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Rolando Boldrin: Este é o nome completo e também o nome artístico deste excelente “cantadô”,
como ele mesmo se define!
Paulista da Velha Mogiana, o sétimo de 12 meninos e meninas, Rolando nasceu em 22/10/1936 em
São Joaquim da Barra no interior de São Paulo. Com apenas dois anos, mudou-se, junto com os
pais, Seu Amadeu e Dona Alzira, para Guairá, na mesma região, e foi nessa cidade que
Rolando começou a cantar algumas Modas de Viola, Toadas e Canções com seu irmão Leili Boldrin,
dois anos mais velho.
A dupla (foto à direita) chegou a fazer algumas apresentações com o nome “Boy e Formiga”: Boy
foi o apelido que o próprio pai colocou no filho Rolando, dada sua paixão pelos filmes de
“cowboys” americanos da época: como Boy era loiro, o apelido "combinou"; e Leili recebeu o
apelido de Formiga também da própria família, de tão miudinho que era quando nasceu...
E o repertório de Boy e Formiga era "escolhido a dedo": entre diversos clássicos, as "pérolas"
de
Raul Torres
e
João Pacífico
tais como "Pingo d' Água", "Chico Mulato" e "Cabocla Tereza".
Leili Boldrin atualmente se dedica ao comércio e ainda tem o apelido de Formiga.
No LP "Violeiro" (também lançado em CD) de 1982, Rolando e Leili Boldrin (ou "Boy e Formiga")
relembraram os tempos da
dupla e gravaram juntos a toada "Felicidade" (Barreto - Barroso).
Rolando Boldrin também chegou a assistir ao nosso grande
Cornélio Pires,
em suas apresentações
pelas diversas cidades do Interior, o que com certeza influenciou bastante na Cultura e no Gosto
Musical do nosso "cantadô" de São Joaquim da Barra-SP.
Algum tempo depois, Rolando Boldin contava 16 anos e, por conta própria, decidiu
“arribá” sozinho prá "Capitar": São Paulo da Garoa... Na Paulicéia Desvairada, foi sapateiro,
garçon, auxiliar de armazém e frentista. E, por exigência da idade,
prestou o Serviço Militar em Quitaúna, no mesmo ano do suicídio de Getúlio Vargas.
Quando deu baixa do Quartel, saiu determinado a seguir a carreira artística, pois já tinha a
experiência de “cantadô” inato e “contadô” de causos e, com a Viola e o Violão, já havia
experimentado “um pouco de tudo”, das Modas de Viola da época aos Sambas e Canções dos
cantores e conjuntos mais famosos que ouvia no rádio: Vicente Celestino, Francisco Alves
(o famoso "Chico Viola, como também era conhecido), Orlando Silva, Carmen Miranda, Noel Rosa,
Bando da Lua, etc. Na Música
Caipira, ouvia Jararaca e Ratinho e Alvarenga e Ranchinho, entre outros e, como diz o próprio
Rolando Boldrin, “...muito rádio ... muito rádio e alto-falantes das pracinhas interioranas...”
Seguiram-se então os testes em diversas rádios paulistanas como a Rádio São Paulo, Rádio
Record, até chegar à Rádio Tupi que já possuía inclusive uma pequena experiência com os
primeiros anos de transmissão televisiva no Brasil (a qual havia se iniciado em 1950). Era
1958, ano em que Rolando Boldrin completava 22 anos. E, finalmente, o primeiro contrato para
atuar como ator de TV e Rádio. “...Até que enfim, acreditaram que aquele "Capiau" magrela e
desajeitado poderia ser um artista de verdade...” nas palavras do próprio Rolando Boldrin!
Foi nos anos 60 que estreou em gravações; trabalhou inclusive com Lurdinha Pereira, que veio
a ser sua esposa. Após alguns anos como ator em novelas, e sempre acompanhando Lurdinha Pereira
que também era cantora e gravara alguns discos na época, numa dessas gravações no estúdio, foi
pedido para que ele também “soltasse a voz”... Era o Palmeira, que em 1961 era produtor na
gravadora Chantecler e tal acontecimento teve lugar quando da gravação da música "Do Que Eu
Gosto Mais" de sua autoria, que seria gravada por Lurdinha, no entanto, acabou sendo gravada
em dueto com seu marido. Tímido de início, Rolando alegou que "não cantava, era só compositor...",
mas, com a insistência de Palmeira, o disco em dueto foi gravado. E, a partir daí,
começou a traçar um novo caminho em sua vida!
E os primeiros discos de Genuína Música Brasileira começaram a ser gravados com sua
voz tão característica!
Depois de ter gravado mais alguns discos em duo com Lurdinha, em 1974 Rolando Boldrin gravou
seu primeiro LP solo: "O Cantadô". O título foi escolhido pelo próprio Rolando Boldrin, pois é
"como ele gosta de ser chamado", já que "não possui compromisso com a voz, nem com a forma de cantar,
mas somente com a maneira de emocionar...". Para Rolando, Elomar é o maior cantador do Brasil.
Mílton Nascimento também é um cantador em sua concepção. Cantor, Rolando cita como exemplo Cauby
Peixoto e Djavan, de acordo com entrevista concedida à Rosa Nepomuceno em Janeiro de 1999 quando ela
escrevia o excelente livro "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio" - página 354.
De 1981 a 1984 apresentou na Rede Globo aos Domingos pela manhã o inesquecível programa
“Som Brasil” que resgatou e reergueu muita gente importante já esquecida no nosso cancioneiro,
como por exemplo o Ranchinho que fazia dupla com Alvarenga (que havia falecido em 1978), que
cantava e contava causos; Zé Coco do Riachão com sua Viola; João Pacífico, que declamava seus
poemas com sua voz e sotaque tão característicos.
Também foi graças ao “Som Brasil” que se tornaram conhecidos
Pena Branca
e o falecido
Xavantinho
(foto acima e à esquerda). O segundo CD de
Pena Branca & Xavantinho
("Uma Dupla Brasileira")
também foi produzido por Rolando Boldrin. Realmente "... a Globo tinha preconceito contra os
Sertanejos e
quem quebrou esse preconceito foi Rolando Boldrin..." de acordo com suas próprias palavras em
entrevista à Rosa Nepomuceno no Livro "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio" - pág. 352. E,
com o sonho de apresentar o "Som Genuinamente Brasileiro" no “horário nobre”, Rolando Boldrin
teve alguns desentendimentos com a emissora de Roberto Marinho e, em 1984 apresentou o
“Empório Brasileiro”, também excelente programa nas noites de Terça-Feira na Rede Bandeirantes.
E, por um curto período de tempo, apresentou também “Empório Brasil” no SBT.
Clique Aqui
e ouça "Vide Vida Marvada" (Rolando Boldrin) interpretada pelo autor, no site do
MPB-NET.
Essa gravação é o tema que era tocado na abertura do inesquecível Programa "Som Brasil".
Era marca registrada dos programas de Rolando Boldrin apresentar nossos valores autênticos.
Seus programas valorizavam as tradições regionais, as conversas de "cumpadi", a Boa Música
Raiz, e, conseqüentemente, não admitia o uso de “play-back” nem guitarra. A idéia era "não cantar
sucessos", mas somente música de inspiração regionalista. Também nada de
glamour”, do contrário, Boldrin queria que a pessoa fosse ao programa com naturalidade e
simplicidade, vestido como andava na rua, sem nenhum "figurino especial". “Se andasse na rua,
normalmente de chinelo, tudo bem, mas que não fosse “todo produzido” ao seu programa... “.
Aliás, por causa do “chapelão de cowboy americano”, Sérgio
Reis chegou a ser barrado no "Som Brasil" conforme já foi mencionado na página que dediquei ao
Serjão neste site.
O importante é que, para nossa felicidade e de todos os que defendem Nossas Raízes, Rolando
Boldrin não perde de vista "o palquinho de Cornélio Pires" que ele um dia havia conhecido com
seus 11 anos de idade em São Joaquim da Barra! Não importa o quanto a TV tenha mudado, e o quanto
nossa Música Regional possa "perder pontos" para os ditos "rappers", "pagodeiros" e "pop-sertanejos"
(também chamados por alguns de "breganejos" e "sertanojos"). Rolando Boldrin se mantém firme,
defendendo as Raízes, a exemplo de
Inezita Barroso,
que é excelente batalhadora e se mantém no
mercado e apresenta com bastante qualidade o "Viola Minha Viola" na
TV Cultura
de São Paulo-SP.
Aliás, não posso deixar de mencionar textualmente um comentário de Rolando Boldrin sobre nossa
grande Inezita Barroso que "...sabe das coisas muito mais que eu, que sou autodidata. Tem cultura,
é uma estudiosa. Eu só sei falar daquilo que aprendi vivendo..." (página 359 do livro de
Rosa Nepomuceno: "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio").
Para Boldrin, é nas Minas Gerais
que se encontra "o mais rico celeiro" de músicos que realmente valorizam a Cultura Rural e cita
como exemplo os irmãos
Pena Branca e Xavantinho
da região de Uberlândia-MG e também o Solista de
Viola
Renato Andrade,
além do cantador Tadeu Franco e do compositor Paulinho Pedra Azul.
E, para nossa felicidade, Rolando Boldrin está apresentando o excelente programa
Sr. Brasil,
que vai ao ar nas noites de Terça-Feira, com reprise nas tardes de Domingo pela
TV Cultura
de São Paulo-SP. Desde 1981, quando Rolando Boldrin começou a contar seus "causos"
durante três anos no inesquecível "Som Brasil" nas manhãs de Domingo na Globo, seguido
pelo "Empório Brasileiro" na Bandeirantes em 1984, "Empório Brasil" no SBT em 1989 e
"Estação Brasil" na TV Gazeta em 1997, o "Cantadô" voltou às telas da TV após sete anos! De
acordo com o próprio Rolando Boldrin,
Sr. Brasil
é um programa vasto, aberto e receptivo.
Vamos mostrar os ritmos e temas regionais brasileiros que a maior parte do Brasil não tem
oportunidade de conhecer. Serão mostradas todas as manifestações regionais. A única
obrigatoriedade é que tudo seja genuinamente nacional".
Quero aqui destacar a coletânea de 8 CD's intitulada "Vamos Tirar o Brasil da Gaveta", lançada
em 2004 pela
Inter CD Records,
distribuída pela
Kuarup Discos e
que nos apresenta uma belíssima criatividade na forma de "gaveta" que armazena um excelente
resgate incluindo diversas obras musicais, muitas das quais ainda não haviam sido remasterizadas
em CD. Clique na capa do CD acima e à direita e adquira esse e outros excelentes trabalhos de
Rolando Boldrin diretamente da
Kuarup Discos.
Nos 5 primeiros CD's foram selecionadas diversas Canções, Toadas, Modas De Viola e
Cateretês, enfim diversos ritmos autênticos do nosso riquíssimo repertório Caipira Raiz,
incluindo participações especiais de Formiga (o irmão Leili Boldrin), e também da esposa
Lurdinha Pereira, além de Corumba, Barreto,
Ranchinho,
Briozo, Bentinho,
Cascatinha
e Jair Rodrigues!
Nos CD's Nºs. 6 e 7, autênticos Sambas Urbanos, de renomados autores tais como
Ary Barroso, Assis Valente, Alcebíades Nogueira (Bide), Wilson Batista, Pedro Caetano, Alcyr
Pires Vermelho, Noel Rosa, Herivelto Martins, Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, apenas para citar
alguns! E Rolando Boldrin vocalizou alguns Sambas juntamente com Luizinho, Paulinho, Magoo e
Ricardo, o que nos faz reviver famosos conjuntos vocais, tais como "Quatro Ases E Um Coringa",
"Bando Da Lua", "Anjos Do Inferno", "Vocalistas Tropicais" e "Diabos Do Céu".
E, no CD Nº. 8,
as famosas declamações que nos recordam o inesquecível programa "Som Brasil" que ia ao ar nas
manhãs de Domingo pela Rede Globo em 1981! São poemas de Nhô Bento, Abílio Victor, Lulu
Benencase e muitos outros que souberam valorizar a nossa Poesia Caipira!!
Enfim, temos nessa coletânea uma amostra bastante representativa do artista que, durante 40
anos, preocupou-se em selecionar para o seu repertório de "Cantadô" e Declamador Popular o que
existe de mais representativo em nossa Cultura, consciente de que toda a riqueza da nossa
Música, seja ela "cantada ou tocada", levando em conta a grande diversidade de ritmos e temas
que possui representando os Estados e seu povo, jamais, em tempo algum fora explorada com
justiça nas suas mais legítimas formas de expressão!
O "Canário Brasileiro" é um belíssimo trabalho artístico de Alfredo Quinino! O trabalho
fotográfico é de Pierre Yves Refalo!
Rolando Boldrin também gravou o excelente "Disco da Moda" e também participa da coletânea
"Caipiríssimo", CDs também lançados e distribuídos pela
Kuarup Discos.
Clique nas figuras ao lado e adquira esses excelentes trabalhos fonográficos diretamente da
Kuarup.
Quero destacar também o mais recente trabalho de Rolando Boldrin, dessa vez em companhia de
Renato Teixeira,
também lançado e distribuído pela
Kuarup Discos:
Rolando e Renato gravam juntos pela primeira vez e contam nesse CD com as participações
especiais de
Almir Sater,
Dominguinhos, Heraldo do Monte e Paulo Sérgio Santos. Destaque para "Brasil Poeira" (Almir
Sater - Renato Teixeira), "Funeral De Um Lavrador" (Chico Buarque - João Cabral de Melo Neto),
"Chico Mineiro" (Tonico - Francisco Ribeiro), "Vaca Estrela E Boi Fubá" (Patativa do Assaré),
além da até então inédita "Tempo Das Aves" (Rolando Boldrin), da raríssima "Três Nascentes"
(João Pacífico) e também da quadrilha "Maria Bonita" (Volta Seca), composta pelo famoso
"cangaceiro-compositor" que pertenceu ao bando de Lampião. Clique na capa do CD à direita e
adquira esse excelente trabalho fonográfico diretamente da
Kuarup.
Parabéns, Rolando Boldrin! É graças a pessoas como você que continua viva a "Alma do Brasi
Cabôco"!!
Este é o nosso valiosíssimo "cantadô". Poucos como ele dão valor às coisas de Nossa Terra
e Nossa Gente!
Clique aqui
e conheça o "Causo do Fordinho 29", contado por Rolando Boldrin em seu
Site Oficial.
Clique aqui
e ouça o "Causo da Onça", narrado por Rolando Boldrin em seu
Site Oficial.
Obs.: As informações contidas no texto desta página são originárias principalmente do Livro
"Música Caipira - Da Roça ao Rodeio" de Rosa Nepomuceno e também do
Site Oficial de Rolando Boldrin.
Ver mais detalhes e links na página
Para saber mais...
onde constam as
Referências Bibliográficas
sem as quais a elaboração deste site teria sido impossível.
Essa viagem pela Música Caipira Raiz continua:
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e pegue o trem, que ele agora seguirá para a Capital Paulista: conheça um pouquinho dessa nossa
grande cantora, violeira, especialista em Folclore e apresentadora do célebre programa "Viola
Minha Viola" que é a paulistana
Inezita Barroso.
Ou então, se você preferir outro compositor ou intérprete,
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e "pegue outro trem para outra estação", na
Página-Índice" dos Compositores e Intérpretes.
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