"E lá vai o trem
Cruzando serras e planícies das Gerais,
Queimando lenha, soltando brasa,
E o maquinista diz que é muito feliz..."
Trem das Gerais (Xavantinho)

A excelente dupla caipira autêntica que "uniu dois mundos" de nossa Boa Música Brasileira e
com total harmonia: além de contar com a admiração do público que aprecia a Moda de Viola,
corajosamente ousaram e foram bem sucedidos em interpretar uma versão totalmente original e
pessoal do "Cio da Terra" de Milton Nascimento e Chico Buarque, uma composição musical que
aparentemente "não tinha nada a ver com o repertório Caipira Raiz", no entanto, a bela melodia
que já fazia sucesso na MPB tornou-se um "Clássico do Repertório Caipira", agradando aos dois
públicos que, antes, ou não conhecia a dupla, ou não conhecia a composição de Chico e Milton.
Esse trem agora levará o Apreciador ao Triângulo Mineiro, a Região onde foi criada essa
maravilhosa dupla que realizou o "casamento harmonioso" da MPB com a Música Caipira Raiz:
Pena Branca e Xavantinho!!
Influenciados por
Tião Carreiro,
Zé do Rancho,
Tonico e Tinoco,
Zico e Zeca,
Vieira e Vieirinha,
entre outros,
José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, nasceu em Igarapava-SP no dia 04/09/1939; e Ranulfo Ramiro
da Silva, o Xavantinho, nasceu em Cruzeiro dos Peixotos, Distrito de Uberlândia-MG, em
26/12/1942 e
faleceu em São Paulo aos
56 anos, em 08/10/1999. Criados na Região de Uberlândia no Triângulo Mineiro, eram filhos de
Dolores Maria de Jesus, (a "Coitinha" como era carinhosamente conhecida), que
lavava roupa para fora, e de Francisco da Silva, que trabalhava numa pequena lavoura que
possuía e também criava algumas cabeças de gado em terreno arrendado.
Dona "Coitinha" cantava com Seu Francisco que também tocava Cavaquinho. Além de cantar, ela
também marcava o ritmo com instrumentos de percussão que improvisava com cabaças de porongo e
colheres de pau. Assim foi o primeiro contato musical dos meninos que aprenderam os primeiros
acordes musicais no Cavaquinho do Seu Francisco, que faleceu repentinamente em 1950 quando José
Ramiro e Ranulfo tinham apenas 11 e 8 anos respectivamente.
Sendo o primogênito, Pena Branca teve que assumir a responsabilidade do sustento da família.
Dona "Coitinha" continuava com as improvisações dos instrumentos musicais, tendo inclusive
confeccionado uma Viola feita de cabaça de porongo e sandálias velhas, cujas tiras de couro
foram cortadas em fios finíssimos e fizeram a vez das cordas! E era ela quem mais queria que
os meninos tentassem uma carreira artística, já que considerava a Música como sendo a
"libertação" daquele trabalho rude e que seguia um sistema praticamente escravocrata.
Em 1953, durante a entressafra, José Ramiro foi trabalhar em Ituiutaba-MG como carregador
nos frigoríficos e armazéns. Foi nessa época que comprou sua primeira Viola e formou
com Zé Pretinho a dupla "Zé Miranda e João do Campo". E, quando voltava a época da safra,
José Ramiro voltava prá casa e continuava o trabalho nas fazendas, onde nas horas de folga
ensaiava com o irmão Ranulfo. Nesse trabalho, José Ramiro e Ranulfo não recebiam dinheiro,
e sim "ordens de pagamento" ao armazém de secos e molhados da localidade.
Melhorando com o tempo o desempenho, começaram a participar de Folias de Reis, quermesses e
bailes. Eram comuns também os mutirões em finais de semana, os quais sempre acabavam numa
comemoração com comida, bebida, Música e Dança. E os dois irmãos animavam a festa.
Três anos depois desfez-se a parceria com Zé Pretinho. José Ramiro e Ranulfo continuavam os
ensaios freqüentes, e começaram a desenvolver os estilos inspirados nas Duplas Caipiras da
época. José Ramiro tocando uma "Viola de Craveia" e Ranulfo tocando um velho Violão emprestado
de um amigo. E já se apresentavam em clubes onde muitas vezes "os palcos eram formados por
mesas reunidas".
Em 1958, quando participaram do programa do Coronel Hipopota na Rádio Educadora de Uberlândia,
o locutor cismou que "José e Ranulfo" (como eles se denominavam) "não era nome de dupla".
Contra a vontade dos dois irmãos, anunciou no microfone da emissora a dupla "Peroba e Jatobá".
José e Ranulfo não gostaram do nome, apesar da insistência do Coronel Hipopota. Na apresentação
seguinte adotaram os nomes de "Barcelo e Barcelinho". Não satisteitos, mudaram o nome para
"Xavante e Xavantinho", lembrando das aulas de História na Escola Primária, e homenageando
também o Índio Brasileiro. Na época, os irmãos continuavam trabalhando como carregadores, o
que possibilitou a compra de novas Violas. Eles se apresentavam em todos os lugares, e não
recusavam nenhum convite. Ranulfo, o Xavantinho, também começou nessa época a escrever as suas
primeiras letras.
Com o Sanfoneiro Pinagi formaram o "Trio Pena Branca", que em 1964 se apresentava em pequenas
cidades do interior Goiano. Seu estilo era influenciado diretamente por Vieira e
Vieirinha, e também por "Pedro Bento e Zé da Estrada", e "Serrinha e Ramón Perez".
No repertório, canções típicas da Zona Rural Mineira, Polcas Paraguaias,
Folclore Boliviano e Toadas Mexicanas. Desfez-se mais tarde o trio, porém
os irmãos "Xavante e Xavantinho" continuaram a se apresentar, e concentraram seu trabalho
entre o Triângulo Mineiro e a região Centro-Oeste do Brasil.
E, mais uma vez, tiveram que trocar de nome, pois havia aparecido um cantor de nome artístico
Xavante, que formava um trio com Taquari e Otavinho e passara a exigir dinheiro para utilização
do seu nome pela dupla "Xavante e Xavantinho". Desta vez então, os irmãos José e Ranulfo
aproveitaram o nome do trio que haviam formado antes com Pinagi, o "Trio Pena Branca" e,
a partir de então, José Ramiro passou a ser o Pena Branca, e Ranulfo, o Xavantinho, ficando
a excelente dupla com o nome consagrado que chegou até nós, a despeito das descrenças do
Coronel Hipopota que insistia em "Peroba e Jatobá" e afirmava também que com aquele "constante
troca-troca" de nomes, a dupla não faria sucesso, embora soubessem cantar muito bem! Aliás, o
nome definitivo da dupla nasceu já na Capital Paulista como será mencionado logo abaixo.
E na dupla, Xavantinho tocava o Violão enquanto seu irmão Pena Branca sempre foi o responsável
pelo som da Viola Caipira.
E o destino parecia estar traçado: em 1968, Ramiro e um motorista da transportadora na qual
trabalhavam tiveram que ir recuperar a carga de um caminhão que estava a caminho de São Paulo
e que havia caído em uma ribanceira no canal de São Simão no Estado de Goiás. Ao término do
trabalho, Xavantinho decidiu "pedir carona" e seguir junto com o caminhão usado no socorro,
rumo à Paulicéia
Desvairada, "apenas com a cara e a coragem" e a roupa suja de lama no corpo, sem sequer avisar
previamente a família... E prometeu ao irmão Pena Branca: "Mano, um dia vou tirar você daí".
Na Capital Bandeirante continuou trabalhando na filial da mesma transportadora, onde foi
promovido a entregador de encomendas. Prosseguia com os ensaios nas horas de folga. Algum
tempo depois, Pena Branca também foi para junto do irmão, chamado por ele através de uma carta,
e passou a trabalhar na mesma empresa de transporte como conferente de carga. Os dois moravam
na pensão da Dona Judite no bairro do Canindé.
E começaram a se apresentar em São Paulo. Em 1969, integraram o grupo de músicos do "Rei do
Laço", que era um clube de divulgação da Música Caipira, freqüentado por figuras importantes
do meio, como os famosos e respeitados
Tonico e Tinoco,
e também a dupla, na época iniciante,
Milionário e José Rico.
Em 1970 conquistaram o quarto lugar num festival promovido pela Rádio
Cometa e foram convidados a participar da gravação de um compacto, com a música vitoriosa,
"Saudade". Foi inclusive na hora de receber esse prêmio que apareceu o cantor de nome
artístico Xavante, já mencionado acima, que quis inclusive "vender o nome" para José e
Ranulfo que não quiseram. Subiram então no palco e anunciaram que, a partir daquele instante,
eles eram "Pena Branca e Xavantinho"!
Em 1975, passaram a integrar a Orquestra "Coração de Viola", em Guarulhos.
Inezita Barroso,
num
belo dia, estava ensaiando com essa orquestra e percebeu o potencial de Pena Branca e
Xavantinho:
"Meninos, vocês têm um grande futuro, mas vocês só acontecerão se saírem
daqui". Também a dupla Coração do Brasil,
Tonico e Tinoco,
foi fazer um show em
Barretos-SP e eles perceberam o valor de José e Ranulfo:
"Queremos esses dois meninos com
a gente". No mesmo ano ainda, "Pena Branca e Xavantinho" foram contratados para se
apresentar na Basílica de Aparecida do Norte-SP, nos finais de semana, num coreto montado
junto à ferrovia. Os shows eram produzidos por Roberto de Oliveira, irmão de
Renato Teixeira.
Em 1979, o mesmo Empresário Roberto de Oliveira, da gravadora WEA, procurava talentos para
integrar o projeto do Selo Rodeio, um selo específico para músicas regionais. E veio o convite
para um teste de estúdio após uma apresentação da dupla em Aparecida do Norte-SP. Houve, porém
um desencontro e quando chegaram ao estúdio, foram informados de que Roberto havia viajado a
negócios. O funcionário que os atendeu recebeu muito negativamente a música "Que Terreiro É
Esse?" e detestou mais ainda as outras músicas que eles apresentaram. Nada foi feito e o
funcionário aconselhou aos dois irmãos que "...pegassem a Viola e fossem prá casa ensaiar
outras coisas, mudar o repertório...".
No ano seguinte, em 1980, seguiram o conselho de Roberto de Oliveira e se increveram no
festival MPB Shell daquele ano, com a música "Que Terreiro É Esse?", a mesma que havia
sido ridicularizada pelo funcionário da WEA. Na apresentação, no Maracanãzinho no Rio de
Janeiro-RJ, interpretaram a música acompanhados de 16 Violeiros da Orquestra de Guarulhos
mais um grupo de percussionistas. A platéia acompanhou com palmas, e a música foi classificada
para as finais. Durante o festival, conheceram Renato Teixeira, Almir Sater, Diana Pequeno, e
muitas outras "feras da MPB" com as quais criariam laços permanentes e importantíssimos.
Roberto de Oliveira, por outro lado, ficou surpreso quando soube da recusa do funcionário da
gravadora, que, de acordo com o Empresário, teria sido um total descumprimento de suas
orientações. E, para "reparar o incidente" o mais rápido possível, providenciou o lançamento
do primeiro LP de Pena Branca e Xavantinho: "Velha Morada", incluindo a música
que havia sido refugada: "Que Terreiro É Esse?". No entanto, foi outra música a que mais chamou
a atenção da crítica e do meio musical: o célebre "Cio da Terra" de Chico Buarque e Milton
Nascimento.
E a iniciativa para esse "Casamento Harmonioso" partiu de Xavantinho: ele gostava do "Cio
da Terra" de Chico e Milton e insistia que a música podia ser gravada em dueto, com as vozes
terçadas. Para Pena Branca foi difícil "encontrar a segunda voz", mas o resultado valeu a pena:
o "casamento" foi finalmente consagrado! Renato Teixeira já havia iniciado o "casamento" entre
a MPB Urbana e a Música Caipira; Pena Branca e Xavantinho consagraram este casamento, seduzindo
um "público da cidade grande" a um novo estilo na MPB e mostrando também ao interiorano "novos
filões". Bom para ambas as partes...

E começaram os convites para programas de TV. O primeiro veio de
Rolando Boldrin,
que chamou os irmãos do Triângulo Mineiro para a estréia do inesquecível Programa "Som Brasil"
na Rede Globo em 1981. Rolando Boldrin tinha conseguido localizar José e Ranulfo num "quarto e
cozinha" em Guarulhos-SP.
No mesmo programa, juntamente com o próprio Milton Nascimento, cantaram "Cio da Terra".
"Naquele dia ficamos muito nervosos, mas deu pra agüentar durante a gravação, só depois,
no camarim, é que a gente não agüentou a emoção e começou a chorar...".

Em 1982, gravaram o segundo disco, "Uma Dupla Brasileira", o qual foi produzido por Rolando
Boldrin, conforme já mencionado na
página dedicada ao "cantadô".
E começaram a viajar pelo Brasil, dentro do projeto "Som do Brasil". Durante este período,
assimilaram também novos ritmos, incorporando-os ao seu estilo musical. Para nossa felicidade,
esse LP foi remasterizado em CD e se encontra disponível!
Nesse ano cantaram
juntamente com Milton Nascimento, no show "Trinta Anos da Anistia Internacional", em
Curitiba-PR, realizado na famosa pedreira Paulo Leminski, famosíssima pela sua "acústica
natural" e que reuniu vários artistas a fim de angariar fundos para a entidade. Na mesma
"pedreira" também já se apresentaram outros músicos mundialmente consagrados, como por
exemplo, o Tenor Catalão José Carreras!
O terceiro disco, "Cio da Terra", só veio cinco anos depois, em 1987, na Continental, e desta vez, "derrubando todas as barreiras" entre Música Caipira e Urbana", consagrando o "Harmonioso Casamento de Estilos" de nossa Boa Música Brasileira. Gravaram Luiz Gonzaga, Lupicínio Rodrigues, Tavinho Moura e Wagner Tiso, sempre com versões inovadoras. Durante as gravações, em Belo Horizonte-MG, Milton Nascimento falou aos irmãos: "Vamos fazer Cio da Terra". E Xavantinho relembrou:
"Eu não acreditava que o Milton ia cantar com a gente. Eu falava… "ai, meu Deus do céu…". Depois eu fiquei com medo porque ele ficou de colocar a voz e nós viemos embora. Eu achava que eles iam tirar a voz; que eles iam achar alguma coisa errada e iam tirar a voz do Milton. Mas não, a coisa se multiplicou - pois daí entrou o Marcus Viana tocando, mais o pessoal do "Clube da Esquina". O Tavinho Moura entrou também, com a música "Peixinhos do Mar"… Depois essa fita veio para a Continental e saiu o disco. Esse disco é o nosso passaporte, é o nosso cavalo de batalha. Cada dia que a gente canta Cio da Terra ele brilha mais!".
A consagração estava acontecendo! E nada melhor do que um Encontro entre os Mineiros!! O Mineiro de Três Pontas e os Irmãos do Triângulo Mineiro, juntamente com o já consagrado "Clube da Esquina" (é certo que Milton Nascimento nasceu na Cidade Maravilhosa, mas foi adotado com bem poucos dias de vida e levado pelos pais adotivos do Rio de Janeiro para Três Pontas-MG, onde o "Bituca" viveu sua infância, juventude e adolescência: Mineiro de Coração, Uai, sô!). E, Pena Branca, é Paulista, mas, não há dúvida que tem também um Coração Mineiro, do Triângulo!!
Conforme já mencionei na página dedicada ao
Rolando Boldrin,
para ele é nas Minas Gerais que se encontra "o mais rico celeiro" de músicos que realmente valorizam a Cultura Rural e cita como exemplo os irmãos Pena Branca e Xavantinho da região de Uberlândia e também a Solista de Viola
Renato Andrade,
além do cantador Tadeu Franco e do compositor Paulinho Pedra Azul.
Pena Branca & Xavantinho, no entanto, continuavam (e continuam!!) não tendo a divulgação de seu
trabalho, no Brasil, na intensidade com que sempre mereceram, talvez por "não se adequarem ao padrão
moderno, imposto pela mídia e pela gravadoras", à "música sertaneja". Mas quem ouve seus CDs, ou
pelo menos teve a oportunidade de vê-los (como na apresentação que fizeram no programa da TV
Cultura, "Bem Brasil" e também no programa "Ensaio" na mesma maravilhosa TV Cultura), não
consegue deixar de considerá-los, uma das melhores Duplas Caipiras de todos os tempos,
equiparável à
Tonico e Tinoco,
Liu e Léu
ou
Raul Torres
e Florêncio. Como bem disse
Inezita Barroso:
"eles fazem Música Caipira e não música sertaneja".
Eu, particularmente, como Apreciador, não posso deixar de inserir um comentário meu, pois foi
em 1990 que tive a felicidade de assistir no Teatro Municipal de Santo André-SP à Peça Teatral
"As Estrambóticas Aventuras da Música Caipira" que, traçando a História da Vida de Cornélio
Pires, entre um quadro e outro, o cenário mudava, o palco se mexia e uma "plataforma
deslizante" trazia para a cena a Dupla Pena Branca e Xavantinho que cantava um "Clássico do
Caipira Raiz" ou então um sucesso da época, como por exemplo "No Rancho Fundo" (Lamartine Babo
- Ary Barroso) (que era sucesso com a Dupla Chitãozinho e Xororó em 1990). Foi nesse espetáculo
(no qual, por sinal, comprei ingresso para um espetáculo e assisti a duas maravilhosas
produções: a Peça Teatral e o Show da Dupla!), que tive o prazer de conhecer pessoalmente a
maravilhosa Dupla do Triângulo Mineiro!!!
E em 1988, o LP e CD "Canto Violeiro", contou com a participação de Fagner, Tião Carreiro, Almir Sater e Oswaldinho do Acordeon. "Penas do Tiê" (folclore com adaptação de Fagner) e "Calix Bento" (folclore adaptado por Tavinho Moura), presentes nesse CD, harmonizaram ainda mais o "casamento" da Música Urbana com a Música Caipira, que já havia sido celebrado com o "Cio da Terra". "Eu, A Viola e Deus", de Rolando Boldrin também faz parte desse CD.
O disco seguinte, "Cantadô de Mundo Afora", conquistou o prêmio Sharp de 1990 como sendo melhor disco, melhor dupla e melhor música ("Casa de Barro" de Xavantinho e Moniz).
Em 1992, novo prêmio Sharp de melhor disco, conquistaram desta vez com o CD "Ao Vivo em Tatuí", juntamente com
Renato Teixeira,
e que foi produzido por Mário de Aratanha e Leo Stinghen; também conquistou o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria de melhor disco. E, com este excelente trabalho, conquistariam em 1999, seu primeiro Disco de Ouro, recebido no programa "Viola, Minha Viola", apresentado na TV Cultura de São Paulo pela
Inezita Barroso.

"Violas e Canções" foi lançado em 1993, com Toadas, Batuques e Folias de Reis, e uma versão de "O Ciúme", de Caetano Veloso, selando mais uma vez o "casamento" de estilos em nossa Boa Música Brasileira. Também estão nesse CD excelentes gravações de "Viola Quebrada" (Mário de Andrade), "Uirapuru" (Murilo Latini - Jacobina) e "Triste Berrante" (Adauto Santos). Eu, particularmente, considero esse o melhor disco lançado pela Dupla do Triângulo Mineiro. E nesse mesmo ano a dupla também se apresentou nos Estados Unidos, realizando shows em New York, New Jersey, Pompano Beach, Miami e Boston.
Clique Aqui e ouça "Viola Quebrada" (Mário de Andrade -
Ary Kerney) interpretada por Ná Ozzetti, Pena Branca e Xavantinho, no site da
MPB-NET. Esta gravação faz parte do CD "Violas e Canções", lançado em 1993.
Em 1995 "Ribeirão Encheu", produzido por Tavinho Moura e Geraldo Vianna. E, em 1996 "Pingo D’Água", produção e direção musical de Kapenga Ventura, com vários sucessos tradicionais do gênero Caipira Raiz.

Em maio de 1997 conquistam novo prêmio Sharp na categoria melhor dupla sertaneja, tendo concorrido com Chitãozinho e Xororó e João Mulato e
Pardinho. O último trabalho discográfico da dupla foi o CD "Coração Matuto", lançado em 1998, novamente produção e arranjos por Kapenga Ventura.
No repertório estão "Planeta Água", de Guilherme Arantes, e também "Lambada de Serpente", de Cacaso e Djavan. E, mais uma vez a participação de
Milton Nascimento, desta vez em "Morro Velho". A própria dupla considera este CD como o melhor trabalho por eles realizado.
Não poderia jamais deixar de citar os comentários inclusos no encarte do CD "Coração Matuto" que enfatizam ainda mais o
"casamento harmonioso" da Fina Flor da MPB com a Música Caipira Raiz, proporcionado por Pena Branca e Xavantinho:
"Pena Branca e Xavantinho, manos do meu coração, sempre surpreendendo a gente a cada novo disco, cada apresentação e
cada gravação. Vocês são o máximo em Música e Pessoas. A gente já fez coisas juntos em várias ocasiões e foi sempre uma
emoção, que nos levou às lágrimas e também aos ouvintes-platéia. Sou grato por terem me chamado para fazer parte dessa
dupla tão verdadeira. Mais um CD na rua, mais uma emoção prá todos nós. Felicidades e estou sempre às ordens. Com muito
amor."
"Mano Véio" Milton Nascimento
"Pena Branca e Xavantinho acrescentam como ninguém realidade a esta letra. Sinto um imenso prazer em ouvir 'Lambada
de Serpente'
interpretada de maneira tão íntegra e autêntica por estas vozes."
Djavan
"Ouvir Pena Branca e Xavantinho me remete à maior emoção. A pureza de suas canções e a singeleza de suas interpretações
fazem deles a mais autêntica dupla das raízes brasileiras. 'Planeta Água'
gravada por eles foi o maior presente da
minha vida. Se já era fã, agora só me resta chorar."
Guilherme Arantes
Xavantinho, que havia sido internado por problemas respiratórios no Hospital Nipo-Brasileiro
em São Paulo-SP, faleceu no início da tarde do dia 8 de Outubro de 1999, aos 56 anos, de
insuficiência respiratória e falência múltipla dos órgãos. Sua morte deixará, sem dúvida,
uma enorme e insubstituível lacuna na Boa Música Brasileira.
Segundo Mauro Dias, em matéria no jornal
"O Estado De São Paulo" no dia 09/10/1999:
"A obra de Pena Branca e Xavantinho
representa o que há de melhor, mais digno e mais refinado na música sertaneja, sem concessão
a modismos ou injunções de mercado". De acordo com Rosa Nepomuceno em seu excelente livro
"Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio", na página 386, Xavantinho
"...sofria de uma espécie de nostalgia da roça
e dizia que as pessoas saíam para a cidade carregando esperanças, mas acabavam colecionando
amarguras, sem conseguir voltar à Terra Natal.". Clique nas capas do CDs acima e adquira
esses e outros excelentes trabalhos do Pena Branca diretamente da
Kuarup Discos.

Em todos nós ficará inevitavelmente a saudade e a lembrança, mas também o carinho ao
"Mano Véio" Pena Branca que, por sinal, heroicamente, continua na Estrada e já lançou pela
Kuarup
dois excelentes CD's depois do falecimento de Xavantinho: "Semente Caipira" e "Pena
Branca Canta Xavantinho".
"Semente Caipira", por sinal, é vencedor do "Grammy Latino 2001" e
conta também com a participação de Inezita Barroso na terceira faixa "Marcolino" (Domínio Popular).
E a sexta faixa desse CD é "Correnteza" (Antônio Carlos Jobim - Luiz Bonfá) dando
continuidade ao "harmonioso casamento" da MPB com a Música Caipira Raiz! Clique nas capas dos
CDs acima e adquira esses excelentes trabalhos de Pena Branca diretamente da
Kuarup Discos.
A décima primeira faixa do CD "Pena Branca Canta Xavantinho" é "Meu Céu" (Xavantinho -
Zé Mulato)
gravada juntamente com o grupo
Viola Quebrada
do Paraná e que foi a última gravação do saudoso irmão e companheiro de Pena Branca, o
Xavantinho!
Importante lembrar que esta mesma gravação de "Meu Céu" foi lançada originalmente na
segunda faixa do excelente CD do Grupo
Viola Quebrada
do Paraná, também pela
Kuarup.
Clique
na capa do CD acima e à direita e adquira esse e outros excelentes trabalhos do Grupo Viola
Quebrada e também de Pena Branca diretamente da
Kuarup Discos.
"...Não é o Céu,
conforme eu aprendi,
Mas se Deus achar por bem,
Pode me deixar aqui..."
Clique Aqui e ouça "Penas do Tié" (Folclore - adaptado por
Fagner) interpretada por Fagner, Pena Branca e Xavantinho no site da
MPB-NET.

Pena Branca vem atualmente se apresentando com o Grupo Viola de Nóis, formado por Tarcísio
(Voz e Violão) (foto à esquerda, juntamente com Ricardinho), Rogério Motta (Violão de Cordas
de Aço), Christiano (Acordeon), Márcio Bonesso (Contra-Baixo), Dedé Aires e Alex Mororó
(Percussão) (o mesmo grupo musical que antes era denominado Grupo Mano Véio) e, com esse
excelente conjunto já lançou o terceiro CD após o falecimento do irmão e companheiro
Xavantinho.

O CD foi gravado ao vivo no "Palco de Arte" em Uberlândia-MG em Abril de 2003. Destaque para
"Triste Berrante" (Adauto Santos), "Janela da Fazenda" (Pena Branca) e "Cantiga do Arco-Íris"
(Xavantinho - Arlindo Moniz), além de mais nove excelentes interpretações já consagradas pelo
Pena Branca e pelo falecido Xavantinho.
E a foto abaixo onde Pena Branca se apresenta juntamente com o Grupo Viola de Nóis foi um
presente que ganhei do Tarcísio, Violonista do Grupo (à direita, de camisa azul), por
ocasião do II Encontro de Violeiros de Ribeirão Preto-SP em 13 e 14/03/2004.
Pena Branca e o Grupo Viola de Nóis (na época ainda com o nome Grupo Mano Véio), estiveram presentes no Programa
“Viola Minha Viola” que foi ao ar no dia 28/05/2003 na
TV Cultura
de São Paulo, apresentado pela
Inezita Barroso,
programa no qual também estiveram presentes o Poeta e Compositor
José Caetano Erba,
além de "César e Paulinho" e também a nova dupla "
Tião do Carro
e Odilon".

Além do grupo "Viola de Nóis", o "Mano Véio" Tarcísio também conduz a Orquestra de Violeiros de Uberlândia
"Viola do Cerrado", que conta atualmente com 14 elementos, sendo 10 Violas Caipiras, além de 4
Músicos de apoio com Violão, Baixolão e Percussão. Dentre os executantes, além de músicos, a Orquestra também tem
Engenheiros, Médicos, Sociólogos, Empresários e Professores, todos com um sentimento em comum: o Amor à Música e à
Viola Caipira.
Deixemos que o próprio "Mano Véio" Tarcísio nos fale sobre a Orquestra de Violeiros de Uberlândia
"Viola do Cerrado":
"
No contexto de valorização de uma das mais verdadeiras e autênticas manifestações de nossa Cultura, o Universo Caipira tem
como o seu principal representante a Viola Caipira. O surgimento das Orquestras de Viola Caipira tem aí o seu mérito e
objetivos principais: ser o instrumento de divulgação da nossa Cultura Raiz.
A Orquestra de Violeiros de Uberlândia 'Viola do Cerrado'
surgiu num momento ímpar em que Violeiros de todo o país
se mobilizavam para o reconhecimento do 'Ser Caipira'
e do 'Ser Violeiro'
". Idealizada no 1º Encontro de
Violeiros de Uberlândia-MG em Fevereiro de 2002, o sonho tornou-se real na primeira apresentação oficial no Encontro de
Violeiros e Contadores de Causos de Uberlândia-MG, evento que marcou pela sua grandiosidade, contando com um público de
mais de 3000 pessoas. Para abrilhantar mais ainda o evento, Pena Branca e
Inezita Barroso
– os Padrinhos da Orquestra - constituíram um espetáculo à parte. A Orquestra de Violeiros de Uberlândia-MG vem divulgando
seu primeiro CD intitulado 'Viola do Cerrado' (foto da capa à direita)
lançado em agosto de 2004, que contou com a
participação muitíssimo especial de Tinoco (da dupla
Tonico e Tinoco).
Foi escolhida como a melhor Orquestra de Viola Caipira do Brasil no contexto do Prêmio Nacional de Excelência da Viola
Caipira 'Homenagem a Tião Carreiro'
, uma iniciativa da
Revista Viola Caipira,
referência para os violeiros de todo o país.
"
Clique aqui
e conheça o Site Oficial de Pena Branca, do grupo "Viola de Nóis" e também da Orquestra de Violeiros de Uberlândia
"Viola do Cerrado", com a História dos dois grupos, fotos diversas, mapa do palco, CD's à venda, e contatos para shows.
Na foto abaixo, a excelente apresentação de Pena Branca junto com o Grupo Vióla de Nóis no
dia 15/06/2005, por ocasião da Festa Junina do SESC de Bauru-SP:
Na foto abaixo, minha Esposa, a Netinha e Pena Branca (o intérprete favorito de Netinha),
após a apresentação na Festa Junina do SESC de Bauru-SP:
E na foto abaixo, Ricardinho e Pena Branca no dia 15/06/2005, após a apresentação no SESC de
Bauru-SP:
Contato para shows com:
Pena Branca:
(11) 9276-9701
Tarcísio (Grupo Viola de Nóis):
(34) 3211-5857
(34) 9112-9684
(34) 8829-9684
e-mail:
violadenois@hotmail.com
tarcisioprod@terra.com.br
orquestravioladocerrado@gmail.com
Obs.: As informações contidas no texto desta página são originárias principalmente do
Almanaque "Jangada Brasil Nº. 15 - Novembro - 1999",
(que foi por sinal a mais completa biografia que encontrei dos Irmãos do Triângulo Mineiro) e também do Livro "Música Caipira - Da Roça ao Rodeio" de Rosa Nepomuceno.
Ver mais detalhes e links na página
Para saber mais...
onde constam as
Referências Bibliográficas
sem as quais a elaboração deste site teria sido impossível.
Essa "viagem de trem" pelo Interior Musical do Brasil não pára por aqui:
clique aqui
que esse trem agora o levará à "Capital Federal" para que você possa conhecer dois Grandes
Personagens que fazem a História de nossa Boa Música Caipira Raiz nos tempos atuais: a "Dupla
Três Em Um":
Zé Mulato e Cassiano,
dois mineiros que moram em Brasília e estão na Estrada mantendo viva a Nossa Boa Música Caipira
Raiz.
Ou então, se você preferir outro compositor ou intérprete,
clique aqui
e "pegue outro
trem para outra estação", na
Página-Índice dos Compositores e Intérpretes.