde (Gaspar).

E, caso seja observada a existência de uma fita preta , essa representa o "coisa ruim", com o qual o violeiro pode ter feito o famoso pacto... No entanto, diversos excelentes Violeiros, tais como Chico Lobo e também o "Cumpadre" Luiz Viola (foto à direita) de Bauru-SP não têm a fita preta em sua Viola Caipira!! Aliás, quero convidar o Apreciador a visitar freqüentemente o Blog do Violeiro, que é desenvolvido por Luiz Viola e contém informações preciosas sobre a Viola e a Cultura Caipira!!

Naturalmente que não poderemos jamais falar em Solistas de Viola sem mencionar Tião Carreiro pois foi ele que, em 1976, numa iniciativa corajosa para a época, gravou pela primeira vez no Brasil um disco onde predominam solos de viola tendo pouquíssimas músicas cantadas.

Além do "É Isto Que O Povo Quer", de 1976, Tião Carreiro também gravou o LP "Em Solo de Viola Caipira", em 1979, e os dois LP's foram lançados no CD "Tião Carreiro - Dose Dupla - Volume 2" pela Warner Music, em 1995.

Também não podemos jamais deixar de mencionar o Pantaneiro Almir Sater também excelente Solista de Viola que aprendeu parte de sua técnica com o próprio Tião Carreiro.

Tanto Tião Carreiro como Almir Sater têm páginas e eles dedicadas nesse site. Existem tambem grandes músicos, alguns dos quais de "formação erudita" que desenvolveram de tal forma a técnica da Viola, mantendo, no entanto, o sentimento Raiz do Interior que enriquecem nossa Música Caipira Raiz e merecem muito mais do que esta página a eles dedicada!

Conheça um pouquinho da obra de grandes "Solistas de Viola":

Adauto Santos

Adelmo Arcoverde

Braz da Viola

Enúbio Queiroz

Fernando Caselato

Fernando Deghi

Fernando Sodré

Gedeão da Viola

Helena Meireles

Índio Cachoeira

Ivan Vilela

Junior da Violla

Marcus Biancardini

Mazinho Quevedo

Nestor da Viola

Neto Stefani

Paulo Freire

Renato Andrade

Roberto Corrêa

Rodrigo Delage

Zeca Collares

Zé Coco Do Riachão



E, para saber mais sobre a Viola Caipira, Clique aqui e visite o Site de Paulo Moura Castro na página do mesmo dedicada à Viola Caipira num artigo do Professor Alceu Maynard de Araújo publicado em artigos, na Revista Sertaneja Nºs. 4, 5, 6, 7, 8, 9, 13 e 14, de Julho de 1958 a Maio de de 1959. Temos, nessa página, um verdadeiro tratado sobre o tradicional instrumento da Música Caipira Raiz.


Vamos então aos resumos biográficos de alguns excelentes Solistas de Viola:


Adauto Santos:

"Considero Adauto Santos o maior compositor do gênero nos dias de hoje. E o que dizer da voz? É aquela que vai lá dentro do coração despertar tudo o que andava adormecido na gente. É mesmo uma voz de anjo bom. Adauto, você é um filme precioso que precisamos revelar com todas as cores para o mundo". ( Inezita Barroso).

Adauto Antonio dos Santos foi Cantor, Compositor, Violonista e Violeiro, tendo sido excelente solista no tradicional instrumento da Música Caipira. Nasceu em São Bernardo do Campo-SP no dia 22/04/1940 (algumas fontes bibliográficas dizem que Adauto nasceu em Bernardino de Campos-SP) e faleceu em São Paulo no dia 22/02/1999.

Paulista criado em Londrina-PR, está entre os "símbolos da resistência dentro da Música Caipira Raiz, ao lado de Renato Andrade, Zé Mulato e Cassiano, Almir Sater, Pena Branca e Roberto Corrêa, apenas para citar alguns.

Adauto Santos situa-se entre as maiores preciosidades de Voz e Viola do Brasil. Foi na cidade de Londrina-PR, onde se criou, que iniciou sua carreira artística cantando ao lado de sua irmã com quem formou o "Duo Havaí", que venceu inclusive o Festival Roda de Violeiros, do Capitão Furtado, naquela cidade, tendo gravado nessa época o seu primeiro disco.

Em 1962, Adauto mudou-se para São Paulo, e passou a cantar na Noite Paulistana. Além de sua bela e afinadíssima voz, foi aos poucos introduzindo o toque da Viola Caipira em suas interpretações, o que chamou a atenção de muita gente, inclusive de clientes estrangeiros hospedados nos hotéis da Capital Paulista. Durante vários anos, apresentou-se no Jogral, renomado bar paulistano onde tocava Viola.

Em suas apresentações, mostrava um repertório eclético, misturando obras de compositores como João Pacífico, Milton Nascimento, Mário Lago e Rolando Boldrin, além de suas próprias composições. Mesclando a "Fina Flor da MPB" com a Música Caipira, o efeito tomou um caráter positivo e, aos poucos foi conquistando espaço no rádio, na TV e nos jornais, apesar de ter sido de modo bastante limitado, muito aquém do verdadeiro talento de Adauto. Segundo ele próprio, seu trabalho "foi sempre muito artesanal com muito suor e pouco reconhecimento".

Suas primeiras composições foram gravadas em 1963 pelo grupo "Os Amantes do Luar", que interpretou o bolero "Não Me Esquecerei de Ti" e o rasqueado "Deita Em Meus Braços".

Participou algumas vezes do inesquecível programa "Som Brasil" apresentado por Rolando Boldrin na Rede Globo aos Domingos pela manhã, no início da década de 80, ocasião na qual o nome de Adauto Santos e seu trabalho começaram a ganhar projeção nacional.

Sua primeira composição que realmente marcou foi, sem dúvida "Triste Berrante", que fez parte da trilha sonora da novela Pantanal da extinta TV Manchete e também foi gravada por excelentes duplas caipiras a exemplo de Pena Branca e Xavantinho. E como compositor, teve como parceiros "feras" da MPB, tais como Mário Lago, Paulo Vazolini, Eduardo Gudin e João Pacífico, com quem compôs "Juca", "Vontade de Voltar" e "Homenagem da Montanha", entre outras.

Seu primeiro disco foi "Triste Berrante" e o último foi "Tocador de Vida e Viola", gravado em 1997 pela gravadora do CPC/UMES, o qual foi indicado para o Prêmio Sharp de Música Regional daquele ano. Merecem destaque também os CDs “Adauto Santos: Brasil Viola” e “Varanda Sertaneja”, lançados pela Brasis / Movieplay. No CD "Brasil Viola" (acima e à direita), Adauto apresenta 11 das 14 faixas em excelente solo de Viola: são verdadeiros Clássicos Caipiras tais como "Recordação" (Nenete - Goiá), "Pagode" (Tião Carreiro - Carreirinho) e "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio), além de clássicos da MPB de "Inspiração Rural", tais como "No Rancho Fundo" (Ary Barroso - Lamartine Babo) e "Ponteio" (Edu Lobo - Capinam). No mesmo CD, além dos solos de Viola, Adauto também mostrou sua belíssima voz em "Flor do Cafezal" (Luíz Carlos Paraná), "Doce de Cidra" (João Pacífico) e "Cantiga À Moda Mineira" (Raymundo Prates).

Em 1980, Adauto Santos participou da trilha sonora do filme "Cabocla Tereza".

Faleceu com 58 anos no dia 22/02/1999. No dia anterior à sua morte, ele deixou gravada uma participação na composição "Rosa" (Pixinguinha), que faz parte do CD "Mulheres em Pixinguinha", lançado pela gravadora do CPC-Umes.

Segundo Paulo Vanzolini, "Adauto representa um marco na manutenção da integridade de nossas tradições musicais, caipiras e talvez acanhadas, mas com personalidade máscula e duradoura".

"Amigo Adauto Santos, todos os Santos estão orando por você". ( João Pacífico - parceiro e amigo).




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Adelmo Arcoverde:

Adelmo de Oliveira Arcoverde, excelente Violeiro, também formado em Direito, nasceu em Serra Talhada-PE em 31/07/1955.

Pode-se dizer que seu primeiro contato com a Viola foi graças à sua vó, que ouvia os Repentistas Nordestinos nos programas de rádio da região, na época em que Adelmo tinha apenas 5 anos de idade.

Com 13 anos Adelmo começou a tocar, com a influência dos programas de Jovem Guarda que eram mostrados na época nos programas de TV.

E quando contava 17 anos foi que adquiriu uma Viola Dinâmica de Repentista de marca Del Vecchio e passou a se dedicar ao Solo do Tradicional Instrumento Musical. Foi então que Adelmo formou um grupo de Música Regional, tendo aprendido a "afinação dos Repentistas" com um colega de Juazeiro-BA. Adelmo também compôs nessa época "Dança da Morte" e "Morte do Valente".

No ano de 1962, Adelmo, juntamente com a família, trocou Serra Talhada-PE por Nazaré da Mata-PE, cidade onde passou a ouvir verdadeiros nomes da nossa riquíssima Música Regional, tais como o "Quinteto Violado" e a "Banda Pau E Corda". Adelmo, por sinal, fez parte da "Banda Pau e Corda" durante 5 anos.

Em 1981 Adelmo trocou Nazaré da Mata-PE por Recife-PE, onde, a convite do Maestro Cussy de Almeida, passou a tocar na Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco, grupo por ele criado na década de 1980, e que combinou três Violas Sertanejas com três Bandolins, Cavaquinho, Violão, Percussão e Contrabaixo. Foi também nessa época, na Capital Pernambucana, que Adelmo passou a estudar Música, já que, até então, a sua formação era "de ouvido". De acordo com o próprio Adelmo "... eu não sabia ler Música e passei a estudar. Em 6 meses já estava lendo. Foi inclusive nessa época que comecei a usar a Viola de 10 Cordas".

Na Capital Pernambucana, com sua incrível versatilidade, Adelmo Arcoverde também conquistou diversos prêmios em Festivais como Arranjador, Compositor e Instrumentista.

Adelmo conhece a Cultura Nordestina e, segundo ele, existem diferenças entre as Regiões Nordeste e Sudeste, não apenas nos tipos de modelos de Violas e suas respectivas afinações, mas também no que inspira o Músico a compor os temas. Para Adelmo, o Violeiro Caipira é mais romântico no modo de compor, colocando em sua Música os temas do campo, da natureza, da roça. Por outro lado, o que mais inspira o Violeiro Nordestino (em outras palavras, o "mote") é a seca, a miséria e a violência da região.

Foi num Encontro de Violeiros do Brasil que Adelmo conheceu Roberto Correa com quem aprendeu a afinação "Rio Abaixo", na qual também passou a compor. Adelmo é defensor Nº. 1 desses encontros, em vista das riquíssimas diversidades aqui encontradas.

Apesar de mais de 35 anos de carreira, Adelmo não gravou ainda um "Disco-Solo", tendo tido apenas participações especiais em alguns CD's como por exemplo o excelente "Ao Capitão Furtado - Marvada Viola", lançado em LP em 1986 e, para nossa felicidade, remasterizado em CD em 1997 pela Atração Fonográfica, fazendo parte da Série "Acervo FUNARTE - Música Brasileira" e com participação de Sivuca, Rolando Boldrin, Roberto Corrêa, João Lyra e Zé Mulato e Cassiano.

Nesse CD, Adelmo Arcoverde, solando a Viola, interpreta "Disparada" (Geraldo Azevedo - Théo de Barros), "No Quintal do Matuto" (João Lyra) e "Três Histórias" (João Lyra - Ivanildo Maciel), ao lado de excelentes Violonistas do quilate de João Lyra, Maurício Carrilho e João de Aquino!

Adelmo Arcoverde participa também do CD "Violeiros do Brasil" (um excelente trabalho da gravadora Núcleo Contemporâneo, gravado ao vivo no Teatro SESC-Pompéia em São Paulo-SP, em Agosto de 1997), com a música "Antônio Conselheiro e o Arraial do Bom Jesus" (Adelmo Arcoverde). Além de Adelmo, também participam desse CD, dentre outros, excelente Violeiros tais como Almir Sater, Roberto Corrêa, Paulo Freire, Renato Andrade, Passoca e Zé Coco do Riachão, além da excelente dupla Zé Mulato e Cassiano.

Religiosidade e Espiritualidade também influenciam bastante as composições de Adelmo Arcoverde. Sobre a afinação "Rio Abaixo" que, segundo o Folclore, teria ligação com o "coisa ruim", Adelmo menciona que o "dito cujo" é "...plagiador e mentiroso, que ele pega as coisas feitas por Deus e fala que é dele; portanto, essa afinação não seria do diabo, mas sim, de Deus".

Violeiro Nordestino, não apenas pelo tipo de Viola que toca, ou também pela Região onde nasceu, mas também por defender com unhas e dentes a Cultura e a Música Nordestina, Adelmo considera que "...a Viola Nordestina não está sendo valorizada e o Violeiro Repentista deve aprimorar seus conhecimentos sobre a Viola para preservar essa Cultura".

Além de ser um dos raríssimos Compositores e Solistas de Viola Caipira no Nordeste, Adelmo Arcoverde também leciona Violão e Viola no Conservatório Pernambucano de Musica. E, sendo Advogado, pode-se dizer que Adelmo também conhece bem "as Leis da Viola" usada na Região Nordeste!

Foi bastante difícil encontrar dados para a elaboração do resumo biográfico desse excelente Violeiro que há bastante tempo eu desejava "embarcar nesse trem". Além do Dicionário de MPB Ricardo Cravo Albin, quero aqui cumprimentar também o Pinho, Editor da excelente Revista Viola Caipira que publicou uma excelente matéria sobre Adelmo Arcoverde, na Edição Nº. 05 de Janeiro/Fevereiro de 2004, com texto de Geovana Jardim e Maria Carolina Coelho, além das fotos de Angélica Del Nery, que aqui também aparecem.





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Braz da Viola:

Braz Roberto da Costa é Violeiro, Regente, Professor e Luthier: Nasceu em 1961 em Consolação-MG e, em 1965, mudou-se juntamente com os pais para São José dos Campos, no Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo.

Seu pai era operário e, como tal, antes de sair para o trabalho, ouvia no rádio a Música Caipira Raiz na voz dos Cantadores e Violeiros da época. Sem saber, Braz já estava assimilando canções, ritmos e instrumentos que definiriam seu futuro e explodiriam mais tarde através da Viola Caipira.

Em visitas a seus parentes em Paraisópolis–MG, Braz conheceu melhor o tio, Braz Aparecido, que era radialista e compositor e que teve inclusive músicas gravadas por “Tonico e Tinoco”, “Vieira e Vieirinha” e “Liu e Léu” as quais eram ouvidas no rádio por Braz da Viola e seu pai.

Foi aos 15 anos que Braz aprendeu a tocar violão e, como estava crescendo em “Cidade Desenvolvida”, tocava o que acontecia na MPB daquele momento. Aos 18 anos, porém, acampando numa praia de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, ouviu de longe uma "cantoria estranha" que "de alguma forma o envolveu". Ao se aproximar da cantoria ficou ali, ouvindo até acabar, sem saber que se tratava de uma Folia de Reis.

Em 1989, Braz estudava música com o Professor Jorge Luis em São José dos Campos-SP e, por curiosidade comprou uma Viola Caipira. Ao procurar saber da afinação e técnicas para tocar o instrumento, deparou-se com um Brasil que não conhecia, com as canções que ouvia no rádio quando menino e com a Folia de Reis que tanto o havia envolvido.

Encantado com o som do instrumento e com as tradições com que se deparou, tentou passar para a Viola tudo que já sabia no Violão, o que não funcionava, pois, na verdade, Violão é Violão e Viola é Viola.

Em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foi que conheceu o músico Dino Barioni, Violeiro que foi seu Mestre e com quem aprendeu os ritmos e teve base para as técnicas que veio a desenvolver.

Desenvolveu métodos próprios de ensino, que foram editados em forma de livros, CD's e Vídeo-Aulas. Ministrou “oficinas”, no projeto "Violeiros do Brasil" no SESC-Pompéia em São Paulo e nos SESC’s de Catanduva-SP, São Carlos-SP, Bauru-SP, Ribeirão Preto-SP e São José do Rio Preto-SP. Ministrou oficinas também em Londrina-PR, Itamonte-MG e, dentro do “Festivale” no Vale do Jequitinhonha em Bocaiúva-MG e Montes Claros-MG. Em 1990, começou a lecionar Viola no SESC de São José dos Campos-SP e, no ano seguinte, fundou com seus alunos a Orquestra de Viola Caipira na mesma cidade, com o objetivo de divulgar e popularizar a Viola e também de formar e agrupar violeiros.

Desenvolveu trabalho semelhante em Londrina-PR com a "Orquestra Viola de Coité" desde Agosto de 1999. Fundou, também em 1999 o grupo "Viola Serena" em Itamonte-MG.

Sua principal preocupação era sistematizar o ensino da Viola Caipira no Brasil, para que se formassem escolas com técnicas específicas para o instrumento. Publicou inclusive dois métodos de aprendizado, "A Viola Caipira - Técnicas de Ponteio" e "Manual do Violeiro".

Aprendeu o ofício de Luthier com Renato Vieira, também Luthier e proprietário da fábrica de violas “XADREZ” de Catanduva-SP. Implantou em 1994, duas oficinas de construção em São José dos Campos-SP e uma oficina em São Francisco Xavier-SP, além de ter ministrado oficinas de construção em diversas cidades do Interior de Paulista. Atualmente constrói em oficina própria a Viola de Cocho, que é um instrumento típico do Pantanal Matogrossense. As Violas de Cocho de sua fabricação vêm sendo tocadas por renomados Violeiros como Paulo Freire, Pereira da Viola, Passoca e a Orquestra de Viola Caipira de Londrina, entre outros. Além de fabricar o tradicional instrumento, Braz também ensina desde a confecção da forma até a marchetaria, na mesma seqüência que lhe foi ensinada por Renato Vieira.

Braz participou também de projetos importantes como "Instrumental SESC Brasil", "Balaio Brasil", "Música do Brasil" (produzido por Hermano Vianna para a Abril Cultural), "Brasil 500" (da Fundação Roberto Marinho), "Viola Brasileira" (do Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro), e também do projeto "Violeiros do Brasil" (que incluiu um memorável show gravado ao vivo no SESC Pompéia em São Paulo, editado em CD (foto da capa acima e à direita), além de uma série de programas exibidos pela TV Cultura).

Merece destaque o CD “Feito na Roça” (foto da capa à direita), o qual tive recentemente a felicidade de adquirir, em contato com o próprio Braz da Viola. Este CD conta também com a participação especial de Zé Mulato e Cassiano, Inezita Barroso, Pereira da Viola e Paulo Freire, entre outros, juntamente com a excelente Orquestra de Viola Caipira regida por Braz da Viola.

A idéia deste CD, como o próprio Braz da Viola menciona no encarte, foi a gravação da Viola Caipira em seu ambiente natural. Foram três dias em contato com a natureza (24, 25 e 26/04/1998) no Sítio Santa Tereza na Serra da Mantiqueira em São José dos Campos-SP, que produziram este excelente disco gravado ao ar livre.

Braz da Viola tem divulgado o seu trabalho na TV em programas como o do Jô Soares e o “Viola Minha Viola”, entre outros.

Tem se apresentado também pelo Brasil juntamente com intérpretes e compositores renomados tais como Paulo Freire, Roberto Corrêa, Ivan Vilela, Pereira da Viola, Renato Andrade, Inezita Barroso, Zé Mulato e Cassiano, apenas para citar alguns.

Bráz atualmente leciona em sua residência, em São José dos Campos e a Orquestra de Viola Caipira tornou-se um grupo independente que continua trabalhando com a mesma paixão com o intuito de popularizar cada vez mais o tão tradicional Instrumento Musical de Nossa Terra e Nossa Gente.

Clique aqui, "toque as cordas da viola com o mouse" e conheça o novo site de Braz da Viola, o qual nos apresenta uma biografia mais completa escrita por ele próprio, bem como informações sobre os atuais cursos que ele mesmo ministra em São José dos Campos-SP.


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Enúbio Queiroz:

Enúbio Divino de Queiróz: esse exímio Violeiro, Compositor, Professor de Viola Caipira e, que, além de tudo isso, toca também o Violão e o Cavaquinho, nasceu na Fazenda Barreiro, no Município de Iturama-MG, numa Segunda-Feira, 01/10/1953, às 05:15 da manhã.

Filho de Aparecida de Souza Queiroz e Rodolfo Ferreira de Queiroz, Enúbio foi criado na roça, onde trabalhou na lavoura e na lida de gado, juntamente com seu pai. Seu interesse pela Viola Caipira surgiu ainda na infância, já que seu pai também tocava o tradicional Instrumento Musical Caipira Raiz.

Enúbio teve um Cavaquinho como seu primeiro Instrumento Musical, o qual aprendeu a tocar com Otaviano Francisco da Silva, o Baiano. Mais tarde, além de algumas aulas de Canto, estudou também o Violão Clássico, tendo se formado no Conservatório Renato Fratesh na cidade de Uberaba-MG. Enúbio estudou também no Conservatório Carlos Gomes na cidade de São José do Rio Preto-SP, na Academia Santa Cecília, em Goiânia-GO e na Academia de Música de Osasco-SP. No Estado de São Paulo, Enúbio também teve aulas com o Violonista e Professor Paulo Barreiros.

Ainda bem jovem, Enúbio começou a tocar profissionalmente, acompanhando ao Cavaquinho alguns conjuntos de Forró em bailes de fazenda pelo Interior das Minas Gerais, recebendo então os primeiros cachês, com força de vontade, segurando a barra até o sol raiar...

De acordo com Romildo Sant' Anna (Pesquisador de Cultura Popular Brasileira e Professor de História da Arte da UNESP - São José do Rio Preto-SP), no encarte do CD "Viola Refinada" (ver mais detalhes sobre o mesmo logo abaixo), Enúbio Queiroz "foi beber na mesma fonte dos antigos jograis e menestréis da Idade Média Européia, época e lugar em que a Vihuela de Mano embalava o imaginário coletivo, adornando cantares trovadorescos e as pequenas gestas romanceadas (...) Enúbio registra (...) a sua Arte da Viola, instrumento musical submetido ao mais severo de todos os críticos de arte: o filtro do tempo. Tecnicamente muito refinado, o tinir rasqueado e dedilhado da Viola abrange os variados campos harmônicos, dos médios aos agudos, como se fosse o entoar de uma dupla de cantadores (...) Enúbio nunca esquece a cor do chão, a exuberância tropical de nossas matas, o cântico dos aboios de vaqueiros, tropeiros e carreiros do sertão. Por isto, o choramingo de um carroção de bois, no virtuosismo instrumental de Enúbio, acaba expressando o sensorial e a etnologia do Mundo Caipira."

De acordo com o Violeiro Pinho, em sua excelente Revista Viola Caipira - Nº. 12 - Pág. 10, "Sua primeira composição para Viola 'Revoada Das Andorinhas' data de 1985 e virou notícia em todos os programas de jornalismo da Globo, chegando a passar duas vezes no 'Fantástico'. A partir daí abraçou o cinturado da Viola, dando aulas e estudando. Foram horas, dias, meses, anos de dedicação, e o resultado foi chegando aos poucos, com muitos alunos e admiradores."

Além do excelente Solista de Viola que é, Enubio Queiroz também criou Métodos e Vídeo-Aulas não apenas de Viola Caipira, mas também de Violão Sertanejo. Enúbio foi também um dos autores do Método de Viola intitulado "Repertório De Ouro Para Viola Caipira", editado pela Editora Ricordi do Brasil.

Considerado um dos principais Violeiros da Música Caipira Raiz, Enúbio Queiroz, antes de gravar seus excelentes CD's como Solista, gravou dois LP's, fazendo parte da dupla "Economista e Contador", juntamente com João Roberto Costa. Enúbio gravou também o terceiro LP juntamente com Abssoir José Correia. E o passo seguinte foram os CD's em Solos de Viola!

Quero aqui destacar o CD "Viola Refinada - Volume 1" que Enúbio lançou em 1997 pela Movieplay, com diversos ritmos que incluem Valsa, Choro, Quadrilha, Country, Forró e Polca Paraguaia, dentre outros, contendo inesquecíveis Clássicos do Repertório Caipira Raiz, como por exemplo, "Menino da Porteira" (Teddy Vieira - Luizinho), "Saudades de Matão" (Antenógenes Silva - Jorge Gallati - Raul Torres), além de uma Peça Erudita arranjada para Viola que é o "Minueto em Sol Maior" (Ludwig Van Beethoven), tendo também uma adaptação da conhecidíssima Canção Natalina "Noite Feliz" (Franz Grübber - Joseph Mohr) (como se fosse uma "Caixinha de Música").

Além desse maravilhoso repertório, o CD ainda brinda o Apreciador com belíssimas composições próprias bastante originais, dentre as quais, a Oração "Santa Cecília" (Enúbio Queiroz), (em forma de "tremulo" homenageando a Padroeira da Música), o Baião "Visões do Nordeste" (Enúbio Queiroz) (baseado no canto dos Trovadores Nordestinos) e a "Moda de Viola Para Mão Esquerda" (Enúbio Queiroz) que, segundo o próprio Intérprete e Compositor, "Às vésperas de um recital, uma repórter perguntou o que eu tinha de diferente no repertório; era uma novidade em composição; então mostrei a Moda de Viola, somente tocada com a mão esquerda".

E, de acordo com Romildo Sant' Anna, no respectivo encarte, "Este CD, muito além do prazer estético que, com certeza, propiciará aos ouvintes, é um atestado de amplo alcance musical da Viola, já incursionado por magníficos Violeiros, como Renato Andrade, Tião Carreiro, Roberto Nunes Corrêa e Almir Sater. Trazendo a Viola para a modernidade, intersecciona os ornatos acústicos da Viola à sonoridade acústica, percussiva e eletrônica de vários instrumentos, preenchendo e criando campos harmônicos que se rejuvenescem e perduram no tempo (...) um novo caldo brasileiro que, na maior das radicalidades, é espelho da nossa identidade. Como a nossa própria Cultura Mestiça, fazemo-nos, como escreveu Lévi-Strauss, da Alquimia de ingredientes crus e cozidos. É ouvir, admirar e sentir-se refletido no espelho."

Sem dúvida, um excelente CD que faz jus ao nome que tem!! Enúbio também lançou pela mesma gravadora o CD "Viola Refinada - Volume 2".

Merece destaque também o CD "Riacho dos Passarinhos", gravado em Maio de 2002 e lançado pela Live Music em 2003, o qual brinda o Apreciador com belíssimas interpretações de Clássicos Caipiras tais como "Chalana" (Mário Zan - Arlindo Pinto), "Pagode Em Brasília" (Lourival dos Santos - Teddy Vieira), além de "Acordes Orientais" (Gaúcho da Fronteira) e de belíssimas composições próprias, dentre as quais, o Fado "Serenata Portuguesa" (Enúbio Queiroz), o Cururu "Viola Bernardino" (Enúbio Queiroz), a Polca Paraguaia "Nas Asas Do Tico-Tico" (Variações Sobre o Tema de "Tico-Tico No Fubá") (Zequinha de Abreu - Enúbio Queiroz), além da faixa-título que é a Querumana "Riacho Dos Passarinhos" (Enúbio Queiroz) e do Depoimento em "Conversa Ao Som Da Viola" (Enúbio Queiroz).

Nesse CD, Enúbio toca Viola Caipira, Violão, Cavaquinho e Viola-Banjo, tendo a participação de Nelson Toledo (Primeiro Violão-Base) e Felipe Giacchetto de Queiroz (Acordeon). De acordo com o próprio Enúbio, esse CD "... é resultado de uma pesquisa imaginária aproximando a Viola Caipira em vários Estilos Musicais."

Enúbio Queiroz também foi semi-finalista do Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola no ano de 2004. O excelente Solista de Viola é também autor de dois "Vídeos-Cursos" intitulados "Viola Caipira" e "Violão Sertanejo".

Enúbio Queiroz tem orgulho de sua origem, já que considera o autêntico Caipira como uma "espécie em extinção". "Unido o útil ao agradável", Enúbio fundou a loja "Danúbio Instrumentos Musicais" e também se apresenta em dupla com seu filho Felipe Queiroz.

E, em entrevista ao Pinho, editor da excelente Revista Viola Caipira - Nº. 12 - Pág. 10, Enúbio Queiroz afirma que o que o chamou para a estrada "...foram as insistentes solicitações dos que acreditam na sinceridade de mais um Violeiro das Gerais. Tem-me sido extraordinariamente gratificante a cobrança, pelos mais diversos meios - cartas, telefonemas, e-mails... - vinda de todo o país e até de fora, como Estados Unidos, Japão e Portugal: - 'E aí, quando é que você vem fazer um show por aqui?'... Some-se a isso o natural desejo de dividir com o público os muitos anos de busca daquele som, o qual persegue todo tocador de Viola. É o lado bom da mineira espera pelo momento mais propício (...) A hora é agora: menos loja, mais Viola! Como cantou o mineiro ilustre: 'É preciso ir aonde o povo está'!"

Contato para shows:

Danúbio Queiroz - Cursos e Manutenção:
Rua Marechal Deodoro, 2423 - Boa vista
15.025-070 - São José do Rio Preto-SP

Fone: (17) 3234-4769
Fax: (17) 3233-6716

e-mail: enubio@enubioviola.com.br


Clique aqui e conheça o Site Oficial de Enúbio Queiroz, o qual nos apresenta uma biografia mais completa escrita por ele próprio, bem como sua loja "Danúbio Queiroz - Cursos e Manutenção" em São José do Rio Preto-SP, onde o Apreciador poderá adquirir seus CD's, DVD's, Métodos de Viola Caipira, bem como Instrumentos Musicais e acessórios diversos, além de Partituras e Livros Diversos sobre Música.




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Fernando Caselato:

Esse jovem Solista de Viola, Compositor, Arranjador e Professor é natural de Itajaí-SC e é na cidade de Bauru-SP que ele vem desenvolvendo um trabalho instrumental na Viola Brasileira com arranjos que vão do simples ao sofisticado.

Arrasta–Pé, Toada, Chamamé, Cateretê, Guarânia, Baião, Pagode de Viola, Batuque e Polca estão entre os diversos Ritmos Musicais com os quais Fernando tem trabalhado. E, em suas composições musicais tem mostrado propostas interessantes relativas às técnicas das mãos, com espaço também para improvisações em suas apresentações. Seu Aprendizado, no entanto, teve início de uma forma bem diferente:

Já contando 18 anos de idade, Fernando César Caselato iniciou seus estudos musicais em 1989 na Capital Paranaense, no Conservatório Villa-Lobos onde estudou Violão Erudito.

Dois anos depois, em 1991 Fernando trocou Curitiba-PR pelo Interior Paulista, mudando-se para Bauru-SP, onde passou a se dedicar à Música Brasileira, trabalhando com cantores da MPB e tocando em conjuntos diversos com apresentações em diversos lugares do Brasil.

E foi em 1993 que Fernando Caselato passou a lecionar Música em diversas escolas da região, atividade que vem exercendo até os dias de hoje. Paralelamente a isso, Fernando deu continuidade aos seus estudos com músicos de diversas tendências, indo do Erudito ao Jazz, tendo sempre como foco Boa Música Brasileira. Professores do quilate de Amilton Godoy, Paulo Flores, Aldo Landi, Valdomiro Prodóssimo, Fernando Correa e Zé Eduardo Nazário estão entre os diversos excelentes Músicos que contribuíram para a formação musical de Fernando Caselato.

E, a partir de 1999, Fernando Caselato passou a se dedicar exclusivamente ao estudo e à pesquisa da Viola Caipira, passando também a compor e a fazer arranjos para o tradicional Instrumento Musical Brasileiro.

Quero aqui destacar o CD "Pé de Viola", no qual Fernando Caselato interpreta, numa Viola de fabricação JB, as treze Composições Instrumentais, todas de sua autoria, num excelente trabalho produzido por ele mesmo, gravado e mixado em 2004 na Fábrica de Som Studio de Bauru-SP, tendo também a participação de Guilherme Soares no Violão e também a Percussão a cargo dos próprios Fernando Caselato e Guilherme Soares.

A sétima faixa de seu CD é "Novos Rumos", música com a qual Fernando Caselato esteve entre os dezesseis finalistas e conquistou o Prêmio "Revelação Nacional da Música Instrumental de Viola" no I-Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola 2004, cuja final teve lugar no Teatro Alfa na Capital Paulista em 27/10/2004. Na foto abaixo, Fernando Caselato na final do Prêmio Syngenta:





Quero destacar também o CD "Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola 2004" que nos brinda com a gravação ao vivo dos 16 finalistas, tendo como destaque "Novos Rumos" (Fernando Caselato), e também as faixas "Esplendor" (Sidnei de Oliveira), "Amazônia" ( Fernando Deghi), "Moda Barroca" (Renato Aresi), "Bravio" (Márcio Freitas) e "Eta Pagode" (Neto Stefani), que foram respectivamente a 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª colocadas, todas interpretadas pelos seus respectivos autores!

Clique aqui e conheça o Site Oficial de Fernando Caselato com informações importantes, além de Partituras e Tablaturas e curiosidades diversas sobre a tradicional Viola Caipira que Fernando Caselato toca com Maestria!

Contato para shows:
(14) 3276-5183
e-mail: fcaselato@yahoo.com.br


Fernando Caselato é também professor do "Cumpadre" Luiz Viola de Bauru-SP, excelente estudioso da Viola e da Cultura Caipira, criador do Blog e do Sítio do Violeiro, os quais convido também o Apreciador a visitar, opinar e "prosear"! Luiz Viola está na foto à direita, de camisa vermelha, junto com outros alunos de Fernando Caselato).


E, na foto abaixo, Fernando Caselato e Ricardinho no dia 17/06/2005 por ocasião da Festa Junina que se realizou no SESC de Bauru-SP.



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Fernando Deghi:

De formação erudita, esse excelente Solista de Viola nasceu em Santo André-SP no dia 15/05/1962. Fernando Deghi mora atualmente no belíssimo distrito de Riacho Grande em São Bernardo do Campo-SP.

É considerado atualmente, uma das "jóias raras", que vem contribuindo para o avanço técnico e musical da Viola Caipira em nosso paísl.

Descendente de espanhóis (de Córdoba e Granada) e oriundo de família de músicos, herdou de seus bisavós a influência da Música Espanhola. Dentre eles, destaque para Benita Munhoz, sua bisavó, dançarina e tocadora de castanholas, e Luiz Torres, seu "bisatio", guitarrista flamenco.

Por outro lado, seu avô paterno, Benedito Deghi, foi sanfoneiro que tocava em bailes em Santana do Parnaíba-SP. E seu pai, Benedito Deghi Filho, cultivava a Música Regional quando residia em "Maringá Velho" no Interior do Paraná.

Desde os 5 anos de idade, Fernando já cantava juntamente com seu pai as músicas de duplas caipiras tais como Tonico e Tinoco, Alvarenga e Ranchinho e Cascatinha e Inhana, entre outras. E foi nos bailes em terreiros de café que Fernando Deghi observou os conjuntos musicais e aprendeu a tocar Violão e Viola, cantando em dupla com sua irmã Maria, o belíssimo e tradicional Cancioneiro Caipira Raiz.

Seu avô materno José Rodrigues também foi acordeonista e ensinou ao neto Rancheiras, Polcas, Mazurcas e Valsas.

E sua mãe, na "rotina doméstica", ouvia discos de óperas e, quando passava roupas, ouvia discos do Violonista Dilermando Reis, sempre com a mais atenta atenção do menino Fernando quando este estava presente.

Outra influência musical foi a Igreja Católica: Fernando estudou dos 7 aos 12 anos em um Colégio de Freiras Franciscanas e, durante esse tempo também foi "Coroinha", de onde lembra dos belíssimos Cantos Gregorianos que ouvia. Aos 13 anos, quase foi para o Seminário, para ser Padre, no entanto, como nos diz o próprio Fernando, "...fui alertado por uma voz, que soprou em seus ouvidos, dizendo: seu caminho é outro, aguarde a sua verdadeira missão..."

Foi aos 14 anos que Fernando passou a estudar Violão (por música - lendo partitura). E, aos 16 anos, deu seu primeiro Concerto, no qual participou de um Duo Violonístico, interpretando obras de compositores espanhóis tais como Manuel de Falla, Ferdinando Carulli, Fernando Sor e Enrique Granados, e também de compositores brasileiros tais como Zequinha de Abreu e Dilermando Reis.

Mudou-se então para o Interior Paulista e passou a dar aulas no Conservatório Musical de Pirassununga, onde foi também responsável pela introdução do Curso de Violão.

Lecionou, ainda, em diversas outras cidades, entre as quais Porto Ferreira, Santa Cruz das Palmeiras, Tambaú, Casa Grande, São Simão e Santa Rita do Passa Quatro, todas no Interior Paulista. E, em Santa Rita do Passa Quatro, Fernando teve a oportunidade de conhecer a casa na qual Zequinha de Abreu (compositor da valsa "Branca" e do chorinho "Tico-Tico no Fubá", entre muitas outras preciosidades) morou depois de casado, em uma pequenina cidade chamada Estrela. Teve, nessa época, um contato com a Música Regional das festas folclóricas o que ajudou em sua formação musical.

Buscando novos rumos para seu trabalho, aprendeu a tocar Bandolim e passou a executar alguns Choros, atuando em Regionais.

Casou-se aos 21 anos e seu casamento lhe trouxe novas perspectivas musicais, pois seu sogro, Antonio Pendezza, era Músico de bailes de roça quando morava em Catanduva-SP. Cunhado de João Cunha, primo direto de "Zico e Zeca", "Liu e Léu" e "Vieira e Vieirinha", Antônio Pendezza tocava Viola, Cavaquinho e Violão. E Fernando, recordando a infância e, influenciado diretamente pelas Modas, Catiras, Ponteados e Pagodes Caipiras, decidiu-se pela tradicional Viola Caipira.

E, segundo João Cunha, "...O dia que você tocar Viola como toca o seu Violão, vai acontecer uma parceria de grande importância à Musica Popular Brasileira, e ao avanço da Viola Caipira, que está precisando de sangue novo..." Fernando Deghi guardou essas palavras e seguiu em frente com seu Violão e sua Violinha que tocava de vez em quando.

Fernando teve ainda algumas aulas de Violão com Henrique Pinto.

Entre 1984 e 1985, estudou Guitarra Portuguesa com Manuel Marques, após tê-lo visto num programa de TV. Chegou a tocar inclusive famosos Fados e Corridinhos. Manuel Marques incentivou Fernando Deghi a continuar se dedicando ao Violão, depois de ter assistido a um vídeo de seus concertos.

E, em 1986, Fernando interrompeu o trabalho com o Violão nos palcos e restringiu-se a alguns raros "Concertos Caseiros". E passou a se dedicar à profissão de Afinador de Piano, tendo inclusive afinado o instrumento para Eudoxia de Barros e Arthur Moreira Lima, entre outros.

E Fernando passou a se dedicar-se ao estudo e aprendizado da Viola Caipira. Segundo ele, "...em seu peito estava cravado um espinho, uma cobrança continua que lhe atormentava, pelo fato de tantos anos de dedicação à Música e, naquele momento, em total abandono, pois havia cansado de ser intérprete de um instrumento que não mais satisfazia seus anseios..." E, após profunda reflexão, decidiu se dedicar intensamente à Viola Brasileira no campo da pesquisa, resgate e novas possibilidades, já que a Viola não é apenas um instrumento, do contrário, traz consigo uma grande historia, uma filosofia de vida, um modo se ser simples e original, e a cara de um Brasil que não pode esconder que grande parte de suas tradições foram acompanhadas ao som deste fantástico instrumento.

Fernando dedica-se intensamente à Viola Caipira desde 1989. É bem verdade que "já poderíamos conhecê-lo há muito mais tempo", já que ele "teve propostas" de diversas gravadoras e editoras, pelas quais agradece. Preferiu, no entanto, "esperar mais um pouquinho", adquirir mais experiência, e lançar seus trabalhos por sua própria produtora e editora: Violeiro Andante Produções.

Em 1999, lançou o CD "Violeiro Andante - A Viola Brasileira E Suas Possibilidades", contendo 14 composições, sendo 13 de sua autoria e também um arranjo inédito para a célebre "Ave-Maria" de Gounod. Nesse CD, aparecem as diversas influências musicais presentes em sua vida: o Regional, o Barroco, o Clássico, o Choro, a Modinha, o Chamamé, o Pagode Caipira, o Conto de Caboclo e o Flamenco. Destaque para "Não Mexe Comigo" e "Meu Mestre Tião", ambas compostas por Fernando Deghi e dedicadas a Tião do Carro e ao Criador e Rei do Pagode Tião Carreiro, respectivamente.

"Tião Carreiro foi uma das maiores essências musicais violeirísticas do nosso país. Além de suas Músicas com letras bem elaboradas em motivos diversos, os solos que antecediam as mais variadas estrofes, julgo eu, são verdadeiros estudos melódicos, aos que pretendem ingressar na carreira violeirística, sem contar o famoso ritmo do pagode." (Palavras de Fernando Deghi, no encarte do CD "Violeiro Andante")

E Fernando Deghi acrescenta: "Lhe ofereço então este Chamamé ("Meu Mestre Tião"), e não um Pagode. Porque no Pagode, só existiu um: você! Obrigado por ter existido."

Quero destacar também "Minuetando em Bá Maior - Nº. 1" (Fernando Deghi - Clodomiro Martins) e "Minuetando em Bá Maior - Nº. 2" (Fernando Deghi), nas quais, em afinação "Cebolão", Fernando Deghi nos mostra uma das inúmeras possibilidades da Viola Caipira, com sonoridade que nos faz lembrar o Cravo Barroco, homenageando o célebre compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750).

Além de "Violeiro Andante - A Viola Brasileira E Suas Possibilidades", Fernando Deghi também gravou o CD "Brasil Violado - Cantorias e Instrumental, com a participação de Edmauro Lima (Violeiro da Amazônia).

Ambos os CD's podem ser adquiridos pelo Apreciador no site oficial de Fernando Deghi, onde o Apreciador também poderá conhecer mais um pouco sobre esse excelente Solista de Viola!

Fernando Deghi também participou brilhantemente e, com sua belíssima composição "Amazônia", conquistou o 2º. Lugar no "I-Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola 2004", cuja final teve lugar no Teatro Alfa em São Paulo-SP. Na foto abaixo, Fernando Deghi na final do Prêmio Syngenta em em 27/10/2004:





Contato para shows:
Violeiro Andante Produções: (11)4354-0081
e-mail: violeiroandante@terra.com.br



Tive também a oportunidade de assistir a uma apresentação de Fernando Deghi por ocasição do II Encontro de Violeiros que teve lugar em Ribeirão Preto-SP nos dias 13 e 14/03/2004. Na foto à esquerda, Fernando Deghi em Ribeirão Preto, em 14/03/2004 onde ele nos deu uma amostra do seu excelente conhecimento musical.





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Fernando Sodré:

"Tive o prazer e o privilégio de acompanhar um pouco o processo de gravação do primeiro CD de carreira do jovem Violeiro Fernando Sodré. Gostaria de destacar o cuidado profissional que envolveu essa produção (...) que faz a gente pensar em como a Viola Caipira realmente já ultrapassou as cercanias do Sertão e hoje é um instrumento, uma sonoridade, que se aplica perfeitamente no melhor da nossa Música Popular Brasileira. Em canções que namoram com o Sertão mas partem da Cidade Grande, em solos virtuosos muito bem gravados, Fernando Sodré trilha um caminho que, se bem cuidado, se bem orientado, pode colocá-lo como mais um dos expressivos nomes do nosso atual Cenário Musical."

(Comentário do Violeiro Chico Lobo, no encarte do CD de Fernando Sodré)

Esse jovem Pesquisador e Solista de Viola é Mineiro nascido em Belo Horizonte-MG.

Começou a tocar Violão com 14 anos de idade e, aos 19 anos, passou a dedicar mais seriedade ao estudo da Música, passando também a praticar de 8 a 9 horas por dia a técnica da Viola Caipira.

De início, o Chorinho era o estilo musical preferido de Fernando Sodré que, no início dos estudos, foi influenciado pelo saudoso Violonista Raphael Rabello.

Como um Bom Músico Clássico, juntamente com a Viola Caipira, Fernando Sodré também estudou Violão Erudito durante quatro anos com Alexandre Piló, aprendizado esse que contribuiu bastante com sua criação e composição na Viola Caipira.

Fernando Sodré fez também um curso de Técnica Vocal, o que lhe deu mais experiência, além de possibilitar algumas apresentações como Cantor, além de Instrumentista.

É curioso como Fernando Sodré fez um "caminho inverso" pouco comum nos Compositores e Intérpretes da Música Caipira Raiz, já que, após dois anos dedicados ao Chorinho, foi que esse jovem Solista resolveu se dedicar à Música Caipira, pesquisando e aprofundando as possibilidades do tão tradicional instrumento musical, a partir da influência de excelentes Violeiros do quilate de Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Renato Andrade, Renato Teixeira, Almir Sater e Tavinho Moura, apenas para citar alguns.

Além do Chorinho e da Música Caipira Raiz, outro estilo também estudado por Fernando Sodré é o Flamenco, com influência do Violonista Espanhol Paco de Lucia.

Jovem e, de espírito empreendedor, não se limitando apenas ao que já se apresenta no mercado, Fernando Sodré também inova e "reinventa" a Viola Caipira: de sua parceria com a Hootz Lutheria e também de suas incansáveis pesquisas, ele acrescentou mais 4 cordas ao tradicional Instrumento Musical, criando assim a Viola de 14 Cordas, com maior extensão e possibilidade de notas e acordes mais graves, e que já vem sendo tocada em diversos lugares dentro e fora do Brasil.

Fernando Sodré é também um dos vencedores do Prêmio Jovens Instrumentistas do BDMG 2002, o que proporcionou ao jovem Músico o encontro com o inesquecível violeiro Renato Andrade, com quem apresentou seu trabalho, no Teatro Izabela Hendrix, no ano de 2003.

Fernando também já fez parte do Grupo Para-Folclórico "Sarandeiros", com quem viajou em tourneé pela Itália em Julho de 2003.

Em 2005 Fernando Sodré se sagrou vencedor do VIII Festival de Inverno de Sanfona e Viola de Mimoso do Sul-ES e, no mesmo ano, participou também do projeto "Violas e Histórias de Minas", realizado no famosíssimo Canecão, no Rio de Janeiro-RJ, ao lado do Contador de Causos e Poeta Tadeu Martins e também do violeiro Chico Lobo.

Em sua brilhante trajetória musical, Fernando Sodré já se apresentou em teatros da Capital Mineira, como o Palácio das Artes, o Teatro Alterosa, o SesiMinas e a Sala Juvenal Dias, além de outros teatros no Interior das "Geraes", além de apresentações em São Paulo-SP e Brasília-DF, dentre diversas outras cidades.

Além da Música Caipira Raiz, Fernando prossegue em sua pesquisa no universo do Choro, juntamente com o Professor de Violão Erudito Alvimar Liberato da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), com quem desenvolve o "Show 10 x 7", que une a Viola de 10 Cordas ao Violão de 7 Cordas, interpretando Choros com bastante virtuosismo dos dois Instrumentos Musicais.

Fernando Sodré também participa da Revista Viola Caipira, sendo responsável pela seção "Destrinchando Tião Carreiro e Almir Sater", onde transcreve suas técnicas em partituras incluindo fotos das mãos no braço da Viola!

Quero aqui destacar o primeiro CD de Fernando Sodré o qual nos apresenta não apenas um maravilhoso repertório composto não apenas por Música Caipira Raiz, mas que também nos brinda com dois excelentes Choros, que são "O Vôo da Mosca" (Jacob do Bandolim) e "Graúna" (João Pernambuco), além da demonstração de um virtuosismo fora do comum, com técnica similar à dos grandes Violonistas Eruditos!

De acordo com o Poeta e Contador de Causos Tadeu Martins, em comentário no encarte do CD, "Fernando Sodré é mineiro, mas a sua Música é universal, ultrapassa todas as fronteiras, inclusive a que existe entre os ouvidos e o coração (...) é muita bagagem para sua pouca idade. Mas pouca gente sabe da dedicação do Violeiro: são muitas horas por dia, todos os dias do mês, todos os meses dos mais de 10 anos de amor com a Viola. Uma paixão que começou com os Chorinhos. Depois, um dedilhar firme, uma amaciada nas cordas e... sons de todos os tons foram traduzidos para o idioma "Violês": MPB, Clássicos, Rock, Blues, Caipiras, Milongas, Calangos e Lundus, entre tantos outros gêneros musicais dos quatro cantos do mundo (...) Mas ouvir é pouco; eu lhes dou um conselho: não deixem de ver um show deste grande Violeiro, Pixinguinha das Dez Cordas, Baden Powell da Viola, Beethoven do Pinho, ou simplesmente Fernando Sodré, um menino do Planeta Terra que sabe fazer mágicas com as Cordas da Viola."


Clique aqui e conheça o Site Oficial de Fernando Sodré contendo fotos, notas da Imprensa e informações diversas desse excelente Violeiro.


Contato para shows e venda de CDs:

(31) 3486-7848 - falar com Daniele Bronzatti Siqueira
(31) 9241-0704 - falar com Daniele Bronzatti Siqueira
(31) 9114-8093 - falar com Geovana Jardim
(31) 9613-0255 - falar com Geovana Jardim

Ou por e-mail: fernandosodre@fernandosodre.com.br
daniele@jardimproducoes.com.br




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Gedeão da Viola:

Gedeão Nogueira nasceu no dia 16/04/1945 em Limeira-SP. Carregando no sangue desde menino a Cultura Caipira, conheceu com apenas 6 anos de idade a Dança da Catira, pela qual se apaixonou, dançando junto com os adultos. Gedeão dançou bastante Catira na região de Piracicaba-SP antes de se tornar Violeiro.

Em 1985 Gedeão seguiu para a Capital Paulista onde trabalhou como Artesão, consertando e reformando Instrumentos Musicais de Corda.

Como Artesão, Gedeão trabalhava próximo ao Café dos Artistas, na Praça Júlio de Mesquita, no "Coração da Paulicéia Desvairada", local que era um "reduto de boêmios", onde se podia encontrar Violeiros, Compositores e Cantadores que ali se reuniam para trocar idéias, vender Instrumentos Musicais, compor novas Letras e Músicas ou mesmo tomar uma cerveja e cantarolar... E foi nessa época que Gedeão conheceu diversos Músicos da MPB e também da Música Regional, com os quais chegou mais tarde a dividir o palco. Dentre eles, Sérgio Reis e Téo Azevedo, além de "Castanha e Caju", Saulo Laranjeira, Luiz Vieira, Silvio Brito e outros mais.

Foi nessa lida como Artesão que Gedeão acabou gostando do som do tão tradicional Instrumento Musical Caipira Raiz, do qual foi um aprendiz auto-didata, depois de afinar Violas de renomados Músicos Caipiras do quilate de Bambico, Zé do Rancho e também do Criador e Rei do Pagode que foi o Tião Carreiro.

E foi no ano de 1988 que Gedeão, incentivado por seu amigo Sayo, gravou "Pau-Brasil" (Gravadora Tocantins - GTL-1155), o seu primeiro LP, com Solos de Viola Caipira. A faixa-título "Pau-Brasil" (Gedeão da Viola) chegou a ser o tema da abertura do Viola Minha Viola na TV Cultura de São Paulo-SP, apresentado pela "Madrinha" Inezita Barroso. Para nossa felicidade, o LP "Pau-Brasil" foi remasterizado em CD no ano de 1995 e, além da faixa-título, diversas outras Músicas desse disco foram utilizadas como trilhas sonoras instrumentais em diversos programas de Rádio, além de reportagens rurais em alguns programas de TV.

E, como Solista de Viola, Gedeão se apresentou em recitais e também em programas de TV tais como o inesquecível Som Brasil (na Rede Globo) e o já mencionado Viola Minha Viola (na TV Cultura de São Paulo-SP). Gedeão também chegou a coordenar, nessa época, a antiga Orquestra de Violeiros de São Paulo.

Novas amizades e parcerias aconteceram, como por exemplo, na composição de "Dois Irmãos" (Gedeão da Viola - Ranchinho II) em parceria com Homero de Souza Campos (1930-1997), que foi um dos companheiros com o nome de Ranchinho na inesquecível dupla Alvarenga e Ranchinho.

Gedeão também foi convidado a se apresentar em Brasília-DF, para representar o Estado de São Paulo, em 1988, na gravação do programa de TV intitulado "Violeiros do Brasil", ao lado de excelentes Violeiros do quilate de Almir Sater, Tião do Carro, Zé Garoto, Roberto Correa, Zé Mulato e Cassiano e Renato Andrade. No entanto, devido a problemas de saúde, Gedeão acabou sendo substituído pelo Tião Carreiro nesse programa.

E, em 1992, Gedeão trocou a Capital Paulista pelo Interior do Estado, passando a residir em Barretos-SP, a convite do amigo Rose Abraão, que era considerado o "Pai dos Violeiros" e que foi também o criador do Festival Violeira, considerado o maior festival de Viola do País, que acontece até os dias de hoje, anualmente, durante a famosíssima Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos-SP.

Em 1996, no entanto, faleceu o amigo Rose Abraão. Vendo-se sem mercado e sem público para a Música Instrumental, Gedeão decide soltar sua voz e cantar, juntando então a qualidade de sua Viola com a afinação de voz de João Pedro, que era seu colega de Reisados e Cantorias. Estava formada a dupla "Gedeão da Viola e Sidney", nome artístico que João Pedro já vinha usando e que viria a trazer bastante sorte nos festivais.

No mesmo ano, "Gedeão da Viola e Sidney" conquistaram o primeiro lugar no Festival Violeira Rose Abraão de Barretos-SP, com a música "Mala de Lembranças" e, no mesmo evento, também foram agraciados com o segundo lugar com a toada "Boiadeiro Sem Boiada". Em 1997, a dupla novamente se consagraria campeã com a moda "Ponte de Safena", o que firmou Gedeão e Sidney como uma das maiores sensações dos diversos Festivais Regionais, ganhando prêmios diversos em praticamente todas as competições das quais participassem.

Em 1998, no entanto, a dupla com Sidney se desfez e Gedeão formou uma nova dupla na qual seu filho Fabiano fazia a Voz e o Violão. No mesmo ano, "Gedeão da Viola e Fabiano" foram agraciados com o primeiro lugar com "Amiga Inseparável" (Gedeão da Viola), uma bela homenagem à Viola Caipira.

E, em 1999, "Gedeão da Viola e Fabiano" ficaram com o quarto lugar no Festival Violeira Rose Abraão, com a música "O Gostoso da Vida".

No ano seguinte, a convite da organização, Gedeão atuou como "garoto-propaganda" do Festival Violeira Rose Abraão, tendo incentivado novas Duplas e Violeiros de todo o Brasil a participarem do concurso. E, no mesmo ano de 2000, Gedeão gravou seu segundo disco de carreira, que foi o CD "Toque Aranhado", em Solos de Viola Caipira, tendo sido seu primeiro disco lançado originalmente nesse formato. Teo Azevedo participou desse CD na faixa "Versos De Barretos".

Gedeão também passou a ministrar aulas particulares de Viola Caipira e Violão, além de também ensinar a tradicional Dança do Catira para crianças e jovens carentes da periferia de Barretos-SP, um belíssimo trabalho com forte cunho social, que também ajudou a resgatar as Raízes do Folclore Brasileiro.

Excelente Professor, Gedeão da Viola influenciou toda uma nova geração de Violeiros que não se esquecem do "Velho Mestre", dentre os quais, Mazinho Quevedo, Noel Andrade, Júlio Santim e Rodrigo Azevedo (sobrinho de Teo Azevedo), além de outros renomados Violeiros que, apesar de não terem sido seus alunos, buscaram inspiração nas técnicas criadas por Gedeão da Viola, como foi o caso de Ivan Vilela e Levi Ramiro.

Ao final do ano 2000, Gedeão da Viola, formou novamente a dupla com João Pedro (de nome artístico Sidney) e a dupla voltou a participar dos diversos Festivais de Violeiros, festas de rodeio e programas de TV. Nessa época eles iniciaram o preparo do primeiro CD da dupla, com composições inéditas, a maioria das quais campeãs do Festival da Violeira Rose Abraão de Barretos-SP. O parceiro Sidney, por sinal, é considerado o maior vencedor do concurso, com 14 premiações, tendo conquistado 3 primeiros lugares juntamente com Gedeão da Viola, além de outros 3 concursos com outros parceiros.

Um novo primeiro lugar foi conquistado pela dupla na Edição de 2001 do Festival Violeira Rose Abraão, dessa vez com "Caboclo Centenário", uma Música ponteada de nostalgia, com boiadeiros e boiadas caminhando pelas cordas da Viola Caipira.

Somente em Agosto de 2002 é que foi lançado o CD "Gedeão da Viola & João Pedro - Vol. 1", pela gravadora RB Music de São Paulo-SP, ocasião na qual Sidney voltou a utilizar seu Nome de Batismo.

Gedeão da Viola, porém, "partiu para o Andar de Cima", na manhã de 27/07/2005, vítima de insuficiência cardíaca, em Barretos-SP, a cidade que havia sido por ele escolhida para poder levar uma vida um pouco mais confortável, tendo já conquistado um de seus maiores sonhos que era comprar um terreno e ter o seu próprio cantinho. Clique aqui, veja e ouça uma belíssima apresentação de Gedeão no Viola Minha Viola na TV Cultura de São Paulo-SP.


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Helena Meireles:

"Fui mulher que nasci para agüentar paradas duras, porque nunca aceitei ser mandada por homem. Nasci prá ser eu, resolver tudo, em qualquer lugar do mundo." Helena Meireles em entrevista à Rosa Nepomuceno para o excelente livro "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio" citada na página 405.

Essa notável "Diva da Viola Caipira" nasceu no dia 13/08/1924 "no meio da boiaderama", na Fazenda Jararaca (pertencente a seu Avô Materno) no Pantanal do Mato Grosso do Sul, na antiga estrada boiadeira que acompanhava o rio Pardo e ligava Campo Grande ao Porto Quinze, embarcadouro de gado às margens do rio Paraná, na divisa do Mato Grosso do Sul com o Estado de São Paulo. Faleceu em Campo Grande-MS no dia 29/09/2005.

Estrangeira dentro de seu próprio país, "sua Viola sempre foi sua Pátria" e ela não dizia palavra mais precisa do que o Ponteio triste em "acordes auto-falantes". Na música e no modo de tocar a Viola é que estava a sua essência.

Helena cresceu rodeada de peões, comitivas e violeiros. Fascinada pelas Violas Caipiras, a família não permitia que ela aprendesse a tocar. Aprendeu o instrumento, no entanto, por conta própria, às escondidas, já que esse mundo era "reservado apenas aos homens", segundo o preconceito reinante: "Mulher que aprender a tocar vai roçar nos homens e virar sem-vergonha", advertiam os pais, quando perceberam na filha o fascínio pelos instrumentos musicais. Ameaçavam cortar-lhe os dedos e dar-lhe uma surra de lavar o lombo com salmoura, caso Helena insistisse... Mas Helena, "para nossa felicidade", insistiu: "Tocarei mesmo com os tocos..." E, aos poucos ficou conhecida entre os boiadeiros da região.

Ouvidos atentos e olhos sequiosos gravavam os sons e as posições da "afinação Paraguaçu", empregada nos solos de Viola. Quando a família ia para o campo, Helena se escondia no mandiocal, tocando sozinha.

Ao velho instrumento que lhe havia sido dado de presente por um paraguaio, adaptava uma linha de costura que fazia a vez das cordas de Viola.

Casou-se com apenas 17 anos, por pura imposição dos pais. Nesse primeiro casamento, teve três filhos; como se não bastasse a família, o marido também tentou impedi-la de tocar e dançar; no entanto, ela queria ser livre e o abandonou poucos anos depois. Juntou-se a um paraguaio, que tocava violão e violino; era bom companheiro de música e também de copo; e foram oito anos de convivência. Mais dois filhos e... nova separação.

E, a partir de então, mascava fumo e bebia... Sua índole rebelde não permitiu que tolerasse a família que fazia total oposição ao seu estilo de vida. Entregou os filhos a pais adotivos e passou a tocar em bares e viver em bordéis onde, com seu violão, animava a farra dos boiadeiros. E, nesse processo, conheceu diversos amantes e teve novos filhos, que chegariam a um total de 11.

"Só tocava prá ver a farra, não ganhava nada, mas quando a boiaderama chegava do Pantanal, de cima da serra ou de baixo, trazendo a boiada que ia embarcar em Presidente Epitácio, mandava chamar "a Paraguaia", como eles me conheciam".

Helena conheceu, no bordel do Porto Quinze, um peão pantaneiro, domador de burros bravos, chamado Constantino, que veio a ser o seu terceiro marido, e com quem viveu mais de 35 anos; e seguiram juntos para o Pantanal, onde trabalharam em "retiros" em diversas fazendas nas áreas mais remotas da região.

Mulher decidida, Helena Meireles também foi parteira - e, "parteira de si própria", fez sozinha, por onze vezes, os seus próprios partos - Foi também benzedeira, lavadeira e cozinheira nas diversas fazendas por onde trabalhou.

Com o passar do tempo, Helena deixou de mascar fumo e abandonou a bebida alcoólica, no entanto, não aposentou jamais o Violão nem a Viola, que tocava nas festas locais. Desaparecida da família, acreditavam que ela tivesse sido assassinada por um peão despeitado, na zona do Porto Quinze. Helena ressurgiu em Piquerobí-SP, próximo à divisa com o Mato Grosso do Sul.

Encontrada por sua irmã Natália, Helena, procedente de Aquidauana-MS, tentava chegar a São Paulo-SP, onde ouvira dizer que parte da família se estabelecera há 30 anos. Doente e paupérrima, conservava ainda a destreza instrumental e grande parte do inesgotável e precioso repertório de "jóias lapidadas" do nosso Cancioneiro Regionalista.

Foi descoberta pela mídia a partir de matéria elogiosa publicada na revista norte-americana "Guitar Player". Na verdade, uma fita gravada havia sido enviada aos Estados Unidos por seu sobrinho Mário José, filho de sua irmã Natália; Mário, que já havia morado na "Terra do Tio Sam" tinha um amigo que morava lá e este, por sua vez, encaminhou a fita à redação da revista "Guitar Player". E veio então a fama: Helena "enfrentou pela primeira vez uma câmera de TV" e subiu ao palco de um teatro também pela primeira vez quando se aproximava dos 69 anos de idade. Até então, sua platéia era composta apenas pelos habitantes da Fazenda Jararaca e fazendas vizinhas, além dos peões da "velha estrada boiadeira", bem como os freqüentadores e mulheres de programa das zonas de meretrício e botecos de diversas pequenas cidades sul-mato-grossenses e também do lado paulista da divisa dos dois Estados.

Foi escolhida pela revista Guitar Player como uma das "100 mais" por sua atuação nas Violas de 6, 8, 10 e 12 cordas: o prêmio Spotlight Artist (Revelação) da Guitar Player, em Novembro de 1993, que a incluiu entre as 100 mais da publicação, em meio a "idolatrados" roqueiros e jazzistas, tais como Eric Clapton, Jeff Beck, George Benson e Steve Ray Vaughan. A excelente técnica de Viola de Helena Meireles pode ser confirmada já no primeiro CD, gravado pela Eldorado em Setembro de 1994 em interpretações como "Fiquei sozinha" (Helena Meireles), "Chalana" (Mário Zan - Arlindo Pinto), "Molequinho Malcriado" (Domínio Público) e "Fim de Baile" (Helena Meireles), além de podermos também conhecer interessantes "Histórias e Causos" por ela narrados, como por exemplo, "Parteira de Si Própria". Não obstante o analfabetismo, Helena possui o dom da oralidade, típico do sertanejo. O acentuado sotaque do matuto sul-mato-grossense se mostra patente numa narrativa firme e saborosa, que valoriza nossa cultura regionalista. Narrações essas que não se constituem como "meros causos", mas passagens reais de uma vida aventurosa e repleta de lições para os corações e mentes preparados para recebê-las.

E, apesar da crise pulmonar de que foi acometida durante as gravações, oriundas de seqüelas de uma antiga tuberculose e de várias pneumonias, resultantes da vida desregrada e também dos incontáveis anos lavando roupas nas lagoas e rios do Pantanal, Helena nos mostrou sua voz com bastante esforço, em quatro faixas cantadas.

"Estou ficando louca, não lembro a letra. No tempo em que eu bebia uma cachaça não parava de cantar. Queria era ter vindo para este São Paulo quando ainda era moça. Ia fazer tanto sucesso! Não acho graça em cantar sem beber. Queria ter descoberto o sucesso moça..." Frase dita por Helena num show na Paulicéia Desvairada.

"Agora não toco mais de graça em lugar nenhum." Afirmava Helena, orgulhosa de seu talento, de acordo com Rosa Nepomuceno, na página 402 do seu excelente livro "Música Caipira - da Roça ao Rodeio". E, na página 400 do mesmo livro, Helena também afirmou: "Agora posso aceitar os convites pra churrasco, porque antes não podia comer..." E Helena prosseguia: "Eu sabia o tempo todo que eu tinha uma rosa na mão e que essa rosa nunca ia murchar..."

Determinada como ninguém, Helena passou então a viver numa boa casa avarandada, com churrasqueira e telefone em Presidente Epitácio-SP, próximo à divisa com o Mato Grosso do Sul. Helena também gostava de ouvir Pena Branca e Xavantinho e Milionário e José Rico; na Música Sentimental, Helena garantia que não havia aparecido até então ninguém melhor do que Francisco Alves, o Rei da Voz, por quem tinha grande admiração!

E seu gosto por chapéus masculinos pode ter sido herança do tio Leôncio, que morreu em 1998 com 96 anos de idade e que foi "a Escola de Viola de Helena Meireles". Tio Leôncio testemunhou a trajetória de Helena e viu também a grande reviravolta em sua vida, tendo conhecido inclusive sua bela casa às margens do Rio Paraná, em Presidente Epitácio-SP, onde Helena viveu até o fim de seus dias.

Helena Meireles gravou um total de 4 CD's, tendo sido os três primeiros pela Gravadora Eldorado e o quarto CD, pela Sapucay; são eles: "Helena Meireles", gravado em 1994; "Helena Meireles - Flor da Guavira", gravado em 1996; "Helena Meireles - Raiz Pantaneira", gravado em 1997; e "Helena Meireles - Ao Vivo - De Volta Ao Pantanal", gravado em 2003. A maioria das músicas são composições de sua própria autoria e Helena também nos presenteou com algumas peças de Domínio Público, além de composições tradicionais e consagradas da Região Pantaneira como por exemplo "Chalana" (Mário Zan - Arlindo Pinto) e "Merceditas" (Ramon Sixto Rios). O CD "Raiz Pantaneira" conta também com a participação especial de Sérgio Reis na faixa "Guiomar" (Haroldo Lobo - Wilson Baptista).


E, no dia 23/08/2005, Helena Meireles foi internada na Santa Casa de Campo Grande-MS com pneumonia crônica aguda em ambos os pulmões, além de insuficiência respiratória; chegou a apresentar melhoras consideraveis, tendo inclusive deixado o CTI, no entanto, a Diva da Viola "partiu para o Andar de Cima" na madrugada de 29/09/2005, quando contava 81 anos de idade, deixando um enorme vazio na Música Caipira Raiz e na Boa Música Brasileira...


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Índio Cachoeira:

José Pereira de Souza, o Índio Cachoeira, nasceu em Junqueirópolis-SP (próximo à divisa entre os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul) no dia 27/07/1952.

Com apenas 8 anos de idade, José Pereira já teve seu primeiro contato com o Tradicional Instrumento Musical Caipira Raiz, ouvindo um velho Violeiro da região. Sua mãe, porém, não aprovava que ele ficasse nas Rodas de Viola e Folias de Reis. Sendo assim, ele acabava "fugindo de casa" para poder ouvir de perto a Viola e os Ponteados...

E, já com 17 anos, José Pereira iniciou sua carreira profissional tocando a Viola em emissoras de rádio locais, já utilizando o nome artístico de Índio Cachoeira.

Ao longo de sua carreira, Índio Cachoeira atuou cantando em algumas Duplas Caipiras e também solando a Viola. A primeira Dupla ele formou com Tião do Gado.

Em 1995, Cachoeira substituiu o Roque Pereira Paiva, que foi o "primeiro Pajé" da Dupla Cacique e Pajé e que havia falecido em 1994.

Cachoeira já trabalhava como Músico de Estúdio para a dupla Cacique e Pajé e, com o nome de Pajé, chegou a gravar dois discos com o Cacique, tendo integrado a Dupla até 1997, quando Geraldo Aparecido da Silva assumiu o lugar do Pajé, formando com o Cacique a Dupla como é conhecida nos dias atuais.

Quero aqui destacar o CD "Viola de Ouro - Solos de Viola", gravado na Allegretto (ALCD-00068), sob a Direção Artística de Alexandre Nunes, com Arranjos e Direção Musical de Profeta, no qual Cachoeira nos brinda interpretando diversos Clássicos do Repertório Caipira Raiz, tais como "Tristeza do Jeca" (Angelino de Oliveira), "Saudade da Minha Terra" (Goiá - Belmonte), "Terra Tombada" (Carlos Cezar - José Fortuna), "Casa de Caboclo" (Nonô Basílio) e "Luar do Sertão" (Catulo da Paixão Cearense - João Pernambuco), apenas para citar algumas. O CD é todo Instrumental e nele o Índio Cachoeira nos presenteia com sua excelente Técnica, solando a Viola Caipira.

Quero destacar também o CD Solos de Viola Caipira - por Índio Cachoeira lançado no início de 2007 pela gravadora Folguedo (FG4), gravado e mixado nos Estúdios "Bojo Elétrico" e "Música Bacana" por Ricardo Vignini, em Novembro e Dezembro de 2006, e masterizado no Estúdio "Música Bacana" por André Ferraz. Nesse CD, o Índio Cachoeira toca sua Viola Caipira em todas as faixas; em algumas faixas toca também o Violão e, além dos Instrumentos de Corda, toca também Instrumentos de Percussão, em todas as faixas do disco!

O CD conta também com a participação de Cuitelinho (Violão), Ricardo Vignini (Violão), Júlio Santin (Violão) e Miltom Araújo (Baixo). Assim como o "Viola de Ouro - Solos de Viola", esse CD também é todo Instrumental e nele o Índio Cachoeira, além de nos brindar com seu excelente Virtuosismo, também mostra seu belíssimo trabalho como Compositor, sendo que todas as composições são de sua inteira autoria, com exceção apenas da Faixa 5 (Seleção de Pagodes e Cururus), que é de sua autoria juntamente com o Índio Cachoeira.

Ricardo Vignini, criador do site Brasil Festeiro, menciona na Página Dedicada à Dupla Índio Cachoeira e Cuitelinho, que "...foi uma grande honra ter realizado este trabalho, que eu considero histórico para a Viola Brasileira. José Pereira de Souza (...) é com certeza o melhor violeiro que eu conheci. A Viola Caipira, nos últimos 15 anos, tem se mostrado o Instrumento de Cordas que mais cresce no Brasil, devido ao grande número de Violeiros que tem surgido tanto no Interior, quanto nos grandes centros urbanos. Ganhou as grandes Salas de Concerto do Mundo, tornou-se Erudita, foi abraçada até por bandas de rock tendo-a como espada no lugar da guitarra. Mas o repertório de Viola Instrumental, 'caipira de fato', não é tão grande assim, principalmente imprimindo uma Identidade Única e sincera com os Rítmos Tradicionais. Acredito que este CD tem uma grande importância neste sentido, pois Índio Cachoeira é um dos maiores conhecedores do gênero em atividade."

Índio Cachoeira, no entanto, não é apenas um Virtuose na Viola Caipira. Além de seus CD's solando o Tradicional Instrumento Musical, Cachoeira trabalhou bastante em diversos estúdios, tendo realizado inúmeras gravações com Ronaldo Viola e também com Rodrigo Matos (que foi, por sinal, o seu aluno mais ilustre), além de diversas outras Duplas. Vários CD's de diversos outros Músicos Caipiras têm a participação da Viola do Índio Cachoeira fazendo parte da Instrumentação.

Além de Solista e Compositor, o Índio Cachoeira também é Luthier; a própria Viola com a qual se apresenta é de sua fabricação, além de Violas de 10 e 15 cordas, Violão, Cavaquinho, Rabeca, e Harpa, que ele também fabrica de modo artesanal. É considerado um verdadeiro "Artesão de Sons" e "Canaã" é a marca dos Instrumentos Musicais fabricados por Cachoeira.

E, conforme já mencionei nesse resumo biográfico, Índio Cachoeira também já cantou em Dupla com alguns parceiros. Quero aqui destacar a excelente Dupla que ele forma atualmente com o Cuitelinho, dupla essa que é um excelente "Casamento de Vozes":

Osvaldo Viotto, o Cuitelinho, nasceu em Duartina-SP no dia 13/11/1942 e formou sua primeira Dupla com Sabiá da Serra no ano de 1970. Osvaldo também cantou em Dupla durante 25 anos com Tião do Norte, tendo com ele gravado o LP Filho do Pecado pela gravadora Brasil Rural - 21.011 - em 1981.

Cuitelinho também formou Dupla com Di Oriente entre 1997 e 2001, além de ter trabalhado também como Radialista, divulgando a Música Caipira Raiz em seus programas, desde 1991.

E foi no ano 2001 que o Índio Cachoeira formou a Dupla com o Cuitelinho, que havia levado um Violão para que o Índio Cachoeira fizesse manutenção. Os dois parceiros se identificaram de forma imediata e, naquele lugar e naquele momento, resolveram formar a Dupla "Índio Cachoeira e Cuitelinho".

Curioso que José Pereira e Osvaldo já se conheciam desde 1977, pois ambos eram também Caminhoneiros na época.

Quero destacar também o CD Convite de Violeiro, produzido por Ricardo Vignini, lançado em 2006 pela gravadora Folguedo (FG3), gravado, masterizado e mixado no Estúdio "Bojo Elétrico", por Ricardo Vignini e André Ferraz.

Esse CD não teve participação de nenhum outro Músico! Índio Cachoeira e Cuitelinho soltaram sua voz, tocaram Viola, Violão e Percussão, além de serem os Compositores de todas as Músicas (exceto apenas a 14ª faixa - "O Cultivo da Maldade" (Celso Versutti)). De acordo com Ricardo Vignini, "...cada seção de gravação foi uma Aula de Sabedoria (...) fico muito feliz em conseguir lançar mais esse CD pelo selo Folguedo, mostrando que ainda existem Duplas Autênticas pelo Brasil..."

Tanto como Solista de Viola, como também em Dupla com o Cuitelinho, Índio Cachoeira, também realizou diversas apresentações em diversos lugares, tais como Festas em Barretos-SP, além de programas do quilate do Viola Minha Viola, apresentado pela "Madrinha" Inezita Barroso na TV Cultura de São Paulo-SP.

E a Dupla "Índio Cachoeira e Cuitelinho" também participou brilhantemente do show "Brasil com S", produzido por Téo Azevedo, em Dezembro de 2005 na Estância Alto da Serra em São Bernardo do Campo-SP, apresentação essa que, "para nossa felicidade", foi editada em DVD em dois volumes! Nessa apresentação, a dupla interpretou "Prelúdio dos Pássaros" (Índio Cachoeira) e "A Viola e o Passarinho" (Índio Cachoeira - Cuitelinho).


Contato para shows:

Brasil Festeiro Produções Ltda.:
Av. Damasceno Vieira, 44 - 56C - 04363-040 - Aeroporto - São Paulo-SP - Brasil

Fone/Fax: (11) 5031-3905
Cel.: (11) 9204-6411

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Ivan Vilela:

"Ele é genial no domínio da Viola de Dez Cordas... já o compararam com Vivaldi, como compararam Zé Coco do Riachão a um Beethoven do sertão... Ivan Vilela é um virtuose do instrumento". Márcia Lage em comentário no Jornal "Hoje em Dia" de Brasília-DF.

Ivan Vilela Pinto é Violonista Clássico, Violeiro, Cantor, Compositor e Arranjador; nasceu em Itajubá-MG no dia 28/08/1962. É o caçula de uma família de 11 filhos e, ainda garoto, ganhou de seu pai um Violão, que foi seu primeiro Instrumento Musical. E começou a compor já aos 11 anos de idade.

Iniciou sua carreira musical quando contava 17 anos, no Grupo "Pedra" e depois no Grupo "Água Doce", conjuntos que pesquisavam as Raízes da Música do Sul de Minas.

Em 1984, Ivan formou um Duo de Voz e Violão com a cantora Pricila Stephan (Ivan e Pricila), desenvolvendo um trabalho visando a resgatar o lirismo das canções mineiras. Parte desse trabalho foi gravada no LP "Hortelã" em 1985.


Cursou Faculdade de História em Campinas-SP na UNICAMP. Mas, como "a Música falou mais alto" ingressou em 1989 no Curso de Composição da UNICAMP.

Durante o estudo universitário, Ivan Vilela participou de diversos seminários de Musicologia, Música Contemporânea e Música Brasileira. Teve como professores de Violão Clássico Éverton Gloeden, Paulo Bellinati e Ulisses Rocha. Ivan também foi aluno do professor e compositor erudito brasileiro contemporâneo José Antônio Rezende de Almeida Prado .

Bacharel e Mestre em composição, no seu Mestrado, Ivan Vilela trabalhou com a fusão de linguagens musicais aparentemente distintas, tendo composto inclusive a "Ópera Caipira" - "Cheiro de Mato e de Chão" sobre libreto de Jehovah Amaral, poeta regionalista de Capivari-SP.

E em 1991, na UNICAMP, Ivan formou o trio de câmara "Trem de Corda" (atualmente formado por Ivan Vilela (Violão e Viola), Esdras Rodrigues Silva (Violino) e Lara Ziggiatti (Violoncelo)), trio esse que une a Música Erudita à Música Popular e que possui um repertório calcado na MPB, em especial no Chorinho, com intervenções de Música Barroca. O "Trem de Corda" faz uma verdadeira ponte entre os conceitos musicais "Erudito" e "Popular" com repertório composto de Chorinhos da "Velha Guarda" (Pixinguinha, Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, entre outros) e também compositores contemporâneos, sempre valorizando o potencial individual de cada instrumento e seu respectivo executante.

Também integrante do "Trem de Corda" (em sua formação inicial), o Violinista José Eduardo Gramani selou uma amizade duradoura com Ivan e juntos se estimularam a conhecer cada um o Universo Musical do outro. Ivan enveredou pela Música Erudita e José Eduardo se aventurou, através das Cordas da Rabeca ao universo da música popular.

Destaque para o CD "Trilhas" lançado em 1994, que teve duas indicações para o Prêmio Sharp em 1994 e 1995, na categoria "Revelação Instrumental".


De 1992 a 1999, Ivan atuou como arranjador e instrumentista do grupo Anima, atendendo ao convite de José Eduardo Gramani. O grupo Anima possuía um repertório composto por Música Medieval e Renascentista.

Ivan recebeu com surpresa o convite, já que não tinha nada em comum com o trabalho do grupo. Levou ao grupo Anima um pouco das pesquisas que trazia na Viola e ficou até 1993. Mas o grupo resolveu fazer a "fusão" da Música Folclórica com a Música Medieval e novamente convidou Ivan, já que ele era a pessoa certa para fazer a ponte entre os dois universos.

Desde então o grupo Anima vem unindo o Erudito e o Popular, o Medieval e o Folclórico. Tendo gravado o CD "Espiral do Tempo" em 1998, o mesmo recebeu o prêmio Movimento (1997/1998) (como Melhor Disco Instrumental), além do prêmio APCA (1998) (Associação Paulista dos Críticos de Arte).


E o mesmo grupo também gravou em 1999 o CD "Além-Mar", com composições recolhidas desde a época do Descobrimento do Brasil.

E foi em 1995, que Ivan Vilela assumiu a Viola Caipira como Instrumento Solista. Desde então tem proporcionado o trânsito da Viola Caipira também para outros segmentos musicais. Em 1998, Ivan recebeu indicação para o Prêmio Sharp 1998/1999 na categoria Revelação Instrumental, pelo CD "Paisagens", trabalho instrumental que tem como base o tradicional Instrumento Musical Caipira.

Também em 1995, Ivan ministrou o curso "Descobrindo Garoto", no SESC São José do Rio Preto-SP buscando resgatar a obra de Anibal Augusto Sardinha (20/06/1915 - 03/05/1955), conhecido também como Garoto, um dos maiores compositores e violonistas da MPB, autor de "Gente Humilde", "Gracioso", "Duas Contas" e "Choro Triste", entre muitas outras preciosidades. Também em 1995, lecionou o curso "Viola Caipira - Um Resgate", através do Prêmio Estímulo da Secretaria de Cultura de Campinas-SP.

Um dos trabalhos do qual Ivan se orgulha é a "Musicalização de Crianças", trabalho esse realizado a partir da construção de instrumentos musicais empregando sucata e também da coleta do Folclore Infantil local. Esse trabalho foi realizado em Bauru-SP, Taubaté-SP e Carmo da Mata-MG.

Ao longo de sua carreira musical Ivan Vilela pesquisou inúmeras festas de Folia de Reis, Congadas, Caiapós, Batuques, Catopés, Vilões, Catiras, Marujadas e Moçambiques no Sul de Minas, Vale do Jequitinhonha e também no Norte de Minas. De 1987 à 1994, Ivan pesquisou juntamente com o antropólogo Carlos Rodrigues Brandão, manifestações da Cultura Popular das Minas Gerais. Viajaram à região do Urucuia, Rio São Francisco e Vale do Jequitinhonha, onde percorreram inclusive as "trilhas narradas por João Guimarães Rosa", autor do célebre "Grande Sertão: Veredas".

Profissionalmente, além da composição e interpretação, Ivan Vilela trabalha como Professor Universitário e ministra cursos e seminários sobre Cultura Popular Brasileira, Harmonia Modal, Estética e História da MPB e Viola Caipira, em Campinas-SP e região. Também é colaborador de revistas de música como a Guitar Player.

Também tem participado como jurado em diversos festivais de música nos estados de Minas Gerais e São Paulo. Já se apresentou também em diversos programas de TV, tais como "Terra da Gente" (na Globo), "Metrópolis", "Repórter Eco", "Viola minha Viola", e na série "Violeiros do Brasil", (esses quatro na TV Cultura de São Paulo), além de programas especiais na TV Minas, TV Alterosa e Canal Rural.

Entre suas composições (mais de 100), constam peças instrumentais, trilhas sonoras para filmes e peças teatrais, além da "Ópera Caipira" "Cheiro de Mato e de Chão".

Quero abrir aqui um parêntesis para falar um pouquinho sobre esse interessantíssimo trabalho de Ivan Vilela que é a Ópera Caipira "Cheiro de Mato e de Chão":

A proposta partiu da soprano Niza de Castro Tank, que é uma excelente intérprete das Óperas de Antônio Carlos Gomes, compositor nascido em Campinas. Niza participou inclusive da primeira gravação mundial da ópera "O Guarani" interpretando o papel de Ceci, acompanhada pela Orquestra Sinfônica de São Paulo sob a regência de Armando Belardi, no início da década de 60.

Ao receber das mãos do Maestro Armando Belardi uma cópia dessa gravação, foi que o então Presidente da República Juscelino Kubitschék de Oliveira, muito feliz com o presente, decidiu utilizar a célebre Abertura da Ópera "O Guarany" do renomado compositor campineiro, como prefixo do programa "A Voz do Brasil".

Mas, "voltando à ópera", tendo Ivan entrado em contato com o texto do libreto (escrito por Jehovah Amaral, poeta regionalista de Capivari-SP), pode perceber que a obra havia sido escrita na pura tradição dos romances medievais, além de exaltar os valores e a Cultura do Homem do Campo.

Ivan Vilela optou por uma "instrumentação mista", combinando os instrumentos tradicionais da Orquestra Sinfônica com instrumentos encontrados nas festas populares, formando assim uma "Orquestra Caipira".

Ivan inseriu também citações de clássicos Caipiras famosos para cada gênero visitado e "Tristezas do Jeca" ( Angelino de Oliveira ), foi por ele escolhida como tema reincidente em grande parte da narrativa Musical.

A Ópera Caipira de Ivan Vilela, composta de dois atos, trata de estórias de amores e contendas entre colonos e senhores, carreiros e berranteiros que cruzam o arraial contando suas histórias, uma feira com vendedores de frutas, salgados e ervas medicinais, um mascate turco que anima uma festa e a ópera também recria tradicionais manifestações populares, tais como Procissão, Desafio de Cururu, Folias do Divino, Festas Juninas.

Ao final da Ópera, todos cantam e dançam a quadrilha ao redor da fogueira, em louvor a São João!!


Clique nos links abaixo e ouça:

Armorial
(Ivan Vilela)


Saudade da Minha Terra
(Goiá - Belmonte)


Voando Com A Asa Branca
(Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira - Ivan Vilela)

Interpretações de Ivan Vilela em Arquivos Musicais pertencentes ao seu Site Oficial.


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Junior da Violla:

Professor e Violeiro Solista, nascido na Capital Paulista em 02/01/1978, Ernestino Ciambarella Junior, o Junior da Violla, é conterrâneo de Inezita Barroso e também de Sérgio Reis e, desde criança, ouvia no rádio da casa de seu avô autênticas Obras Primas da nossa Música Caipira Raiz nas vozes de Tião Carreiro, Tonico e Tinoco e Zé Carreiro e Carreirinho, entre outros.

Em 1983, com apenas 5 anos de idade, ganhou um teclado, no qual compôs sua primeira música ("O Amor"). Tinha apenas 6 aninhos!

De 1990 a 1992 foi percussionista no grupo “Sus Four”. Em 1993, com 15 anos de idade, foi que teve o primeiro contato com o Violão e, aos 17, praticou no Baixo, e participou do grupo de heavy-metal "Web of Spider".

O interesse pela Viola Caipira surgiu então aos 18 anos de idade, quando viu pela primeira vez o pantaneiro Almir Sater.

Junior também levou a Viola através de outros estilos como Blues e Rock, e passou por grupos como “Blood Eyes” e “Why Rock”.

No ano 2000 conheceu Rui Torneze de Araújo, que se tornou seu mestre e principal influência.

Foi membro efetivo da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, entre 2000 e 2001 e, juntamente com a Orquestra, participou do “Viola Minha Viola”, apresentado pela Comendadora Inezita Barroso na TV Cultura de São Paulo, e do Programa “Célia e Celma” no Canal Rural, entre outros programas, além de diversos shows pelo Interior Paulista.

Passou a dar aulas particulares de Viola Caipira em São Paulo, ainda no ano 2000 e, a partir de Agosto do mesmo ano, ligou-se à Escola de Música Opus. Foi também aluno de Viola Caipira na ULM (Universidade Livre de Música) em 2001 e assumiu a cadeira de Viola Caipira da Escola Livre de Música Pich & Bend.

Ainda em 2001, juntamente com o estudo na Faculdade de Música UNICSUL, Junior da Violla também estudou Violão Erudito tendo o violonista Edílson de Lima como professor. Como, no entanto, Junior já tocava a Viola Caipira há bastante tempo e “Violão é Violão e Viola é Viola”, as técnicas são diferentes e, dessa forma, Junior enfrentou um desafio muito interessante, tendo afinado a Viola na mesma afinação do Violão e, desta forma, conseguiu desenvolver uma excelente técnica que podemos perceber, por exemplo, no solo de “Chalana” (Mário Zan – Arlindo Pinto), como será mencionado logo adiante.

Trabalhou também ao lado do flautista Nelson Barbosa e com o grupo “Falsos Profetas” onde combinou a Viola Caipira Paulista com a Sanfona Nordestina. No mesmo ano, em Novembro, gravou com Nelson Barbosa para o programa Célia & Celma e, juntamente com a dupla Lulu e Zé Gaucha, conquistou o primeiro lugar no 7º Festival de Música da UNICSUL, além do prêmio de "Melhor Arranjo" que lhe foi conferido.

A partir de 16/12/2001 passou a reger a Orquestra Sinfônica Caipira, a qual, em Setembro de 2002, passou a se chamar Orquestra de Violeiros de São Paulo.

Foi inclusive no primeiro semestre de 2003, numa apresentação da OVSP no Talk-Jazz na Capital Paulista, que tive a felicidade de conhecer o trabalho de Junior da Violla, ocasião na qual percebi também seu excelente Solo de Viola, principalmente na interpretação de “Chalana” (Mário Zan – Arlindo Pinto), com excelente técnica, comparável à de Violonistas Eruditos, utilizando brilhantemente o recurso de “pizzicatti” com as Cordas da Viola!! Foi realmente uma das melhores interpretações do célebre sucesso de Mário Zan que tive a oportunidade de ouvir!!

Voltei também a assistir a OVSP sob a regência de Junior da Violla em Abril de 2003 no “Chiquinho” (anexo do Parque Chico Mendes) em São Caetano do Sul, no ABC Paulista.

Em Abril de 2002 gravou para o programa Célia e Celma com o recém fundado grupo "Som da Terra" e se tornou “endoser” das Violas Rozini. Também ao longo do ano de 2002 passou a estudar Harmonia Funcional e Improvisação com o professor Fábio Negrone.

Assumiu no mesmo ano a cadeira de Viola Caipira da Escola de Música Jam Session.

No início de 2003, passou a ensinar Viola Caipira no Núcleo de Arte Musical (NAM).

Junior da Violla desenvolve atualmente a carreira de Solista e está planejando o lançamento de seu primeiro CD, o qual será composto de interpretações em Solo de Viola "sem a ajuda de outros instrumentos de acompanhamento", o que nos mostrará, portanto, mais uma vez o potencial do tão tradicional Instrumento Musical Caipira Raiz!!

Clique nos links abaixo e ouça:

Calix Bento
(da "Folia de Reis" das Minas Gerais adaptado por Tavinho Moura)


Chão Marcado
(Junior da Violla)


Rio Sorocaba
(Junior da Violla)


Tristeza do Jeca
(Angelino de Oliveira)

interpretações em solo de Junior da Violla em Arquivos Musicais pertencentes ao Site Oficial de Junior da Violla, rico em informações sobre o tradicional instrumento musical brasileiro e também com a agenda de suas apresentações. Convido o Apreciador a visitar também esse site.



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Marcus Biancardini:

"Marcus Biancardini é um Violista excepcional, dono de uma técnica extraordinária a serviço de uma musicalidade igualmente excepcional. Terá um belo futuro no panorama da Música Instrumental Brasileira."

O comentário acima é do excelente Violonista Erudito Turíbio Santos, que também é Diretor do Museu Villa-Lobos do Rio de Janeiro-RJ. Tal comentário se encontra na contra-capa do CD/DVD/CD-ROOM "Viola de Gravata" de Marcus Biancardini.

Nascido em Goiânia-GO no dia 26/10/1978, Marcus Biancardini, além do virtuosismo no solo de Viola, também é formado em Administração de Empresas. Marcus se auto-define como Concertista de Viola.

Autodidata, Marcus começou a tocar Viola aos dezessete anos de idade, inspirado em Renato Andrade: "Quando o ouvi pela primeira vez pude sentir o real valor e a beleza da Viola. Renato redescobriu a Viola, tirando dela sons jamais imaginados, algo que mistura o Caipira com o Erudito, sem perder a originalidade". (Marcus Biancardini em entrevista concedida ao Professor Álvaro Catelan em Goiânia-GO).

Foi de seu pai, o professor Maurício Biancardini do Colégio Objetivo que Marcus Biancardini ganhou sua primeira Viola e foi também de quem ele herdou o gosto pela Música Sertaneja. O professor Maurício costumava convidar duplas sertanejas diversas para animar as festas na fazenda da família no interior do Estado de Goiás. E Marcus Biancardini apurou sua técnica nas audições dos violeiros favoritos, nas quais prestava atenção aos mínimos detalhes.

Tendo se apresentado no Teatro Nacional de Brasília-DF juntamente com Renato Andrade, de quem é discípulo, Marcus Biancardini era por ele considerado como o seu mais autêntico sucessor. De acordo com a escritora e jornalista Rosa Nepomuceno, na página 51 de seu excelente livro "Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio", Renato Andrade considerava Marcus "... de família de recursos e saiu violeiro. Aprendeu a tocar ouvindo meus discos e toca com todos os dedos! E olha que tem muita dedeira nesse trem!". Ainda de acordo com Rosa, Renato Andrade com esse comentário "... criticava o pessoal que puxa as cordas com auxílio do acessório." Renato Andrade também dedicou ao jovem Solista de Viola a sua música "Sentado no Pilão", presente num de seus últimos CD's.

Esse jovem Violeiro de origem italiana nos apresenta em seu primeiro CD (Visom Produções Artísticas Ltda., sob a Direção de Produção de Carlos de Andrade) 12 músicas quase todas de sua autoria onde ele mostra seu incrível virtuosismo no tradicional instrumento musical passando pelos mais diversos ritmos tais como Pagode, Guarânia, Polca e até mesmo os elementos característicos da Música Espanhola, como é o caso da música "Andaluzia". E, na música "Viola de Gravata", que é a faixa-título do disco, arranjada por Marcus Biancardini, ele nos mostra um pot-pourri com a Canzonne Napolitana "Torna A Surriento" (di Curtis), o Fado "Coimbra" (Raul Ferrão - J. Galhardo), bem como as Eruditas "As Quatro Estações" (Vivaldi) e a célebre "Serenata" (Franz Schubert)!!

No mesmo disco, também podemos assistir a duas faixas Multimídia, onde podemos ver, durante cerca de 12 minutos, seus ágeis dedos tanto da mão direita como da mão esquerda passeando pelas cordas, e pelo braço da Viola!! Dentre outras peripécias, Marcus Biancardini vira a Viola ao contrário e, passando a mão pela madeira lisa, tira a sonoridade como se as cordas fossem invisíveis e estivessem realmente no lado de trás do tradicional instrumento caipira! Um excelente trabalho com a mão esquerda no braço da viola, sem sombra de dúvida!!

Participa também do disco o Violonista e Luthier Roberto de Matthus (Felixlândia-MG - Fone: (31)3638-6347) que, por sinal, é quem fabrica as Violas que Marcus executa nas afinações "Rio Abaixo" em Sol Maior e "Cebolão" em Mi Maior. E, além do seu notável virtuosismo, Marcus Biancardini é também um excelente compositor, cujas músicas revelam não apenas os sons do Brasil Caipira, mas também a sua origem italiana! Vale a pena ver ouvir o maravilhoso trabalho musical desse CD/DVD.



Está em fase de lançamento o CD "Viola de Gravata" - Vol. 2 - disponível por enquanto nas lojas de Goiânia-GO e Brasília-DF. Brevemente será distribuído para todo o Brasil.



E, em 2006, Marcus Biancardini recebeu dos filhos e do neto de Renato Andrade a Viola que o acompanhou durante toda a sua carreira no Brasil e "no Estrangeiro, do outro lado das águas!", como o inesquecível Renato costumava dizer. Dessa forma, o jovem Solista prossegue com a maravilhosa Arte de pontear a Viola, com esse Ponteado ecoando agora no Instrumento Musical que pertenceu ao seu maior Ídolo e Mestre, que foi o saudoso Renato Andrade.



E, para quem quer iniciar a Arte de tocar a Viola Caipira, Marcus Biancardini aconselha: "Penso que na vida nada vem de graça. Tudo tem o seu preço, seu esforço e dedicação. Com a Viola não é diferente. Acho que o ponto de partida para aprender tocar Viola é gostar muito da Viola. Depois muito amor, dedicação e disciplina, pois esses são os Verdadeiros Mestres dos Violeiros."



Quero aqui convidar o Apreciador a visitar o Site Oficial de Marcus Biancardini contendo biografia mais detalhada, agenda de shows, e diversas informações sobre esse excelente Concertista de Viola!

Contato para shows:
e-mail: marcusbiancardini@marcusbiancardini.com.br



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Mazinho Quevedo:

Osmar Lucianeti Quevedo nasceu em 28/03/1965 em Adamantina-SP, na barranca do Rio Paraná; em 1987, formou-se em Odontologia pela Unicamp, em Campinas-SP. No entanto, ele garante: não troca jamais a Viola pelo "Boticão"; e, na Viola Caipira, esse notável solista não se restringe apenas e tão somente uma única vertente musical. Uniu o Erudito ao Folclórico: a Viola de Tião Carreiro ao virtuosismo de Hermeto Pascoal, à Música Erudita de Heitor Villa-Lobos e também à "brejerice" de Tonico e Tinoco.

Mazinho foi influenciado também pelo saudoso violeiro Bambico e pela nossa boa MPB, inclusive pelo Instrumental Brasileiro, além do Jazz e da Música Flamenca Espanhola. Mazinho Quevedo também é Maestro e fundador da Orquestra de Violeiros de Araras-SP.

Mazinho começou a tocar Viola aos 10 anos de idade, gostando desde cedo de ritmos tradicionais, tais como Toada, Cateretê, Pagode Caipira, Moda de Viola, Guarânia, Rasqueado, Polca e Catira. E, através dessa paixão pelo Interior e pela Raiz Folclórica, acabou criando um estilo único.

Tudo começou quando sua vó pediu para que fosse buscar uma lata de massa de tomate no supermercado... e que voltasse logo, já estava na hora do almoço...

E, na frente do supermercado, estava uma "Variant" azul estacionada, com placa de Piracicaba-SP e, no bagageiro, além de umas "traia de pesca" e uns trecos de cozinha amontoados, estava encostada no vidro, sem a capa... uma Viola... que Mazinho reconheceu como tal...

Cintura fina, uma elegância que contrastava com o pé descalço de Mazinho, mas que, ali, naquela hora, parecia que já o aceitava...

E, após contemplar a Viola por uns intermináveis 10 minutos, saíram dois homens do supermercado em direção à Variant, e Mazinho perguntou:

- Você toca Viola?

- Não... é ele... Como você sabe que é Viola, menino?

- Tem dez cordas...

- Você toca?

- Um pouquinho - mentiu Mazinho - me deixa ver ela de perto! Deixa?

- É tarde, menino, nós vamos pra Panorama...

Nisso um deles pergunta para o outro:

- Você pegou o álcool?

- Esqueci... - respondeu o outro. E, enquanto o rapaz foi buscar o álcool, o violeiro desconhecido concordou em tocar...

E Mazinho viu o homem tirar a Viola de dentro do carro e, após uma "ligeira temperada", fez um ponteado e terminou com uma batida de Pagode (o tradicional ritmo criado por Teddy Vieira e Tião Carreiro).

Meio hipnotizado... meio bobo... meio em transe... O fato é que naquele momento Mazinho não tirava os olhos das mãos do desconhecido Violeiro, como se seus ouvidos estivessem sintonizando uma "terceira" ou "quarta dimensão"...

"É isso que eu quero, para o resto da minha vida!!! Pronto, estava "feito o pacto"... Dali para a frente seria sempre o Mazinho Quevedo da Viola..."

Lógico que acabou "tendo um problema"... Mazinho "havia se esquecido da massa de tomate"... e os avós, preocupados, pois Mazinho tinha demorado demais...

Essa entrevista foi concedida por Mazinho Quevedo à EPTV no Sítio do Caipira. Não sabemos no entanto quem foram os desconhecidos violeiros que exerceram influência decisiva em Mazinho Quevedo e em nossa Boa Música Brasileira!!

E os discos de Tião Carreiro despertaram em Mazinho o interesse em aperfeiçoar-se no toque da Viola. Em 1984, foi morar em Araras-SP, onde prosseguiu os estudos do tão tradicional instrumento musical Caipira Raiz. Nesse mesmo período, começou a compor suas melodias através da observação do cotidiano do Interior Paulista, com suas "Histórias de Boiadeiros", a Natureza e as Tradições Culturais.

Participou também do "Projeto Terra da Viola" que levou Mazinho a se tornar o primeiro Violeiro Solista da Orquestra Sinfônica de Piracicaba (entenda-se "Violeiro", como executante de "Viola Caipira", pois existe também a Viola, tocada com Arco, um pouco maior do que o Violino, que é integrante permanente da tradicional Orquestra Sinfônica). E, no programa "Terra da Viola", Mazinho também participou juntamente com Inezita Barroso de um especial sobre a obra de Cornélio Pires, o grande pioneiro da Música Caipira Raiz.

Entre suas influências musicais estão, além do já mencionado Rei do Pagode, que foi o Tião Carreiro, excelentes músicos do quilate de Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Heitor Villa-Lobos, além dos brasileiríssimos Tonico e Tinoco, Waldir Azevedo e Luiz Gonzaga, além de Músicos Eruditos Europeus tais como Maurice Ravel (o célebre compositor francês, autor do famoso "Bolero") e o excelente Violonista Espanhol Paco de Lucia!

Mazinho também compôs a trilha sonora do programa "Terra da Gente", da EPTV, de Campinas. Fez também releitura das obras musicais de Mazzaropi, além de ter também diversas composições gravadas por variados intérpretes da Música Caipira Raiz.

Mazinho também se apresentou em teatros de diversas cidades, tais como Piracicaba, Adamantina, Rio Claro, Descalvado e Poços de Caldas, além de diversas participações no excelente programa "Viola Minha Viola", produzido por Rivaldo Corulli e apresentado por Inezita Barroso na TV Cultura de São Pa