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Joel Antunes Leme, o Pedro Bento, nasceu em Porto Feliz-SP em 08/06/1934; Valdomiro de
Oliveira, o Zé da Estrada, conterrâneo de
Tinoco,
nasceu em Botucatu-SP (distrito que hoje é o recém emancipado município de Pratânia-SP) em
22/09/1929.
Aos 7 anos de idade, Joel Antunes já cantava Cururus em Porto Feliz-SP; considerado
"menino-prodígio", também cantava em Festas do Divino nas regiões de Tietê e Piracicaba entre
outras; e sua formação musical foi ao lado de cantadores como Sebastião Roque, Pedro Chiquito,
Luís Bueno, João David e Zico Moreira. Pedro ainda fez parte do "Trio Paulistano" e atuou
também na dupla "Matinho e Matão" a qual se apresentava na Rádio Clube de Santo André-SP.
Participava também cantando no Programa de Nhô Zé na Rádio Nacional. E, aos 13 anos de idade,
resolveu se mudar para a Paulicéia Desvairada.
Valdomiro, por outro lado, teve uma trajetória um pouco diferente: foi retireiro e agricultor.
Oriundo de família de Cantadores, consta que seu bisavô teria cantado com D. Pedro II e
dele recebeu uma viola de madrepérola, com a qual fez questão de ser enterrado. Valdomiro foi
também caminhoneiro, resultando daí o seu nome artístico de Zé da Estrada. Além de
caminhoneiro, Valdomiro foi também administrador de fazendas. Na carreira musical, além de ter
sido cantor mirim, fez parte do trio "Os Fazendeiros", juntamente com Paiozinho e com o
acordeonista Pirigoso, e com sucesso nas rádios Cultura e Nacional.
Foi em São Paulo-SP, no ano de 1954, no programa "Manhãs Na Roça" de Chico Carretel, na Rádio
Cruzeiro do Sul, que Joel Antunes conheceu Valdomiro que já residia há 17 anos na Capital
Paulista e já havia adotado o pseudônimo de Zé da Estrada. E em 1956 a dupla recém criada
passou a atuar na Rádio Cultura e em circos, participando também de campanhas políticas.
E em 1957 a dupla gravou o primeiro 78 RPM na gravadora Continental, interpretendo a
"Santo Reis" (Pedro Bento - Paulo Vitor) e "Teu Romance" (Pedro Bento - Zé da Estrada -
Braz Hernandez). No mesmo ano gravaram mais um disco onde se destacava o valseado
"Seresteiro Da Lua" (Pedro Bento - Cafezinho - José Raia), considerado por muitos como o maior
sucesso na carreira da dupla. Na época, Pedro Bento e Zé da Estrada eram acompanhados pelo
acordeonista Coqueirinho.
Em 1960 passaram a ser acompanhados pelo acordeonista Célio Cassiano Chagas, o Celinho,
formando o trio "Pedro Bento, Zé da Estrada e Celinho", conjunto que se apresentou na Rádio
Bandeirantes e, logo depois, na Rádio Tupi, ambas na Capital Paulista. Celinho continua até
hoje tocando o Acordeon nos shows de Pedro Bento e Zé da Estrada, como no SESC de Bauru-SP,
por exemplo (ver fotos logo abaixo).
Apesar da Música Caipira ser um Estilo Musical Genuinamente Brasileiro, ela não ficou livre de
influências estrangeiras as quais aconteceram em toda sua história. Conforme já foi dito por
Cornélio Pires,
o estilo nasceu da fusão das Culturas Européia (Portuguesa, principalmente), Africana e
Indígena.
A influência da Música Folclórica de outros países latinos também se fez presente em nossos
ritmos, como por exemplo, a Guarânia Paraguaia que influenciou os ritmos de composições de
Nhô Pai e
Mário Zan
e, também não podemos deixar de mencionar, as diversas Guarânias Paraguaias, com versões para
a Língua Portuguesa feitas por
José Fortuna
e que estouraram nas paradas de sucesso nas vozes de
Cascatinha e Inhana.
Não esquecendo também de mencionar algumas influências da Música Americana Rural
através de versões para o Português gravadas pela dupla
Belmonte e Amaraí
(por exemplo
"Os Verdes Campos de Minha Terra" (Putman - versão: Geraldo Figueiredo) que é uma versão
do Country "The Green Green Grass Of Home").
Nessa fusão de culturas, Pedro Bento e Zé da Estrada também fizeram um "harmonioso casamento" da
Música Caipira Brasileira com a Música Mexicana dos Mariachis (conjuntos típicos formados por 8 a
12 pessoas, com Cantadores, Violões, Trompetes e Chitarrones, que interpretam a Música
Folclórica nas ruas de diversas cidades mexicanas, em ritmos como a Canção Rancheira).
Não abandonando a autêntica Música Caipira Raiz, Pedro Bento e Zé da Estrada, que também eram
fãs da Música Mexicana, passaram a vestir trajes típicos com os característicos "Sombreros
Mexicanos" e passaram a interpretar também músicas típicas desse interessante país
latino-americano, entre 1963 e 1971, acompanhados também pelo trompetista Ramón Pérez.
E a dupla passou a ser conhecida como "Os Amantes das Rancheiras".
De acordo com a entrevista concedida pela dupla no programa "Viola Minha Viola" que foi ao ar
no dia 23/07/2005 pela
TV Cultura
de São Paulo-SP, após uma visita de Miguel Aceves Mejia ao Brasil, Pedro Bento e Zé da Estrada
(que, além da Moda de Viola, já haviam começado a interpretar canções mais românticas, além de
Boleros e Rancheiras) resolveram então "plagiar" o célebre cantor mexicano. O primeiro
"chapelão mexicano" foi confeccionado em Brotas-SP, com três chapéus de palha, encaixados
um sobre o outro. E quando Pepe Ávila havia chegado do México junto com um conjunto de lá, foi
que os Amantes das Rancheiras adquiriram as roupagens por completo.
As características dos Mexicanos tanto nas vestimentas como também na música, na instrumentação
e nos "gritinhos dos Mariachis" (Ai, Ai, Ai... Hui, Hui, Hui... ) bastante comuns também nas
interpretações de Miguel Aceves Mejia, harmonizaram-se com a Música Raiz Brasileira,
não só com Pedro Bento e Zé da Estrada, mas também com outras duplas tais como
Tibagi e Miltinho,
Belmonte e Amaraí
e também
Milionário e José Rico,
esses últimos tendo gravado não apenas versões, mas também composições próprias nos Ritmos
Mexicanos.
Tem sido sempre uma característica de Pedro Bento e Zé da Estrada a mistura de rítmos tais como
Canção Rancheira, Bolero, Mambo, Fox e Guarânia, além do Repertório Caipira Raiz que não
abandonaram.
Em 1974 Pedro Bento e Zé da Estrada transferiram-se para a Rádio Record onde permaneceram até
1981. E, em 1978, participaram brilhantemente do filme "Os Três Boiadeiros", dirigido por
Valdir Kopezky.
Em sua brilhante carreira musical, de quase 50 anos, Pedro Bento e Zé da Estrada
gravaram aproximadamente duas mil músicas, num número estimado de 16 discos de 78 RPM,
104 LP's e 22 CD's, com bastante sucesso em diversas composições que se tornaram verdadeiros
clássicos da Música Caipira Raiz e que premiaram a dupla com diversos Discos de Ouro e também
de Platina.
Dentre seus maiores sucessos musicais, podemos destacar, além de "Seresteiro Da Lua" (Pedro
Bento - Cafezinho - José Raia), composições que são verdadeiras obras de arte tais como
"Piracicaba" (Nílton A. Melo), "O Sonho do Matuto" (Capitão Furtado - Laureano),
"Boi Soberano" (Carreirinho - Isaltino G. Paula - Pedro L. Oliveira), "Mourão Da Porteira"
(Raul Torres - João Pacífico), "Sinhá Maria" (René Bittencourt), "Os Três Boiadeiros" (Anacleto
Rosas Jr.), "Romaria" (Renato Teixeira) e "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio),
apenas para citar algumas Brasileiras Autênticas!
Pedro Bento e Zé da Estrada continuam cantando, gravando e se apresentando em shows sempre
calorosamente aplaudidos por inúmeros Apreciadores por todo o Brasil. São exemplos de
talento e força de vontade, indispensáveis quando se fala na autêntica Música Caipira
Raiz.
Na foto à direita, os Amantes das Rancheiras no Teatro São Pedro na Capital Paulista em Março
de 2003, em gravação de um programa "Viola Minha Viola" especial, pela
TV Cultura
de São Paulo-SP, ocasião na qual a "Madrinha"
Inezita Barroso
recebeu das mãos do Governador Geraldo Alckmin e da Secretária da Cultura do Estado de São Paulo
Cláudia Costim a Comenda do Mérito da Ordem do Ipiranga! Na ocasião, além de Pedro Bento e Zé
da Estrada, também estiveram presentes, as
Irmãs Galvão,
Teodoro e Sampaio e também a Orquestra Paulistana de Viola Caipira, sob a regência do Maestro
Rui Torneze.
A dupla gravou um dos seus mais recentes CD, lançado em Janeiro de 2003 pela Atração Fonográfica:
"Do Jeito Que o Povo Gosta" o qual contém a seleção de repertório escolhida pelo próprio
Pedro Bento, com musicas de diversos autores renomados. Destaque para uma regravação de
"Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio) que conta com a participação especial
de Daniel.
Contato para shows:
(11) 221-0727 ou (11) 221-4017 - Falar com Mairiporã
(Mairiporã Promoções Artísticas)
e-mail:
shows@mairiporapromocoes.com.br
Merece ser visitada, junto à Câmara Municipal de Pratânia-SP, no Museu dedicado à dupla
Tonico e Tinoco,
a sala dedicada à dupla Pedro Bento e Zé da Estrada, onde são mostrados troféus,
discos, fotos, indumentárias, instrumentos musicais antigos, e todo um aparato já utilizado pela
dupla através de sua História que continua sendo construída!
Na foto abaixo, Pedro Bento (à direita) e Zé da Estrada (à esquerda) por ocasião da Festa Junina
no SESC de Bauru-SP, no dia 18/06/2005. Ao centro, em segundo plano, o acordeonista Celinho:
Na foto abaixo, da esquerda prá direita, o acordeonista Celinho, Ricardinho e o trompetista
Paquito, que acompanharam Pedro Bento e Zé da Estrada na apresentação que teve lugar no SESC
de Bauru-SP no dia 18/06/2005:
Na foto abaixo, da esquerda prá direita, Zé da Estrada, Ricardinho e Pedro Bento após a
apresentação que teve lugar no SESC de Bauru-SP no dia 18/06/2005:
E, na foto abaixo, Pedro Bento e Zé da Estrada, com
Ramiro Vióla, também Botucatuense e conterrâneo de Zé da Estrada:
Obs.: As informações contidas no texto desta página são originárias do Livro de Rosa
Nepomuceno "Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio" e também dos sites da
Gravadora Revivendo,
Som Sertanejo,
Enciclopédia Musical Brasileira,
Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira e
Viola Caipira - Yassír Chediak.
Ver também mais detalhes e links na página
Para saber mais...
onde constam as
Referências Bibliográficas
sem as quais a elaboração deste site teria sido impossível.
Essa viagem pela Música Caipira Raiz continua:
Clique aqui
e pegue o trem, que ele agora irá para São José do Rio Preto-SP e Piracanjuba-GO: conheça essa dupla que se formou na década de 1950 (após experiências
musicais anteriores da cada um de seus integrantes) e participou do programa "Alvorada Cabocla", apresentado pelo Radialista Nhô Zé, na Rádio Nacional de
São Paulo-SP. Desde o primeiro "bolachão" 78 RPM em 1960, a dupla gravou uma vintena de LP's e 78 RPM's, apesar de pouquíssimo de sua Produção Musical ter
sido remasterizada em CD. Conheça um pouquinho da trajetória artística de
Caçula e Marinheiro.
Ou então, se você preferir outro compositor ou intérprete,
clique aqui
e "pegue outro trem para outra estação", na
Página-Índice dos Compositores e Intérpretes.
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